Notas iniciais
Obrigada pelo mais novo acompanhamento e boa leitura a todos ; D

-Você já está pronto? –Annabeth falou assim que entrou no quarto.

-Quase. -Estava de costas terminando de me arrumar. -Só falta amarrar essa gravata...

Tentei dar o nó, mas meu dedo ficou preso, de novo.

Bufei irritado e soltei os braços do lado do corpo. Annabeth riu e se colocou na minha frente para ajudar.

Fiquei de boca aberta ao olhá-la. Ela estava com um vestido azul com renda alguns centímetros abaixo do joelho, seu cabelo encaracolado caia sobre os ombros como uma cascata de ouro imperial e apesar de não usar nenhuma maquiagem, seus olhos cinza tempestuosos brilhavam.

Annabeth me olhou com a testa franzida.

-O que foi?

Sai do meu transe e lhe dei um grande sorriso. –Você está absurdamente linda só isso.

Ela ficou levemente corada e a achei mais bonita ainda.

Céus. Poderia ficar a admirando a noite toda

Depois de alguns segundos Annabeth se afastou e me olhou de cima á baixo.

-Você também está muito bonito.

-Obrigado...

-Nem parece meu namorado mau vestido.

Fiz careta e lhe mostrei a língua, ela riu olhando nos meus olhos. Perdi-me completamente enquanto Annabeth chegava mais perto parando á alguns centímetros. Seu perfume me atingiu em cheio e a segurei pela cintura sem conseguir me conter mais.

Puxei seu cabelo para o lado e comecei a depositar beijos suaves por toda a extensão da sua clavícula até o pescoço. Ela suspirou e fechou os olhos.

Continuei o trajeto respirando o maravilhoso cheiro de sua pele. Nunca me cansava de seu gosto e tive que me segurar quando Annabeth soltou um gemido depois que mordi seu lábio superior.

-Eu te amo tanto minha sabidinha.

-Também te amo cabeça de alga.

Ela começou a passar a mão pelo meu terno e a apertei mais contra meu corpo selando nossos lábios logo em seguida.

Annabeth puxou meu cabelo aprofundando o beijo e me levando a rosnar em meio a outra mordida em seu lábio.

Estava começando a perder o controle quando Annabeth se afastou extremamente corada e ofegante.

Meus lábios formigavam e ainda conseguia sentir seu gosto em minha boca. Mas não era o suficiente e estava prestes a agarrá-la novamente, porém Annabeth colocou uma das mãos em meu peito e sorriu.

-Precisamos ir.

Fiz biquinho tentando convencê-la, mas ela apenas entrelaçou seus dedos nos meus. –Estamos em missão cabeça de algas. E só falta você.

Parei e á encarei. –Está de brincadeira que o Júlio conseguiu por essa coleira aqui? -Apontei para a gravata que já começava a apertar e ela riu.

-Na verdade ele foi o primeiro á ficar pronto. Disse que já estava acostumado á usar roupa social. -Fiquei um pouco confuso e ela continuou. –Quando o interroguei por isso, explicou que seus avós adoravam festas da “antiguidade” e o arrastavam junto, o forçando á usar terno. Agora vamos

Ela começou a me arrastar para fora do quarto enquanto eu resmungava sobre a noite ser bem melhor se deixássemos que os outros fossem sem nós.

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-Tem certeza de que não que ir?

Perguntei pela milésima vez para Tainara. Quando dissemos que alguém teria que ficar para proteger e alertar os outros, a garota se ofereceu imediatamente sem nem mesmo dar chance aos outros, como eu que ainda estava louco para passar o resto da noite só com Annabeth e de preferência sem aquele terno estupido.

Júlio tentou convencê-la á deixa-lo ficar, mas ela se recusou e agora enquanto todos esperavam fora do apartamento, lá estava eu novamente lhe perguntando, Tainara porem, não pareceu irritada, ela sorriu e disse:

-Mais certeza só se você e Júlio perguntassem quinhentas vezes. –Ri um pouco constrangido por insistir tanto. -Eu quero mesmo ficar, para tomar conta de tudo enquanto vocês estão fora, não se preocupe comigo, agora vá que os outros estão esperando.

Tainara falou a ultima parte olhando para o corredor. Todos nós sabíamos o real motivo dela querer ficar. A demora de Tobias estava nos deixando preocupados e ela queria ter certeza de que quando o garoto abrisse os olhos visse o rosto de sua irmã.

Comecei a pensar no modo como os três se uniam, sempre protegendo e ajudando uns aos outros, independentemente da situação e mais uma vez me senti feliz por eles estarem conosco na missão. Annabeth falou que em uma das vezes em que conversou com Tainara, ela finalmente admitiu que os considerava como irmãos mais velhos, uma família que nunca teve. Com isso em mente soube que não teria como convencê-la, pois sei como é fazer de tudo para proteger as pessoas que ama.

-Tudo bem, mas se precisar de qualquer coisa não hesite em ligar para o celular de Annabeth ou dar um jeito de se comunicar Ok?

Ela balançou a cabeça sorrindo e eu retribui o gesto.

-E quem disse que a senhorita poderia ficar?

Uma voz disse atrás de mim, quando me virei encontrei Jasmim e Thalia.

-A carta de Thalia diz que todos devem ir, e pelo que sei apenas um está impossibilitado, então trate de se arrumar que eu irei cuidar de tudo.

Antes que Tainara pudesse dizer qualquer coisa, Thalia á puxou em direção ao corredor.

-Nem pense em discordar, se eu e Annabeth fomos obrigadas á usar essa roupa você não vai sair ilesa.

Ri diante do comentário, pois ela se referia ao vestido preto com detalhes dourados que estava usando. O ultimo vislumbre que tive foi de sua trança lateral que balançava conforme andava.

Despedi-me de Jasmim após garantir que iria vigiar tudo e nos avisaria em qualquer sinal de ameaça. Então desci de elevador para esperar junto com os outros dois.

-Elas já estão vindo. –Disse assim que entrei no carro que nos levaria até o restaurante.

-Não achava que Thalia iria conseguir convencer Tainara, mas já deu para notar que ela sabe como falar com as pessoas. –Júlio falou do banco da frente.

-Você nem faz ideia do quanto Thalia pode ser persuasiva. –Annabeth comentou após se ajeitar do meu lado.

-Mas dessa vez nem precisou falar muita coisa. –Passei um dos braços sobre os ombros de Annabeth.

-E por falar nas meninas...

Acompanhei o olhar de Júlio e vi as duas vindo em nossa direção. Tainara estava com os longos cabelos pretos presos em um rabo de cavalo com apenas alguns fios soltos (por algum motivo ela me lembrava de alguém que conhecia, apesar de não ter a mínima ideia de quem era), e um vestido branco com vários detalhes de vermelho, prata e verde, que juntos formavam um dos jardins mais lindos que já havia visto em toda a minha vida, perdendo apenas para o de Ogígia.

A lembrança das duas semanas que passei lá invadiram a minha mente de uma forma que não pude impedir e antes mesmo de notar meu corpo ficou mais pesado como se a promessa á muito tempo quebrada, pesasse uma tonelada.

Senti uma mão em meu ombro e vi o olhar preocupado de Annabeth.

-Sei no que está pensando, mas não se preocupe, logo, logo iremos voltar a procurar. Ok?

Balancei a cabeça e ela sorriu. Fico muito feliz de saber que não estou sozinho nessa. Já faz um ano que nos juntamos para procurar pistas e um modo de voltarmos para Ogígia. Quando contei meu plano para Annabeth, achei que ela iria surtar, mas foi a primeira a aceitar, logo em seguida, Frank, Hazel, Piper e Jason estavam participando, depois Thalia pediu autorização para Artêmis (que naquele tempo ainda não as havia abandonado), e com um grupo de caçadoras saiu em busca de respostas.

Com o passar dos meses nossa equipe foi aumentando e até mesmo Clarisse se propôs a ajudar. Por alguns dias minhas esperanças aumentaram e tinha certeza que iriamos resgatar Calipso, mas então outra “grande profecia” foi anunciada e não conseguimos chegar muito longe. Porem assim que tudo voltasse ao normal, essa seria nossa prioridade.

A questão não era apenas tentar concertar o erro que cometi ao confiar nas palavras dos deuses. Já havia me oferecido para ajudar no que Leo precisasse, mas agora iriamos terminar sua missão, independentemente do que acontecesse.

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-Elas já deveriam ter chegado.

Thalia falou após olhar mais uma vez no relógio do restaurante. O motorista tinha nos deixado em um restaurante próximo ao centro de Paris, o lugar era muito grande e luxuoso, o que significava também, muito dinheiro (coisa que não possuímos mais). Estava torcendo para que a pessoa ou divindade trouxesse grana.

-Quem exatamente estamos esperando? –Júlio perguntou.

-Ela não falou pra ninguém.

Annabeth comentou enquanto olhava o cardápio. Thalia apenas sorriu e se levantou da mesa, desaparecendo pelo corredor de entrada.

Alguns segundos depois ela reapareceu com duas pessoas ao seu lado, sorri ao vê-las.

Á direita de Thalia estava a Colíder das caçadoras, Andressa tinha 16 anos, era baixa para a sua idade (mas nem pense em comentar isso, o que ela não tem de tamanho, ganha na agilidade de te matar), estava com sua roupa de camuflagem e tinha o cabelo preto muito curto (assim como era o de Thalia, mas sem deixa-lo espetado). Ela estava sorrindo enquanto caminhava em nossa direção.

Do outro lado, a atual líder das caçadoras caminhava com os passos firmes e confiantes. Edvine tinha a mesma altura que Thalia e seus longos cabelos pretos estavam presos em um rabo de cavalo, sendo sustentados por uma tiara prateada, não havia dúvidas de que ela possuía descendência indígena, pois seus traços eram mais fortes que os de Piper e Tainara. Sua expressão era a mesma de Andressa, mas seu sorriso foi sumindo conforme se aproximava da mesa.

Júlio e Tainara prenderam a respiração e ficaram rígidos em suas cadeiras, a garota deixou cair o copo de água que segurava, a qual, por reflexo, o peguei antes que o liquido se espalhasse.

Olhei para os lados conferindo se ninguém havia visto, coloquei o copo em cima da mesa e encarei Tainara que se levantou pulando e correu até as três, se jogando nos braços de Edvine.

-Pelos deuses. É você mesmo? Como conseguiu sobreviver depois de todos esses anos? Porque não me procurou? Onde esteve?...

Ela falava descontroladamente enquanto chorava e soluçava ao mesmo tempo. A caçadora estava paralisada e com os olhos marejados tentando conter as lágrimas que persistiam em sair. Tainara passou as mãos pela face de Edvine como se quisesse ter certeza de que era real.

Nenhum de nós compreendeu o que estava acontecendo, até mesmo Júlio que antes parecia perturbado, agora estava ainda mais confuso.

-Senti tanto a sua falta Nai...

-Edvine. –Ela a cortou e limpou a garganta antes de continuar. –Meu nome é Edvine. Sou a atual líder das caçadoras de Ártemis. –Ela olhou de relance para Júlio que parecia perdido de mais com os próprios pensamentos. –E em todos esses anos nunca havia encontrado uma garota como você, e caso isso tivesse ocorrido, tenho certeza que estaria conosco e não com eles.

A caçadora balançou a cabeça como se tentasse convencer a si mesma da resposta.

Tainara afastou-se rapidamente e antes que caísse de encontro com a nossa mesa a segurei, ela me olhou atordoada e aterrorizada ao mesmo tempo.

-Você precisa se sentar...

Falei enquanto puxava minha cadeira, mas ela negou e se recompôs, notando que todos á encaravam, com a cabeça baixa e o rosto um pouco vermelho ela soluçou novamente.

-Me des... Des... –Tainara pressionou os lábios e respirou fundo. -Me desculpem pelo ocorrido, foi apenas uma confusão, é que ela me lembra uma pessoa... –Ela encarou Edvine como se a lembrança fosse dolorida, isso fez com que a caçadora desviasse o olhar. –Isso não importa agora...

Thalia olhava para as duas como se fosse um torneio de ping-pong, esperando que dessem a próxima tacada, mas ao invés disso Tainara começou a se afastar.

-Espere! –Annabeth segurou com delicadeza um dos braços da garota que não se virou. –Você não está pensando em sair sozinha né? Se precisar de companhia posso...

Ela balançou a cabeça e deu um leve sorriso de lado. –Não se preocupe, só preciso de ar, aconteceram muitas coisas nesses últimos dias e quero pensar um pouco, não sairei de perto.

Annabeth á soltou um pouco relutante, pois apesar de tudo sabíamos como era precisar de um tempo á sós com os próprios pensamentos. Tainara forçou o sorriso a se tornar maior antes de sair cambaleante até o corredor.

A acompanhei com o olhar até que desaparecesse completamente.

-Sua amiga está bem? –Andressa perguntou aflita.

-Espero que sim, ela só precisa de um tempo para pensar. –Annabeth respondeu voltando a sentar.

-Tudo bem, mas se precisarem de qualquer coisa tenho certeza que ficaremos felizes em ajudar, não é mesmo Edvine?

Olhamos para a líder que encarava Júlio um pouco apreensiva. As caçadoras não gostam muito de homens por perto, imaginem como ficaram nos primeiros meses que passaram no acampamento. É claro que as duas só estão acostumadas comigo, Jason e Frank, porque nos veem com muita frequência nas reuniões do conselho, então estava surpreso por Andressa não ter reagido da mesma forma.

Depois de alguns segundos ela concordou com a cabeça. -Claro.

Andressa olhou sorrindo para os outros. –Acho que todos estão com fome e muita curiosidade, pois se conheço bem nossa amiga. Ela não lhes disse nada.

Concordamos e nos sentamos ainda um pouco confusos com os últimos acontecimentos.

Como se fosse algo combinado, o garçom apareceu. Só havia comida cara naquele lugar (o que era óbvio), fiquei confuso com alguns nomes, mas a sorte foi que Annabeth havia treinado desde a última vez que viemos para Paris (Piper também lhe deu algumas aulas).

Logo em seguida outro garçom apareceu com as entradas, que se chamavam Foie gras, que resumindo, não passa de um prato de salada com torradas.

Enquanto esperávamos o jantar, Andressa relatou sobre suas ultimas viagens á negócios, que de acordo com ela não estavam tão bens assim. Por algum motivo, perdemos clientes em vários países. Elas estavam investigando quando receberam o chamado de Quiron. Claro que não precisava de muitas pistas para saber a causa das perdas, infelizmente esse assunto teria que ser resolvido outra hora.

Desde que saímos o acampamento não havia sido atacado, mas um tempo depois da partida de Hazel e Frank, eles receberam uma mensagem urgente de Reyna, o que fez com que um pequeno grupo de semideuses fosse até o acampamento Júpiter.

Logo em seguida o garçom apareceu com nossos pratos, o mais simples que encontrei foi a batata gratinada, e na minha opinião estava muito bom.

Tainara ainda não havia voltado e isso estava me preocupando, ficamos em duvida do que pedir pra ela, mas Júlio escolheu algo que segundo ele, á deixaria mais calma. Foi à primeira vez que abriu a boca desde o ocorrido, mas logo em seguida voltou a se calar perdido em seus próprios pensamentos.

Edvine não estava diferente, durante todo o relato ela ficou calada como se a paisagem estivesse mais interessante, de vez em quando seu olhar se direcionava á Júlio, como se ele fosse um ser desconhecido. Tudo bem que sua combinação de verde e roxo não era nem um pouco atrativa, mas mesmo assim, a líder não escondia sua angustia de tê-lo por perto.

-E quem são esses campistas? –Annabeth perguntou.

-Jason, Piper, Will e Connor.

Fiquei surpreso com o grupo. –Will e Connor? Sério?

Andressa deu de ombros. –Will é um bom curandeiro e pelo que vi na carta de Reyna, é disso que eles estão precisando. E Connor implorou para participar dessa viagem, porque faz muito tempo que ele não sai em missões suicidas e até seu irmão já havia visto Nova Roma, então aquilo se tornou uma questão de honra.

-Eles não levaram nenhum filho de Hécate? –Annabeth franziu as sobrancelhas

-O chalé 20 inteiro anda fazendo hora extra para impedir que um ataque ocorra enquanto vocês estão fora, isso os torna cada vez mais fracos e Quiron achou melhor não arriscar.

-Mas porque vocês se arriscaram a sair?

Thalia falou um pouco autoritária, como se não concordasse com a decisão das duas. E diante da ex-líder das caçadoras, Andressa hesitou em responder.

-Depois que todos foram embora, tentamos nos comunicar com vocês, mas infelizmente as mensagens de íris não deram muito certo e as águias do acampamento Júpiter não respondiam ao chamado de Quiron, então achamos melhor comunica-los pessoalmente do que estava acontecendo.

-Não deveriam ter se arriscado tanto. –Thalia estava séria e isso fez com que Andressa olhasse para Edvine pedindo por ajuda, porém a outra parecia ficar cada vez mais distante em seus pensamentos. –Mas estou feliz que estejam aqui. –Ela completou e a Colíder sorriu aliviada.

-No caminho pra cá, encontramos alguém que talvez possa ajudar...

Thalia ficou surpresa. Aparentemente nem mesmo ela sabia que haveriam mais convidados. –E quem seria?

Andressa olhou em direção ao corredor de entrada, enquanto uma mulher de cabelos pretos trançados, pele que possuía um leve tom prateado, como se a luz da lua viesse dali e vestida com um longo sobretudo preto, vinha em nossa direção.

Thalia cerrou a mandíbula e pegou seu arco, que apareceu magicamente em suas mãos, enquanto olhava fixamente para a pessoa que vinha em nossa direção. A mulher, porém não se assustou com a arma, ela sorriu e sentou na cadeira que havia sobrado.

-Olá minhas guerreiras e.... Garotos.

-Obrigado pela consideração. –Resmunguei e Annabeth me deu uma cotovelada.

-O que você está fazendo aqui? Se veio para nos matar, já vou deixando bem claro que perdeu o seu tempo.

Ela preparou uma flecha em seu arco, enquanto eu, Annabeth e Júlio pegamos as nossas espadas. Na verdade não sabia que o feiticeiro possuía uma arma, mas aparentemente ele consegue faze-la com as próprias mãos.

-Não se preocupe minha guerreira...

-Não me chame assim! –Sua voz estava incrivelmente baixa e mortal. -Você perdeu esse direito quando escolheu o lado daquele idiota e nos deixou para morrer na floresta.

Olhei para o teto esperando que um raio atingisse á todos nós, tudo bem que eu também estava irritado com os deuses, mas infelizmente eles estavam na vantagem no momento e não queria que nenhum alerta denunciasse a nossa posição, além do fato de que a névoa poderia não trabalhar ao nosso favor o que já nos causaria mais problemas no restaurante.

Ártemis pareceu surpresa por alguns segundos e hesitou em continuar.

-Entendo a sua fúria, mas não acho seguro falar dele dessa maneira... levando em consideração a posição em que se encontram. –A deusa parecia pesar as próprias palavras. -O meu poder de camuflagem não é um dos melhores no momento e ele pode acabar notando minha ausência no Monte Olimpo.

-Então acho melhor dar logo o aviso e se mandar daqui. –Annabeth encarou a deusa com um olhar selvagem, como se a raiva de Thalia fosse sentida por ela também.

-Não estou aqui porque me mandaram, vim pela minha própria conta e assumirei os riscos.

-Como podemos confiar em você?

Falei desconfiado, toda aquela enrolação estava me fazendo ficar impaciente e preocupado com a demora de Tainara.

Ártemis levantou as mãos em rendição. -Eu prometo pelo Rio Estige, que me arrisquei para encontra-los na intenção de esclarecer alguns assuntos que podem ajuda-los.

O som de um trovão chegou até nós, à promessa estava selada, mas isso não nos reconfortou, apenas fez com que eu lembrasse das várias vezes em que confiei nas palavras dos deuses.

-Isso não prova nada, depois de tudo que aconteceu, você não acha que iremos acreditar em sua promessa?

Antes que ela pudesse responder Thalia tomou a frente, ficando em pé e nós á acompanhamos.

–E eu prometo pelo Rio Estige, que a qualquer sinal de ameaça, vou fazer com que a sua existência não signifique absolutamente nada.

Seus olhos azuis faiscavam de raiva e os nós dos dedos estavam brancos de tanto apertá-los em volta do arco. Novamente foi possível ouvir o raio que cortava o céu.

Apesar de não querer demonstrar, a deusa ficou absolutamente sem palavras diante da audácia de Thalia.

Todos ficamos em silêncio, a não ser pelo som de conversas das outras mesas que ignoravam completamente a cena.

Depois de longos minutos, Ártemis suspirou e voltou a sentar, Andressa e Edvine fizeram o mesmo.

-Entendo a sua fúria e não á culpo por isso. Sei que agi mal, por isso estou aqui para explicar os meus atos. –Ela sorriu simpaticamente para Thalia, seus olhos emanavam uma luz prateada. -Foi seu caráter que te destacou como uma boa lutadora, e sinceramente, vocês três são as melhores caçadoras que já tive nesses últimos anos. –A deusa fez uma pausa antes de continuar. -Como disse, não estou aqui para matar ninguém, pretendo ajuda-los com algumas informações que tenho.

Olhamos uns para os outros e como se lesse seus pensamentos, baixamos as armas e voltamos a nos sentar, apesar de Thalia ficar relutante.

-Você disse que não tem muito tempo, então é melhor ir direto ao ponto. –Annabeth falou enquanto passava os dedos pela sua lamina de Drakon.

Ártemis pousou ambas as mãos na mesa. -Alguns dias antes da noite na floresta, fui convocada no Monte Olimpo para uma reunião. Quando cheguei, todos os deuses estavam reunidos em um circulo e Hécate ocupava o centro... –Ela fez uma pausa como se estivesse tentando lembrar. –Por algum motivo entrei na roda e as coisas ficaram estranhas, não consigo explicar a sensação que tive, mas quando acabou posso te garantir que ninguém parecia o mesmo.

Franzi a sobrancelha. –Como assim?

-Sinceramente não me lembro de absolutamente nada que ocorreu. Tudo que sei é que depois dessa reunião, chegou boatos até o Monte Olimpo sobre uma nova profecia que ameaçava os tronos dos deuses. Meu pai ficou um pouco perturbado e ordenou novamente o fechamento do Olimpo. –Seus olhos assumiram um tom de prata liquida enquanto continuava. -Tentei contornar suas ordens e voltar para as minhas caçadoras, mas quando fiz isso na ultima guerra ele me expulsou e ficou uma fera. Porem dessa vez era diferente. Ele não queria só o bloqueio de comunicação com os semideuses e caçadoras...

-Queria que nos matassem. –Conclui e Artêmis concordou.

Todos se ajeitaram em suas cadeiras esperando por um ataque.

-Achei que ele estava passando dos limites e quis discordar, mas como disse antes, depois daquela reunião ninguém estava o mesmo. Eu sabia que isso era errado e irresponsável, que não fazia sentido algum, mas...

-Você concordou. –Thalia segurava seu arco com tanta força que achei que iria quebra-lo.

Ártemis pressionou os lábios. -Meu pai tinha um plano de como... Eliminá-los sem que notassem... Pensou primeiro nos que ainda estavam fora do acampamento, passando as férias com a família mortal, enquanto ele e os outros faziam essa parte eu fiquei responsável de... -Ela abaixou a cabeça, claramente envergonhada e não conseguiu terminar a frase. Depois de um tempo em silêncio continuou. –Não entendo o que deu em mim, tudo que sei é que fiz minha parte do plano e por sorte Thalia tinha o sono leve e conseguiu salvá-las...

-Da armadilha que você mesma criou para matar as pessoas que confiavam em sua palavra e já te salvaram inúmeras vezes. –Thalia a encarou com repulsa. -Como consegue dormir a noite sabendo que foi responsável pela morte de inúmeras caçadoras? –Ela esbravejou com as mãos em punhos sobre a mesa.

Houve um momento de silêncio. Nunca vira Ártemis tão envergonhada e arrependida, mas simplesmente não conseguia sentir pena dela. Foram eles quem começaram aquilo de qualquer forma.

Andressa limpou a garganta. -Acredite da primeira vez que a vimos, eu e Edvine ficamos tentadas á usar nossas técnicas, mas vale a pena ouvi-la, confia em mim. Não a teríamos trago se não fosse importante.

Thalia, encarou a Colíder por longos segundos antes de finalmente ceder, apesar da hesitação, então seu olhar impassível foi direcionado a Artêmis que olhava para a Andressa aprovando sua atitude. O que deixou a ex-líder ainda mais irritada.

-Não tem como explicar o que estava acontecendo, eu simplesmente não possuía mais o controle do meu próprio corpo... –A deusa olhou para as próprias mãos. -Durante esses meses todos os deuses passaram a obedecer cegamente às ordens de Hécate, até Zeus ficou submisso á ela. Era como se mesmo sabendo as consequências, ninguém conseguisse pensar uma outra maneira. –Artêmis parou alguns instantes recuperando o fôlego, quanto mais ela falava mais cansada parecia ficar, como se seu corpo lutasse contra algo invisível.

-Acho que meu espirito aventureiro acabou ganhando um tempo para que eu raciocinasse e enxergasse com mais clareza. Foi como se estivesse acordando de um sonho perturbador. Comecei a notar o que ocorria a minha volta, mas os outros ainda agiam igual. Arrumei um meio de fugir do Monte Olimpo sem que ninguém notasse, e resolvi procurar os outros.

-Que outros? –Perguntei. –Você disse que todos os deuses estavam lá.

-Achei que sim, era tudo muito confuso, mas quando “acordei” notei a falta de alguns, tentei questioná-los para saber onde eles estavam e ninguém soube responder. Hécate estava uma fúria por não encontrar os “traidores” como passaram a ser chamados. Descobri que eu era sua principal rastreadora, porém não havia tido sucesso... Quando fugi tentei entrar em contato com minhas caçadoras, mas pela primeira vez em milênios senti minha conexão enfraquecida e foi ai que percebi o abandono das garotas...

Ela olhou com o canto dos olhos para Thalia que ainda á encarava pensativa, seu semblante estava um pouco mais relaxado, porém eu á conhecia tempo o suficiente para saber que aquilo era apenas uma mascara, disfarçando suas verdadeira intenções.

-Apesar de todas as perdas, sabia que havia algumas e foi pra elas que recorri. Claro que de inicio não quiseram me ouvir e tentaram atacar, mas acabei as convencendo de minhas intensões, então descobri que estavam vindo avisá-los sobre o acampamento e resolvi acompanha-las, mas antes tinha que encontrar os outros deuses para saber o que tinha acontecido. –Outra pausa um pouco mais longa que a anterior.

-Nós três encontramos Posseidon, foi o primeiro que achamos, mas claro que tivemos muitas dificuldades para identifica-lo. –Artêmis me olhou por alguns segundos. –Ele nos explicou que por algum motivo todos os deuses haviam enlouquecido e passado a matar quem contrariasse, Posseidon não podia lutar contra todos de uma vez, então ele se refugiou e ficou mantendo contato com os que não estavam sob o feitiço de Hécate.

-Vocês acham que a responsável é Hécate? –Annabeth parecia estar montando um quebra-cabeça naquele exato momento.

-Todas as provas indicam que sim, mas fica difícil a comunicação. Além do mais meu tempo começou a se esgotar e tive que usar todas as forças que me restavam para me camuflar. –Um tremor passou por seu corpo. –Até agora está dando certo, mas sei que terei que voltar ou arrumar um lugar para me esconder. Por algum motivo estou ficando cada vez mais fraca como se o fato de não estar no Monte Olimpo me afetasse de alguma maneira...

Ela colocou as duas mãos na cabeça e fez expressão de dor, Andressa a olhou preocupada.

-Está tudo bem?

Não teve resposta, ao invés disso ela nos encarou com os olhos completamente brancos, seus lábios esboçavam um sorriso cruel.

Pegamos nossas armas e ficamos de pé, Até mesmo Edvine emergiu de seus pensamento e se pôs ao nosso lado.

-Vocês são tolos se acham mesmo que podem me deter.

Aquela não era a voz de Artêmis, e isso fez apenas com que ficássemos ainda mais alertas.

–Ela é mais idiota ainda ao pensar que havia sido liberta por sua própria força...

A mulher parou e abaixou à cabeça rangendo os dentes, Artêmis devia estar lutando para retomar o controle, porém parecia perder forças, ela nos olhou novamente do mesmo jeito.

-Graças a isso, finalmente encontrei vocês e não deixarei que tenham sucesso. Principalmente agora que tenho o mar em minhas mãos...

Não era preciso ser um gênio para entender o que a voz por trás de Artêmis estava falando. A deusa havia encontrado o esconderijo de meu pai e agora ele estava em perigo.

Isso me irritou ainda mais e sem pensar duas vezes enfiei contracorrente direto no coração de uma mulher desprevenida e agora espantada.

Ela gritou de ódio e caiu de joelhos enquanto icor dourado escorria do ferimento. Isso chamou a atenção de todos no restaurante. Uma ou várias pessoas gritaram, outros pareciam paralisados de medo. Mas minha concentração estava na deusa e em contracorrente

-Merda. –Júlio xingou se preparando para agir enquanto via os seguranças correndo em nossa direção.

Annabeth e Thalia se prepararam para nos dar cobertura. Porém Júlio fez com que uma enorme cúpula verde nos cobrisse impedindo a passagem dos seguranças que encaravam a cena horrorizados.

A deusa levantou-se cambaleante, e nos olhou confusa, havia voltado ao normal e parecia não notar a espada que atravessava seu corpo, com o icor dourado agora formando uma poça em seu sobre tudo e no piso.

-Sua barriga...

Edvine não terminou, Artêmis seguiu o olhar de todos e soltou uma exclamação. Respirando com certa dificuldade, segurou no cabo de contracorrente com as duas mãos e puxou a espada que estava toda dourada, o ferimento já se fechava e ela me encarou enfurecida.

Eu não sabia como explicar, agi por impulso, simples assim. Não era Artêmis que falava naquele momento e sabia que iria nos matar então fiz o que achei correto. Porém ao mesmo tempo não devia satisfações a ela. Ártemis notou isso em meu olhar e se direcionou a Edvine.

-Primeiro, vamos sair daqui e depois me conte o que ocorreu.

-Esse plano parece bom. –Júlio resmungou com os olhos ainda fixos nos seguranças.

Concordei enquanto analisava a confusão cada vez mais crescente do lado de fora da cúpula.

E lá se foi nossa missão secreta...

Ͼ Ͼ Ͼ

-Agora vocês entendem o porquê tudo isso está acontecendo?

Artêmis perguntou enquanto voltávamos para o apartamento. Depois de sermos transportados para fora do restaurante por uma nuvem prateada, ela estralou os dedos e de repente a gritaria do lado de dentro parou. E a memória de todos simplesmente foi apagada.

Simples assim.

Tainara que estava prestes á entrar ao escutar a gritaria e nos encontrou assim que aparecemos do lado de fora. Ficamos aliviados ao ver que ela estava bem, durante o caminho de volta, apenas Andressa falou enquanto relatava tudo à semideusa. Ela passou á me encarar com ainda mais admiração e isso me deixou desconfortável.

Paramos em frente á porta de serviços. Como ninguém respondeu á pergunta de Artêmis ela continuou:

-É ainda pior do que pensei, sou um perigo para todos. –Ela esfregou o rosto como se estivesse cansada. -De alguma forma estou sendo controlada e terei que voltar para saber o que está acontecendo...

-Mas se a senhora voltar, será controlada novamente. –Edvine estava perturbada com a Ideia.

A deusa sorriu de modo acolhedor. -Sei dos riscos, mas se realmente aconteceu do jeito que vocês relataram, eu não tenho escolha, preciso voltar, se não ficarei mais fraca a cada minuto. –Ela suspirou e olhou pra cada um de nós com uma confiança renovada, demorou mais em Thalia.

-Sei que tudo isso não justifica o que fiz com vocês, mas estou contando com todos para ter sucesso na missão e descobrir de uma vez por todas como nos salvar.

Antes que qualquer um pudesse responder, ela se despediu e desapareceu pelas ruas escuras de Paris.

Entramos sem dizer absolutamente nada, Thalia foi direto para seu quarto, Annabeth á seguiu. Jasmim foi embora após alegar que nada de mais aconteceu, ela percebeu nosso cansaço e disse que voltaria amanhã para contarmos sobre o jantar. Tainara correu para o quarto de Tobias tão muda quanto ficara durante todo o caminho.

Júlio ainda parecia com os pensamentos distantes e não falou nada enquanto tomava o caminho do próprio quarto, mas desviou o para onde Tobias e Tainara estavam um segundo depois.

As caçadoras concordaram em passar a noite conosco, apesar da hesitação de Edvine. Ainda tinha quartos vazio e cada uma ficou com um, elas estavam cansadas demais e não me incomodei quando foram dormir.

Resolvi conferir se eles estavam bem antes me deitar. Bati na porta e Júlio abriu.

-Oi, sei que estão cansados e querem passar um tempo sozinhos, mas queria saber se precisam de alguma coisa e se já ouve algum sinal de melhora?

Ele sorriu e se afastou para que eu entrasse. –Que bom que você veio, Tainara e eu estávamos nos perguntando nesse exato momento se vocês estavam bem.

Expliquei o que os outros estavam fazendo, mas quando cheguei na parte de Edvine ele fechou a cara e Tainara segurou o choro. Eu realmente queria saber o que tinha acontecido, mas resolvi não perguntar, se quisessem poderiam falar.

Conversamos por cerca de cinco minutos, então Júlio foi dormir. Tainara queria ficar, mas tudo aquilo, seja lá o que fosse, havia afetado muito seu psicológico e me recusei á deixa-la naquele estado. Depois de muita insistência ela cedeu porque realmente não estava se aguentando em pé.

Sentei na poltrona ao lado de Tobias, observando enquanto ele dormia tranquilamente, não havia muito que fazer e acabei ficando inquieto andando pelo quarto, esperando que a qualquer momento o garoto levantasse e dissesse que estava tudo bem. Mas isso não aconteceu.

Annabeth abriu a porta e me olhou cansada, sorri e a abracei depositando um beijo suave em seus cabelos agora presos em um coque frouxo.

A noite estava estrelada e muito bonita, ficamos daquele jeito por um longo tempo apenas apreciando a presença um do outro. Seu toque era o suficiente para fazer com que meu corpo relaxasse, e sentia o sono começando a chegar quando um grito agonizante cortou o silêncio.

Notas finais
"Nossas vidas são definidas por momentos. Principalmente aqueles que nos pegam de surpresa." (Bob Marley) ★♡★