Percy Jackson Filmes
34 Sentimentos Positivos
Ponto de Vista de Annabeth
— Você fez o quê!? – Thalia errará seu alvo nos treinos de Arco e Flecha. Eu queria que o fato de eu ter contado à ela do beijo que dei em Percy não fosse o motivo para tanto amadorismo.
— Por favor. Não vamos agir como se fosse algo maior do que realmente é – pedi.
— E não é?
Na verdade era. Eu ainda estava tentando entender o que deu em mim para ter feito aquilo. Eu poderia ter arruinado a amizade que tenho com Percy. E a reação de Thalia não amenizava o momento.
— Não, não é.
Thalia pegou uma outra flecha de madeira.
— E você simplesmente foi embora depois? Qual o seu problema?
Queria dizer à Thalia que ela representava uma porcentagem do meu problema, ainda que pequena. Eu não contei à ela que havia visto-a abraçada junto à Percy. Muito menos contei que isso atingiu meus nervos, mesmo sabendo a natureza de sua relação com ele.
Era irônico, a situação. Eu controlo tudo à minha volta, mas não consigo controlar o meu ciúme.
— Eu queria causar um impacto.
Thalia bufou pelas narinas.
— Acredite em mim, você causou.
— Apenas esqueça.
Ela deu um tempo em seus disparos, deixando o arco de lado.
— Eu posso muito bem esquecer. Quem não pode é você e Percy. Você precisa falar com ele – ela se postou à frente da minha linha de disparo, fazendo com que eu olhasse-a nos olhos, enquanto ela fazia a pergunta de 1 milhão de dracmas – Você gosta dele?
Não era uma questão na qual eu precisaria desenhar gráficos e diagramas para chegar à resposta certa, mas respondê-la exigia um esboço das minhas emoções. A parte complicada de ser filha de Atena: em relação aos sentimentos, o simples se tornava complexo.
Thalia estalou os dedos na frente do meu rosto. Pisquei.
— Desculpe.
— É, você estava aérea – observou ela.
E a filha de Zeus esperou.
— Sim, Thalia. Eu gosto do Percy.
— Defina melhor esse “gostar”.
Suspirei, esperando que algum olimpiano me beneficiasse com algum tipo de saída dessa situação.
— Ok, ok, quer saber se eu o amo, não é? Eu acho que sim. Mesmo que eu nem sequer saiba o que é amor. O que mais você quer que eu diga, Thalia?
— Quero que diga à Percy. Aproveita que ele está procurando você.
— Como sabe? – questionei.
Thalia apontou o dedo para a direção em que ficava o coliseu do Acampamento. E daquela mesma direção, Percy se aproximava caminhando ao lado de Tyson.
— Ah, droga – murmurei.
Recolhi minha aljava e arco, e os joguei por cima do ombro.
— Onde você vai? – Thalia quis saber.
— Eu... se alguém perguntar por mim, diz que eu estou... sei lá, me arrumando para hoje à noite.
— Você realmente se acovardou, não é? – ela zombou.
Eu sei que Thalia é excelente no departamento de olhares malignos, mas o olhar que lhe lancei foi tão nocivo que tenho certeza de que nunca mais minha amiga insinuaria que em algum momento eu fui covarde.
Ela ergueu as mãos em rendição.
— Certo, faz o que achar melhor.
— Valeu.
Deixei aquele lugar o mais discreta possível, calculando que em minhas palavras anteriores não haviam mentiras, pois eu realmente precisava me arrumar para ir à praia hoje à noite.
Ω
Já eram 7:00 horas e eu ainda estava decidindo qual blusa usar, e não ajudava em nada eu estar concentrada em pensar exclusivamente em Percy, e piorava conforme o tempo passava e apenas restavam 30 minutos para encontra-lo.
Eu estava arrependida em não me arrepender de beijá-lo. Como algo tão errado parecia tão certo? E por que eu estava sendo tão dramática?
Maldita hora era aquela em que saltei da árvore para desafiá-lo no Capture a Bandeira, há 9 meses atrás. Eu desafiei meu próprio coração.
— Ah – meditei – blusa branca com jaqueta preta. Certo.
Era uma boa escolha para quem iria à uma celebração na praia assistir os fogos de artifício com o melhor amigo... que por acaso, beijou.
Em relação à maquiagem, apenas uma única camada de delineador combinado ao lápis de olho. E brilho labial rosa por último.
Deixei o cabelo solto, descendo pelas minhas costas, como eu sempre gostei.
E pela primeira vez na minha vida, presenciei a pontualidade de Percy. Exatamente 7:30, uma batida na porta me alertou de sua chegada.
Tentei refrear, falhando, a agitação em meu estômago, que insistia em me lembrar que algo importante aconteceria essa noite.
E daqui há alguns dias, meses ou talvez anos, eu me lembraria dos acontecimentos dessa noite que começaram no momento em que abri a porta do meu chalé.
— Oi Percy.
Ele parecia sem jeito, com suas mãos escondidas nos bolsos, mas estava muito bonito em sua jaqueta jeans escura, que encobria uma camisa vermelha. Seus olhos cintilavam.
— Oi Annabeth.
Ω
— Parece familiar – comentou Percy quando chegamos à praia. Não havíamos conversado quase nada o caminho todo. Ele parecia meio contido.
— O quê?
— Ah, o ambiente – ele analisou todos os campistas espalhados pela praia, sentados em toalhas, entretidos em suas conversas, observando o mar enegrecido que possibilitava melhor impressão do brilho da lua – Quando eu morava em Nova York com minha mãe, no feriado de hoje, costumávamos ir de carro até a ponte do Brooklyn para ver os fogos de artificio assomarem sobre o rio East. Várias pessoas se aglomeravam por lá. Era muito bonito.
Mesmo eu tendo crescido no Acampamento, não era difícil imaginar o quão divertido poderia ser passar o feriado da Independência com meu pai. Se sentir em família.
— Acho que vai ser tão bom quanto – supôs Percy.
Eu sorri.
— Oh sim, você ainda não viu os fogos que o pessoal de Hefesto desenvolveu – alertei.
Ele olhou para mim.
— Eu estava me referindo à companhia, não as... pirotecnias.
“Bela jogada” pensei. Até porque eu esperava que ao invés de um flerte, ele fosse direto ao ponto.
— Tem razão. E falando em companhias, ali estão Tyson, Grover e a relutante Thalia.
Mesmo eu tendo quase certeza de que Percy sabia da localização exata de nossos amigos pela praia, eu fiz questão de apontar para cada um deles. Eu também queria me certificar de que Thalia estava apreciando a companhia de Grover. Eu não queria ter soado tão autoritária quando pedi à ela para vir... ah, quem eu estou querendo enganar? Eu não me arrependo de ter sido autoritária.
— Galera, acho que ainda faltam uns 10 minutos para o espetáculo – cronometrou Grover, assim que nos aproximamos deles. Tyson estava se deliciando em néctar, e Thalia estava usando fones de ouvidos, aos quais ela imediatamente tirou quando nos viu chegar.
Os três observavam à mim e Percy com um certo desconforto. Que, é claro, tomei como sinal de conhecimento sobre o que havia “rolado” entre Percy e eu. Eu contei à Thalia, Percy contou à Grover e Tyson.
A expressão de Grover já estava maliciosa o suficiente quando Tyson quebrou o silêncio.
— Néctar? – ofereceu o ciclope, piscando seu grande olho azul.
Thalia e Grover trocaram um olhar confidente, indicando que haviam conversado em nossa ausência.
— Eu aceito – Percy pegou uma taça com o liquido dourado, mas permaneceu em pé ao meu lado.
Ainda sentada em sua posição meditativa, Thalia aproveitou que apenas eu lhe pagava atenção, e sem som algum ela pronunciou as palavras “sozinhos” e “longe daqui”, indicando Percy com a cabeça.
Eu entendia muito bem sua ideia, apenas não concordava. Mas ela não concordava com a minha falta de acordo.
“Vai agora” “É uma ordem” ela pronunciou. Eu sabia que em questões hierárquicas, eu estava acima de Thalia, pois passei 6 anos do lado de dentro do Acampamento, enquanto ela, tragicamente, passou 6 anos do lado de fora do Acampamento. Sendo assim, ela não poderia me dar ordens, mas como eu não queria discutir...
— Percy – exclamei, repentina. Ele se virou para mim, atencioso – quer dar um passeio?
Ele se abaixou para deixar sua taça de néctar ao lado de Tyson, e se endireitou animado.
— Claro, vamos.
Lancei um último olhar significativo para Thalia e me afastei do trio junto com Percy. Eu não fazia ideia de para onde iriamos, mas continuávamos caminhando pela praia, para apenas uma direção. Percy ainda mantinha suas mãos dentro do bolso, o que agora fazia um certo sentido, pois a temperatura caíra uns 4 graus °C.
Aquele tipo de silêncio não era natural entre nós. E eu queria quebra-lo.
Já estávamos longe o suficiente para que os barulhos das rodas de conversas se tornassem abafados. Eu nunca havia ficado tão sem jeito perto de Percy, e do outro lado da balança, eu nunca havia beijado ele antes, então...
— Então... você fez as pazes com Thalia – não era uma pergunta, era uma reflexão, até porque eu já ouvira a versão dos dois.
— Acha surpreendente? – perguntou Percy.
Bufei.
— Não, e eu nem deveria. Por que vocês dois não poderiam se dar bem?
Se ele dissesse algo sobre Zeus X Poseidon, eu o contrairia com fatos sobre Atena X Poseidon e a nossa firme amizade em cima disso. Mas ele me surpreendeu na resposta.
— Por causa do Luke – ele usou um tom casual na justificação.
Franzi a testa.
— Luke? O que ele tem a ver?
Percy não parecia mais tão confortável nessa conversa.
— Ah, você sabe. Eles eram amigos, eu derrotei ele, duas vezes. E eram apenas Thalia, Luke e você antes, talvez ela achasse que eu estava tentando substituir ele.
— Você se sente desse jeito? Como se estivesse no lugar de Luke? – perguntei.
Ele não respondeu de imediato. O barulho das conversas dos outros campistas havia sumido, o único som que se ouvia era o das ondas calmas do mar ricocheteando na areia.
— Não. Eu só espero que Thalia não se sinta assim.
— Ela não sente. Acredite em mim, ela só é um pouco afastada das pessoas – afirmei.
Andamos mais alguns metros à frente.
— E tem a profecia – Percy acrescentou – um de nós dois será o meio-sangue que vai salvar ou destruir o Olimpo. Ela sabe?
Parei de caminhar quando chegamos até um conjunto de grandes rochas aglomeradas.
— Sim, ela sabe. Eu contei, e Thalia não demonstrou tanto aflito, mas ela sempre foi meio misteriosa.
Sentei em uma das rochas, Percy sentou ao meu lado. Bem ao meu lado.
— Você pensa na profecia? – questionei.
Ele olhou para baixo.
— Ás vezes. Não tem como não pensar – ele pegou uma pedra parcialmente enterrada na areia, e arremessou-a ao mar – meus 20 anos estão se aproximando.
— Ainda faltam uns 2 anos. E você está contando com a chance de ser o semideus da profecia. Pode não ser você – falei.
— Talvez seja.
Eu sorri.
— Acho que isso não vai nos levar em nada, no momento.
— Verdade. Prefiro falar sobre nós – Percy se virou para mim.
Achei que as golfadas de ar estivessem transpondo minha jaqueta, pois um frio na barriga me abrangeu, de repente. Mas forcei um sorriso, pretencioso.
— Nós?
— Sim, eu queria saber o que levou você à... hã, me beijar – Percy não olhava para mim.
“Claro que queria” pensei. A situação já era ligeiramente embaraçosa.
— Talvez porque... eu goste de você – achei que facilitaria a minha vida se admitisse isso logo à ele. E também porque era óbvio. Se eu não gostasse dele, não o beijaria.
Eu esperava que ele dissesse algo como “Uau, eu não fazia ideia”. Mas ele não disse nada. O que deixou tudo mais intenso, foi o olhar que ele tinha ao se virar para mim. Era como se ele fosse a pessoa mais ambiciosa do mundo olhando para uma montanha de dracmas.
Eu tinha consciência de que estávamos nos aproximando, e que isso era o que eu queria. Percy se inclinou primeiro, tocando seus lábios nos meus. Por poucos segundos foi isso, apenas um toque de lábios, mas ele se ajeitou para mais perto, ganhando minha gratidão, pois a temperatura climática apenas caía conforme o tempo passava, então ele seria meu ponto de calor. E de aconchego também, enquanto ele me puxava para mais perto até que estivéssemos abraçados, e me beijava da forma mais doce e terna possível.
As mãos dele faziam caricias no meu rosto, enquanto eu afagava sua nuca e ao mesmo tempo puxava-o para poder beija-lo melhor.
Poderíamos ter ficado ali por horas, mas um jorro de luzes acima de nós, e o som de vários projéteis subindo aos céus, explodindo em cores, alertou que o espetáculo havia começado. E eu queria compartilhar aquilo com Percy.
Ele sorriu quando nos afastamos, mantendo seus braços em volta de mim.
— Isto são fogos de artifício – apontei para o show de luzes, que ao explodirem, formavam belos desenhos de combatentes gregos em suas honrosas lutas – magnífico, não é?
Percy mantinha um grande sorriso no rosto.
— Incrível – ele olhou para mim – não se comparado à você, mas incrível.
Eu sorri, e cheguei para mais perto dele. Ele beijou meu rosto, e ajeitou uma mecha de cabelo minha.
— Obrigado por isso – Percy agradeceu.
Puxei ele para um beijo rápido, me afastando em seguida, para voltar a admirar os fogos.
Depois de alguns minutos, maravilhosos, Percy riu de súbito. Olhei para ele.
— O quê?
Ele se virou para mim, ostentando um sorriso imodesto.
— Agora eu sei, – começou Percy – seus sentimentos são positivos.
Reprimi um riso. Me inclinei para beijá-lo mais uma vez, suave.
“Eu te disse que seria o primeiro a saber” sussurrei contra seus lábios.
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