Pequenos contos de Terror
14 O andar de baixo 3
Notas iniciais
Desde que me formei, saí das casas de meus pais e aluguei uma pequena casa.
Dois quartos, cozinha, banheiro, sala de estar, e um porão, um velho porão.
Eu vivia bem lá, apesar da distância, era um lugar lindo, calmo.
Só havia uma coisa que me incomodava sobre a casa.
As lendas a seu respeito.
As pessoas que moravam ali antes que eu comprasse a propriedade, saíram às pressas, pois, não aguentavam mais uma noite na casa, o motivo? Eu não soube na hora da compra.
Segundo os vizinhos, barulhos, perturbações, batidas, eram frequentes no porão da casa, isso porque, o primeiro dono da residência, usava o porão, como um cativeiro para sua filha, que tinha problemas mentais. Contam as mulheres mais velhas, que o homem, trancava a filha por dias sem deixa-la ver a luz do sol, o que só contribuiu para sua insanidade mental.
Até que um dia ela morreu.
Mas seu espírito, segundo as senhoras, continuou na casa.
Depois que o pai da pobre menina morreu, a casa foi a leilão, e desde então, nunca mais um só proprietário conseguiu permanecer mais de dois meses na casa.
Como eu não acreditava em nada disso, achei que a casa foi um bom negócio.
Noites e noites se passaram, e nada do que me foi contado aconteceu realmente.
Até uma noite em questão.
Cheguei mais tarde que o normal em casa.
Fui para o quarto, e no caminho passei pela porta que dava acesso ao porão.
Ouvi batidas.
A princípio, achei que era alguém.
Até que ouvi uma voz, fria, calma, dizendo “venha”.
E aquele “venha” se repetia, calmamente, mais e mais vezes.
Abri a porta, e desci o primeiro degrau.
Acendi a luz e desci a escada até chegar ao porão.
Estava frio, mais frio que fora de casa, mas agora, estava tudo em silencio.
A fraca lâmpada deixava o ambiente pouquíssimo iluminado, o que me deixou apavorado.
Eu achei que estava ouvindo coisas.
Voltei para a escada e quando estava começando a subir, a luz se apaga.
Agora eu estava realmente assustado.
Pude sentir a leve respiração de alguém atrás de mim, mas me faltou coragem para virar para trás.
Então a luz retorna.
Me viro.
Não vejo ninguém, novamente, estou sozinho no porão, se é que antes, havia alguém comigo.
Com o corpo tremendo, e o coração batendo a mil, subo novamente as escadas.
Dou mais uma olhada no porão, e abro a porta.
Quando viro para a porta, tudo se apaga, fico na mais completa escuridão.
De repente, a luz do corredor se acende.
E quando vejo, havia uma menina em minha frente, parada, me encarando com um olhar penetrante, esticando sua mão até mim, e clamando por ajuda!
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