Percy Jackson - Uma Nova Profecia

2 I - Júlio descobre como chamar a mamãe.


Notas iniciais
Boa jornada a todos ; )

Nenhum cadeado me intrigava tanto quanto a velha armadilha chinesa, principalmente quando ela estava em uma imagem 3D, num notebook inventado por um cara de dois mil anos. Às vezes a gente tem esses problemas.

Não me entenda mal, não sou nem um pouco ruim em abrir cadeados. Já destranquei cofres que poderiam ter me envenenado, explodido, acionado o FBI, e um que faria todas essas coisas juntas e ainda me lançaria em um covil de harpias dançarinas (nem me pergunte sobre isso).

Mas encontrar uma armadilha chinesa em um super notebook no mundo dos mortos, não estava em meus planos de fuga. Por que ela precisaria disso? Será que planejava construir uma base secreta com armadilhas? Possível, mas pouco provável. Seria a última moda no olimpo? Ela não liga para essas coisas. Talvez estivesse explicando para algum bocó como isso funcionava... Esquece todos sabem o segredo disso... Todos esses anos e eu ainda não há entendia totalmente...

Fecho o notebook e só tem uma pergunta que eu gostaria profundamente que alguém me respondesse: “Onde será que elas estão”?

-ENCONTREI!!!!

Por um momento achei que ele estivesse me respondendo, mas então os meus olhos encontraram os cabelos verdes de Júlio, voltado de costas para mim com os braços levantados em triunfo. Em suas mãos, o livro de feitiços que ele carregava por semanas estava aberto em uma página com a imagem de uma deusa grega ajoelhada em oração.

Hécate, a deusa que queríamos invocar. Do outro lado da mesa a voz de Tainara (semideusa com traços indígenas, que veio do Brasil assim como Júlio) veio até nós:

-Encontrou o quê?

Júlio impaciente arrastou o cabelo verde dos olhos:

-Como chamar a mamãe, oras!

Pois é você não entendeu errado, nós todos somos semideuses.

OK

Pode parar de achar que isso é legal. Se não fosse a camuflagem questionável que Júlio nos oferecia, já teríamos virado almoço de algum monstro ou troféu na estante de um dos milhares dos deuses que nos querem ver mortos, de novo...

Deve ter um ícone de processando na sua cabeça neste exato momento, mas você não entendeu errado, nós três já morremos. No meu caso foi na última guerra contra Cronos, morri para salvar o mundo, depois que tentei destrui-lo, mas isso é só um detalhe... a culpa é dos deuses que não conseguem produzir heróis que prestem para salvar o mundo. Bem talvez alguns sejam exceção como a Thalia, o Percy, ou a Annabeth...

O que importa é que nós morremos e, apesar de eu não saber muito detalhadamente sobre a morte de Júlio e de Tainara, encontramos uma abertura no mundo inferior a mais ou menos um ano. Pois é, somos um dos únicos semideuses a escapar do tártaro, me deem um óscar por isso!

Nessa época ainda estava sozinho, até encontrar os dois e Júlio fazer um upgrade no meu estado de fantasma e me deixar mais substancial, até eu ganhar um corpo, o que foi um alivio, porque andar (flutuar?) por aí com um notebook e uma adaga resgatados do mundo inferior não era muito legal... tudo bem, só um pouquinho... principalmente quando tinha que assustar alguém para ficar sozinho...

Júlio conseguiu fazer isso porque é muito poderoso, e mesmo assim estava tendo dificuldades em proteger nós três. Ele havia usado um encantamento que fazia com que ficássemos invisíveis para os deuses e alguns monstros e isso o exauria no começo. Ás vezes tínhamos que carregá-lo para fugirmos, mas ultimamente bastante chocolate e café tem conseguido deixa-lo desperto por algumas horas, que ele gasta com pesquisas de como encontrar sua mãe para oferecer uma proteção mais eficiente e menos exaustiva.

O problema é que o Google não tinha um tutorial sobre como invocar deuses específicos sem chamar a atenção de outros, o que transforma nossa única esperança em um livro empoeirado e velho de magia que apenas Júlio consegue ler, o que diminuía drasticamente nossas chances de encontrar algo.

Mas ele encontrou!

-Você achou!!!- Tainara ecoou meu pensamento, e quando percebi estávamos todos ao redor de Júlio.

Exprimi meus olhos para tentar enxergar alguma coisa, mas era meio difícil quando Júlio não deixava. Quer dizer ele não estava fazendo isso propositalmente, porém a magia dele no livro fazia com que ninguém (mesmo sabendo ler em grego antigo) conseguisse decifrar uma palavra sequer do que estava no livro.

-Não consigo ver nada! Júlio você está fazendo isso de novo.

-Ops!

Ele estralou os dedos e no mesmo instante eu passei a ver novamente a imagem de uma deusa grega ajoelhada diante de um altar, e nele havia vários objetos dos quais não consegui identificar. Júlio começou a explicar:

-Encontrei os símbolos certos para invocar minha mãe sem que ela tente algo contra a gente.

-Beleza, pula o tutorial e fala logo do que nós precisamos.

-Calma preciso me concentrar para entender e traduzir os símbolos...

Eu e Tainara começamos a ficar impacientes e dissemos juntos:

-COMEÇA LOGO!!

Júlio arregala os olhos, bufa um pouco e vai direto ao ponto:

-Esse primeiro símbolo eu deduzi em três opções possíveis. A primeira pode ser um velhinho com dor nas costas por isso a corcunda, a segunda é que é o filho de um mago ou deus da magia poderoso, e como última opção e a menos provável um passarinho que quebrou a perna.

Como ninguém disse nada ele prosseguiu:

-Já o segundo é mais fácil de entender, pode ser um livro de magia, mas não tem como saber se é um especifico ou não. O terceiro tem vários significados e um deles é a serpente diferente das outras, que seria basicamente um monstro muito conhecido que tem a mania de transformar todos em pedra...

Júlio não precisava dizer mais nada, todos já sabíamos de quem ele estava falando e sinceramente, não era o meu monstro preferido; antes que eu falasse qualquer coisa a respeito, Tainara tomou minha frente.

-Sim. A medusa, mas por que tem apenas uma serpente a representando?

-Pode ser que seja para confundir as pessoas, mas é difícil de explicar já que a maioria dos símbolos contém vários significados com finalidades diferentes.

-Tudo bem, mas como você tem tanta certeza de que a medusa é o monstro que precisamos?

-Eu não tenho certeza, por isso temos que analisar melhor o símbolo.

Tainara concordou com a cabeça e eu fiz sinal para que Júlio prosseguisse.

-Vou facilitar mais, o terceiro só pode significar duas coisas óbvias que se encaixam no que precisamos, a primeira é o coração da medusa e a segunda é um pouco mais complicado...

-Somos semideuses que acabamos de sair dos campos de punição e estamos fugindo dos nossos pais e outros deuses e monstros que querem nos matar DE NOVO; tem coisa mais complicada que isso?

Eu e Júlio começamos a dar risada e logo Tainara nos acompanhou e por um minuto parecíamos até pessoas normais sem nenhuma preocupação. Mas o silêncio tomou conta e Júlio continuou:

-A segunda opção é arrancar o coração da serpente indestrutível. No quarto símbolo tem o desenho de uma espada que tem que ser encontrada...

Acho que Júlio esquece que não entendemos nada de magia e para mim tudo que parecia era um “x”. Depois de um tempo olhando para o quinto e último símbolo ele disse:

-A caveira é um dos símbolos de Hades, isso poderia até significar que iriamos precisar do deus dos mortos, mas felizmente é um pouco mais fácil; os riscos abaixo mostram a linhagem de Hades.

-Mas Hades não tem filhos, vocês sabem por conta da profecia dos três grandes...

Aparentemente ela havia morrido há muito tempo para não saber da história, então resolvi dar um tutorial básico sobre o que ocorreu:

-Essa profecia ocorreu há muitos anos atrás, como os três deuses quebraram a regra e o filho que chegasse primeiro na idade certa iria concretizá-la.

-E quem foi?

-O filho de Posseidon, Percy Jackson.

-E o que aconteceu com os outros?

-A filha de Zeus virou caçadora de Ártemis antes dos 16 anos e o filho de Hades ainda era muito novo!

-Você os conhecia não é?

Olhei bem nos olhos dela e senti uma coisa que há muito tempo sentia, vi que podia contar tudo a ela, e por um instante aquilo fez com que eu lembrasse das duas únicas pessoas das quais havia sentido isso, porém logo a imagem se transformou em puro terror e cenas de pessoas amadas sofrendo, respirei fundo, balancei a cabeça e pisquei várias vezes até recuperar o foco, e quando percebi, Tainara estava me olhando com ar de preocupada enquanto chamava o meu nome várias vezes.

-Desculpe, não foi intencional, me distrai um pouco. E quanto à sua pergunta, eu não os conhecia apenas fiquei sabendo através de outras pessoas.

É claro que ela não tinha acreditado, porém se deu por convencida e olhou para Júlio que naquele momento estava olhando concentrado para seu livro, e depois de alguns segundos ele disse com ar triunfante:

-Acho que descobri como é o feitiço, graças é claro a explicação de nosso querido amigo Luke.

-Então nos fale o que está escrito aí Ó PODEROSO MAGO JÚLIO.

-Gostei desse nome, a partir de hoje só se dirijam há mim por esse título.

Ele mexeu em seus cabelos verdes e fez uma pose de pop star para enfatizar o que havia acabado de falar. Depois que nós aplaudimos o seu pequeno espetáculo ele resolveu continuar:

-O filho da magia

Com teu pertence mais valioso

Deves uma arma de bronze encontrar,

E o coração da serpente indestrutível arrancar.

Para a deusa encontrar

O que segue a linhagem do deus dos mortos deve ajudar.

Entenderam?

-Você acabou de transformar um feitiço em uma poesia? Como?

-Aprendi com uma pessoa.

Antes que eles continuassem com a conversa paralela, perguntei:

-Júlio. O que ainda falta?

-Bom, o filho da deusa nós já temos e seu livro também, a arma pode ser qualquer uma e depois que a enfeitiçarmos temos que arrancar o coração da serpente indestrutível que eu não faço a mínima ideia de quem seja e ainda tem a questão do filho de Hades do qual nós temos que convencê-lo á nos ajudar a escapar da garra de todos inclusive de seu próprio pai para capturar uma deusa... Legal, quando começamos?

-Assim que perdermos todos os neurônios e não conseguirmos mais raciocinar!

-Ah, então vamos pegar as nossas coisas e começarmos ainda hoje, não é mesmo?

Os dois se levantaram e fingiram estar arruando o acampamento para partirmos. Não pude deixar de rir da falta de noção deles, misturada com todas aquelas noites mal dormidas, mas é claro que eu também estava achando tudo àquilo impossível, porém não tínhamos lutado por um ano inteiro para desistir agora.

-Por hoje chega, vão dormir e amanhã nós pensamos no que fazer com a serpente e o filho de Hades.

Ambos concordaram e foram para suas tendas, eu fiquei montando guarda para o caso de um monstro resolver atacar. Já sozinho abri novamente o notebook e encarei aquela imagem. O que ela queria com isso? Por que será que a espada que eu dei a ela estava junto com ele no tártaro? Será que elas ainda estão vivas e bem? Sentem a minha falta ou pensam que eu não passo de um monstro que arruinou suas vidas?

São tantas perguntas e eu nem sei se terei tempo de encontrar a respostas de todas elas. Mas de uma coisa tenho certeza.

Não irei embora enquanto o que eu planejo não der certo.

Notas finais
★♡★