Percy Jackson Filmes

24 Jogo dos Obstáculos


Ponto de Vista de Grover

Acordei sobressaltado. Uma gota de suor escorreu no lado esquerdo do meu roso.

Sonhei que tinha sido sequestrado. Que estranho...

Também sonhei com um vestido de noiva. Se isso fosse um presságio... então, será que alguma garota me sequestraria para se casar comigo?

Tenho que tomar cuidado, meu charme é muito forte, as garotas não resistem.

Já eram quase quatro e meia da madrugada, não faria muito sentido voltar a dormir. Levantei da cama para me arrumar. Vesti um moletom vermelho por cima de uma regata azul. Olhei meu reflexo no espelho, meus chifres já estavam medindo cerca de 6 centímetros, meu cavanhaque estava bem aparado. Lustrei os chifres para que ficassem reluzentes. Depois de checar se a minha aparência estava OK, abri minha bolsa atrás de alimento.

Droga. Havia esquecido de fazer o estoque de latas de alumínio.

Saí da minha cabana carregando minha flauta, rumo à floresta.

Cheguei no refeitório vinte minutos após a hora do café da manhã ter começado. Fui direto à mesa das refeições, enchi um prato e peguei duas maças. Andei até à mesa de Percy. Meu estômago estava roncando. Tenho tanta fome que poderia comer um barril cheio de frutas e o barril.

Me sentei ao lado de Percy.

— Ei – cumprimentou ele.

— E ai – retornei.

— Você parece cansado, Grover.

Dei uma garfada na comida e voltei o garfo na minha boca.

— Os animais. Eles me estressaram hoje – disse à ele, depois de terminar de mastigar.

Percy franziu a testa, mas pela expressão estava tentando esconder o divertimento.

— Achei que as ninfas é que davam trabalho à você na floresta.

— E elas dão trabalho, mas eu gosto. Já os animais são uma coisa bem diferente – esfreguei os olhos com as costas da mão – Me envolvi em outra discussão entre esquilos. Eles realmente nunca calam a boca.

Percy sorriu minimamente.

— Está assim só por causa de alguns esquilos? – perguntou ele.

Bufei.

— A fauna toda é muito complicada. É difícil a comunicação. Tem alguns que nem se comunicam. Os veados NUNCA dizem nada. Silêncio total, eles apenas encaram. Meio sinistro – representei uma expressão sombria – As corujas apenas dizem “bu" todo o dia. Eu não entendo a quem querem assustar, saca?

Percy apenas deu de ombros, mastigando um pouco de comida.

— Esses “bus” se chamam pios, Grover. É o som que as corujas emitem para anunciar que determinado território pertence a elas. Você deveria saber – Annabeth surgiu por trás de mim, e se sentou ao lado esquerdo de Percy – Poderia dar uma palestra com duração de um dia sobre essa espécie cativante.

Annabeth levou o garfo de comida à boca enquanto me lançava uma piscadela. Eu ri.

— É claro que poderia, as corujas são os animais sagrados de Atena. Só você mesmo para entender aquelas criaturas – falei.

Percy olhou para Annabeth. E como sou um pouco observador, pude notar que as pupilas dele estavam ligeiramente dilatadas. Li em algum lugar que as pupilas de uma pessoa dilatam até 45% quando elas fazem contato visual com alguém por quem sentem atração. Também dilatam quando se usa metanfetamina, mas Percy não faz o tipo “usuário de drogas”. Então, fico com a primeira opção.

Meus deuses, fazendo essas observações, até soei como Annabeth.

— Você parece de bom humor, alguma novidade? – perguntou Percy para a filha de Atena.

— Ah, não. Mas como daqui a duas horas começará o jogo dos obstáculos, pensei que seria melhor, você sabe, transmitir um certo ânimo – esclareceu ela.

Percy sorriu, ainda olhando para Annabeth.

— Então... você vai participar do jogo, acha que está em ordem para hoje? – perguntei à Percy.

Meu amigo terminou de mastigar a comida.

— Vou dar o meu melhor nesse desafio – respondeu ele. Annabeth e eu sorrimos.

— Nós vamos estar lá, assistindo e apoiando você – Annabeth colocou uma mão no ombro de Percy.

O filho de Poseidon lançou uma ligeira olhada para a mão de Annabeth, depois se virou para mim.

— Ah, obrigado galera – Percy voltou a olhar para Annabeth. Ele parecia genuinamente agradecido, tanto quanto parecia acanhado.

Annabeth terminou a refeição dela, depois limpou a boca com o guardanapo.

— Gente, eu tenho que falar com o Malcolm. Encontro vocês daqui a pouco para irmos até o coliseu – disse Annabeth.

Percy e eu assentimos.

— Agora, fala, o que está errado? – perguntei a Percy. Achei que talvez ele estivesse incomodado de falar algo na frente de Annabeth.

— Não tem nada errado – respondeu Percy, mas não me olhou nos olhos.

Ergui uma sobrancelha para ele.

Percy suspirou, e jogou as mãos para o alto.

— Qual é cara? Sabe que pode me contar tudo, para Annabeth também – disse à ele.

Meu amigo olhou para a mesa, depois verificou em volta.

— E se eu perder? – perguntou ele.

— Se você perder... significa que você não ganhou – respondi a ele.

Percy me lançou um olhar sarcástico que dizia “seja menos óbvio”.

— Estou falando sério. Eu perco esse jogo, daí pronto. Vou estar tão afundado em derrotas que tudo que eu faça daqui para frente não signifique nada – disse ele.

— Não se preocupe em vencer Percy, apenas se concentre em tentar.

Ele olhou para cima, não satisfeito com o meu conselho. Eu não sou Annabeth, meus bons conselhos geralmente são para o cara que procura conquistar aquela gata que ele fica secando por dias. Funcionam, pelo menos eu acho.

— Não quero decepcionar mais ninguém, Grover – confessou Percy.

— E você não vai. E se alguém – tossi um “Clarisse” – provocar você, revide.

Ele me lançou um mínimo sorriso, depois olhou para o meu prato e franziu a testa.

— Hã, quer que eu espere você terminar...

— Não. Pode ir, o jogo não vai demorar a começar – falei.

Trocamos um soquinho, e Percy saiu do refeitório.

Já estava relaxado na mesa devorando minha segunda maçã, quando Clarisse e Ichnataue se aproximaram de uma mesa lotada de campistas. Todos estavam rindo e conversando sobre o evento de hoje.

“Ei Clarisse, o que vai ser hoje?” – perguntou um rapaz ruivo e alto.

Clarisse sorriu arrogante.

“Todos vocês sabem o que vai ser hoje. Eu vou dominar esse jogo” – respondeu a filha de Ares em um tom carregado de prepotência. O tom normal de Clarisse.

Ouvi Ichnataue dizer algo em voz baixa para Clarisse. Ela riu, como se tivesse escutado uma piada de humor negro.

Seja lá o que fosse, esses dois estavam muito confiantes de que La Rue venceria essa. Como eu queria vê-los quebrarem a cara, figurativamente e literalmente.

Eu ainda sentia fome, foi só isso que me fez retornar a mesa das refeições. Mais uma maçã não faria nenhum mal, e eu merecia depois dessa manhã estressante na floresta.

Quando cheguei até a mesa, avistei uma maçã vermelha brilhante, que se destacava entre as outras. Ela parecia ser a definição de saborosa, algo que eu nunca cheguei a descobrir, pois quando estiquei minha mão para apanha-la, uma mão mais rápida que a minha à agarrou.

Naquele momento desisti de uma vez de me tornar jogador de basebol na posição de receptor. Quando me virei para ver o meu adversário, decidi que me tornaria lutador de UFC, assim poderia quebrar a cara de Ichnataue em um ringue. Esse sátiro é “O” adversário.

— Ops. Você ia pegar essa maçã? – ele apontou a esfera vermelha e saborosa na minha direção.

Achei que ele não era digno da minha resposta, mesmo que ele não tenha esperado muito tempo por ela.

— Então, o perde... digo, Percy vai participar hoje do jogo? – perguntou ele, mordendo a maçã. A minha maçã.

— E se ele for? O que tem? – cerrei os dentes.

— Tem que... isso será ótimo. Vai ser muito legal ver a Clarisse humilha-lo mais uma vez – respondeu Ichnataue.

Bufei.

— Vai nessa, mané. Isso não vai acontecer – garanti.

— Quer apostar?

— Quero! – respondi rápido, o que não fez a menor diferença. Eu poderia pensar dez vezes no assunto. Eu queria apostar.

— 50 dracmas – disse Ichnataue.

— Fechado – devolvi.

Deixei o refeitório antes que um de nós dissesse qualquer coisa.

Uma hora depois encontrei Percy e Annabeth. Caminhamos até o coliseu submergidos em uma conversa descontraída.

Quando chegamos no arco da entrada, encontramos o Acampamento inteiro sentados nas arquibancadas, alguns andando em volta da torre dos obstáculos.

Cara, aquela torre estava tão repleta de empecilhos e objetos que fariam um mortal comum ir pro chão antes mesmo de chegar nela. O semideus que chegasse lá em cima teria que ser metade deus e metade ninja. Um ninjadeus.

Annabeth estava falando com Percy.

— ...vamos estar em volta da torre torcendo por você – ela deu um beijo rápido no rosto de Percy e saiu pela esquerda da área do coliseu.

Percy ficou olhando ela ir, uma das mãos dele alisava o lugar onde Annabeth o beijou.

A filha de Atena se virou para nós com a testa ligeiramente franzida.

— Grover, você vem? – perguntou ela.

— Ah é – cheguei bem perto de Percy – ei, vença essa parada, ok? – lancei um olhar a ele que transmitia “vença, porque eu apostei 50 dracmas” – boa sorte, cara — dei um tapinha no ombro dele, e então me juntei a Annabeth.

Agora era só esperar o vencedor, e torcer para que fosse Percy.