Percy Jackson Filmes
10 Eu sou a melhor guerreira
Ponto de Vista de Clarisse
Em pouco tempo o nome Clarisse La Rue se tornou sinônimo de vitória. Se o Acampamento entregasse troféus, eu teria saído para comprar uma prateleira. Mas os louros que eles presenteavam por aqui eram só para aqueles que retornavam triunfantes de uma missão extra perigosa. Eu não tenho um louro, ainda não preciso de uma prateleira. Sr.D reparou que estou indo bem ultimamente, espero que isso signifique que eu vou ganhar uma missão logo. Porque o nosso diretor nunca repara em ninguém, apesar de não ser novidade que eu seja sua campista preferida. Só o fato dele acertar meu nome já prova isso.
Ainda faltavam cinco dias para o Torneio de Outono. Enquanto ele não chegava, eu resolvi fazer uma demonstração do que estava por vir. Ganhei os jogos de solstício. Ganhei as competições da casa de Ares. Ganhei o Capture a Bandeira. De novo. Muito fácil. Preciso de uma disputa VERDADEIRA aqui.
Sério. O time vermelho só estava precisando de uma sacudida, e como nova capitã foi o que eu fiz. Naturalmente, Chase mudou de time porquê duas lideres, duas alfas não podiam comandar o mesmo bando, então ela e Jackson estavam no time azul, e foi maravilhoso agitar o mundo deles. Quase quebrei o braço da filha de Atena depois de uma longa batalha, onde eu disse que os filhos da deusa da sabedoria eram sábios, porque sabiam como perder a toda hora. E é claro que isso levou em uma discussão e depois em uma luta de vale-tudo com duração de meia hora. Já tínhamos trocado muitos socos e chutes, ela quase quebrou meu nariz, que sangrava muito. Quando ela tentou me dar um gancho de direita, parei o golpe com a mão esquerda, aplicando com o braço direito toda a minha força em uma cotovelada no braço dela, uma bem executada chave de ombro, e depois para finalizar, um poderoso soco no estômago. Eu disse que ela estava fora de forma, não mandei diminuir o treinamento. O apaixonado filho de Poseidon veio correndo depois de presenciar a cena, achou que era imbatível perto de um riacho, só precisei botar ele carinhosamente pra dormir. Penso eu que a água cura ele, mas não acorda depois de um boa noite Cinderela. O resto dos campistas me observaram chutar o pau da bandeira azul e levanta-la logo em seguida. Alguns filhos de Atena até tentaram vir pra cima em nome da irmã deles caída no chão cuspindo um pouco de sangue, mas infelizmente Quíron não permitiu, o jogo já havia terminado. O centauro parecia insatisfeito com o resultado.
Passamos o resto da noite pós Capture a Bandeira falando da vitória do time vermelho.
– Bom jogo hoje Clarisse – cumprimentou uma garota.
– Te conheço? – perguntei.
– Ah, sim, sou Drew Tanaka, filha de Afrodite – respondeu ela. Me lembrei vagamente de alguém de biquíni na praia do Acampamento. Pior visão do mundo.
– Você estava no jogo? – perguntei. Filhotes da deusa do amor não gostam de quebrar as unhas.
– Não, não. Só ouvi os outros comentarem sobre ele. Mas queria ter visto você detonando a Annabeth – respondeu Barbie Tanaka.
– Tanto faz – comentei simplesmente.
– É, tanto faz – disse uma voz masculina atrás de mim. Tanto eu quanto Tanaka viramos para encontrar Chris Rodriguez parado a três metros com uma taça de néctar na mão, observando tudo em volta. Ele se aproximou – Drew, acho que a Silena está procurando por você.
– E daí? – perguntou Tanaka.
– Ela disse que queria uma opinião sobre a nova lingerie que ela comprou – respondeu Rodriguez em tom de voz despreocupado.
– Bem, se essa lingerie for de grife, e ainda por cima uma Victoria’s Secret, vale a pena conferir – disse Tanaka. Revirei os olhos. Por que eu estou aqui perdendo meu tempo com isso? Boa pergunta. Depois que a cria de Afrodite deu no pé. Me virei para ir até um grupo do time vermelho, mas Rodriguez bloqueou minha passagem.
– Ela tem razão – concordou ele.
– Ah, aposto que é de grife – disse eu. Ele levantou as sobrancelhas.
– Me referi ao que ela disse sobre o jogo de hoje – explicou ele.
– Claro que se referia – retornei. Ele riu. – Um jogo no qual você não participou – observei.
– Acabei de voltar ao Acampamento, estava... resolvendo assuntos – informou ele.
– Não ligo – informei de volta.
– Você tem uma inimizade com Annabeth Chase e Percy Jackson – observou ele. Inimizade, rivalidade, antipatia, hostilidade, o que fosse.
– Humpf, só se torna pessoal quando alguém se acha superior ás minhas habilidades. Se a sua foto está no meu alvo de dardos, fique preocupado – disse eu chegando mais perto de modo a intimidar. Como ele era mais alto, se eu não olhasse para cima, teria que encarar sua clavícula.
– Vou ficar, caso aconteça. Mas suas habilidades... – disse ele com cara pensativa, mais para si mesmo do que para mim – ótimas habilidades, devo dizer.
– Se a magia da sua cantada é elogiar habilidades físicas, imagino que não funcione nas filhas de Afrodite – zombei, logo depois tomando um gole de néctar. Ele sorriu.
– Hum, Silena já caiu, – informou ele – mas não foi uma cantada. Sabe, tenho uma pergunta. Como é a sua relação com Ares?
– Como é que isso é da sua conta? – perguntei. O cara queria saber da minha relação com o meu pai. Fala sério.
– Só queria saber como você está com o seu pai, porque o meu nem sequer se lembra que eu existo – respondeu ele. Fiz beicinho para ele, como se estivesse com pena.
– Oh, coitado do filhote perdido de Hermes, você vai chorar? – perguntei zombando. Eu não dava a mínima para o relacionamento dos outros semideuses com os olimpianos. Mas Rodriguez apenas riu em deboche.
– Não, muito pelo contrário. Vou rir muito, principalmente com o que está por vir – respondeu. Os olhos dele continham um brilho ligeiramente maligno.
– E o que está por vir exatamente, Rodriguez? – perguntei erguendo as sobrancelhas. Já não sabia mais o que esse cara queria falando comigo.
– Gostaria de saber? – perguntou ele de volta. Revirei os olhos.
– Eu não teria perguntado se não quisesse saber, estrupício – respondi. Se era mais uma pegadinha de filho de Hermes para cima de mim, cabeças iriam rolar.
– Se eu te dissesse que os deuses estão com os dias contados, o que você diria? – perguntou ele.
– Que você tem que maneirar no uso de drogas, porque a sua psique já está bem danificada. – respondi. Ele continuou me encarando com o mesmo brilho de antes. Suspirei — Eu diria que isso é impossível, os deuses não têm dias contados. São imortais. Mas onde você quer chegar?
– Eu quero saber se você não gostaria de se juntar à... – ele começou para ser interrompido.
– Chris! – chamou uma voz. Silena Beauregard se aproximou, andando junto à um outro campista. Ela parecia nervosa – estávamos te procurando. Olá, Clarisse.
– Daora – cumprimentei sem olhar para ninguém. A minha vontade era voltar para os meus aposentos e fazer flexões. O néctar me deixava ligada.
– Temos que ir – disse Beauregard à Rodriguez.
– Tá – Rodriguez se virou para mim – nos vemos qualquer dia desses, Clarisse.
– Consigo esperar – disse eu entediada. Ele sorriu minimamente e se foi seguindo Beauregard e o outro campista.
Decidi ir para o meu quarto logo, mas antes, é claro, passaria na enfermaria, só para me sentir melhor com a visão dos campistas que eu surrei.
Cheguei perto da entrada da enfermaria, não tinha quase ninguém lá. Um campista repousando em uma das macas antigas de pano, e do outro lado, no fundo da local, reconheci Chase sentada ao lado de uma outra maca.
– "Mentor, como irei? Como o deverei cumprimentar?
Não tenho experiência de palavras subtis; é natural
que um jovem se iniba de interrogar um homem idoso"
A ele respondeu a deusa Atena de olhos garços:
"Telémaco, algumas coisas serás tu a pensar na tua mente...”
Chase estava lendo para Jackson. Ah, que amor.
Bléh, que nojo.
– Lindo – interrompi o momento deles.
Chase olhou para trás, quando me reconheceu, suspirou em aspereza. Jackson franziu os lábios.
– Clarisse – disse Chase.
– Chase – retornei – não deveria estar lá fora comemorando sua derrota?
– Você veio para isso? Para provocar quem perdeu? Foi só um jogo, Clarisse, o que você fez, outros já fizeram antes, sua vitória não foi nada demais – disse Jackson.
– É? Sabe onde eu tô? – perguntei. Eles franziram a testa com a pergunta – Eu tô nem aí.
– Que ótimo – exclamou Chase – você não tem nada para fazer aqui então, a não ser que esteja ferida, daí é outra coisa.
– Falando em ferimentos, como vocês estão? – perguntei com falsa preocupação.
– Estamos bem, obrigado por perguntar – respondeu Jackson.
– Então vou deixar o casal a sós, – comecei, eles se entreolharam – está escuro, ninguém vai ver caso resolvam dar uma rapidinha...
Chase já se levantava para vir para cima, mas na hora Quíron chegou, interrompendo de novo o que seria uma diversão de ouro. Aquele centauro só chega nas horas mais erradas.
– Clarisse, que surpresa encontra-la aqui, se machucou? – perguntou ele. Lógico que ele sabia que não.
– Eu apenas vim ver se os dois aqui queriam néctar, mas eles disseram que não – menti.
– Muito gentil de sua parte, mas não seria necessário trazer. Percy, Annabeth, acho que vocês já estão bem o suficiente para deixarem a enfermaria, ainda faltam 25 minutos antes do toque de recolher, vão e sirvam-se logo – ordenou o centauro.
– Tudo bem, obrigada Quíron – disse Chase, depois me lançou um olhar fatal. Jackson se levantou da maca. E juntos eles seguiram para o banquete. Quíron olhou para mim.
– Boa captura hoje, Srta. La Rue – elogiou ele, cordialmente.
– Obrigada Quíron. Agora vou para o meu chalé, com licença – pedi.
– Com certeza – respondeu ele.
Sempre imaginei o porquê de alunos como o Jackson e Chase serem os favoritos de Quíron. Eles eram uns fracotes. Além disso, Castellan também era como eles, e se tornou um traidor. Pelo menos o Sr. D sabia reconhecer os melhores, os guerreiros de verdade.
Mas agora tenho que dormir. Acabar com perdedores me dá sono.
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