Notas iniciais
mais um daqueles ctrl c ctrl v. Não se preocupem, garanto que vai ser o último.

PoV Katniss

Meus últimos pensamentos se resumiam a apenas uma coisa: arranjar uma forma de acabar com a comida dos Carreiristas. Ironicamente, a única fraqueza deles é ter nascido em um belo mar de rosas. Por isso nunca devem ter sentido o que é passar fome, não como qualquer tributo dos distritos normais.

Depois de uma noite razoável e calma eu fui acordada pelo som de um canhão. Rue já estava acordada e em silêncio a espera de mais um tiro assim como eu, mas eventualmente não veio.

- Quem você acha que foi?- pergunto.

- Não sei, mas acho que pode ter sido o garoto do dez. Sabe, aquele com a perna ruim.

- Quem resta de nós?

- Além dele o garoto do Um, ambos do Dois, o cara do três, Percy, Thresh e a gente.

- Está faltando alguém.

- Sim, mas eu não consigo me lembrar quem é.

- Nem eu.

Fizemos um rápido café da manhã a base de carne de coelho e amoras silvestres. Quando terminei de organizar a minha mochila perguntei:

- Pronta pra fazer?

- O que exatamente?- pela forma que ela pulou eu poderia dizer que aceitaria qualquer coisa.

- Vamos acabar com a comida dos profissionais.

- Como?

- Jogando lago, colocando fogo, embebê-la em óleo- cutuquei a sua barriga e falei sorrindo- Comê-la!

Ela riu e eu continuei:

- Não se preocupe, arranjaremos alguma coisa.

Nós não conseguimos caçar muito porque estou muito ocupada pegando cada pedaço de informação que posso tirar de Rue sobre a base dos Profissionais. Ela só esteve os espiando brevemente, mas ela é observadora. Eles montaram seu campo ao lado do lago. Seus suprimentos estão juntos uns trinta metros afastados. Durante o dia, eles deixavam outro tributo, o garoto do Distrito 3, para vigiar os suprimentos.

“O garoto do Distrito Três?” pergunto. “Ele está trabalhando com eles?”

“Sim, ele fica no acampamento o tempo todo. Ele foi picado, também, quando eles levaram os tracker jackers para o lago,” diz Rue. “Acho que eles concordaram em deixá-lo viver se ele atuasse como guarda. Mas ele não é muito grande.”

“E a comida apenas está a céu aberto?” digo. Ela acena. “Algo não está certo em tudo isso.”

Por enquanto, nós escavamos raízes, juntamos bagas e verduras, planejamos uma estratégia em voz baixa. E eu vim a conhecer Rue, a mais velha de seis crianças, protetora feroz de seus irmãos, que dá suas rações para os mais novos, que explora os campos num distrito onde os Pacificadores são bem menos gentis que os nossos. Rue, que quando você a pergunta o que ela mais ama no mundo, responde, de todas as coisas, “Música.”

“Música?” digo. No nosso mundo, classifico música em algum lugar entre fitas de cabelo e arco-íris em termos de inutilidade. Ao menos um arco-íris te dá uma indicação do tempo. “Você tem muito tempo para isso?”

“Nós cantamos em casa. No trabalho, também. É por isso que eu adoro seu broche,” ela diz, apontando para o tordo do qual eu já tinha me esquecido.

“Você tem tordos?” pergunto.

“Ah, sim. Tenho alguns que são meus amigos especiais. Nós podemos cantar para trás e para frente por horas. Eles carregam mensagens para mim,” ela diz.

“O que você quer dizer?” digo.

“Geralmente sou a maior, então sou a primeira a ver as penas que sinalizam o fim do tempo. Há uma pequena música em especial que faço,” diz Rue. Ela abre a boca e canta uma pequena execução de quatro notas numa voz clara e suave. “E os tordos a espalham por todo o pomar. É como todos sabem que é a hora de parar,” ela continua. “Eles podem ser perigosos entretanto, se você chegar muito perto de seus ninhos. Mas você não pode culpá-los por isso.”

- Se quiser pode ficar com ele, eu disse fazendo menção de liberar o broche.

- Oh, não! Eu gosto dele em você, Katniss. Além do mas eu tenho meu próprio amuleto da sorte, ela disse retirando um cordão com pingente de estrela de madeira para fora da camiseta.

- Bem, até agora funcionou bem- eu disse enquanto pegava algumas amoras.

“No almoço, temos um plano. No início da tarde, estamos prontas para executá-lo. Ajudo Rue a coletar e colocar a madeira para as duas primeiras fogueiras, para a terceira ela terá tempo sozinha. Decidimos nos encontrar depois do terreno onde comemos nosso primeiro alimento juntas. O rio deve ajudar a me guiar de volta pra lá. Antes de partir, tenho a certeza que Rue está bem estocada com comida e fósforos. Até insisto que ela tome meu saco de dormir, no caso de não ser possível nos encontrar no cair da noite.

“E você? Não terá frio?” ela pergunta.

“Não se eu pegar outro saco no lago,” digo. “Sabe, roubar não é ilegal aqui,” digo com um sorriso.

No último minuto, Rue decide me ensinar seu sinal mockingjay, o que ela dá para indicar que o dia de trabalho acabou. “Talvez não funcione. Mas se você ouvir tordos cantando, saiba que estou bem, apenas não consegui voltar a tempo.”

“Há muitos aqui?” Pergunto.

“Você não os viu? Eles têm ninhos em todos os lugares,” diz. Tenho que admitir que não notei.

“Ok, então. Se tudo for de acordo com o plano, verei você no jantar,” digo.

Inesperadamente, Rue atira seus braços ao meu redor. Hesito apenas por um momento antes de abraçá-la de volta.

“Seja cuidadosa,” diz para mim.

“Você também,” digo. Viro-me e volto para o rio, sentindo-me um pouco preocupada. Com Rue ser assassinada, com Rue não ser assassinada e nós duas sendo deixadas por último, com deixar Rue sozinha, com deixar Prim sozinha em casa. Não, Prim tem minha mãe e Gale e um padeiro que prometeu que ela não terá fome. Rue tem apenas a mim.

Chego a conclusão que me movi devagar ontem, pois logo alcanço o riacho onde estive. A medida que me aproximo do acampamento deles, tento apurar ainda mais os meus sentidos. Reparo nas coisas que Rue me reportou. As folhas para o veneno de teleguiadas, as amoras, e, ocasionalmente o tom preto e branco das asas de um tordo.

Logo chego no lugar que ela me indicou e respiro fundo. Eu sou a caçadora, eles são a presa. Devo dar os meus parabéns à Rue quando tudo isso acabar, pois sua esperteza é algo impressionante. O ponto escolhido é completamente escondido da visão dos Profissionais, sendo que estou camuflado pelas plantas e árvores.

Observo o terreno onde os Jogos começaram. “Há quatro tributos. O garoto do Distrito 1, Cato e Clove, e um garoto magro e pálido que deve ser do Distrito 3.” Mesmo á distância reparo que Cato está com um sério corte no olho esquerdo, como Rue disse. Realmente houve uma luta. Então eu me foco no tributo do D3. “Ele fez quase nenhuma impressão em mim durante nosso tempo no Capitol. Posso me lembrar quase nada sobre ele, nem suas vestes, nem sua pontuação no treinamento, nem sua entrevista. Mesmo agora, enquanto ele está sentado lá se ocupando com algum tipo de caixa de plástico, ele é facilmente ignorado na presença de seus grandes e dominantes companheiros. Mas ele deve ser de algum valor ou eles não teria se incomodado em deixá-lo vivo. Ainda assim, vê-lo apenas me dá uma sensação de intranquilidade quando ao motivo dos Profissionais possivelmente deixarem-no como um guarda, por que eles permitiram que ele vivesse.”

“A Cornucópia está na sua posição original, mas dentro deve ter sido limpo. A maioria dos suprimentos, seguros em caixotes, sacos e caixas de plástico, está empilhada ordenadamente em uma pirâmide, no que parece ser uma distância questionável do acampamento. Outros estão espalhados ao redor do perímetro da pirâmide, quase imitando o esboço de suprimentos ao redor da Cornucópia ao assalto dos Games. O teto de tecido que, além de desencorajar os pássaros, parece ser uma proteção inútil da pirâmide.”

Aquilo não está certo. A estrutura, o garoto do D3. Parece que tudo foi feito como uma armadilha, que eu devo desvendar rapidamente. Tenho meu raciocínio interrompido pelo grito de Cato. Ele aponta para uma coluna de fumaça á alguns quilômetros daqui e eu sei que Rue já acendeu a primeira fogueira. Eles rapidamente pegam suas armas.

Antes de irem há uma pequena discussão, acho que sobre deixar o garoto do 3 ir ou não.

- Deixem ele vir- falou Cato- Seu trabalho acabou por aqui, não necessitamos mais de guardas.

- E o falso 4?- questionou o garoto do Um.

- Já disse, ele não é problema. É um milagre não ter sangrado até a morte ainda. Mas logo o tiro dele será disparado, então minha promessa estará cumprida.

Com um calafrio eu me dou conta que ele falou do D4. Então ele estava mesmo machucado, e pelo jeito era grave.

“ “ Vamos,” diz Cato. Ele empurra uma lança para as mãos do garoto do Distrito 3, e eles se deslocam na direção do fogo. A última coisa que ouço enquanto eles entram na floresta é Cato dizendo, “Quando nós a encontrarmos, eu a matarei no meu estilo, sem ninguém interferir.”

“De algum modo não acho que ele está falando de Rue. Ela não derrubou um ninho de teleguiadas nele.”

“Fico parada por meia hora ou mais, tentando calcular o que fazer com os suprimentos”. Talvez uma flecha com fogo, mas não há garantia que queime tudo. Ou quem sabe eu acerte uma caixa com óleo e incendeie tudo de uma vez, as possibilidades são muitas.

Não há alternativa. Vou ter que me aproximar e ver se não posso descobrir o que exatamente protege os suprimentos. Na realidade, estou quase me revelando quando um movimento é capturado pelo meu olho. Algumas centenas de metros a minha direita, vejo alguém emergir da floresta. Por um segundo, acho que é Rue, mas então reconheço Foxface – ela é a única que nós não podíamos nos lembrar essa manhã – rastejando para o plano. Quando decide que é seguro, ela corre para a pirâmide, com passos rápidos e pequenos. Justo antes de alcançar o círculo de suprimentos que foram espalhados ao redor da pirâmide, ela pára, examina o chão, e cuidadosamente coloca seu pé em um ponto. Então começa a se aproximar da pirâmide com pulinhos estranhos, às vezes parando sobre um pé, oscilando levemente, às vezes arriscando poucos passos.

Num certo ponto, ela se lança no ar, sobre um pequeno barril e pousa equilibrada nas pontas dos pés. Mas ela erra o alvo um pouco, e seu ímpeto a joga para frente. Ouço-a dar um berro agudo quando suas mãos batem no chão, mas nada acontece. Em um momento, ela fica de pé e continua até alcançar a maior parte dos suprimentos.

Então, estou certa quanto à armadilha explosiva, mas claramente é mais complexa do que imaginei. Estava certa quanto à garota, também. Quão astuta ela é para ter descoberto esse caminho até a comida e ser capaz de replicá-lo tão bem? Ela enche sua bolsa, tomando alguns itens de uma variedade de recipientes, biscoitos de um caixote, um punhado de maçãs de um saco que está suspenso numa corda do lado de fora da caixa. Mas só um punhado de cada, não o bastante para indicar que tem comida faltando. Não o bastante para causar suspeita. E depois ela está fazendo sua dançinha estranha de volta para fora do círculo e corre para dentro da floresta novamente, sã e salva.

Percebo que estou cerrando os dentes de frustração. Foxface confirmou o que eu estava pensando. Mas que tipo de armadilha eles armaram que requer tanta destreza? Tem tantos pontos de gatilho? Porque ela gritou assim que suas mãos fizeram contato com a terra? Você pensaria... e rapidamente começa a surgir em mim... você pensaria que todo o chão iria explodir.

“É minado,” murmuro. Isso explica tudo. A disposição dos Profissionais de deixar seus suprimentos, a reação de Foxface, o envolvimento com o garoto do Distrito 3, onde eles têm fábricas, onde eles têm televisões e automóveis e explosivos. Mas onde ele as conseguiu? Nos suprimentos? Esse não é o tipo de arma que os Gamemakers geralmente dão, visto que eles gostam de ver tirarem sangue pessoalmente. Saio dos arbustos e atravesso uma das placas metálicas que elevaram os tributos para a arena. O chão ao redor dela foi escavado e colocado de volta.

O campo minado foi desativado depois dos sessenta segundo ficando sobre as placas, mas o garoto do Distrito 3 deve ter dado um jeito de ativá-las. Nunca vi ninguém nos Games fazer isso. Aposto que isso chocou até os Gamemakers.

Bem, viva para o garoto do Distrito 3 por ativar mais de um deles, mas o que eu deveria fazer agora? Obviamente, não posso ir passear nessa bagunça sem explodir.

Meu braço é muito bom, talvez seja capaz de atirar algumas lá e explodir o quê? Talvez uma mina? Isso começaria uma reação em cadeia. Ou não? O garoto do Distrito 3 teria colocado as minas de modo que uma única mina não perturbaria as outras? Protegendo assim os suprimentos, e se assegurando da morte do invasor. Mesmo se eu explodir de uma mina, trarei os Profissionais de volta com certeza.

Olho de volta para a floresta. A fumaça do segundo fogo de Rue está se elevando em direção ao céu. A essa hora, os Profissionais provavelmente já começaram a suspeitar de algum tipo de truque. O tempo está correndo.

Então vejo o saco de maçãs balançando no alto. Se eu acertasse uma flecha e derrubasse as maçãs elas poderiam ativar as bombas, certo?

Sei o que fazer. Passo para a pastagem e pego três flechas para fazer o trabalho. Coloco meus pés com cuidado, bloqueando o resto do mundo enquanto miro meticulosamente. A primeira flecha rasga do lado da bolsa perto do topo, deixando uma fenda no saco. A segunda amplia o buraco. Posso ver a primeira maçã balançando quando lanço o terceiro arco, pegando o retalho rasgado e cortando-o do saco.

Por um momento, o tempo parece congelar. E depois as maçãs caem no chão e sou jogada para tr

Notas finais
como tá chato pra caramba vamos fazer o seguinte: se eu tiver sete reviews ainda hoje, eu posto o cap 35 antes da meia noite. Ok?
Sem lanche hoje, seus obesos u.u
Bjuz!