Pequenos contos de Terror 2
4 A estrada 2
Desde que me mudei para a casa de meus pais após o divórcio, sempre morei afastado da cidade.
Todo dia após o trabalho, percorria grande distância até me casa, ruas escuras, medonhas, sem nenhuma alma viva para fazer companhia ao som do motor de meu carro.
Certa noite, após sair de uma reunião extensa do trabalho, tarde da noite peguei a estrada em direção a casa de meus pais. Eis que na parte mais iluminada da estrada, avisto a figura de uma mulher, com uma mala, andando solitariamente a beira da estrada.
Sem pensar duas vezes, paro o carro, e lhe ofereço uma carona.
A mulher, muito simpática a princípio, aceita com gratidão, e entra em meu carro.
Percebo de princípio que tens uma fala rouca, mas que não deixa a desejar em simpatia.
Morava a duas milhas dali, disse a mulher, eu sabia aonde era, uma pequena e isolada casa de madeira que sempre via a beira de estrada quando passava, porém, desconhecia o fato de que alguém morava ali.
Tempo depois, deixei-a em casa, e ela muito agradecida, brincou, falando que passaria mais vezes por aquele caminho, para que tivesse a sorte de me encontrar.
Confesso que após um divórcio conturbado, fiquei feliz com o comentário.
Passou-se uma semana, e não tornei a ver a mulher a beira da estrada, o que, de certa forma, confesso, me deixou chateado.
Mas, na semana seguinte, voltando novamente tarde da noite pela estrada, avistei-a a beira da estrada, dessa vez, caminhando lentamente, com um vestido preto, rasgado, e uma bíblia na mão. Me assustei, parei o carro ao lado da moça, e ela, sem dizer uma palavra, adentrou meu veículo.
Tentei fazer algum tipo de comunicação, sem sucesso, seguimos uma viagem rápida e silenciosa.
Deixei-a em casa, uma viagem sem conversas, sem cumprimentos, sem despedidas, um tanto quanto estranhíssima.
No outro dia, ao entrar em meu carro, percebo que, na noite anterior eu supus, a mulher esqueceu sua bíblia em meu carro, fiquei feliz pois, esse, era um motivo para eu procura-la no dia seguinte.
Como planejei, no dia seguinte, logo de manhã, fui a casa que me lembrava ter deixado a mulher, nas vezes em que lhe dei carona. De dia, a casa parecia menos sombria, mais simples, e fumaça emanava da chaminé, coisa que eu, nunca havia reparado antes.
Bati a porta, uma, duas, três vezes, até que fui recebido.
Quem abriu a porta, foi a moça a quem dei carona, sorridente como na primeira vez em que lhe dei carona, me cumprimentou e disse estar feliz por me ver outra vez.
Após alguns minutos de papo furado, contei a ela o motivo de eu estar ali, e, tirando a bíblia da mala, entreguei-a a moça.
Essa, no momento em que pegou a bíblia em mãos, entrou em choque, pude ver o pânico em seu rosto, seus olhos, lágrimas, desespero, a respiração, eu não entendia o que havia feito.
Então, num tom de voz desesperado, a mulher me perguntou, aonde eu havia arranjado aquilo.
Eu, sem entender, expliquei, você deixou no meu carro noite retrasada, quando te dei uma carona.
A mulher me explicou, aquilo era impossível, pois, noite retrasada, ela nem sequer havia saído de casa. Quanto a bíblia, pertencera a irmã dela, que fora atropelada por um motorista bêbado naquela mesma estrada, enquanto voltava da igreja.
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