Como todo adolescente, assim que tirei minha carta de habilitação aos 16 anos, peguei o hábito de toda sexta feira a noite, pegar o carro e sair sem rumo pelas estradas de minha cidade, as vezes acompanhado, as vezes não.

Foi em uma dessas vezes que vi pela primeira vez o fato que irei contar a vocês.

A estrada que sempre pegava era a Downtown Road, uma estrada escura, sem sinalização nem polícia, eu pegava altíssimas velocidades, sem medo. O único suspiro de vida que tinha aquela estrada era um bar velho, que ficava no centro da estrada, e era frequentado por motoqueiros de passagem pela cidade, ou bêbados que não tinham aonde ir. Aquele bar era um lugar sinistro, tão sinistro que nem eu, com minha curiosidade e ousadia adolescente me atrevia a frequentar. Pessoas estranhas frequentavam aquele bar.

Em uma noite passando pela Downtown Road, uma noite de céu aberto, mais estrelas no céu do que um homem é capaz de contar, foi onde eu vi, aqueles dois homens naquela van.

Você deve estar se perguntando, o que tem de mais em dois homens em uma van? Até esse ponto: nada. Mas se você contar o fato de que havia um terceiro homem, mas veja bem, esse, morto, sendo colocado dentro da van, aí, a coisa toda muda.

Logo que avistei a cena fiquei em choque, paralisado. Debaixo do único poste de luz em quilômetros estava a van preta, e os dois homens atrás das portas inferiores. Assim que parei o carro e o motor cessou o barulho, eles me avistaram. Aqueles dois pares de olhos atravessaram me alma, cravaram como se fosse uma marca que eu nunca mais conseguiria tirar. Peguei o celular para chamar os homens da lei, e nesse momento, avistei os dois homens entrando na van. Não estavam correndo em direção a mim, estavam entrando na van, o que de fato, Deus me perdoe por isso, me deixou aliviado.

Após entrarem na van e sumirem no escuro, não escutei-os mais. A polícia demorou 25 minutos para chegar, e quando chegou, me encontrou em um estado da pânico, choque, branco a flor da pele, e claro, com bebidas alcoólicas em todo o carro. Fui interrogado e de alguma maneira pude perceber que, para o policial, aquele assunto não era novidade para ele. Será que eu não fora o primeiro a avistar aqueles dois homens e suas vítimas? Será que eu poderia ter sido uma das vítimas? Após terminarem as perguntas, fui encaminhado para casa.

Três semanas se passaram desde o incidente, não tive mais notícias da parte da polícia, até que, por pura ignorância, resolvi voltar a estrada naquela noite.

As últimas três semanas foram as piores da minha vida, eu não dormi, não comi, não fiz nada direito, a estrada não me saia da cabeça, os dois homens, o corpo, não pensava em outra coisa.

Chegou a noite, peguei o carro e sai, lentamente em direção a estrada, hoje, sem bebida, sem música, eu queria apenas observar. Então pensei melhor, se eu queria respostas, iria ao bar.

Cheguei a estrada e a percorri com muito, muito medo, mais medo do que já tinha sentido em toda a minha vida, até que cheguei ao bar. A sensação de ver luzes e atividade humana me deixou aliviado... por pouco tempo. Ao chegar no estacionamento, eu avistei a van preta.

Como todo bom adolescente, fui contra todo o meu raciocínio lógico, e adentrei o bar, eis a minha surpresa ao entrar: o atendente do bar, era um dos homens que vi na traseira da van a 3 semanas atrás, e como se todo pânico não bastasse, ele também me reconheceu.

Depois disso, só me recordo de acordar em um lugar escuro, onde a luz não penetrava em nenhum horário do dia, horário esse que eu passei a desconhecer, justo, pela ausência da luz.

Até que um dia foi me dado um pedaço de papel e uma caneta, aonde por intermédio desse, pude contar a vocês a minha história. O meu fim, vocês infelizmente não vão saber, até porque esse, nem eu mesmo sei.

Notas finais
Lembrando que, Bons pesadelos.Sempre pense bem por qual estrada pegar.As vezes o caminho mais curto é realmente... o mais curto.