Percalia - O começo
3 Capítulo 3 - Thalia
POV Thalia
Entrei no chalé e fiquei encarando o nada.
– Percy estava aí? – perguntou Jason, me dando outro susto.
– O que vocês têm comigo hoje? Me dar susto virou rotina?
– Desculpa. Percy queria falar comigo?
– Não. – digo indo até a minha cama – Ele queria me ver.
– O que ele queria?
– Não te interessa. – digo arrumando a cama.
– Ei calma aí esquentadinha. Já vai dormir? – pergunta.
– Vou.
Fecho a porta e deito na cama. Nem pensei em levantar para arrumar a cama de Jason, só queria dormir. E se os deuses quisessem sem pesadelos.
Tive pesadelos.
No sonho eu estava toda machucada, meu arco estava destruído em minhas mãos e eu estava desarmada. O lugar em volta era quente e uma voz retumbou no fundo:
– Você vai morrer filha de Zeus. Vai apodrecer, e nem vão notar que você sumiu. – a voz era grave, eu estava cansada nem a minha cabeça eu conseguia levantar.
Então senti um golpe nas costas e apaguei.
– Thalia! Thalia acorde! – Jason cutucava minhas costas.
Acordei assustada, eu e Jason nunca tivemos momentos afetivos de irmãos, mas eu ignorei isso e o abracei, o mesmo me abraçou de volta.
– Você está bem? – perguntou.
– Tive um pesadelo. – digo ainda agarrada ao meu irmão.
– Tudo bem, só volte a dormir. Vai ficar tudo bem. – ele faz com que eu deite de novo e me cobre e depois volta para a sua cama.
Dou cochilos de meia em meia hora. Geralmente pesadelos de semideuses não querem dizer uma coisa muito boa. Fui até a pia e tomei um copo d’água. Vesti uma roupa mais confortável, regata e uma calça mais flexível, amarrei o pouco do meu cabelo em um coque. Fui até a arena onde praticamos. Peguei um arco e comecei a treinar.
Acertei os três bonecos sem nem piscar. A minha prática com o arco havia sido ampliada nos anos que fiquei na caçada. Mas ainda tinha mais prática com a espada.
Eu acho que fiquei treinando por horas, porque começaram a chegar campistas. Alguns com caras de sono e outros já alertas. Ficaram me assistindo matar os bonecos com muitas flechas.
– Oi. – disse uma voz conhecida.
Virei-me e quando vi aqueles olhos verde mar me fitando errei o sentido da flecha e quase acertei um campista. Deuses eu estava gostando de novo de Percy Jackson, o que Ártemis iria falar de min?
– Desculpa! – gritei.
– Ótima pontaria cara de pinheiro. Que tal irmos tomar café da manhã? – ele perguntou se aproximando para me dar um beijo.
– Percy, aqui não. – digo envergonhada com alguns semideuses me olhando.
– Tudo bem, vem vamos.
Larguei o arco e acompanhei Percy. Acabei por comer ovos com bacon. Percy estava acompanhado de suas panquecas azuis.
– Acredita que eu nunca comi comidas azuis? – eu digo com a boca cheia de bacon.
– Quer um pedaço? – ele diz pegando um pedaço e me oferecendo.
Aceitei e comi do seu garfo mesmo.
– Hum é ótimo. – digo soltando uma risada.
– Não são? Eu amo panquecas, elas são tão, amáveis. – ele diz devorando outro pedaço.
– Panquecas são amáveis Percy? Você tá bem?
Ele solta uma risada. Eu roubo outro pedaço da sua panqueca.
– Ei! – ele sorri.
Ficamos roubando comida um dos outro, depois Percy se vira para a entrada e seu sorriso se desfaz.
– O que foi? – pergunto, olho em direção a onde ele olha.
Uma explosão de sentimentos toma conta de min: saudades, raiva. Aquilo era tudo o que eu não queria ver: Annabeth estava de volta.
Ela andou até a mesa dos filhos de Atena, alguns se levantaram para abraça-la.
– O que ela faz aqui? – pergunta Percy.
De repente aqueles ovos com bacon não tinham mais gosto, as panquecas de Percy não eram mais amáveis. Eu sabia que Percy gostava dela, e ele queria a esquecer, mas agora ela estava de volta.
Eu me levanto. Tudo o que eu menos queria no mundo era a ver olhando para Percy, e muito menos vindo cumprimenta-lo. Saio deixando meus ovos com bacon para trás. Esperava que Percy não me seguisse, mas ele me segue.
– Thalia. Ei Thalia espere!
Chego a frente ao chalé 1 mas antes que eu alcance o primeiro degrau Percy segura meu braço.
– O que foi? – ele pergunta.
Eu o olho com cara de poucos amigos.
– Thalia se é sobre Annabeth, eu não vou voltar com ela.
– Percy, por favor. – digo sentindo uma lágrima cair.
Cadê a Thalia durona que eu conheci? Parece que eu me tornei uma menininha frágil. Nem pareço que sou Thalia filha de Zeus. Eu estou chorando, estou por causa de Percy Jackson. E isso que as decepções ainda nem começaram.
– Thalia. Não faz isso comigo. – ele diz passando a mão no meu rosto. – Nada nem ninguém vão fazer com que eu volte pra Annabeth. Ela me magoou e eu não quero que isso aconteça de novo.
Coloco a minha mão sobre a dele. É a primeira vez que eu dou o primeiro passo e o beijo. Ele me pega pela cintura e faz com que eu suba de costas as escadas, quase derrubamos a porta do chalé 1.
Percy começa a morder de leve meu pescoço e dar beijos longos. Logo estamos deitados na minha cama de solteiro e aí não a motivos para pararmos mais.
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