Percy Jackson E O Adubo Mágico
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Boa leitura.
Eu já estava no quarto período do dia, na aula de inglês, quando senti meu celular vibrar no bolso da calça. Droga, isso já foi o suficiente para me distrair da explicação da Sra. Plumer. Continuei assistindo a aula como se nada tivesse acontecido, não queria ficar de recuperação outra vez.
Bbzzzz Bbzzzzz
Meu celular continuava insistente e achei que não teria outra maneira de fazer com que isso parasse a não ser saindo da sala.
- Sra. Plumer, posso sair? Estou passando mal – falei fazendo cara de doente.
- Pode ir! – ela disse e eu peguei a minha mochila e saí rapidamente da sala.
Parei no corredor do colégio e verifiquei meu celular. Era Annabeth.
Encontre-me na quadra principal. AGORA!
Ah droga, isso não pode ser coisa boa. Comecei a rezar e pedir aos deuses para que não fosse uma grande confusão. Corri pelos corredores e desci as escadas em direção à quadra. Consegui avistar o cabelo louro de Annabeth e fui ao seu encontro.
- Finalmente! Por que demorou tanto? – ela perguntou nervosa com as mãos na cintura.
- Oi pra você também. Eu estava na aula de inglês e... – falei, mas parei quando ouvi um farfalhar de folhas nos arbustos. Fitei aquela direção e meu coração parou por um nano segundo quando percebi que algo se mexia. E então, meu amigo Grover, que era metade bode e metade homem, ou seja, um sátiro saiu de trás da moita com um punhado de folhas na boca.
- Percy! – ele falou sorrindo e veio me abraçar – Você não sabe o que houve no Acampamento!
- Não sei mesmo, ninguém me falou ainda – olhei para Annabeth e ela suspirou nervosa.
- Os pinheiros que protegem a fronteira do Acampamento adoeceram Percy. Quíron está pedindo a nossa ajuda – Annabeth contou.
- Ele quer nossa ajuda para quê? – perguntei ainda confuso. Não era muito normal nós sermos chamados em uma missão no período em que não estávamos no Acampamento Meio-Sangue.
- Bom... Precisamos pegar uma espécie de adubo, que está dentro de uma caixa – ela falou parecendo ser simples.
- Ótimo! Então vamos – falei, mas Annabeth segurou no meu braço.
- Não é tão simples assim Percy – é claro que não era, nunca era – Não temos a chave dessa caixa.
- Certo, e como iremos chegar até o local, espertinha? – falei irônico mesmo sabendo que ela já havia pensado em tudo.
- Pedi ao Blackjack uma ajudinha...
- Que droga! – falou Grover ainda mastigando folhas. Blackjack era o meu Pégaso, e digamos que Grover não gostava muito de voar. Escutei um barulho que logo reconheci, era ele, meu cavalo alado voando sobre nós. Ele pousou e falou comigo. Nós podíamos nos comunicar através do pensamento.
— Oi, chefinho – ele falou animado.
- Olá, amigo! – respondi.
- Então é isso – falou Annabeth – Quíron já explicou a Blackjack o caminho e ele nos levará.
Subimos nas costas dele e tentei ignorar as reclamações de Grover. Meu Pégaso alçou voo rapidamente e atingiu uma velocidade surpreendente. Eu senti falta disso, senti falta de ser eu mesmo. Continuamos voando por mais uma meia hora até que Blackjack pousou em frente a uma espécie de templo. Era enorme e tinha uma estátua de uma hidra na frente.
- Mas que lugar é esse? – perguntei encarando a estátua.
- Esse aqui é o Templo da Hidra. As coisas mais raras do nosso mundo são escondidas aqui – Annabeth respondeu.
- É aqui que está a caixa? – perguntei.
- Não necessariamente... – Annabeth falou misteriosa e senti que não queria saber o final da frase.
- Preciso ir, chefinho, boa sorte! – Blackjack falou comigo e levantou voo, deixando para trás um Grover bem mais tranquilo.
- Como entraremos aqui? – perguntou Grover curioso se aproximando da imensa porta.
- Eu já pensei em tudo – Annabeth sempre pensava em tudo. Enquanto eu e Grover mal sabemos o que está acontecendo, ela já montou uma estratégia completa. Sendo filha de Atena, isso fica mais fácil mesmo — Eu já estudei sobre esses templos. Todos possuem uma porta indestrutível na frente. Vários heróis já tentaram entrar em um desses, mas nunca tiveram sucesso, é por isso que iremos entrar por baixo...
Annabeth contou vinte passos a direita em voz alta e parou em cima de um punhado de folhas secas.
- É aqui – ela disse sorrindo e quando eu estava prestes a perguntar o que ela queria dizer com isso, Annabeth chutou as centenas de folhas abrindo espaço para uma espécie de tubulação subterrânea – Se descermos por aqui, entraremos direto no templo.
Abaixei-me e dei uma boa olhada naquele buraco. Não tínhamos outra opção a não ser pular e descer. Fechei os olhos e pulei; tive a sensação de estar caindo no maior precipício do mundo. Escutei os gritos de Grover e Annabeth logo atrás de mim e depois senti uma forte pancada no quadril. Abri os olhos e... Caramba! Tinha dado certo, estávamos dentro do Templo da Hidra.
- Wow – exclamou Grover olhando para cima. Era enorme e forrado do chão ao teto de bronze. Nas paredes, tinham elementos vazados com certas coisas dentro, não sei exatamente o que era aquilo tudo, mas era poderoso. Senti um forte cheiro de umidade e espirrei, no mesmo momento escutei um rugido que fez com que os pelos dos meus braços se arrepiassem. O que foi isso?
- Droga, Percy! – Annabeth falou inconformada e fez sinal para a seguirmos. Ela parou atrás de um pilar enorme de mármore – Por que você acha que esse lugar se chama “Templo da Hidra”? Porque aqui... Mora uma hidra – ela falou sussurrando e senti meu estômago dar uma cambalhota. Você sabe o que é uma hidra? Você já lutou contra uma? Provavelmente não, caro mortal, mas eu, eu já lutei, fui arranhado, pisoteado e quase morto por uma. Eu realmente não queria isso novamente...
Um alto rugido fez com que o templo todo se mexesse. Respirei fundo e olhei por trás do pilar, e lá estava o monstro. Corpo de dragão e nove cabeças de serpente.
- O que faremos agora? – perguntei.
- A hidra está escondendo a chave para a caixa. Precisamos distraí-la, pegar e dar o fora daqui – Annabeth falou como se fosse muito fácil – Percy, tente distraí-la para o lado esquerdo, eu e Grover procuraremos a chave.
Saí correndo de trás do pilar e puxei Contracorrente, minha espada. Assoviei e o monstro virou as nove cabeças na minha direção. Pude perceber a raiva por trás daqueles olhos. Corri para o lado esquerdo, por trás dos pilares e fui parar em uma sala escura e sem saída. Escutei que a hidra estava para entrar na sala, portanto me abaixei em um canto, atrás de uma escultura e tratei de ficar quieto. O que eu faço agora? Você provavelmente deve estar pensando “Por que não corta as cabeças dela?” e eu realmente não te culpo por pensar assim. Na primeira vez que lutei contra uma hidra, cortei suas cabeças, o único problema foi que cresceram mais duas no lugar. A hidra entrou na sala e farejou o local. Tentei sair por trás dela, já que não era um monstro conhecido por sua boa visão. Saí da sala correndo para o lado direito, não sei mais como distrair esse monstro.
- PERCY! – Annabeth gritou de longe e me mostrou alguma coisa na mão. Rezei para que fosse a chave, porque se não fosse... Estaríamos encrencados. Fui à direção de Grover e Annabeth que estavam ofegantes de tanto correr. Ouvi passos atrás de mim e continuei correndo, precisava encontrar a tubulação novamente. Ouvi Annabeth e Grover gritar e tentei seguir o som. Consegui avistá-los perto de onde tínhamos entrado.
- Ela está vindo, está vindo! – gritei e Annabeth e Grover pularam dentro do buraco. Pulei logo atrás e percebi que a tubulação estava diferente. Deve ser uma daquelas passagens encantadas que mudam na entrada e na saída. Engatinhei na direção que achei que fosse a correta, já que não conseguia enxergar nada. Avistei um feixe de luz e consegui sair. Meus amigos estavam sentados no chão ofegando.
- Está todo mundo bem? – perguntei.
- Sim e pegamos a chave, agora vamos atrás da caixa – Annabeth respondeu se levantando.
- Onde que está isso? – perguntei me levantando também.
- Acho que posso ajudar – uma menina ruiva, com feições delicadas, olhos castanhos e orelhas pontudas respondeu saindo de trás do templo.
- E quem é você? – perguntou Annabeth com desdém.
- Sou Angie, protetora das matas – ela disse sorrindo e fizemos cara de desentendidos – Eu fui protetora dos pinheiros do Acampamento Meio – Sangue por muito tempo, mas agora cuido das árvores do mundo real. Eu sei que vocês estão procurando a poção de cura, e sei onde podem encontra-la.
Entreolhamo-nos com certa desconfiança daquela criatura. Podia ser um monstro disfarçado ou coisa parecida.
- Essas protetoras existem mesmo – falou Grover – Ela não está mentindo.
- Então vamos confiar nela – falou Annabeth.
- Vocês precisam me seguir nesta direção – Angie falou e começou a andar com passos rápidos. Obedecemos e fomos atrás dela. A criatura entrou no meio de várias árvores que eu nem mesmo tinha reparado que estavam ali. Ela parou de repente e fizemos o mesmo.
- É aqui – Angie disse.
- O que tem aqui? – perguntou Annabeth sem entender.
- Isso aqui é uma passagem encantada. Vocês só podem entrar se um guardião lhes der permissão – Angie disse e eu dei um passo a frente, senti que entrei em uma barreira forte, pois tentei voltar e não consegui mais. Fiz sinal para Annabeth e Grover entrarem também. Meus amigos entraram e Angie sorriu do outro lado das árvores.
- Eu não sabia que isso existia – admitiu Annabeth
Olhei em volta e vi árvores de todas as cores possíveis; aos olhos de mortais, isso deve ser apenas uma floresta normal. Começamos a andar para frente, um pouco sem rumo, nenhum de nós sabíamos ao certo onde estava a caixa.
- Pssssss – alguém nos chamou e nos viramos para ver quem era. Uma criatura baixinha, vestindo um pedaço de pano vermelho e de feições pontudas apareceu por detrás da moita.
- Hoje é o dia para encontrar criaturas estranhas – cochichou Annabeth.
- Eu posso te ouvir, mocinha – a criatura falou com uma voz aguda e desafinada – Eu sei o que vocês heróis procuram. Sei como podem conseguir também.
- E você pode nos ajudar? – perguntou Grover tentando ser simpático.
- Derrotem o exército de anões diabólicos e conseguirão o que querem – ele falou e sumiu em uma cortina de fumaça.
- Exército de anões? Mas que história é essa... – falei, mas fui interrompido quando escutei um barulho estranho.
- Percy... – Annabeth puxou meu braço e me fez virar para trás. Legal, acho que agora sei o que é um exército de anões. Milhares de criaturas pequeninas e mal encaradas nos fitavam com os dentes a mostra. Droga, de novo não.
- Como se derrota isso? – falei torcendo para que alguém tivesse uma ideia antes de sermos comidos por anões diabólicos.
- Usa sua espada, Percy! – Annabeth gritou e saiu correndo na direção oposta. Ela já deve ter lido sobre como derrotar anões, por isso fiz o mesmo que ela fez. Corri também, mas peguei Contracorrente. Milhares de criaturinhas nos seguiram fazendo um barulho extremamente agudo, minha cabeça doía com aquilo. Senti algo pular no meu pescoço e só tive tempo de apunhala-lo com minha espada. Ele desapareceu, deixando novamente uma cortina de fumaça. Era isso, precisávamos apunhalar.
- Annabeth, Grover peguem algum galho. Eles se dissolvem quando são apunhalados – meus amigos seguiram o meu conselho e começaram a bater nas criaturinhas com galhos e gravetos. Usei Contracorrente para dissipar dezenas de uma vez só; eles eram muitos, mas eram extremamente burros.
Continuamos no mesmo ritmo até conseguir fazer com que todos os anões sumissem. Provavelmente iriam voltar em algum momento, e espero não estar aqui quando isso acontecer. O campo ficou vazio, Grover e Annabeth estavam arranhados da cabeça aos pés.
- Quíron falou que a caixa estaria enterrada ao lado da maior árvore – Annabeth se lembrou.
- Com toda certeza é essa aqui – falou Grover. Ele se abaixou e farejou a terra, em seguida começou a cavar e tirou uma caixinha dourada.
- Finalmente! – exclamei aliviado – Temos que levar isso ao Acampamento...
- Não, Percy, você e Annabeth não podem voltar ainda. Vocês precisam ficar aqui, no mundo real por um tempo – Grover falou.
- Você vai voltar sozinho? – perguntei e Grover balançou a cabeça afirmativamente – E como nós dois voltamos para casa?
- Essas árvores são encantadas. É só entrarmos em uma delas e desejarmos onde queremos ir – Grover falou. Annabeth e eu nos aproximamos da grande árvore. Grover passou a mão no tronco que se abriu revelando um compartimento dentro.
- E agora? – perguntou Annabeth.
- Pensem no lugar que querem ir. Nos vemos nas férias, adeus pessoal – Grover disse e sumiu. Olhei para Annabeth e ela sorriu docemente.
- Até mais, Cabeça de Alga – Annabeth sumiu também. Fechei os olhos e desejei voltar para minha casa. Senti um enjoo forte e quando abri os olhos novamente estava em frente à porta de casa.
- Filho, como foi seu dia? – minha mãe veio me cumprimentar assim que entrei em casa.
- Ah, você sabe, normal – falei dando de ombros. Anormal era quando eu não tinha que lutar contra monstros...
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