Percy Jackson - Uma Nova Profecia
13 XII - Tenho uma queda mortal!!!
Notas iniciais
—CHEGAMOS!!!
Acordei em um salto sem saber o que estava acontecendo. Olhei ao redor e vi que não tinha ninguém na sala. Suspirei pesadamente, peguei minha mochila e fui para o banheiro.
Joguei água no rosto e olhei no espelho aliviado e surpreso ao perceber que não havia nenhum sintoma pós-pesadelo depois de um ano com eles como companhia.
Entrei na cozinha e encontrei Thalia com uma xícara de chocolate quente na mão, ela acenou com a cabeça, fiz o mesmo e me sentei à mesa. Havia um monte de pacotes de torrada, bolacha recheada e um pote pequeno de geleia, peguei uma torrada e comecei á comer, fiquei encarando a mesa sem saber o que dizer e nem notei quando ela colocou um copo de chocolate quente bem na minha frente, olhei para ela que estava meio sem jeito encarando os pés o que definitivamente não poderia ser coisa boa.
-Obrigado...
-Por nada. –Ela voltou ao seu lugar.
Não queria que o assunto morresse antes de começar, então apontei para as coisas na mesa. -Onde foi que vocês arrumaram isso?
-Percy ganhou de aniversário do chalé de Hermes.
Concordei com a cabeça, desde a minha época o chalé de Hermes é conhecido por contrabandear coisas do mundo mortal e isso era uma das melhores coisas de fazer parte desse chalé.
Tomei um gole e imediatamente todo o meu corpo relaxou, devo ter ficado com uma cara estranha, pois Thalia não parava de me encarar.
-Dormiu bem no sofá?
-Sim, ele não é tão duro quanto parece.
-Se você quiser podemos trocar essa noite, já estou acostumada á dormir em lugares assim.
Não pude deixar de sorrir levemente. -Não precisa se preocupar com isso, não ligo de dormir no sofá, para falar a verdade foi o único lugar onde não sonhei a noite inteira.
Ela deu de ombros e tomou um longo gole do chocolate. –Você é quem sabe, só falei porque como eu disse, não ligo de dormir em lugares assim, já fiquei em piores.
-Tenho certeza que já. –Ela me olhou desconfiada, então completei a frase. -Por você ser caçadora de Artêmis deve ter tido um ótimo treinamento.
-Eu era.
Fingi estar surpreso. -Como assim?
Thalia suspirou como se não quisesse ter tocado no assunto. -A ideia de Zeus é acabar com todos os semideuses, incluindo mais da metade das caçadoras, então não tinha lógica continuarmos imortais, principalmente se for levar em consideração que Artêmis foi a primeira que ficou do lado do seu pai.
-Mas pensei que Artêmis tivesse suas próprias regras.
Thalia se mexeu em sua cadeira, parecendo querer mudar de assunto. Acho que devo ter ultrapassado a barreira de perguntas, não podia me esquecer de que para ela eu era um nada, e mesmo assim estava achando muito estranho ela não ter me xingado... quer dizer, na primeira noite em que conversamos de verdade Thalia mal me conhecia e mesmo assim contou muitas de suas aventuras com as caçadoras, isso não batia com a sua personalidade... quem sabe no fundo ela saiba quem sou e sinta alguma coisa por mim...
Esqueça isso Tobias, ela não pode saber quem você é, e quando descobrir vai querer te mandar de volta para o tártaro, o lugar de onde nunca deveria ter saído.
—Desculpe se falei algo errado.
Thalia forçou um sorriso. -Tudo bem, é só que é um pouco complicado de explicar.
-Você deve estar me achando muito intrometido. -Peguei uma bolacha e a mordi deixando claro que ficaria em silêncio caso ela quisesse.
—Não, é só que...
—Thalia! Tobias!
Ela ia dizer mais alguma coisa, mas então Annabeth apareceu na porta com expressão séria.
—Estamos com problemas.
Virei novamente para Thalia, porem encontrei uma cadeira vazia, quando olhei para a porta, tudo que deu tempo de ver foi um vulto preto se esgueirando para sair. Levantei e fui de encontro á Annabeth engolindo o resto da bolacha.
O primeiro que vi foi Júlio que estava com as mãos brilhando levantadas para o céu. Do outro lado, Percy e Tainara lutavam contra um bando de harpias que os cercavam. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa uma delas voou em nossa direção e levou Annabeth para dentro.
As segui e sem pensar duas vezes, arranquei minha espada da bainha e lhe desferi um golpe a transformando em poeira e cinzas.
A ajudei a se levantar e Annabeth apenas me olhou brevemente como agradecimento antes de voltarmos para fora.
A cena ainda era a mesma, a não ser pelo fato de que Thalia estava ao lado de Júlio atirando flechas para cima e gritando “Fogo”.
Cheguei à conclusão de que não era necessário minha ajuda deste lado, corri para o outro que estava tomado de harpias tentando entrar na cabine de controle, assobiei chamando atenção e todas vieram em minha direção. Annabeth se pôs ao meu lado e juntos acabamos com quase todas. Era tão natural a forma como nos movíamos em conjunto que me fez lembrar de quando fazíamos isso durante os treinamentos no acampamento... há uma vida atrás...
Uma delas conseguiu entrar na cabine e agora estava fazendo o barco ir rápido demais e balançar mais do que o normal.
O chão começou a tremer sob nossos pés.
-O motor vai explodir!
Annabeth gritou mais alto que o vento para ser ouvida, depois correu para a cabine, fui atrás dela, mas três harpias atacaram, por reflexo acabei matando uma só que a segunda me jogou no chão e ficou voando em círculos.
Quando tentei levantar, a terceira subiu encima de mim e com uma de suas garras, fez um corte profundo em meu peito.
Não gritei, mas pude sentir todo o meu corpo queimar. Tentei alcançar a espada só que ela foi mais rápida e prendeu meu braço, lembrei-me da adaga que estava em meu bolso e sem que ela percebesse, com minha mão livre peguei a faca e á acertei nas costas, restando apenas a arma que por pouco não caiu encima do corte.
Impulsionei o corpo para cima, mas ele não se moveu, tentei de novo e meus músculos simplesmente pararam de obedecer, me esforcei para falar algo e nada aconteceu, comecei a mover meus olhos de um lado para o outro procurando por ajuda...
Só que quem foi que apareceu?
Ninguém além da segunda harpia, que para completar ainda mais minha desgraça subiu encima de mim e aprofundou o corte no peito.
Agora imaginem uma harpia de uns 90kg encima de você, fazendo vários cortes com sua garra afiada por todo o seu corpo, essa dor que vocês estão imaginando tripliquem por 100, e então estarão no meu lugar.
Gemi de dor, o que a fez rir.
-Finalmente te encontramos Luke Castellan. –Sua voz era mistura de tosse seca com dias sem água. -Não se preocupe, você ainda viverá, pelo menos até nosso chefe terminar seus planos.
Ela grudou suas garras em meus ombros fazendo minha vista embaçar.
Tudo parecia queimar enquanto começávamos a voar. Da altura onde estávamos pude ver cinco pontinhos pretos olhando para cima enquanto dançavam, atiravam bolinhas de fogo e eu podia jurar que um deles estava brilhando, ou seria minha imaginação?
O veneno deve ter afetado meus neurônios me impedindo de pensar direito e não conseguindo separar a realidade da imaginação, isso explicaria o pônei preto que vi dando chutes na harpia...
O aperto ficou mais forte e consegui me sentir trincando o maxilar enquanto meus sentidos me mandavam rugir de dor, mas não conseguia obedecer....
Pela primeira vez desejei que meu corpo bugasse e naquele instante, senti meus ombros relaxarem e o mar começou a se aproximar.
Pude ouvir gritos vindos de todas as direções.
Estava afundando rápido demais enquanto um novo tipo de queimação invadia meus pulmões.
Tudo havia acontecido rápido demais, mas sabia que estava muito longe para sobreviver e a última coisa que vi foi um borrão olhando para a água...
Talvez eu descobrisse como foi a punição de Tainara...
Então tudo escureceu.
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