Pequenos destroços
1 Capítulo 1 Único.
No centro do mundo, do meu mundo, estava ela e eu. Num abraço tênue, meus braços a percorriam de maneira calma e leve. Era meu descanso dia e noite diante todo caos. Meus olhos fechados e um leve sorriso, meu rosto se encaixava perfeitamente em seu pescoço como se esse fosse feito exclusivamente para mim. Senti seu corpo escorregar entre meus braços num movimento leve que, segundos depois, se tornou tão violento. “Não, não, não!” ouvi-a dizer diante de mim e pude jurar sentir cada átomo do meu corpo me abandonar. Meus braços se dissolviam diante dela. O corpo, mente, alma e o que mais um ser humano deveria ter doía como se houvesse se chocado com uma parede dura de puro aço. Procurei outros abraços, colando meus pequenos destroços, cada mínimo pedacinho. Corria entre o caos abraçando todos a disposição, o gosto amargo me enjoava e o gosto de nicotina já não era o suficiente. Estava andando em círculos insistindo na própria desgraça. Ainda não conseguia saber o que enjoava mais, o mel doce de mais ou o amargo que queimava-me peito. Soltei-me rápido de outros abraços, pois nenhum seria igual ao dela, o único capaz de acalmar, corrigir, cuidar e amar como precisava. Não sabia ao certo o que fiz de errado e ao questionar, pude ouvir o barulho de meus 206 ossos se quebrando com o impacto da tao agressiva realidade. Não! Aquelas palavras atormentavam-me pensamentos, uma discussão interna causava-me dor, dúvidas e esperança… Juntei todos os meus restos em uma trouxa e andei, andei e andei pela multidão à minha volta. Meus olhos procuravam o verde calmo e ao mesmo tempo tempestuoso que amava e podia jurar que amava mais que tudo que já existira. Os verdes estavam em sua frente, cansados e calejado de tantas outras noites, meses, talvez anos. O amargo me invadiu novamente, mas dessa vez amparado por ela. Meus olhos foram direto ao chão, onde pela primeira vez pude ver sua própria trouxinha, escondida atrás dos pés, com seus pedaços prontos para serem colocados nela novamente. Outro baque contra a parede mas dessa vez com ela para me amparar. Sentei-me diante de seus pés e prometi a mim mesma, já que uma vez prometida eu cumpriria, que iria concertar e encaixar todas suas peças. Aos poucos pude sentir, com o tempo, seus braços me acolhendo. Já arriscara sorrir às vezes e ousava até encaixar meu rosto em seu pescoço.
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