Notas iniciais
Desculpa a demora mas tive problemas e só consegui postar agora. E para quem estava pedindo este e um pouco maior.

Pov. Perseus

Olho nos fundos dos olhos ônix do meu tio antes de responder:

— Eu lhe peço que me mate...

Hades me olha incrédulo quando eu lhe dei a minha resposta e volta a perguntar:

— Como? — Isso mesmo, tio, o que lhe peço é que me mate, pois não há mais nada que me prenda a esta vida a não ser dor e sofrimento, por isso venho aqui lhe pedir isto.

Hades olha para Lady Hera com a sobrancelha levantada, como se estivesse perguntando algo a ela, depois se vira novamente para mim e fala:

— Conte-me exatamente o porquê de você querer que eu o mate.

Um pouco desconfortável, conto-lhe tudo o que aconteceu, desde a traição da filha de Atena até a conversa que ouvi entre Poseidon (assim o chamo por não o considerar mais meu pai) e Anfitrite.

Depois de ouvir, ele parece pensar um pouco e diz:

— Não acho que isso seja motivo para que eu o mate. Se for assim, é só procurar algo que o faça feliz.

Eu estava indo protestar, até que Hera me interrompe, dizendo...

Pov. Hera

Vi quando Perseus pediu a Hades que o matasse, e, quando ele se virou para mim, pedi-lhe silenciosamente que não aceitasse, e, por fim, ele cedeu ao meu pedido e disse:

— Não acho que isso seja motivo para que eu o mate. Se for assim, é só procurar algo que o faça feliz.

Vi que Perseus ia protestar, mas não poderia deixar que ele se matasse, pois passei a gostar dele depois da guerra contra Gaia, quando ele admitiu que estava errado e me pediu perdão. Então o interrompi, dizendo:

— Por que você não o adota, Hades, como seu filho? — Ao ver o olhar espantado dos dois, continuei: — Assim, Perseus poderia ter uma família novamente e sua felicidade, além de você ter um filho que, tenho certeza, Perséfone aceitará, e Nico ganha um irmão.

Vi que Hades pensou no que eu disse, e percebi que ele não queria matá-lo, pois também passou a gostar dele após a guerra, quando Perseus fez com que Zeus devolvesse o seu trono no Olimpo.

Então, após terminar de pensar consigo mesmo, Hades se virou para Perseus e disse:

— Então, aceita ser o meu filho?

Perseus nos olhava com espanto e, depois de pensar, disse...

Pov. Perseus

Eu estava espantado com o que Hera tinha dito, e ainda mais com Hades concordando, e, depois de pensar um pouco, vi que o que Hera disse era verdade, e que essa era uma chance de um novo começo, uma nova família e uma nova vida. Então olhei para os dois, ainda espantado, e disse:

— Sim, eu aceito.

Vi dois enormes sorrisos dos deuses à minha frente e não pude deixar de sorrir com isso, pois minha vida já começava a mudar.

Hades se levantou do trono, veio em minha direção, colocou a mão em minha cabeça e começou a cantar numa língua antiga que não era o grego, e, assim que terminou, senti-me tonto, mas depois voltei ao normal e me senti mais forte. Então ouvi Hades dizer:

— Bem-vindo, meu filho.

Simplesmente respondi:

— É bom estar em casa, pai.

Passei um ano no submundo aprendendo a controlar meus novos poderes, e, ao longo desse ano, tive várias surpresas, como quando Perséfone disse ao meu pai que ele tinha arrumado um filho semideus de quem ela gostava, e me deu sua bênção, dizendo que se tornaria a minha madrinha; ou quando Hestia, que vivia me visitando, me deu sua bênção, tornando-me o seu campeão e sempre me consolando quando eu ficava triste; ou quando recebi a bênção de Hermes e Apolo, ou ainda a de Atena, que passou a me considerar como um irmão. Mas, de todas, a que mais me surpreendeu foi quando Hera apareceu chorando, lembrando-se das traições de Zeus, na qual eu a consolei e disse que ela era a melhor deusa do Olimpo, e uma esposa magnífica, além de uma grande mãe, e que, se por acaso Zeus mudasse um pouco o seu modo de ser, veria o que estava perdendo ao traí-la. Ao terminar de dizer isso, ela me disse:

— Eu sempre quis ter um filho semideus, mas nunca trairia Zeus, mesmo ele me traindo constantemente, pois, mesmo sendo a deusa da maternidade, também sou a deusa do casamento, o que faz com que se espere que eu não o traia.

Pego de surpresa, simplesmente disse:

— Você seria uma mãe grandiosa, rainha Hera, eu amaria ser seu filho, pois a senhora só é desrespeitada pelos outros deuses porque acham que a senhora é inferior por não ter filhos ou seguidores próximos, mas eu acho que a senhora é a deusa mais amorosa do Olimpo e que merecia, sim, ter um filho.

Para minha surpresa, ela me disse com um sorriso radiante:

— Deseja se tornar meu filho, Perseus? Eu amaria tê-lo como filho, já que és amoroso e carinhoso comigo. Se quiseres, assim como com Hades, posso tornar isso oficial.

Sorrindo de um canto a outro por vê-la tão feliz, disse:

— Se isso a fizesse feliz, My Lady, eu amaria.

Depois disso, tornei-me o primeiro e único filho semideus de Hera, mesmo sendo adotivo, e posso dizer que esse foi o ano mais feliz de todos. Mas, só para confirmar que as Parcas não gostam de mim, depois desse ano eu sofri a maior traição da minha vida por parte dos olimpianos, ou pelo menos de alguns deles.

Pov. Hera

Vou ao Olimpo junto de Hades, já que estava em seu reino visitando o meu filho Perseus, quando Zeus convoca um conselho olímpico de urgência. Chegando lá, já com todos os deuses reunidos, Zeus começa dizendo:

— Depois de conversar com Poseidon, resolvemos fazer um conselho para resolver uma questão urgente, sobre um acontecimento ocorrido há um ano no Acampamento Meio-Sangue.

Todos os deuses se assustaram e ficaram mudos, até que Atena perguntou:

— Qual seria esse acontecimento, pai? — A tentativa de destruição do acampamento causada por Perseus Aquiles Jackson, e a sua tentativa de destronar a mim e a ele — disse Zeus, e continuou: — este conselho é para aprovar a morte de Perseus por esses acontecimentos.

Quando ele disse isso, o conselho virou um inferno, já que todos ali sabiam que Perseus não tinha tentado destruir o acampamento quando descobriu a traição da filha de Atena, tanto que ele correu para o mais fundo da floresta para não prejudicar o acampamento, mas, mesmo assim, ele foi atingido, por ser poderoso, e que muito menos tentaria destronar Poseidon e Zeus, já que tinha desistido do direito de se tornar deus não uma, mas duas vezes. Com essa notícia, muitos protestos ocorreram, até que Zeus silenciou a todos, dizendo:

— Já chega, essa decisão já foi tomada por mim e por Poseidon, e nós só queremos que ocorra a votação. Então, quem for a favor de sua morte, que levante a mão.

Nisso, Zeus, Poseidon, Ares, Dionísio, Afrodite e Hefesto levantaram a mão. Depois, Zeus disse:

— Quem for a favor de que ele fique vivo, levante a mão.

E mais do que imediatamente, eu, Hades, Hestia, Hermes, Apolo, Atena, Deméter e Ártemis levantamos a mão. Após a contagem, que ficou respectivamente 6x8, Apolo e Hermes já estavam comemorando, já que Perseus, que eles consideravam como um irmão, iria ficar vivo... Mas, só para atrapalhar a comemoração, Zeus disse:

— Já está decidido, Perseus irá morrer... — Como assim? — disse Atena. — Pela contagem, Perseus deve continuar vivo. — Mas, como eu e Poseidon somos dois dos Três Grandes, nossos votos valem por dois — disse Zeus. — Então o meu também vale, irmão, já que também faço parte dos Três Grandes — disse Hades. — E, com isso, a votação fica 8x9 para que Perseus continue vivo. — Mas não são só os nossos votos que contam como dois, Hades — disse Zeus. — O de Dionísio e o de Ares também. — Por que os deles contam como dois? — exigiu saber Atena. — Dionísio porque é o diretor do acampamento, e Ares porque, como parece que você perdeu sua sabedoria, Atena, o mais confiável para estatísticas em batalha é ele — disse Zeus, chocando a todos. — Ou seja, ficou 10x9, ou seja, ele morre.

Não pude acreditar no que estava vendo e ouvindo. Zeus estava condenando o Percy, o meu filho, na minha frente, e, ainda por cima, com um argumento que não fazia o menor sentido, além de Poseidon, que é o progenitor dele, estar concordando com isso, sem contar que todos sabiam que Percy nunca quis machucar os campistas ou destruir o acampamento, e que foi por isso que ele foi para a floresta depois da traição da filha de Atena, e muito menos destronaria aqueles dois idiotas. Não pude aguentar tamanha injustiça, então disse, ou melhor, gritei:

— Que argumento injusto é esse? O que você diz não tem sentido, você sabe muito bem que Perseus nunca destruiria o acampamento nem machucaria os campistas, e que ele foi para a parte mais escura da floresta para não machucar ninguém, e que ele nunca ousaria destroná-los, já que desistiu de se tornar um deus não uma, mas duas vezes. Além disso, ele nos salvou duas vezes, e é assim que você quer agradecê-lo? — Virei-me para Poseidon e disse: — E você, que deveria estar o protegendo, não faz isso?

Poseidon me respondeu:

— Por que eu deveria protegê-lo? — Porque você é o pai dele — gritei em resposta. — E daí? Meu filho preferido e orgulho é o Mark, ele é só mais um bastardo que Anfitrite não aceita, já o Mark é tão bom que ela e Tritão o aceitam — falou Poseidon em resposta. — Então é por aquela vadia que você abandonou o seu filho, aquele que salvou a sua maldita bunda gorda várias e várias vezes, e é assim que você o agradece, o abandonando, o renegando e votando pela sua morte por causa de um bastardo, filho de uma desgraça que é aceito por aquela vadia? Agora entendi o porquê de ele ter renegado você como pai, já que você o renegou como filho, mas de uma coisa você e Zeus podem ter certeza: se realmente o matarem, vocês se arrependerão pelo resto de suas vidas imortais — dizendo isso, teletransportei-me do Olimpo para o submundo, para poder ver o meu filho, pois não deixaria que eles o levassem de mim.

Pov. Hades

Depois da declaração de Hera e seu sumiço do conselho olímpico — que eu tinha certeza de que era para o submundo —, o conselho se tornou um caos, pois havia protestos contra o que Zeus estava querendo fazer, e alegações de que o que ele estava fazendo era certo e era para nos proteger. Mas o que mais chocou o conselho foi quando Zeus disse:

— Não irei matá-lo, irei prendê-lo no Tártaro, acorrentado com correntes de bronze celestial, prata estelar e ouro imperial, para que ele não tenha nenhuma chance de escapar.

Após isso, não aguentei e disse:

— Vocês estão loucos, e eu não entrarei nessa loucura. Se é essa a justiça dos olimpianos, estava melhor quando eu não era considerado um — e, para terminar, falei com o maior tom de ironia e raiva que consegui reunir, o que era muito: — boa sorte para pegá-lo e jogá-lo ao Tártaro. — Já sabemos onde ele está, Hades, é melhor você entregá-lo, ou o pegaremos à força — disse Zeus. — Por isso lhe disse boa sorte — respondi — porque vai precisar dela, pois não irei entregá-lo.

Dito isso, teletransportei-me para o submundo, para preparar o meu exército e proteger o meu filho. Só não esperava o que veio a acontecer, pois, assim que cheguei, ouvi o grito de Hera.

Pov. Hera

Quando cheguei, fui direto para o quarto de Perseus, pois não deixaria que levassem o meu menino, mas, ao chegar lá, vi uma cena terrível: Perseus estava acordando quando foi atacado na cabeça, por trás, pelo maldito Hércules, e caiu desmaiado. Gritei sem pensar duas vezes e fui para cima daquele bastardo, mas fui pega desprevenida por Órion, que me acertou por trás, fazendo-me desmaiar.

Ao acordar, vi que Perseus não estava mais ali e gritei de raiva por não ter podido salvá-lo quando pude. Rapidamente Hades chegou e me perguntou:

— O que aconteceu aqui, e cadê o Perseus?

Eu contei o que tinha acontecido, como o bastardo do Hércules o acertara por trás e como eu fora acertada por Órion, e perguntei se ele poderia revivê-lo depois que o matassem, mas Hades ignorou minha pergunta e mandou o seu exército para os Campos de Asfódelos, e, quando ele ia saindo, segurei-o e novamente perguntei se ele o reviveria e por que tudo aquilo estava acontecendo. Ele me disse as palavras que gelaram o meu coração:

— Não poderei revivê-lo, pois Zeus não vai matá-lo, ele irá prendê-lo no Tártaro com correntes de bronze celestial, prata estelar e ouro imperial, e é por isso que estou saindo com o meu exército, pois não posso deixar que isso aconteça.

Então eu disse a ele:

— Irei com você, pois também não posso deixar isso acontecer, e não aceitarei um não como resposta.

Dito isso, ele assentiu e fomos para a entrada do Tártaro impedir o que poderia acontecer, mas, ao chegar lá, vimos que era tarde demais, que eles já o tinham aprisionado. Não aguentei e comecei a chorar, mas Hades chamou um de seus soldados e o enviou para um lugar sombrio no submundo, dizendo que seria a nossa última esperança: já que nós não poderíamos salvá-lo, talvez, se Nix nos ouvisse e falasse com o seu pai, Caos, o criador do universo, eles pudessem salvá-lo.

Uma semana depois, recebi a notícia de Hades de que Perseus estava fora do Tártaro, mas com Caos. Mas, para evitar que Zeus fosse atrás dele de novo, Caos achou melhor que ele não voltasse, e que somente ele e Nix soubessem a sua localização. Fiquei triste por não ver o meu filho, mas feliz por ele estar a salvo, e esperava que, num futuro, eu pudesse vê-lo novamente.

Notas finais
O que acharam? Bom, ruim, Tártaro? Comentem, por favor.