Percy Jackson- Batalha Eterna
5 Capítulo 4 - Parte 2
Notas iniciais
POV Narrador
Zeus nunca entendeu muito bem a definição de humildade.
Ele tinha nascido num berço de ouro, e fora criado como um príncipe. Não tivera que viver na barriga do pai, como os outros irmãos e depois de salva-los fora tratado como herói, para em seguida virar rei.
O deus dos Céus nunca tinha passado por situações humilhantes, e nunca antes mortais tinham desafiado-o frente a frente. Ele olhava para Percy, com um misto de curiosidade e indignação, que logo se tornariam medo e raiva.
Semideuses sempre eram, para ele, uma ameaça, por isso, sempre que surgia uma oportunidade, ele tentava se livrar de um. Especialmente se este fosse filho o filha de um de seus dois irmãos.
—Me desculpa por ter feito você ir ao Tártaro de novo. – o Olimpiano disse, e em seguida cuspiu no rosto do semideus.
Então o semideus deu uma risada, ele riu descontroladamente, como se a ignorância de Zeus fosse motivo de piada. Num movimento rápido, Percy tirou sua espada do corpo do Deus e o mesmo caiu no chão, ficou ajoelhado, a mão direita em cima do ferimento, de onde escorria um licor dourado, e a mão esquerda no chão, apoiando o corpo.
Percy limpou a saliva que estava em seu rosto com a manga de sua blusa.
—Desculpas aceitas, titio. – Não era preciso ser nenhum gênio para saber que logo em seguida o semideus cuspiria no rosto do Olimpiano.
No rosto do rei dos deuses era possível ver raiva.
—Que tal nós termos uma pequena reunião agora, eu, você e os outros deuses. Espero que você não tenha contado para eles sobre essa minha visita surpresa. — O filho de Poseidon disse.
Alguns deuses menores já presenciavam a cena. Todos estavam chocados, mas ninguém faria nada, afinal, se Zeus foi derrotado com tamanha facilidade, o que eles poderiam fazer?
Percy se ajoelhou e passou sua mão pelos longos cabelos brancos do rei dos Olimpianos. A situação seria até bonita, como um jovem tratando bem um senhor de idade, mas o que o semideus faria em seguida, seria simplesmente humilhante.
Ele agarrou os cabelos de Zeus e se levantou, andando em direção ao mesmo local que Annabeth estava, as duas criaturas gigantes acompanhando-o. O rei dos deuses estava sendo arrastado pelas ruas do Olimpo, o licor dourado de seu sangue impregnando as ruas.
Por onde eles passavam vários deuses menores olhavam incrédulos, e logo um grupo de curiosos se juntou atrás deles. Um deles tentou atacar Percy, mas antes que chegasse a um metro dele, foi atingido por um chute, que o fez ser jogado em uma das construções do Olimpo, destruindo uma das paredes dela.
Quem deu o chute foi um dos gigantes que acompanhavam o semideus.
—Ninguém. Toca. Nele. – O gigante disse pausadamente.
—Mil e uma desculpa, Zeus pelos estragos causados. Eu juro que não tenho a mínima intenção de conserta-los. – O semideus disse.
Nesse momento, o rei dos Olimpianos sucumbiu as provocações e explodiu de raiva.
Tamanha era a fúria do deus dos céus, que o tempo estava fechado, e logo uma forte chuva começou a cair. Mas ele nada pôde fazer, sentia-se paralisado, muito provavelmente a lâmina da espada estava envenenada.
E logo que as gotas de agua atingiram o semideus, em todo o corpo dele, manchas de sangue começaram a surgir, era como se ele tivesse tomado um banho de sangue.
—Cinco anos. Fazem cinco anos que eu não tomo banho. – Percy disse para si mesmo. – Acho que quando eu chegar em casa vou apanhar da minha mãe.
Tão descontrolado e em fúria, somente depois de o semideus dizer que não tomava banho a cinco anos, Zeus percebeu o cheiro forte que o garoto emanava. Era um cheiro de podridão e carniça. Um cheiro que faria qualquer mortal vomitar.
Quando Percy chegou ao salão de reuniões todos os Olimpianos já estavam lá, esperando-o. É claro que eles tinham sido avisados que o semideus chegara. Se não tivessem sido avisados, provavelmente teriam sentido sua presença. De uma forma ou outra estariam ali.
Ele parou na entrada, diante dos doze tronos. Um sorriso vermelho se formava em seu rosto. Ele mandou os gigantes fecharem as grandes portas e se posicionarem do lado de fora como guardas. Ordens dadas, ordens cumpridas. Ninguém entraria ali.
O filho de Poseidon simplesmente jogou Zeus no centro, e observou as inúteis tentativas do deus de se levantar.
—É um veneno. — Perseus disse. -Até amanhã o efeito terá passado.
Afrodite soltou um gritinho.
—É um prazer revê-lo Percy. Cinco anos é muito tempo, quase senti saudades. — A deusa do amor disse. –Até te daria um abraço, mas meu vestido é novo e não gostaria de suja-lo.
—Realmente, faz muito tempo. Tenho a dizer que eu também senti muito a falta de vocês. Você pode me dar um abraço se quiser, eu sei que nunca usa a mesma roupa mais de uma vez. — Percy disse abrindo os braços como se esperasse um abraço. Sangue pingava das mangas de sua blusa.
Afrodite se levantou de seu trono, um sorriso mais do que claramente falso em seu rosto. Foi até o semideus e abraçou-o. Percy deu um beijo na cabeça da deusa.
Por mais que não parecesse, aquilo ali era uma disputa. Os dois tentavam descobrir quem era o mais manipulador. Era tudo um pequeno teatro, uma disputa. Afrodite logo colocou sua mão direita no queixo de Percy e abaixou a cabeça dele. Sua outra mão passeando pelo corpo dele.
—Parece que você ficou mais forte. – Ela disse com um tom de voz provocante.
Os deuses olhavam para tudo aquilo entediados. Sabiam que a deusa do Amor gostava de jogos, e Percy parecia estar sendo um adversário à altura.
O semideus passava suas mãos pelo corpo da deusa, e logo colocou-as na bunda dela.
—E você parece não ter mudado nada. – Ele disse.
E logo os dois começaram a se beijar. Poderia parecer um casal se beijando apaixonadamente, mas não era nada, apenas um teste.
Afrodite queria ver até que ponto o semideus tinha mudado.
Depois de dois minutos se beijando eles se separaram. A deusa voltou para o seu trono, sua boca vermelha, e seu vestido todo manchado de sangue. Percy pigarreou, fingindo tentar chamar a atenção dos Olimpianos, mas era fato de que desde o início ele era o centro das atenções.
— Eu trago uma péssima notícia. – O semideus disse.
Todos os deuses olhavam para ele, ninguém sabia o que dizer. Não eram burros, sabiam da força que ele tinha no passado, e sabiam que ele estava mais forte. Ele tinha matado o Ofiotauro afinal.
Definitivamente, não queriam dizer algo errado e ficarem na mesma situação que Zeus.
—Não consegui completar a missão. Me perdoem, por favor, juro que da próxima vez completarei. — O semideus disse ironicamente, com uma voz de choro.
—Não zombe da nossa cara garoto. -Hades disse.
—O que exatamente era a missão? -Atena perguntou.
Chegava a ser engraçado, eles enviaram-no para a missão sem nem saber o que era. De início viram aquilo apenas como uma forma de eliminar as possíveis ameaças para o Olimpo.
—Caos. — Percy disse.
—E...? — Hércules perguntou.
—Minha missão era derrotar ele, é por isso que Tártaro pediu ajuda.
Todos olharam para ele incrédulos. Caos era um assunto banido para os Olimpianos. Os deuses não gostavam dos Titãs, temiam os primordiais secundários, como Gaia e Tártaro, sequer tinham coragem de enfrentar os primordiais primários, e quanto ao criador do Universo...
—Você só pode estar brincando garoto... — Hera começou a dizer.
—Não, ele não está. Todas as vezes que durmo, vejo ele em meus sonhos, se o garoto diz, então é realmente uma ameaça real. — Apolo falou. — Só não falei sobre isso antes porque eu ainda não tinha certeza.
—Derrotar o criador do universo... — Artémis começou a falar — Parece impossível. Se uma primordial como Gaia, ainda adormecida, já foi difícil, imaginem o ...
—Mas você encontrou pelo menos um jeito de derrota-lo, não é mesmo, Percy? — Atena perguntou.
—Sim.
Não tinha o que falar. Os deuses estavam condenados a ruína, e a única ponta de esperança deles era o semideus a sua frente. O jogo tinha virado. Percy deixou de ser um peão, e os deuses assumiram seu lugar. Agora eles estavam nas mãos dele.
—Mas o preço é meio caro. — O semideus começou a dizer. — Antes disso, terei que me tornar um deus.
Os deuses não sabiam se eram verdade, mas dependiam dele.
—Darei uma semana para vocês se decidirem. – Percy disse indo embora.
POV Annabeth
A situação no acampamento não estava nada boa.
Semideuses corriam por todos os lados desesperados gritando ordens ou simplesmente apenas procurando peças de suas armaduras.
Alguns estavam de armadura completa, já armados com seus arcos e espadas, outros tinham apenas algumas peças, e outros estavam de cueca.
Annabeth se surpreendia com a nova geração de semideuses. Depois de dez batalhas eles ainda não tinham aprendido a se organizar. E no fundo ela se culpava um pouco por isso.
Os últimos cinco anos tinham sido sombrios. Devido a isso, as poucas e raras missões que surgiam, eram de um perigo gigante. Então apenas os semideuses mais experientes eram enviados nelas, deixando os novatos para trás, seguros e indefesos.
Ela se perguntava o que tinha feito para as Parcas.
Sua vida parecia ter sido destinada a uma série incontável de erros, fracassos e perigos. A vida já tinha começado do pior jeito possível, ela tinha nascido uma semideusa. Se você está para nascer, bom... não deseje ser filho de um deus. De início parece ser bom ter vários poderes, mas com o tempo você se dará conta de que absolutamente tudo o que acontece, e tudo o que você fará, será decidido pelos deuses.
Viver sem liberdade. Cruel, não?
Se ter nascido uma semideusa fosse tudo de ruim que aconteceu na vida dela, ela ainda consideraria sua própria vida boa. Aos sete anos ela brigou com o pai e fugiu de casa. Andou por um bom tempo sozinha no mundo, com fome e sofrendo constantes ataques.
Tudo pareceu melhorar quando ela encontrou Thalia e Luke, mas, como se diz o velho ditado: Alegria de semideus dura pouco.
Logo quando chegaram no acampamento Thalia foi quase morta, e depois disso ela teve cinco pacíficos anos no acampamento, até a chegada do filho de Poseidon. Depois da chegada dele, tudo foi de ruim a extremamente louco, confuso e perigoso. Uma guerra contra titãs, Thalia volta e Luke vai embora.
Mas no final ela ainda tinha sido recompensada com um namorado. Lógico que não durou muito.
Em seis meses ele sumiu, teve início uma nova guerra, dessa vez contra um primordial. E de quebra ela ainda conheceu o inferno. Eles venceram a guerra, ela recuperou seu namorado e pensou mais uma vez que as coisas ficariam boas.
Errada, de novo. Em um ato um tanto quanto inconsequente ela tinha traído o namorado, no mesmo momento em que ele se acidentava e era mandado em uma missão misteriosa pelos deuses.
Como se isso tudo não bastasse, ela não só sentia, ela sabia que um novo inimigo mortal dos deuses se aproximava, e que como sempre ela seria um das peças principais.
Ela já estava desempenhando um incrível papel, sendo a estrategista nas últimas batalhas e levando os semideuses, mesmo que inexperientes e fracos, a vitórias tranquilas. O número de mortos ainda era menor que dez.
Manter isso era a atual meta dela. Mas não é tão simples assim. Em todas as batalhas anteriores os monstros pareciam desorganizados e atacavam sem antes estabelecerem bases, formações e mais do que claramente, sem um líder.
O que se tinha observado nas últimas semanas era algo diferente. Abaixo da colina da acampamento, do outro lado da rodovia, eles tinham montado uma enorme base, esta estava dividida exatamente de acordo com as patentes de cada um. E no centro da base deles tinha uma tenda um tanto quanto grande, esta era obviamente do líder deles.
Quem era esse líder?
Essa era a pergunta que mais incomodava a filha de Atena no momento. Leo tinha dito que o líder era conhecido como comandante. Mas em nenhuma história, grega ou romana, existiam relatos dele.
Vencer uma batalha não era difícil, principalmente quando você é quem será atacado, e sua base possui uma forte barreira mágica que matará qualquer inimigo que atravesse-a. Essa tinha sido a estratégia usada por Annabeth.
Mas se o líder deles fosse bom, ele claramente evitaria isso. Outro esquema dela era o uso de armadilhas. Ela adorava usar os semideuses como iscas para os monstros, e quando estes se aproximavam, eram surpreendidos por um grande número de semideuses. Isso só podia ser usado no início da batalha, mas mesmo assim sempre funcionava.
Ela tinha várias outras estratégias. Mas nada disso importava.
Se esse comandante conhecesse ela, nada seria eficiente, é claro que Annabeth possuía planos de batalha secundários. Era uma filha de Atena, tinha a obrigação de estar sempre dois passos à frente de todos.
Sua cabeça estava avisando que algo estava errado, mas ela apenas ignorou.
Desde que saíra da reunião entre os líderes do acampamento, ela estava no refeitório. Todos sabiam o que ela estava fazendo ali. Aqueles eram os momentos pré-batalha, e neles Annabeth fazia seus planos e decidia quais eram as melhores estratégia a serem usadas.
Sempre que tinha que planejar algo, a garota procurava um lugar agradável para pensar. No passado esse lugar era a praia, mas como nos dias atuais ela mal podia se aproximar do mar sem que o mesmo tentasse engolir ela com uma onda gigante, a semideusa procurava lugares aleatórios e vazios.
E agora ela tinha que pensar muito bem, pois sentia que aquela batalha não seria normal. Aconteceria algo.
Algo importante para ela.
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