Percy Jackson E Os Jogos Vorazes

50 Eu te odeio por me preferir!


Notas iniciais
Hello, doçuras de mi life ^^ Capítulo dedicado à Anne13 pela recomendação supermegaultrahiperpluspower linda *-*
Enjoy!

Pov Katniss

Certo, acho que vou desmaiar. Agora é a hora em que vamos ver o resumo de tudo o que aconteceu na Arena, mas eu não sei se estou preparada para isso. Só estou me controlando para não sair correndo quando tudo começar. Apertei forte o braço de Percy, uma forma de eu me lembrar que isso não é de tudo um pesadelo, que uma hora tudo estará bem novamente.
Ele entrelaçou nossos dedos e falou no meu ouvido:
-- Relaxa, parece até que vai para uma guerra.
-- Fácil pra você, terninho azul. — murmurei. O ar gelado da noite associado ao ar-condicionado me deixavam arrepiada — Caramba, por que ligam essa coisa sendo que já está frio? — perguntei tremendo.
Ele tirou o terno e estendeu para mim.
-- Pega.
Empurrei sua mão e falei:
-- Não, vai estragar o trabalho de Portia.
-- Katniss, para de frescura. — ele falou colocando o terno ao redor dos meus ombros. Tinha cheiro de maresia.
-- Vou ficar com cheiro de sushi. — resmunguei.
-- Um sushi fofo e zangado. — ele falou rindo.
Encostei minha cabeça em seu ombro e ele ficou mexendo no meu cabelo. Tirando a plateia e as câmeras, eu quase poderia me sentir em paz. Fechei os olhos e disse:
-- Eu posso dormir?
-- Não, eles vão começar o filme.
-- Estraga-prazeres. — falei abrindo os olhos.
O filme havia começado. Quase quatro semanas de luta condensadas em três horas exatas. Iniciou-se com a Colheita. Eu me oferecendo como tributo para polpar Prim, Percy sendo sorteado. O detalhe é que eles não mostraram a confusão das pessoas em não conhecê-lo.
Passando para o desfile, lá estávamos nós, em chamas.
Já na Arena eles fizeram uma cobertura completa do banho de sangue. Pude ver porque Cato ficou com tanta raiva de Percy.
-- Isso mostra o quanto você é irritante. — falei.
-- Seus olhos, querida. São seus olhos. — ele falou sorrindo de lado.
Agora estávamos na parte depois da tempestade de fogo. Deuses, ele havia me salvado mesmo! Por pouco os carreiristas não me pegaram. A plateia soltou alguns suspiros apaixonados enquanto eu apenas observava a tela de boca aberta. Quantas coisas vou ter que fazer para recompensar tudo que ele já fez por mim?
Então chega o episódio das teleguiadas. Eu cortando o ninho, sendo picada e a morte de Glimmer. Ouço diversos pedidos da plateia por silêncio. Fico confusa por um instante até me lembrar do que acontece a seguir.
O beijo.
"-- Senti saudades, Catnip."
Foi só essa frase ser dita que a multidão explodiu em aplausos e gritos. Captei até alguns chorando de emoção. (N/A: Eu sei que vocês tiveram um momento fangirl aquela hora)
Caesar pediu silêncio e o vídeo continuou. Houve uma breve luta dele com Cato e então Clove apareceu. Só eu que achei que eles estavam flertando?
Olhei para Percy com uma sobrancelha arqueada como se dissesse "O que tem a dizer em sua defesa?"
Ele riu e me deu um beijo na bochecha, falando no meu ouvido:
-- Maçãzinha ciumenta.
Se eu pudesse daria um tapa nele ali mesmo e me afastaria. Mas eu ainda preciso fazer o papel de garota apaixonada, e o sofá de tão pequeno que é nos obriga a ficar grudados.
Após a transmissão da morte de Rue eu me fecho completamente, como se aquela fosse uma edição qualquer dos Jogos.
A partir do momento em que eu e Percy nos encontramos a maioria das conversas se tornam cortadas ou em um volume menor, provavelmente porque dizem respeito à Grécia e tudo aquilo que os mortais não deveriam saber. Hera deve ter cuidado dessa parte.
O filme foi passando devagar, me deixando ainda mais entediada e atônita a cada luta. A morte de Cato conseguiu ser mais horrenda vista da TV.
Depois da cena com as amoras eles não terminaram o filme com a declaração da nossa vitória, mas sim conosco no aerodeslizador enquanto os médicos tentavam salvar a minha vida.
Um suspiro de alívio escapa dos meus lábios, até agora pelo menos, a sorte está ao nosso favor.
Ficamos em pé para ouvir o hino e o Presidente Snow apareceu com uma menina que segurava uma almofada com a coroa do vencedor. Ele partiu a coroa em dois. Colocou a primeira metade na minha cabeça com um sorriso que, em algum lugar da Capital, deveria parecer amistoso, mas para mim foi assustador. Ao colocar a coroa em Percy seu sorriso não mudou, porém eu senti que algo havia mudado. O brilho nos olhos não era feliz, era odioso e irritado. Óbvio, ele teve a ideia das amoras.
A partir daí a noite foi como um vulto que se resumia a câmeras, jantares, câmeras, sorrisos, câmeras, congratulações e mais algumas câmeras.
Quando finalmente voltamos para o Centro de Treinamento, o sol já começava a nascer. Eu dormi com a cabeça encostada no ombro de Percy no caminho a carro até lá. Ao chegarmos ele mexeu no meu braço e falou:
-- Bela adormecida, chegamos.
Fiz um muxoxo e murmurei:
-- Me leva até lá em cima.
Ele riu e respondeu:
-- Até iria se não fosse o fato de que o meu braço está doendo de tanto acenar para a multidão.
-- Deixe o garoto em paz, doçura. Ele já teve que te aguentar a noite inteira. — falou Haymitch do banco da frente.
-- Dupla de chatos. — resmunguei esfregando os olhos e saindo do carro.
Não é só por causa do sono, preciso falar com Percy em particular. Sobre o que vai acontecer agora que os Jogos acabaram. Ele me acompanha do elevador até a porta do meu quarto, onde eu digo séria:
-- Temos que conversar.
Ele me encara por um momento e depois suspira, como se estivesse se preparando para aquela conversa há tempos.
-- Katniss, eu...
Ele foi interrompido por Haymitch que praticamente o arrastou pelo corredor com a desculpa de que Portia o estava chamando para acertar alguma roupa para a entrevista de amanhã. Ele me mandou um olhar de "continuamos depois" e desapareceu por entre as portas.
Bufei e fechei a porta. Fico rolando na cama até perder a paciência e decidir que eu não iria esperar mais tempo para falar. Porém, quando giro a maçaneta encontro a porta trancada pelo lado de fora.
Um frio percorre o meu corpo quando eu começo a juntar as peças. Capital. Castigo. Prisão. Revolta. As palavras flutuam pela minha cabeça sem encontrar uma frase a que pertençam corretamente. Volto para a cama e finjo dormir até Effie entrar no quarto anunciando outro grande dia.
Sou preparada por Cinna que me colocou em um vestido branco e sapatos rosa. A entrevista é na sala de estar no final do corredor. Eles arrumaram um sofá parecido como o da noite anterior, uma poltrona para o entrevistador e um punhado de câmeras. Pelo menos não tem nenhuma plateia.
Percy surge com um terno branco com detalhes vermelhos e diz:
-- Caramba, quase não consigo falar com você.
-- E eu tenho que falar com você. — falei com intensidade na palavra "tenho".
Caesar Flickerman aparece e nos sauda:
-- Um bom dia ao casal! Podem se sentar.
Nós nos sentamos e ficamos abraçados como antes. Alguém faz uma contagem regressiva e logo estamos ao vivo para toda Panem.
Caesar faz algumas piadas e perguntas simples que não requerem respostas muito longas de mim. Percy já é mais especializado nisso, ele age como se fossem amigos de longa data.
-- Ora, devo dizer que você deu trabalho para os repórteres, Percy. Quase ninguém no distrito 12 te conhecia! — ele falou impressionado.
Percy deu um sorriso de lado e falou:
-- Pois é, eu não sou lá muito popular, Caesar. Acho que depois disso tudo, isso vai mudar.
Eles riram e Caesar continuou:
-- Tenho certeza. Ainda bem que encontramos a sua irmã, uma garota adorável.
Tive que conter a vontade de perguntar "que irmã?" Olhei discretamente para Percy, que riu e falou:
-- Sim, ela é uma graça. Mas me dá um trabalho danado.
Caesar sorriu e falou:
-- Fui irmão mais velho de gêmeos, sei como é isso.
A entrevista continuou com outros assuntos. Mas a dúvida ainda martelava a minha cabeça. Quem era essa irmã? Percy não conhecia quase ninguém no D12, como poderiam encontrar um parente?
Meus pensamentos são interrompidos por uma pergunta de Caesar:
-- Katniss, quando você se deu conta de que estava apaixonada por ele?
Ontem a noite, minha mente responderia.
Eu ri e fiquei olhando minhas unhas.
-- É difícil, Caesar. Acho que foi no beijo das teleguiadas. Fiquei tão grata por ele ter me ajudado que pude ver meus sentimentos com mais clareza. E, mesmo que não pudesse haver mais de dois vitoriosos, eu nunca iria deixá-lo.
-- Bom, agora chegamos em outra questão importante. Percy, qual era a sua intenção quando pegou aquelas amoras?
Era agora ou nunca. Se ele respondesse isso errado estaríamos numa tremenda enrascada. Ele apertou a minha mão e ficou observando nossos dedos entrelaçados.
-- É difícil explicar, Caesar. Eu só...eu só não suportava a ideia de viver em um mundo sem a Katniss.
Eu conhecia aqueles olhos, sabia quando estava mentindo ou não. Ele estava sério, estava dizendo a verdade. Algo dentro de mim se acendeu. Como uma vela que mesmo perto do vento forte continua acesa. Esperança. Eu ainda tinha a esperança de que ele pudesse gostar de mim. Mas, e daí? Ele não poderia ficar comigo de todas as formas, por que eu ainda tenho esperanças? Argh, droga de amor.
-- Algo a acrescentar, querida? — Caesar perguntou.
-- Não, o pensamento é o mesmo para mim também. — falei com ar cansado.
A entrevista acaba e nós somos dispensados para arrumar-nos para a viagem de volta para casa. Vou ao meu quarto apenas para pegar meu broche de tordo, visto que não tenho mais nada aqui.
Somos levados até o trem, sempre acenando para a multidão. Porém só me sinto livre de verdade quando passamos do túnel que delimita a Capital.
Troco o vestido por uma calça e camiseta mais simples, nosso jantar é farto como os outros e assistimos na TV a reprise da entrevista.
Uma hora o trem faz uma parada para reabastecer e nos é permitido uma breve caminhada.
Percy me acompanha, ficamos andando de mãos dadas perto dos trilhos até ele dizer:
-- Sobre o que você queria falar?
Chegou a hora. Mordi o lábio inferior e olhei para ele. Parecia preocupado e um pouco triste.
-- Percy, você já ganhou os Jogos. O teste de Hera foi cumprido...Agora você tem que ir embora, não é?
Ele apertou a minha mão e respirou fundo.
-- Não, Catnip. Eu não tenho.
-- O que? Mas como? — perguntei confusa, mesmo que estivesse um pouco feliz com a resposta.
-- Eu escolhi ficar aqui, por mais um tempo. — ele disse me encarando.
Eu estava ficando assustada. Deus, ele não podia ficar ali! A culpa pela rebelião cairia sobre seus ombros.
-- Mas...por que? — perguntei nervosa.
-- Por sua causa, Katniss. Recusei a proposta de Hera de voltar ao meu tempo por sua causa. Não podia ir embora sabendo que você correria perigo. Ela me deu mais um tempo, alguns meses talvez. De qualquer forma, vou ficar aqui. — ele falou calmo, mas ainda assim preocupado.
Eu comecei a ficar irritada. Não podia acreditar que ele fizera aquilo, ainda mais por mim!
-- Por que você fez isso, Jackson? Você tem uma vida lá fora! Uma missão e uma namorada! Quantas vezes eu vou ter que lembrar da Annabeth? — falei irritada.
Ele segurou os meus braços e falou:
-- Em momento algum eu me esqueci de Annabeth. Eu fiz isso para te proteger, Kat.
Soltei-me de suas mãos e gritei:
-- Eu não preciso que me protejam, Percy! Você vê no que se meteu? Toda aquela coisa de amoras nos Jogos te colocou em problemas graves! Snow quer a sua cabeça em uma bandeja. Você não deveria estar aqui!
-- Katniss, por mim o mundo pode explodir. Mas eu não podia ir embora sem garantir que você estivesse bem! — ele respondeu no mesmo tom de voz.
Eu que iria explodir se ficasse ali por mais um segundo. Grunhi e dei meia-volta pronta para voltar ao trem. Mas ele me segurou pelo braço, impedindo-me de ir.
--Percy, me solta. — falei devagar.
-- Eu sinto muito se te magoei, Katniss. Mas eu não entendo porque você está assim. Por que? — ele disse colocando-se na minha frente, obrigando-me a encará-lo.
Tive que respirar fundo umas cinco vezes antes de olhá-lo nos olhos.
-- Porque eu me importo com você, D4.* — falei cansada — Você é meu amigo, e agora está com problemas por minha causa. Coloque-se no meu lugar, Percy. Se eu recusasse uma proposta que me manteria a salvo de muitos perigos, você também não se irritaria?
Ele ficou em silêncio por um tempo antes de responder.
-- Provavelmente me irritaria muito mais do que você. Mas não adianta reclamar agora. Eu vou ficar aqui e não há nada que você possa fazer, ouviu? — ele falou calmo e devagar, como se estivesse falando como una criança.
Eu queria poder gritar, brigar com ele e nunca mais com ele. Queria ficar irritada, declarar uma guerra, qualquer coisa que me fizesse parar de gostar dele. Mas simplesmente não conseguia. Algo naqueles brilhantes olhos verdes me impedia e deixava as minhas pernas bambas. Ai, Jackson, como eu te odeio!
Coloquei a mão no rosto e murmurei:
-- Você é um grande idiota, D4.
Ele suspirou meio aliviado e falou:
-- Ainda bem que você voltou.
-- E quando eu fui embora? — perguntei arqueando uma sobrancelha.
Ele riu e me abraçou. Leia-se: me esmagou.
-- Garota, não faz mais isso comigo. Desculpa se eu te deixei chateada ou qualquer outra parafernalha que mulheres usam conta nós.
-- Socorro, garota em chamas sendo sufocada. Me solta! — falei esperneando.
O apito do trem soou no horizonte. Ele me soltou e ajoelhou-se na minha frente pegando a minha mão.
-- Katniss Everdeen, aceita viver comigo por mais alguns meses, até que Hera nos separe?** — ele falou contendo a risada.
Eu ri e disse começando a andar:
-- Vou ter que pensar, já tem muitos na fila.
-- Paro de te chamar de "Catnip" por um mês. — ele ofereceu.
Fingi pensar por um instante e disse:
-- Tudo bem, eu aceito.
-- Ótimo.
Ele ficou em pé e colocou a mão no meu ombro, guiando-nos de volta ao trem.
-- A propósito, eu cruzei os dedos na hora da oferta. Isso quer dizer que eu ainda posso te chamar de "Catnip", Catnip.
-- Droga, posso pedir o divórcio?
-- Não, advogados são caros e eu quero ficar com você.
-- Own, que fofo. Agora chega de sentimentalismo e vamos falar de assuntos sérios. Como você acha que encontraram uma irmã sua no distrito 12? — perguntei.
Ele deu de ombros e respobdeu:
-- Não faço ideia, Hera deve ter manipulado alguma coisa na Névoa. Vai saber.
-- Se essa irmã fosse boa em te irritar, acho que poderíamos ser boas amigas. — falei rindo.
-- Nem conte com isso. — ele disse quando chegamos ao trem.
O resto da noite foi preenchida pela ansiosidade e nervosismo de chegar ao distrito 12. Parece que foi há anos que eu saí de lá. Agora, além de feliz, esrou assustada, com medo do que Snow poderia fazer à minha família se essa coisa de casal apaixonado não desse certo. Isso além de que, terei que viver com o temor de que em um dia qualquer Percy desaparecerá para sempre. Até lá espero entender meus sentimentos por ele. Amar uma pessoa sabendo que ela nunca sentirá o mesmo é muito triste. Não serei eu a ser uma dessas.
Mas, nos últimos tempos, a sorte não tem estado ao meu favor.

Notas finais
*Ah, como eu queria colocar um "Porque eu te amo" ali...
**Se dependesse do meu lado Perckatniss a frase seria "Katniss Everdeen, aceita se casar comigo e viver para sempre ao meu lado, até que a Mileh nos separe?" E sim, eu seria capaz de fazer. Não tenho sentimentos mesmo. Liper, Percabeth e Galeniss acabaram com eles faz tempo U-U
Perguntinha rápida para a fic andar: quanto tempo passa do fim de Jogos Vorazes até o início de Em Chamas? Eu não lembro direito e tô com preguiça de procurar e.e
Quem quer bolinho de chuva?
Bjuxxx