Percy Jackson- Batalha Eterna
2 Capítulo 2
Notas iniciais
As pessoas mal tinham percebido os eventos catastróficos que tinham acontecido no último século, ou se viram não sabiam os verdadeiros motivos, duas guerras mundiais, tratadas apenas como se fossem uma rivalidade entre países, um suposto terremoto em Nova Iorque e por último vários eventos que abalaram o planeta Terra.
Mais existiam verdadeiros motivos para qualquer um desses eventos, a primeira e a segunda guerra mundiais foram praticamente um confronto entre os filhos dos três grandes deuses do Olimpo. O terremoto em Nova Iorque foi a consequência de uma guerra entre os Olimpianos e o titã Cronos e os eventos que aconteceram por todo o mundo foram em decorrência de uma guerra do Olimpo contra Gaia e seus gigantes.
Para os humanos que não são dotados de nenhum grande poder, não tinham acontecido coisas estranhas, mas para os deuses e semideuses esses eventos causaram um grande estrago, mas aos poucos os problemas se resolveram.
O acampamento meio-sangue e o acampamento de Júpiter estavam em paz após a derrota de Gaia, não tinha nem um ano que a guerra havia terminado, porém os preparativos já estavam começando, a primeira vez na história em que romanos e gregos estavam em paz merecia ser comemorada.
Os sete meio sangues que salvaram o Olimpo, além de Reyna e Nico eram as maiores ligações entre os dois acampamentos, o grupo era praticamente neutro, realizavam missões para os dois acampamentos sem nenhuma dificuldade ou rivalidade, e executavam muito bem as missões, eram a elite, o grupo mais importante dos dois acampamentos e dos deuses.
A grande festa em comemoração à essa união iria ocorrer pela primeira vez no acampamento meio-sangue, este havia aumentado muito após a guerra, o número de meio sangues tinha triplicado, mesmo os três grandes tinham novos filhos, Poseidon e Zeus tinham apenas um filho cada um. O deus do mar tinha uma filha morena, de olhos verdes, ela era idêntica ao Percy, não fosse pelo fato de ser uma menina, o deus dos céus tinha um novo menino, da idade de Jason, que só foi revelado após a guerra. Hades tinha dois novos filhos homens, ambos tão poderosos quanto Nico, porém nenhum provocava tanto medo.
No acampamento de Júpiter tinha apenas um novo filho de Netuno, e as forças desse também tinham aumentado muito, os deuses revelavam filhos a todos os momentos.
Rachel deixou de ser o Oráculo após a guerra, afinal, sempre que a grande profecia é cumprida, o portador do Espírito de Delfos muda, e dessa vez era um garoto com o nome de Mike, o garoto era filho de Apolo e nasceu, aparentemente, com o incrível dom das profecias, e acabou por incorporar o espirito em seu corpo.
É fato que apenas donzelas incorporavam esse papel, então, como um garoto conseguiu? Essa pergunta só os deuses sabem responder. Mike tinha cabelos castanhos, da mesma cor dos olhos, e um corpo muito bronzeado, 18 anos e muita ousadia, respeito apenas com os deuses e olhe lá, ele ama aprontar e acabar com a vida das outras pessoas, e assim como Rachel ele logo falou a grande profecia:
O filho do mar e a filha da sabedoria despertaram o terror.
O poder escondido deverá ser revelado, para o mundo salvar.
Do ódio e da raiva renascerá o amor em meio a tanta dor.
Os três grandes se ajoelharão perante o grande poder que irá se revelar.
As portas do morte se abrirão novamente, e o Caos governará.
Apenas o grande escolhido o derrotará e o mundo salvará.
Todos sabiam que os filhos que haviam despertado o terror eram Annabeth e Percy, mas ninguém colocava muita importância na profecia, na maioria das vezes ela demorava se concretizar, essa não poderia acontecer tão cedo. O Olimpo estava em paz e não queria criar confusão e nem problemas para os semideuses tão cedo.
POV Percy
Acordei com duas lindas garotas gritando comigo, sem muita pressa tentei voltar a dormir, mas fui empurrado de minha cama e caí no chão batendo a cabeça, aquilo não era nada comparado a quantidade de monstros que eu já tinha enfrentado e com todos os ferimentos de batalhas.
Olhei para cima e confirmei minhas suspeitas de quem gritava comigo, minha linda e perfeita namorada e minha querida irmãzinha, as duas com olhares furiosos:
–Bom dia querida, bom dia irmãzinha. – Disse olhando para Annabeth e Kate.
–Se levanta logo preguiçoso, Quíron esta te chamando- Kate disse sorrindo.
Eu me levantei e percebi que estava sem camisa, Annabeth olhava para mim com um sorriso torto nos lábios. Kate apenas observava segurando uma risada.
–Cuidado para não babar- Eu disse.
Ela ficou vermelha e eu sorri, peguei minha camisa que estava jogada em cima da cama e saí do chalé três com as duas olhando para mim. Logo senti uma leve brisa batendo em meu rosto e me coloquei a andar em direção a casa Grande.
Muitos campistas, principalmente novatos, olhavam para mim admirados e sussurravam, cumprimentei eles e apenas alguns responderam ainda gaguejando. Eu achava isso bom as vezes, ser idolatrado, quem não gosta? Mas as vezes era ruim, principalmente quando queria alguma privacidade com minha namorada.
Parecia estar bem cedo ainda, por causa do frio e pouca quantidade de pessoas que treinava. Ao me aproximar da casa Grande logo identifiquei Quíron e Mike jogando pinochle na varanda, olhei para o garoto com as mãos tremendo de raiva. O garoto mal tinha chegado no acampamento e achava que podia ir dando em cima de Annabeth, só não quebrei a cara dele porque ela não deu bola para ele e o ignorou.
A casa Grande era uma das poucas construções do acampamento que não tinha mudado nem um pouco, continuava com seus quatro andares e ainda era feita de madeira. Muitos chalés novos tinham sido construídos para abrigar filhos de novos deuses.
E os chalés que já existiam, principalmente de deuses como Hermes e Apolo, tiveram que se ampliar para abrigar mais semideuses. Os campos de treinamento e o arsenal também tiveram que aumentar. O acampamento estava se modernizando, uma academia tinha sido criada, e também tinha agora o fliperama.
Quíron estava na típica cadeira de rodas dele:
–Bom dia Percy- Quíron cumprimentou enquanto Mike continuava ignorando–Você estava me chamando? – Perguntei ignorando o garoto também.
–Sim, como você sabe Rachel continua sendo uma integrante do acampamento.
–E o que eu tenho com isso?
–Ela quer começar a ir em missões também, e você guiará ela.
Fiquei de queixo caído, desde que Rachel tinha abandonado o posto de Oráculo, ela e Annabeth tinham criado uma rivalidade que eu nunca esperava ver de duas garotas que eram amigas no passado. Aquela missão era uma coisa difícil para mim, não importa se fosse apenas para trazer um meio-sangue novo para o acampamento ou até mesmo colher alguns morangos, não importava o nível da missão, eu sabia que Annabeth ficaria muita brava com a novidade e não aceitaria.
–Está tudo bem Percy? A ideia que eu tive foi maravilhosa, não acha? — Mike se pronunciou pela primeira vez. Eu fechei meus punhos com muita força, me segurando para não fazer nada, mordi meus lábios interiores e minha língua, logo senti o gosto férreo do sangue se esparramando por minha boca. Desde o momento em que o filho da mãe tinha chegado ali todos adoravam ele.
–Adorei- Eu fingi um sorriso no rosto.
–Só vocês dois Percy- Quíron voltou a conversa.
Olhei incrédulo para ele, só podia ser zoação. Eu não iria sozinho numa missão com uma menina que minha namorada odeia, só para que depois agente brigasse por ciúmes dela.
–Não estou perguntando se você aceita ou não, ela já te escolheu para essa missão.
– E qual é a missão?
–Canadá, vocês irão buscar um meio-sangue.
–E será quando essa missão?
–Após o almoço.
Saí dali sem dizer nada, eu estava bravo. Aquele Mike só permanecia vivo porque era o Oráculo, senão eu já teria arrancado sua cabeça a muito tempo. Olhei para todos os lados e coloquei as minhas mãos no meu rosto. “Preciso de uma solução para este problema”. Procurei Annabeth por todo o acampamento e em todos os lugares, até que pensei no mais obvio e fui para meu chalé e encontrei-a conversando com minha irmã.
As duas praticamente cochichavam e davam alguns sorrisos de vez em quando. Eu não conseguia ouvir nada, então pigarreei. Me aproximei das duas que tinham parado de conversar. O assunto devia ser segredo, para pararem quando me viram.
–Kate, tem como você nos deixar um pouco a sós? – Eu perguntei e Annabeth me olhou com um olhar confuso.
–Tudo bem maninho.
Kate saiu sem reclamar nem questionar, ela apenas deu um sorriso maroto para Annabeth e piscou para mim, dizendo um “boa sorte” apenas com os lábios sem emitir som. Eu não entendi nada, mas mesmo assim não questionei.
–Percy eu estava pensando...está na hora de nós apimentarmos um pouco nossa relação. – Ela disse se aproximando de mim e me dando um beijo de língua excitante. Agarrei a cintura dela, mas esta tirou minhas mãos dali e colocou-as em seus seios. Em seguida passou suas unhas por meu pescoço, deixando alguns arranhões.
–Temos um assunto sério para discutir... – Disse eu sem sucesso me entregando as tentações.
Ela apenas me beijava passando as mãos nas minhas costas e tentando tirar minha camisa. Ela me jogou em minha cama e começou a descer os beijos pelo meu pescoço. Eram quentes e molhados, eu já tinha tentado aquilo com ela algumas vezes, mas ela nunca estava preparada. Eu tinha que falar para ela a respeito da missão, então falei gemendo:
–Annabeth- eu disse interrompendo ela, que já tinha levantado minha camisa pela metade- hoje depois do almoço eu partirei em uma missão com a Rachel.
–Você!? – disse ela tentando se controlar – Quem mais vai a essa missão e quando vocês sairão? Uma missão não pode simplesmente ser anunciada e você já sair para ela.
Hesitei.
–Apenas eu e ela iremos, ordens do Quíron, sinto muito, partiremos após o almoço, não sei porque não me avisaram antes.
Ela saiu de cima de mim e me olhou com raiva. Seus olhos que antes me olhavam com amor e excitação agora me olhavam sem brilho e tristes.
–Vai lá com ela então Perseu. – Eu não tive tempo para dizer nada, ela saiu do chalé furiosa.
–Anna... – Tentei falar sem sucesso.
Foi então que percebi minha burrada, nós estávamos pertos de ter nossa primeira vez e eu falo da pessoa que ela mais odeia. Correr atrás dela era impossível, uma filha de Atena puta da vida ou até mesmo estressada era algo normal, que eu já estava acostumado.
Fiquei muito tempo sentado em minha cama refletindo o que tinha acontecido, e quando vi o tempo tinha voado. A manhã tinha passado rapidamente e já eram 11 horas, eu tinha que arrumar alguma roupa e alguns suprimentos para viajar para o Canadá. Nós poderíamos ficar sem dinheiro durante e viagem, por isso era necessário que eu levasse algo para comer.
Eu não conseguia superar o fato de que ficaria uma semana sem ela, e ela brigada comigo sem eu conseguir me reconciliar com ela. Coloquei algumas roupas na bolsa e saí do chalé. O sol já estava no meio do céu, meio dia exato e os campistas já se reunindo em suas mesas para comer. Alguns já estavam comendo e outros até mesmo fazendo uma oferenda aos deuses.
Annabeth se sentava isolada na mesa dos filhos de Atena, pensei em ir falar com ela, mas alguém se sentou do meu lado.
–Ela está de mal com você maninho. –Kate disse.
–Eu sei, fiz burrada, nós estávamos ... –Eu já ia contar para ela, mas percebi que não era algo que eu podia contar para qualquer pessoa, era algo que devia ficar entre eu e ela, um momento especial.
–Quase perdendo a virgindade? – Olhei pasmo para ela – Eu sei que é, eu que fiz ela tomar iniciativa, mas voltando ao assunto, por que vocês brigaram?
Hesitei por mais um momento e me lembrei que ela era uma das pessoas que eu mais confiava no acampamento.
–Foi culpa minha. – Admiti forçando um sorriso que faria muitas semideusas se derreterem por minha causa, mas minha irmã apenas sorriu.
–Sempre é.
–É que hoje vou numa missão com a Rachel, então você sabe.
–Ciúmes dela, sei. Eu teria ficado brava com você também, mas como eu te amo só vou lhe desejar boa sorte em sua missão. – Fiquei surpreso, sempre que a culpa era minha ela costumava me dar um tapa na cara ou até mesmo um murro em certas ocasiões. – Apenas te desejo boa sorte em sua missão maninho.
Ela me deu um abraço de despedida e foi sentar-se do lado de Annabeth. Alguns semideuses tinham autorização para sentar em uma mesa que não fosse a de seu pai divino, desde que o meio-sangue tivesse um grau de parentesco humano com alguém de outra mesa. Kate era prima do Malcolm, um dos filhos de Atena, então possuía liberdade para se sentar na mesa de Atena.
Eu passei o resto do almoço sozinho, depois queimei um pedaço de carne em homenagem a Poseidon. Eu queria algum amigo para conversar, mas todos estavam em missões ou então no acampamento de Júpiter, se bem que estes já não estavam assim tão longe, mas mesmo assim era uma boa distância.
Os novos campistas tinham vergonha de se sentarem perto de mim, ou tentar fazer amizade e se eu tentasse com um menino ele provavelmente seria bobo demais e ficaria a todo tempo impressionado, se eu tentasse com uma menina ela faria o mesmo e todo o acampamento falaria que nós estamos namorando.
Decidi ficar sozinho mesmo, era bom para refletir, até que senti uma mão no meu ombro:
–Pronto para viajar Percy? — Rachel perguntou.
–Claro.
Notei que um grande número de semideuses nos observava com curiosidade nos olhos, eram esses momentos que eu não gostava. Minha vontade era de me levantar e gritar para todos cuidarem de suas próprias vidas e parar de olha para mim, mas minha boa educação me impedia.
Me levantei e nós caminhamos em direção ao pinheiro de Thalia, onde um carro bem simples nos aguardava. No acampamento a renda era grande, então tinham muitos carros para o uso dos semideuses, mas é claro que não eram carrões esportivos.
–Quem dirige? – Ela perguntou.
–Você, eu não estou com cabeça para isso. – Disse sem ânimo.
–Ok.
Sentei no banco passageiro da frente, coloquei minha mochila no meu colo e me peguei pensando novamente em Annabeth, a todo momento eu pensava nela, e quando percebi nós estávamos na rodovia. Rachel olhava para mim de cinco em cinco segundos.
Ela estava usando um óculos escuro e não sorria nem um pouco, parecia até preocupada. Seus cabelos ruivos voavam para trás devido as janelas do carro abertas, senti um cheiro doce de morango. Olhei para seu corpo e percebi o quanto a garota tinha mudado nos últimos anos e eu nem percebi.
Suas pernas estavam maiores e definidas, o quadril tinha crescido e junto com ele a bunda e os seios dela, quase babei. Me lembrei então que eu nunca tinha olhado para Annabeth daquele jeito, eu só tinha atenção para o rosto dela. Hesitante eu puxei assunto:
–Então, como está sua vida? — perguntei.
–Ótima, e a sua? – Não achei muito convincente sua resposta, mas mesmo assim respondi.
–Sim...
O clima estava tenso, nos últimos meses eu e ela não tínhamos conversado muito, fomos afastados pelo ciúme de Annie, eu não sabia mais o que falar para puxar conversa.
–Vai fazer alguma faculdade quando sair do acampamento? – Ela perguntou.
–Biologia marinha provavelmente, ou talvez eu vire marinheiro, não sei ao certo. E você?
–Não pretendo fazer faculdade, não chegarei nem a ter oportunidade.
O clima estava ficando um pouco mais agradável, mas novamente pela falta de assunto ele ficou tenso. Tomando coragem e uma certa quantidade de ar eu perguntei:
–Por que você e Annabeth estão brigadas?
–Você é realmente muito lerdo Percy. Ela sabe que eu te amo e tem muito medo de perder você.
–Ela me ama muito, e eu também amo muito ela, nunca abandonaria ela. Mas eu ainda acho que isso não tem nenhuma influência na amizade de vocês.
Ela me olhava agora chorosa, eu olhei para o velocímetro e vi que o carro já passava dos cem quilômetros por horas.
–Cuidado Rachel, nessa velocidade a gente vai acabar batendo e não concluiremos nossa missão.
–Você vai ter que tomar mais cuidado que eu em sua verdadeira jornada...- eu não entendia o que ela queria dizer.
–Quando você ver Annabeth de novo abrace-a muito e aproveite cada momento com ela, nunca faça nada de mal com ela, ou eu mesma te mato. Tente falar para ela que minhas atitudes nos últimos tempos foram por uma boa causa, sei que agora você não será capaz de entender mas preciso que confie em mim. – Ela disse sorrindo.
–Como assim ...- eu disse sendo interrompido de novo.
–Preciso apenas que você me perdoe- Ela começou a chorar.
Perdoar pelo que? Pensei sozinho.
–ME PERDOE.
Era mais uma ordem do que um pedido. O velocímetro passava dos 120.
–Não te entendo, fique calma. – tentei acalmar a garota.
–Apenas me perdoe. RÁPIDO! – Ela gritou chorosa.
Passava agora dos cento e trinta.
–POR FAVOR PERCY.
Cento e quarenta.
–Eu te perdoo, agora diminua a velocidade. – Pedi calmamente.
Cento e cinquenta.
–Obrigado por tudo Percy Jackson. – Ela tirou o cinto de segurança, se aproximou de mim e me deu um beijo na bochecha, fiquei corado. Rachel tirou as mãos do volante e ficou simplesmente olhando para os carros que passavam.
Eu tentei agarrar o volante mas ela não deixou, rebateu meu braço duas vezes, gritei várias vezes com ela mas foi inútil, quando peguei no volante ela me deu uma forte cotovelada com o braço direito, e assim eu vi que estávamos perdidos.
O carro tinha perdido o controle e estava agora na contramão, um caminhão vinha em nossa direção, e eu vi que estava perto da morte. O tempo desacelerou, faltavam menos de cinco metros para os dois veículos baterem, o que era para ter acontecido em menos de um segundo, aconteceu em dez.
Quando os dois se tocaram eu vi o capo do carro se amassando lentamente, o caminhão tinha apenas alguns amassados, os vidros do carro começaram a se rachar lentamente e vieram na direção de Percy e Rachel bem mais lento. Cacos de vidro voavam no ar praticamente como estatuas, algumas lagrimas da garota caiam lentamente.
Eu vi eles penetrando os seios da minha amiga lentamente, e ela, aos poucos, adquiria uma expressão de dor, nenhum estilhaço de vidro tinha me alcançado ainda, porém estavam perto. Tentei mover meus braços e agarrar um deles, porém assim como o tempo eu também estava lento. Os pedaços de vidro rasgaram uma parte da minha camisa e antes que tocassem meu corpo eu vi um grande clarão que me cegou por alguns segundos.
Se aquilo era a sensação de morrer, eu estava feliz porque não tinha doído nada, eu estava intacto, e a morte que me levasse para um bom lugar onde eu pudesse viver por todo a eternidade, aguardando Annabeth para que eu pudesse me desculpar e sempre procurando Rachel para matá-la várias vezes. Droga de garota, ela acabou com minha vida em todos os sentidos.
POV Annabeth
Saí dali furiosa e ao mesmo tempo excitada. “Como o Percy pode ser tão idiota?” Nós estávamos tendo um ótimo momento, algo que nunca tínhamos experimentado, e ele vem me falar da pessoa que eu mais odeio, e pior, fala que vai numa missão com ela.
Eles estavam dando o maior passo na relação deles, pela primeira vez sem nenhum dos dois ter nenhuma objeção e ele... Já era de se esperar mesmo, Percy não é conhecido por ser o mais inteligente dos semideuses, muito pelo contrário, ele é dos mais lerdos e burros.
Só tinha uma pessoa com quem eu queria conversar agora: Kate. Eu estava muito excitada, porém o momento havia passado.
Procurei por Kate em todos os lugares e encontrei-a na praia, ela estava sozinha brincando com a água e conversando com o mar. Eu tinha dó dela, apesar de ser uma garota legal e muito forte, ela não tinha amigos. Eu era a única amiga dela. Percy sempre brincava com ela, era lindo ver os dois juntos, eles tinham uma relação que eu não tinha com nenhum de meus irmãos.
Sentei do lado dela, e ela logo percebeu minha presença:
–Tão rápido? Eu sempre achei que o Percy fosse bom nesse assunto, mas não imaginava que fosse tão rápido. – Me segurei para não bater nela e soltei uma risada, ela era a cara do Percy, sempre cheia de piadas e brincadeiras.
–Cala a boca sua idiota. – Eu disse sorrindo e dando um tapa bem leve na cabeça da garota.
–Me desculpa, não resisti, eu tinha que fazer essa piada, segurei ela por muito tempo.
–Não aconteceu nada entre nós, só alguns beijos, até a hora que ele me falou que vai em uma missão com a Rachel depois do almoço. – Kate riu.
–Ele consegue ser mais idiota e lerdo que eu. Tenha certeza que ele está sendo obrigado a ir nessa missão.
–Como você pode ter tanta certeza?
–Nos meus cinco meses como irmã dele eu percebi que ele só tem olhos para você. Não sei o que ele vê em você, eu particularmente não vejo nada.
–Por isso eu te amo tanto – Dei um beijo na cabeça dela – você sempre me ajuda.
–Mas eu acho que foi uma briga infantil por parte sua e dele, sabe, vocês precisam saber controlar os ciúmes.
A garota tinha razão, Kate me olhava triste, ela tinha quinze anos, e estava sendo mais racional que eu, uma filha de Atena. Ela provavelmente sentia algum ciúme de mim com o Percy, ela sendo irmã dele poderia ser considerado um sentimento normal.
–Você também ama ele né? – perguntei.
–Mais que você é claro.
–Eu amo ele muito mais, mas... está interessada em algum menino do acampamento?
–Não sei...
–Pode falar, eu sou sua amiga.
–É...
–Annabeth — Gritou uma voz que eu conhecia muito bem.
–Oi Mike.
Eu me levantei e abracei o garoto que tinha agora o novo posto de Oráculo. Kate olhou para mim como quem está com muito nojo reclamando apenas com os olhos:
“Você só pode estar de brincadeira abraçando um cara desses. ”
–Será que nós podemos conversar por um tempo Annie? – Ele perguntou olhando para mim e ignorando Kate.
–Claro. Até mais Kate. – Acenei para ela com minhas mãos. Ela e o Percy estavam um pouco certos em odiar Mike, ele era meio exibido, porem ao mesmo tempo muito amigo e agradável,
Nós saímos dali com o olhar da filha de Poseidon nos fuzilando. Ele passou a mão sobre meus ombros e me puxou para perto dele. Eu não recuei, “Ele é apenas um amigo. ” Pensei sozinha.
–Eu ouvi um boato de que seu namorado sairá em missão com aquela garota que era o Oráculo, como ela se chama mesmo? Raquel...?
–Não seja bobo- Empurrei ele, tirando seus braços de meus ombros e soltando uma pequena risada. – O nome dela é Rachel, e o Percy já me contou dessa missão.
Nós já estávamos nos aproximando do refeitório, faltava um tempo para o almoço, então o lugar estava praticamente vazio.
–Não acho muito certa essa história do Percy sair por aí em missões com outras garotas, principalmente em dupla, sendo que geralmente são três integrantes no grupo que parte em missão. – Mike disse.
–Parece meio estranho mesmo, mas eu confio no Percy, tenho certeza que ele pode muito bem se defender e defender a Rachel em qualquer missão. – Eu disse hesitante, o que Mike disse tinha alguma lógica.
–Bom, é só que...
–Até o almoço Mike, tenho que treinar agora. – Eu disse interrompendo o garoto e me dirigindo até a Arena. Eu tinha que treinar, afinal, participar das atividades do acampamento era obrigatório para qualquer semideus, só eram dispensados aqueles que iriam sair em missão.
Na Arena vários semideuses treinavam, principalmente os filhos e filhas de Ares. Coloquei dois dedos na boca como Percy havia me ensinado, e assoviei. Todos pararam o que estavam fazendo e olharam para mim. Alguns já olhavam ansiosos com o que estava para acontecer, outros olhavam sem entender.
–Vamos. – Eu disse – Peguem suas espadas e lanças e venham para cima de mim.
Isso seria loucura caso eu não fosse uma das melhores guerreiras do acampamento. Rapidamente todos vieram para cima de mim armados até os dentes. O primeiro chegou tentando um corte horizontal, que eu apenas me abaixei para desviar, e em seguida bati no atacante com o cabo da espada fazendo-o desmaiar. E que a guerra comece.
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