Percy Jackson Filmes
8 Voltei, perdedores
Notas iniciais
Ponto de Vista de Clarisse.
Já fazia dois dias que retornei ao Acampamento. Dois dias que aqueles testes ridículos foram realizados. Eles não avaliavam nada. Botânica, já era patética o suficiente, mas matemática? Será que tenho que calcular quantos socos eu dou na cara do meu adversário. Nem precisaria. Um já é o bastante.
Acordei cedo. 6 horas. 50 flexões, 50 abdominais, café da manhã. Depois mais flexões, mais abdominais. Meu treinamento é intenso dessa forma. Adquirindo força corporal, adquiro vitórias nas lutas.
Depois da sessão de exercícios, fiz meu caminho até o campo de treinamento. Esperava encontrar alguém lá. Um filhote de Atena, uma semideusa que seria um desafio. Mas quando cheguei no local, não havia nenhum sinal de Annabeth Chase. Os campistas treinavam em dupla, e é, não, não tinha nenhuma garota morena de olhos azuis brilhantes detonando um bando de fracotes. Estranho. Tenho certeza que todas as terças-feiras ela vinha para cá treinar. Mas, onde ela estava? Que se lasque também. Eu encontraria outro infeliz para arrebentar.
Passei horas chutando impiedosamente alguns filhos de Apolo, Hefesto, e outros que eram do chalé de Ares. Mas preciso de algo realmente interessante. Olhei em volta, não era só a bonitona de Atena que estava ausente. Onde estava o namoradinho dela, Luke Castellan?
Puxei um dos campistas, acho que o nome dele é Tereus, ou alguma coisa com isso.
– Ei, você. Onde está a Chase? – perguntei.
– Annabeth? Ah, ela deve estar com o Percy – respondeu ele como se fosse óbvio.
– Quem raios é Percy? – perguntei de novo. Chase estava grudada em um novo campista agora?
– Percy Jackson, o filho de Poseidon – respondeu ele. Meu cérebro parou na hora. Nós temos um filho de Poseidon no Acampamento? Só pode ser brincadeira. E a filha de Atena estava por aí com ele? Tenho que checar se voltei para o Acampamento certo.
– Ok. Vamos começar do início. Me explica o que eu perdi – ordenei. Tereus me contou muitas coisas que me deixaram muito confusa.
– Então o nosso líder... ex-líder desertou. Ele traiu o Acampamento, roubando o Raio Mestre de Zeus, mas foi derrotado por esse tal de Prissy...
– Percy – corrigiu ele.
– Tanto faz. Esse tal de Percy junto com o sátiro Underwood e a Chase acabaram com o Castellan e devolveram o Raio? – perguntei. O garoto assentiu.
– Me conte sobre esse Percy Jackson – ordenei mais uma vez.
– Ah, o cara é legal, ele e a Annabeth são os melhores esgrimistas do Acampamento – disse ele. Ergui as sobrancelhas com a resposta.
– Cadê ele agora? – perguntei.
– Não sei, talvez o Grover saiba, – ele apontou para o refeitório — olha ele ali com as filhas de Afrodite — mesmo distante, dava para ver um cara de pele escura, pernas de bode, e o que pareciam ser chifres, parado conversando com três garotas. Como de costume.
Teria que perguntar ao bode promiscuo onde estava o bonde dele. Caminhei até o refeitório, chegando perto dele e das barangas de Afrodite.
– Underwood – chamei buscando sua atenção.
– La Rue, você voltou, nem tinha percebido – disse ele. Claramente ele sabia do meu retorno.
– Maneiro, mas eu estou procurando a Chase. Sabe onde ela está? – perguntei.
– Na verdade não. Por que eu saberia? – perguntou ele.
– Ah, é só que eu fiquei sabendo que ela está andando com um meio-sangue que você trouxe, talvez saiba onde ele está? – perguntei novamente.
– Não sei. Não vi eles hoje – respondeu ele, claramente mentindo.
– Eu sei onde ele está, – começou dizendo uma das filhas de Afrodite. Grover olhou para ela, uma expressão de receio se formando – ele e Annabeth foram para os campos de morango, praticar botânica – ela terminou, com um brilho malicioso nos olhos.
Olhei vitoriosa para Grover.
– Ótimo. – e deixei eles ali em um estranho silêncio.
Achar os campos de morangos seria simples. Quando cheguei, encontrei quase todas as crias de Deméter ali. Não conseguia encontrar a Chase em lugar algum. Rodei o campo todo até que decidi perguntar a Katie Gardner.
– Viu pra onde a Chase foi? – perguntei a ela.
– Mas ela está ali – ela apontou para uma garota loira à vinte metros, virada de costas para nós. Nem a pau.
Fui andando até lá. A garota tinha o cabelo loiro preso em uma trança única, usava botas pretas, calça jeans também preta e uma camiseta branca simples, estava ao lado de um rapaz da mesma altura que ela, ele tinha o cabelo castanho escuro cortado curto, vestia uma calça jeans bege, camiseta preta gola V e All Stars pretos. Cheguei a um metro e meio dos dois. Os dois se agacharam para plantar sementes.
– Percy, você tem que regar em volta da semente, não em cima – a loira disse. A voz dela, cadê a voz dela? Cadê a voz intimidante de filha de Atena?
– Em volta. Certo. Você é uma ótima professora, Annabeth – Prissy disse. E aquilo foi um flerte.
– Sem chance – exclamei.
Os dois se viraram depressa para olhar. Aquilo na cara da Chase era lápis de olho e rímel?
– Clarisse? – perguntou a menina que parecia Annabeth Chase mas ao mesmo tempo não podia ser.
– Chase? – revidei.
– O que faz aqui? – perguntou ela. O garoto ao lado dela apenas observava curioso.
– O que você faz aqui? Aleijaram você? Por que não está no treino? – perguntei. Ela olhou para mim como se eu fosse maluca.
– Eu... – ela balançou a cabeça – eu vim ajudar o Percy, ele precisa de aulas de botânica.
– E? – indaguei.
– E o que? – perguntou ela de volta.
– Sério? Acordei hoje cedo esperando ter minha revanche daquele dia que eu... hã, escorreguei e você acabou levando a melhor. Mas adivinha? Não te encontrei na área de lutas – respondi.
– Ah, não me lembro de você ter escorregado, só caiu com o meu golpe. E... eu diminui minhas horas de treinamento na espada. Hoje eu apenas pratico arco e flecha, grego antigo e... e eu não sei porque estou falando com você sobre isso – disse ela franzindo a testa.
– Então agora você ensina botânica... – murmurei para mim mesma. Ela parecia estar ficando irritada, e era o que eu esperava que acontecesse –a filha de Atena virou uma gatinha fofa...
Pensava eu, que depois dessa ela se levantaria, me daria seu olhar mais frio e mortal e diria algo como: “Pegue sua espada agora, vamos ver quem é a gatinha fofa”. Era o que Annabeth Chase faria.
Mas em vez disso ela olhou para o rapaz ao lado dela como se dissesse: “Viu as provocações que eu tenho que aturar”. Fruta que caiu, baralho. Ela nunca aturou provocações.
– Clarisse, eu não vou lutar com você hoje – disse ela com uma sobrancelha ligeiramente levantada.
– E o seu novo namoradinho aí, sabe segurar uma espada? – perguntei indicando o rapaz com a cabeça. Ele devia ser outro gatinho fofo também. Chase olhou para ele que retribuiu, depois os dois se viraram para mim.
– Não somos namorados – respondeu Chase – e sim, ele sabe segurar uma espada. Talvez melhor que você.
Bufei em deboche. Cheguei mais perto dos dois, que não se mexeram. Olhei nos olhos azuis mar do rapaz.
– Sabe, me falaram da missão de vocês. Do que fizeram no mundo mortal. E eu espero muito, filho de Poseidon, que você seja tão bom quanto – olhei para Chase – dizem.
Resolvi deixá-los colhendo morangos. Veremos se esse tal de Percy Jackson é bom mesmo. Principalmente agora que se aproxima um evento muito importante.
O Torneio de Outono sempre buscou o maior desempenho dos participantes. Todo ano o Sr. D, Quíron e os outros responsáveis no Acampamento realizavam essa competição. Ela é bem simples. O sistema consiste em um mata-mata, seriam feitas várias duplas com os campistas que quisessem participar, eles iriam lutar um contra o outro em uma arena elaborada. Quando sobrasse dois campistas na competição, haveria a final. Apenas espadas, lanças e facas eram permitidas, fora o escudo. Se os dois participantes estivessem de acordo, lutariam sem armas, usufruiriam do Boxe, Muay Thai, Judô, Capoeira, Artes Maciais, Jiu-Jitsu, Krav Magá, e a mais praticada aqui, Luta Greco-Romana. É proibido matar o oponente. Para que um campista não se desgastasse, ele só lutaria uma vez por dia. Não sei quem venceu essa joça no ano passado, porque eu não estava aqui, mas no ano retrasado, eu cheguei as semifinais. Chase, Castellan, eu e um outro filho de Atena, Malcolm alguma coisa, nos engalfinhamos na competição. Acabei perdendo para Luke Castellan, e Chase venceu o irmão dela. Na final, Chase acabou levando a melhor com o traidor. Depois de então, passei muito tempo treinando para superar a filha de Atena e o filho de Hermes. 10 meses depois da competição, aceitei uma missão do Sr. D, foi ótimo jogar isso na cara da Chase, já que ela nunca havia saído em missão. Alguns monstros estavam perturbando a paz no Texas, a missão não demorou tanto tempo assim, mas logo depois fui para a casa de minha mãe.
Agora que voltei, tudo mudou. Vou mostrar quem é a filha do deus da guerra.
Um mês se passou desde a minha conversa com Chase e o Jackson. Desde então, quase nem nos falamos, o meu treino estava muito intenso. Os estudos das artes do combate me eram muito útil. Detonei todos os meus oponentes nas atividades físicas. Meu pai me deu um diário. Disse que preciso estudar. Legal, obrigada pelo diário...
Sério, o diário é excelente, tem tudo o que preciso saber sobre batalhas. Mas eu esperava que além de Ares me enviar uma encomenda pelo The UPS Store, ele diria algo como: “Bom trabalho, é assim que se faz”. Nenhum elogio, nenhum sinal de que ele estava gostando do meu desempenho. Apenas um bilhete vermelho sangue junto com o diário.
“Diário de batalhas. Estude e seja uma guerreira imbatível.
Ass: Ares, deus da guerra.”
Olha, eu não sou uma semideusa necessitada de atenção. Mas trazer prestígio a Ares não é tão fácil. Um pouco de comunicação seria ótimo.
Mas enfim, tenho que continuar treinando. Ainda faltam dois meses para o torneio. Mal posso esperar.
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