Percy Jackson e a Aventura com os Kane
3 Capítulo 3 - O meu momento heróico
L I Z
O relógio marcava 14:44.
Estávamos no telhado do Museu do Brooklyn de forma que ninguém nos visse, aguardando os seguranças irem embora e as luzes se apagarem para o Museu fechar.
Estávamos com roupas de linho, elas ajudam bastante na hora de praticar magia. E Khufu — nosso babuíno carismático — estava engraçado com sua roupinha especial de ninja, correndo em círculos meio impaciente.
Devo admitir que eu estava um pouco nervosa, sei lá, eu estava com uma sensação de que alguma coisa iria dar errado.
– Lembram do nosso plano? – Perguntou Carter, examinando seu relógio.
– Sim. – Dissemos.
– Ok. Quando tudo estiver fechado, abriremos a janela e entramos – Ele disse apontando para uma janela que estava bem próxima. Seria apenas necessário andar uns 2 metros pelo parapeito e entrar. Ainda bem que a janela não ficava na direção da rua, assim quem estivesse andando na rua não poderia nos ver e ligar pra policia falando que 5 adolescentes e um babuíno fantasiado de ninja entraram no museu do Brooklyn pela janela.
– E vamos dar direto na sessão egípcia. De acordo com Sadie precisamos achar uma estátua, mas ainda não sabemos qual exatamente. Tentem não fazer muito barulho. E podem haver armadilhas, certo? – Carter continuou recordando o nosso plano.
Depois esperamos alguns minutos até ouvirmos um barulho vindo de dentro do museu, os seguranças deviam estar fechando tudo. E uns 5 minutos depois sem ouvir mais nenhum barulho, Sadie anunciou para começarmos a executar o plano. Eu estava torcendo para dar tudo certo e não sermos atacados por monstros bizarros. Caso isso acontecesse, eu já sabia como invocar o meu cajado do Duat.
Apontei o meu dedo para a janela e disse o feitiço: W'peh, (abrir). A janela se abriu.
– Consegui. Vamos! – Eu disse a todos.
Fomos um por um, com bastante cautela andando pelo parapeito, e entramos dentro do museu.
As paredes eram da cor bege, o teto tinha um desenho egípcio que eu pensava ser da rainha Cleópatra, e por causa da luz do sol que entrava pelas janelas não estava escuro.
– Certo, agora vamos achar a estátua e sair daqui. –Disse Annabeth, a filha de Atena.
Nos dividimos, Carter, Khufu e Eu fomos para o lado esquerdo, e Annabeth, Sadie e Percy foram pelo lado direito.
Fomos andando.
– Então... Ainda está bolado por eu ter ganhado de você no treino de hoje mais cedo? – Brinquei dando uma olhada nos artefatos em exposição.
– Eu não estou bolado com isso. – Respondeu Carter. – Tem certeza que consegue fazer algo parecido se algum monstro aparecer?
– Sim. Eu andei treinando bastante as minhas técnicas de batalha depois do almoço. – Disse. – E... dei uma lida num livro. Acho que era “Como fazer picadinho dos seus inimigos Volume 2”.
Fomos dando mais uma andada, olhando algumas estátuas.
– Argh! – Disse Khufu, e apontou para uma estátua com cabeça de animal.
– O que ele quer dizer? – Perguntei.
– Ah, sim. Esse é Tot o deus da sabedoria, equivalente à Atena na mitologia grega. Os babuínos o idolatram. – Respondeu Carter.
– Ah ta... – Acho que eu estava sacando o apelido de Carter como “Enciclopédia humana”.
...
– Ei gente! Achamos! – O pessoal gritou do outro lado
– Haergh!– Disse Khufu todo animadinho correndo na direção deles.
Fomos atrás do babuíno.
– Onde? – Perguntei.
– Essa daqui – Sadie apontou para uma estátua de mais ou menos um metro, meio marrom com um colarzinho no pescoço.
– KNM – Disse Annabeth.
– O que? – Perguntou Sadie.
– Está escrito aí, KNM! – Ela respondeu.
– Desde quando você sabe ler símbolos egípcios? – Perguntou Percy.
– Desde sempre, ora, um filho de Atena precisa saber de um pouco de tudo – Annabeth respondeu com um sorriso.
– Tudo bem... E o que fazemos agora? – Perguntou Percy.
– Errrr... Sei lá – Disse Sadie. – Quem é o carinha da estátua afinal? A cabeça dele parece a de um alce. Talvez seja o deus...... Alceu?
– Sadie! Isso não é um Alce, é um carneiro. – Disse Carter revirando os olhos.
– Esse não é... – Eu ia dizer.
– Khnum, a forma que Rá assumia ao por do Sol, quando ia ao mundo inferior. – Fui atropelada pela Annabeth ainda com um sorriso do tipo “Há! Uma filha de Atena sempre responde primeiro que todos.”
– Hm.... Então tá. – Disse Sadie. Ela pegou sua varinha e pressionou o colar de Khnum. — Voilá!
Ouvi um barulho e tudo começou a tremer. Se bem que Khnum rimava com Cabum! Que coincidentemente rimava com: “Meu pressentimento estava certo, agora tudo vai pro bejo!”
– O que foi que você fez? – Perguntou Percy.
– Sadieee! – Ralhou Carter.
– Ah, qual é! Como que eu podia sab...
Ela parou. Senti um arrepio. Ah não, será que era o nosso fim? Ah, não seja burra, é claro que não! Respondi pro meu lado medroso.
– Gente... – Eu disse. – Porque tudo mundo paro...? – Nem terminei, e fui empurrada com força pro lado. Caí no chão.
Abri meus olhos. Ali mesmo onde eu estivera, um monstro gordo e feio, de uns 6 metros com garras afiadas, olhos brancos, um rabo longo, e asinhas de beija flor (sim, não riam ele era muito medonho), estava atacando Percy que lutava com sua espada, e Sadie com sua varinha. E Khufu estava tentando morder o rabo dele.
Carter foi correndo até mim. Acho que foi ele quem me empurrou.
– Você está bem?
– Acho que sim. – Respondi, e me levantei devagar.
– Tudo bem, fique aqui. – Ele disse.
– Não! – Protestei. Cansei de não participar das lutas. Eu sempre morri de medo disso, e estava tentando superar esse medo. É agora.
– Quê? – Carter perguntou.
– Está na hora de provar o meu valor. – Eu disse.
Ele sorriu.
– Vamos!
Aquela definitivamente era a hora de provar que sou uma boa maga da Casa da Vida, e usar o que aprendi no livro “Como fazer picadinho dos seus inimigos Volume 2”. O título é bem encantador não acham?
Carter invocou sua espada Kopesh. Eu girei minha mão e ta-dã! Invoquei o meu cajado.
O monstro pegou Percy com uma de suas mãos e o jogou longe. Ele se esculachou na parede.
Ele estava encurralando Sadie.
– Ei! Eu tô aqui! – Gritei, para ele vir em minha direção.
Sadie jogou um feitiço nele pelas costas. Cordas começaram a amarrá-lo.
Ele foi caindo e se debatendo contra as cordas.
– Valeu! – Ela gritou.
De repente, vi a Annabeth aparecer do nada, reparei que ela segurava um boné do time New York Yankees. Ela pegou sua faquinha e enfiou no olho do monstro, ele gritou de dor.
Em seguida ela foi correndo socorrer Percy, que parecia meio enconsiente.
O bicho feioso de repente se soltou das cordas morrendo de raiva, e deu uma “rabada” que derrubou Carter no chão, e foi em sua direção.
Fiquei com raiva. Agora você tá morto!
Corri até ele.
– Ei bichão vem provar um pouco de mim! – Gritei.
Ele se virou pra mim e veio em minha direção.
Me concentrei, e apontei meu cajado para frente.
– AHHHHGHHHHHHRRRRRZ! – Ouvi o barulho do bicho.
Gritei o feitiço. E...
Bem, o monstro literalmente explodiu. Quer dizer explodir mesmo. Do tipo que as tripas voaram, fui lançada para trás e minha cabeça bateu contra a parede. Minha visão escureceu.
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