Notas iniciais
Culpem o tio Rick pela minha demora, já que ele resolveu me imitar (só que não kkk) e ficar criando oneshots enquanto deveria estar escrevendo The House of Hades. Pra quem tá boiando deixa eu explicar: ele lançou uma história crossover de Pjo/Ack chamada Son of Sobek, e eu passei o dia todo lendo.
Ai como é bom ver meu Percy de novo >.
Anyway, aproveitem!

Pov Katniss

Meu corpo inteiro doía, principalmente onde eu tinha sido atingida pela faca. Acho que agora entendo de verdade como é estar a beira da morte, tudo que você quer fazer é fechar os olhos para a dor parar. No meu caso eu não conseguia fazer isso, também não podia.
Abaixo de mim as paredes metálicas da Cornucópia ecoavam os sons de Cato e os lobos. Aquilo só piorava tudo, transformando a noite em um pesadelo infinito. Sem falar do frio de congelar os ossos. Mas acho que isso é para me manter viva, de certa forma. Temperaturas baixas ajudam em determinados machucados, além do fato de que os Idealizadores odiariam nos deixar em paz.
Ao longo das horas tento em vão fazer Percy dormir, mas ele insiste em ficar acordado para garantir que eu faça o mesmo. Porém o cansaço acaba por nos vencer e nos rendemos ao sono. Todos os meus pesadelos foram acompanhados dos gritos de Cato. Ás vezes minha mente é tomada pela ideia de que isso nunca terá um fim, nada passará de escuridão, gritos e frio. E é nesse momento que eu capturo a lua e sua trajetória lenta pelo céu, então um pequeno pedaço de esperança surge em mim, só esperando para que o dia nasça logo.
Meus desejos finalmente são atendidos, depois do que parecia ser um milhão de anos. Os raios de sol aparecem devagar por entre os galhos das árvores fornecendo um pouco de luz. Agora posso ver com mais calma Percy e como ele está desde a luta. O corte no pescoço dele foi feio, ele realmente é um garoto de sorte. Sua expressão enquanto está dormindo é quase igual a de quando nos conhecemos: calma, passiva, sem tantas preocupações. Mas eu sei que aquele garoto já está no passado. O cara que está ao meu lado é mais velho, racional e...triste. Acho que é o único adjetivo que consigo encontrar para ele no momento. Por favor, levem em conta que eu fui esfaqueada há menos de um dia e que ainda não consigo montar pensamentos lógicos sem sentir dor.
Coloco meu ouvido bom contra o metal e escuto os sons de dentro do chifre. Cato deve estar perto da borda, já que seus gemidos estão mais baixos.
Balanço o ombro de Percy até ele acordar. Seus olhos se abrem rapidamente, alertas a qualquer coisa ao nosso redor.
-- Cato está próximo da entrada — eu digo — É a melhor chance que tenho para acertá-lo.
Ele esfrega os olhos e diz:
--Consegue se mexer?
Reviro os olhos e digo:
--Mas é claro... — viro-me para pegar o meu arco e sinto uma pontada de dor na cintura que me faz arquejar.
--...que não. — ele completa sorrindo de lado.
--Um pouco a mais de dor agora não fará diferença. — eu disse pegando o arco e as flechas enquanto me arrastava até a borda da Cornucópia, ignorando o sangue que começou a a fluir na minha barriga já que eu me mexi. "Só mais um pouco e eu estarei na Capital" pensei quando abaixava a cabeça para procurar Cato. O chão estava tomado pelo sangue, e, a alguns metros de mim se encontrava uma grande massa de carne crua que com um tremor eu percebo que é Cato. Ele tenta dizer alguma coisa — talvez um "por favor" — e eu consigo ver sua boca. Armo uma flecha e atiro. A confirmação de que eu acertei chega logo depois com o canhão. Percy me ajuda a subir de volta já que as minhas dores pioraram.
Ficamos alguns segundos em silêncio antes de eu dizer:
-- Bem, conseguimos.
-- Viva a 74° edição dos Jogos. — ele murmurou.
Nenhum de nós está feliz de verdade. Não há como sentir alegria em uma situação como essa.
-- Você está sangrando de novo. — ele disse olhando para o meu curativo novamente empapado de sangue.
-- Eles vão cuidar disso quando voltarmos para a Capital. — olhei para o céu esperando ouvir Claudius Templesmith nos declarando vencedores ou coisa parecida — Mas onde eles estão?
-- Talvez queiram que saiamos para levarem o corpo. — sugeriu Percy, que pareceu ficar desconfortável com o fato de os idealizadores não terem anunciado nada.
Escorregamos pela parede dourada e assim que meus pés tocaram o chão, senti minhas pernas fraquejarem e minha visão ficar turva. Percy segurou meus ombros e disse:
-- A perda de sangue está te deixando tonta.
-- Não me diga, doutor. — falei colocando a mão na testa na tentativa de parar com os giros na minha cabeça.
Senti-me sendo levantada do chão por dois braços: um embaixo dos meus joelhos e outro nas minhas costas.
-- Carregar a namorada como se fosse uma noiva. Quem nunca fez isso? — Percy disse sorrindo.
-- Jackson, se você me derrubar...
-- Já sei, já sei. Esquartejar, matar, bater. Poderia ser um pouco mais legal de vez em quando?
Ele me colocou no chão perto da margem do lago e eu fiz uma careta. Ele repetiu o mesmo gesto de tirar a minha blusa e avaliar o meu machucado. Pela cara dele estava bem pior do que antes. Percy tirou a jaqueta e fez o melhor que podia como bandagem. Não consegui segurar o grito quando ele deu o nó.
-- Isso não vai adiantar muita coisa, você vai precisar de um médico. — ele disse se sentando ao meu lado.
Eu já ia responder, porém as trombetas tocaram pela arena e a voz de Claudius Templesmith falou em alto e bom som:
-Saudações aos finalistas do septuagésimo quarto Jogos Vorazes. A mudança anterior foi revogada. Uma análise mais atenta às regras revelou que apenas um vencedor está autorizado. Que a sorte esteja sempre ao seu favor.

Pov. Percy

Há alguns chiados estáticos e depois tudo cai no mesmo silêncio de antes. Eu já deveria saber. Nunca seria tão fácil assim! Nenhum teste dado pelos deuses é. Hera sabia que isso aconteceria, não duvido nada da possibilidade de ela ter inventado essa história de mudança revogada. A voz da deusa invade a minha mente: "Uma tarefa difícil, mas alguém tem que fazé-la". É quando eu me dou conta de que esse é o real objetivo. Toda essa história de lutar nos Jogos foi apenas um aquecimento, o que ela realmente queria era esse momento. Como eu reagiria ao fato de que tenho que matar Katniss. Nunca poderia fazer isso, mesmo que ajudasse outras milhões de pessoas. Olhei para a imagem devastada de Kat a minha frente. Peguei a última faca que eu tinha e coloquei em sua mão.
-- Vai, acabe logo com isso. — falei e respirei fundo.
Ela olhou para a lâmina como se tivesse alguma maldição e disse com a voz esganiçada:
--Claro que não! Você que deve ganhar os Jogos!
--Katniss, o tempo está correndo. Seu machucado só vai piorar e eles podem mandar mais bestantes para cá. Me mate logo, sabe que eu nunca conseguiria fazer isso. — eu disse sentindo um aperto no peito que só ia crescendo a cada segundo.
--Você é quem deve ganhar, D4! — ela disse devolvendo a faca para mim — É por isso que está aqui, esse é o seu objetivo desde o dia em que apareceu lá no distrito 12. A sua vitória vai evitar uma guerra, Percy Jackson. Minha vida não vale tanto assim. — ela suspirou e estendeu os braços — Por favor, seja rápido.
--Eu não posso te matar, Katniss! Iria morrer junto se fizesse isso. — eu disse pegando a sua mão e apertando.
-- Os Jogos precisam de um vitorioso, Jackson. — ela disse olhando para baixo — Nada pode ir contra isso.
O que ela disse ficou preso na minha cabeça. "Os Jogos precisam de um vitorioso". Se não há ninguém que vença, tudo terá sido em vão. Os investimentos, patrocínios, etc. Com certeza o a população da Capital ia odiar, os Idealizadores seriam motivo de chacota em qualquer lugar.
Lembro-me das amoras cadeado que mataram Foxface. Havia guardado algumas delas pensando que talvez poderiam enganar Cato. Peguei duas delas no meu bolso e olhei para Katniss, que pareceu entender o que eu queria dizer.
--Eu não vou te deixar sozinha. — eu dei uma amora para ela — Não de novo.
Ela me olhou com um certo brilho, um tipo de agradecimento misturado com admiração.
-- Juntos sempre, não é? — ela disse e eu assenti.
Depositei um beijo no topo de sua cabeça e sussurrei:
-- No três, ok?
Ela concordou e me deu um abraço apertado.
Nós ficamos de costas um para o outro, de mãos dadas, e estendemos as mãos livres para mostrar as amoras.
-- 1... — eu comecei a contar.
Não importava guerra nenhuma para mim. Eu não iria matar Katniss e ser vangloriado por isso. Se não sairmos juntos daqui vivos, sairemos mortos.
-- 2...- eu fechei os olhos.
Mas e se os Idealizadores não se importassem se morrêssemos ou não? Então toda essa cena seria em vão.
-- 3!
Chega de pensar. Apertei a mão de Katniss uma última vez e coloquei a amora na boca. Já sentia o suco azedo da fruta na minha língua quando ouvi a voz do apresentador:
-- Parem! Parem, por favor! Parabéns, vocês são os vencedores da 74° edição dos Jogos Vorazes!
Meu próximo impulso é cuspir a amora e garantir que nem um pouco ficou na minha boca. Vi que Katniss está fazendo o mesmo e bebendo a água do lago, só para garantor.
-- Não engoliu nada, não é? — perguntei quase sem pensar.
--Acho que eu já estaria morta se tivesse feito isso — ela disse distraída.
Vemos um aerodeslizador aparecer no céu e duas escadas metálicas caírem. Ao tocarmos nelas nossos corpos ficam estáticos por causa da corrente elétrica, então nós subimos para dentro da nave.
Mal colocamos os pés dentro e uma equipe médica apareceu deitando Katniss em uma maca e a levando para algum outro lugar. Involuntariamente eu tento seguí-los, mas dois pacificadores me seguram no lugar.
-- Me deixem ir vê-la! — eu gritava para ninguém em particular. Parei uma mulher de jaleco que passava por ali e perguntei: — Para onde a levaram?
-- A facada atingiu o estômago e parte do fígado, causou uma hemorragia. Se passasse mais uma hora sem cuidados com certeza morreria. — ela falou com aquela seriedade e calma típica dos médicos.
-- Ela vai ficar bem? — perguntei ignorando toda a explicação.
-- Nossos médicos farão o possível. Agora temos que cuidar de você... — ela disse me guiando para uma sala qualquer, mas eu empurrei seu braço e falei devagar:
-- Eu não me importo comigo, eu só quero saber da Katniss.
-- Senhor, por favor se acalme.
-- Moça, o problema não é comigo. Eu estou muito bem, disso eu tenho certeza. — falei com um pouco mais de raiva do que o normal.
Isso resultou em uma agulha no meu braço e um sono imediato. Olha o que dá discutir com médicos...

Notas finais
Quem quiser o link pra ler a história do tio Rick me avisa que eu mando. Pensando bem isso não é uma sugestão, é uma ORDEM. Gente eu preciso conversar com alguém sobre aquilo, pode responder todas as minhas dúvidas sobre The House of Hades Ç.Ç ~abana~
Pronto, to bem.
Quem quer moramgos fresquinhos? (E links fresquinhos?)
Bjuzzz