Pequenos contos de um cotidiano corriqueiro
5 Capítulo 5
— E você Leão? Quer café ou achocolatado?
— Café, sem leite e sem açúcar. – Disse, com certo orgulho.
— Nossa, que nojo! – Afirmou Sagi. – Qual o teu problema gatinho?
— Você está exagerando, café puro é muito bom.
— Desde quando você acha isso?
— Desde ontem...
— E o que aconteceu ontem para você começar a achar café puro “muito bom”? – Se debruçou na mesa, aproximando do Leão, na expectativa de uma boa estória.
— Meu pai toma café puro.
— Disso eu sei, minha mãe toma também.
— Então, para ser adulto você tem que aprender a tomar café puro. – Respondeu com a maior certeza do mundo. – É um sinal que você está amadurecendo e apurando o paladar.
— Apurando? Que isso?
— Mãe falou ontem! Ela disse que quando a gente cresce vamos “apurando” o paladar! Por isso que ela gosta de comer beterraba... e cenoura e berinjela.
— Não vai me dizer que agora você come essas coisas também!? – Perguntou assustado.
— Gosto. Comi ontem no almoço. – Falou com a maior cara de nojo.
— Nossa, crescer parece ruim. Eu que não quero “apurar” meu paladar!
— Tudo bem! Eu vou crescer primeiro, dai eu posso cuidar de você! Por que você vai continuar criança e eu vou me tornar um adulto.
— Mas eu já sou pré-adolescente! Não somos mais crianças! E eu sou o mais velho!
— Não to falando de idade e sim de “mentalidade”.
— Tua mãe que falou essa palavra difícil também? – Questionou.
— Sim! Ela disse que o tio Leopardo é adulto, mas tem a mentalidade de uma criança! E por sorte a esposa dele é mais esperta e cuida dele, pois se não tio Leo não conseguiria nem sair de casa bem vestido.
— Nossa! Então é realmente importante crescer! – Olhou a xicara de café preto que tinha servido para o amigo e decidiu tomar tudo de um só gole, odiou com muita força e foi na pia cuspir. – Será que eu posso esperar mais um pouco para crescer?
— Sim!
Os olhinhos de Leão brilhavam, pois já conseguia tomar o café puro e tinha muito orgulho disso.
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