Pequenos Momentos Winchester e Cia
13 Uma aventura no esgoto
Notas iniciais
Fic escrita para um pequeno momento de distração. Nada além disso. Em algum instante no final da 4ª temporada da série.

“Droga!”— Pensava – “Não voltei do Inferno para morrer perdido nas galerias de um esgoto de Austin, Flórida.”Tentando ser mais objetivo e obedecendo a voz da razão, fez o que o irmão falou e com um click alto que ecoou pelo recinto por alguns segundos, a pequena tampa lateral da lanterna enfim foi aberta lhe dando acesso as baterias.— Troque a posição... – Começou a pedir Sam num tom impaciente.— Tenho certeza de que posso fazer isso sozinho. – Cortou o mais velho com voz de birra, fazendo um bico involuntário e característico seu, enquanto tentava o que o mais novo disse. — A lanterna só pode estar quebra...Tão logo falou, um feixe de luz atingiu o rosto de Sam levando-o a colocar a mão em frente ao rosto para proteger os olhos.— Eu disse... — Tá, tá, tá, deixa isso para depois que sairmos daqui senhor “eu-pensei-que-você-tinha-pego-o-mapa” – Cortou Dean apontando a lanterna para os lados minuciosamente observando ao redor. Mentalmente se culpando, como sempre, por não ter seguido seus instintos e detido o irmão antes dele sair correndo feito um louco atirando a esmo e os colocando naquela enrascada.Com cuidado voltaram sobre os próprios passos, observando como as galerias onde estavam, um nível abaixo do esgoto, eram largas a ponto de deixar um carro passar com facilidade. Os arcos altos, de uma beleza austera, pelo pouco que podiam discernir com a fraca luz da lanterna, eram construídos com um cuidado artístico exagerados para a função nada honrosa de receber dejetos de toda espécie.As paredes limosas e aquela água suja em que pisavam por falta de um local seco em que se escorar, estavam lhe dando ânsias de vômito. E o cheiro não ajudava nenhum pouco a aquietar o conteúdo sortido de seu estômago. Por mais de uma vez na última hora em que estavam ali chafurdados na sujeira e detritos fisiológicos, se arrependeu amargamente de ter comido dois x-tudo, regados a batata frita e uma mega coca-cola. Sentindo desgostoso como aquele cheiro pútrido estava tão entranhado na sua pele que nem todo o sabão do mundo iria conseguir limpá-lo.— Correr atrás do metamorfo no escuro, não foi uma de suas idéias mais brilhantes Sam. – Dean falou dirigindo a luz para seu próprio rosto, enquanto parava por um momento em uma bifurcação.Sam ficou lhe observando, dando-se conta pela primeira vez em como Dean parecia mais velho e cansado. Seu rosto estava abatido e macilento, seus olhos tinham um tom apagado e uma expressão de vazio, mesmo com o sorriso de sarcasmo ali embaixo, muito forçado na maior parte das vezes, tentando sustentar todo o resto de sua face... Um alicerce frágil demais na verdade, Sam dava-se conta o observando com clareza, mesmo naquela escuridão.Desviou os olhos do rosto do irmão antes de responder como se tudo estivesse bem. — Já lhe disse que é um ghoul.— Semântica Sam... Praticamente eles são a mesma merda.— Não são nada. — retrucou — Ghouls não são afetados por... – Sam parou assustado, franzindo a testa e estreitando os olhos – Você ouviu?Dean meneou a cabeça, abriu os braços e levantou os ombros encarando o mais alto sem entender de que barulho ele estava falando.Preocupado Sam tomou a lanterna da mão do surdinho, dando um passo para o lado de onde tinha certeza o barulho viera. Quando correram atrás do ghoul tinham vindo pelo túnel da esquerda e era justamente dali que o som saíra. — Sammy, quer me dizer...— Shhhh! — Shhhh? Vá fazer shhhhh para o... Mas que diabos foi isso? – Dean falou ouvindo o barulho dessa vez, dando um passo na direção do irmão. Parados quietos e silenciosos observavam a escuridão do largo túnel à frente, tentando enxergar além do perímetro iluminado pela lanterna.Cinco segundos depois deram um passo para trás juntos. O barulho estava mais alto, ecoando pelo túnel e se aproximando. Parecia com o motor do Impala, só que mais grave, profundo, rascante e muito, muito aterrorizante. E isso não era algo que pudessem dizer de muita coisa nessa vida, acostumados como estavam a coisas que fariam Chuck Norris chorar como um bebê.De repente algo parou sob o feixe de luz da lanterna... Parecia com pedra cinzenta, ou melhor, couro curtido... Úmido... E o pior de tudo, estava lentamente se deslocando na direção deles.
Dando outro passo para trás, Sam manteve a mão firme enquanto a criatura se revelava. Seus olhos fixos nela e seu cérebro sem realmente acreditar que aquilo estivesse bem diante deles.De corpo comprido, medindo mais de três metros, recoberto por uma couraça que parecia ser feita de pedra, grande e assustador estava bem na frente dos Winchester uma lenda urbana que acreditavam ser uma das poucas que não tinha nenhum fundo de verdade.— Isso só pode ser brincadeira. – Dean falou colocando a mão no peito de Sam, o empurrando para trás ante a revelação do monstro. Dando ao seu irmão a ordem mais sensata de toda a sua vida – Corre!Antes que terminasse de falar os dois já corriam desesperados tendo o crocodilo com todo o seu instinto predador a lhes caçar. Dean puxou a arma e deu dois tiros para trás sem mirar realmente e acertando apenas as paredes. Vislumbrando assustado a bocarra com fileiras e fileiras de dentes medonhos, afiados e próximos demais dos seus calcanhares.— Direita! – Ordenou e o irmão lhe acompanhou.— Corre em zigue-zague! – Sam gritou.— Como Sherlock? – Dean respondeu arfando. Apesar de largo, o túnel não possuía muito espaço. Mesmo assim, com Sam a sua frente, começou a acompanhá-lo correndo ora de um lado, ora de outro, atrapalhando a percepção do réptil vitaminado que os perseguia. À frente se depararam com um túnel sem saída. Em segundos a fera estaria em cima deles.— Aqui! — Gritou Dean puxando o irmão e o empurrando em um vão do lado esquerdo da parede.— Entra aqui também. – Sam falou tentando puxar o irmão sem conseguir. Mesmo que quisesse não seria possível, pois mal havia espaço para ele. – Deeeean!O crocodilo jogou-se em sua direção tentando alcançá-lo, dando de encontro com a parede. Não era possível ele lhe alcançar, mas e o irmão?— Deeeean!— Estou bem! – Este respondeu com a voz abafada, fazendo com que o mais novo suspirasse aliviado – Tinha uma saliência igual desse lado. – Gritou mais alto.Com seu corpo grande espremido entre as paredes úmidas e mal cheirosas, Sam mal conseguia respirar, quanto mais se mexer. Agora sim, pensava desolado, ele e o Dean, estavam em uma bela encrenca.A luz da lanterna, que deixou cair, iluminava precariamente o crocodilo. O animal esperneou por alguns momentos em inúteis tentativas de alcançá-los, até que resolveu usar a tática da paciência. Afastando-se da luz, se deitou e esperou.— Acho que ele não vai embora Dean.— Verdade? O que te deu essa impressão?— Deixa de birra, o que vamos fazer? — Você não o cérebro dessa dupla? Diz aí.— Não consigo pensar em nada. E foi você que mandou correr para a direita.— Agora eu sou o culpado. Ótimo!Sam pensou por um momento.— Olha, dá um tiro no bicho. Talvez assim ele se assuste e vá embora.Silêncio...— Dean?— É que... Deixei a arma cair. – O mais velho falou envergonhado.Sam fechou os olhos e encostou a testa na parede, um dos poucos movimentos que conseguia executar no momento.— Sammy?— Estou pensando Dean.Dean se calou e começou a pensar também em como poderiam escapar daquela situação. Estavam acostumados com fantasmas, lobisomens, vampiros e toda a sorte de coisas paranormais e esquisitas, mas nunca tinham realmente passado por algo tão anormal quanto encontrar um jacaré nos esgotos.Percebendo a estranheza da situação, Dean começou a sorrir, parte do riso vindo do absurdo de tudo aquilo. Seu riso começou a ficar mais alto e sem querer começou a gargalhar em uma pequena crise histérica nada normal em Dean Winchester.— Você pirou de vez? – Sam o recriminou com voz dura.— Cara... Agora sim já nos batemos com quase tudo. Só falta encontramos o pé-grande.— Idiota! – Sam falou sorrindo e calando por um bom tempo até se lembrar de alguém – Seu anjo da guarda faz falta.— O Cass? Ele tem coisas mais importantes para se preocupar do que nos salvar de um predador de meia tonelada que quer nos comer no jantar. – Dean falou observando o crocodilo e se assustando ao ver o anjo surgir bem em frente à fera e estender a mão para a mesma como se ela fosse um pequeno poodle.Ao ver o anjo o bicho se ergueu, abrindo as mandíbulas em direção ao seu braço estendido, parando petrificado antes de completar o ataque. Castiel ficou apenas lhe encarando com seu olhar vazio de sempre, até que o réptil se arrastou em marcha ré sumindo na escuridão.— Como você fez isso? Parecia que estava... Falando com o godzilla. – Dean perguntou se esgueirando para fora do vão e se juntando a Sam perto do anjo.— Vocês precisavam de ajuda. – O anjo respondeu observando o túnel escuro por onde o animal sumia – Não foi como conversar com os leões... Mas convencê-lo não exigiu muito esforço... Ele parecia não ter tanta fome.— Leões? — Dean falou observando ao redor assustado. Sam lhe deu um tapa na cabeça para que deixasse de idiotices – Ai!— Tira a gente daqui Castiel, por favor. – Sam pediu balançando a cabeça, envergonhado pela total falta de conhecimento bíblico do mais velho.— Opa! Opa! E o metamorfo? – Dean perguntou lembrado da caçada que os metera naquela pequena aventura no esgoto.Como em resposta, ouviram um arroto alto e forte ecoar à distância.
Notas finais
Baseado e inspirado em uma pequena informação que minha amiga Kherryna me forneceu sobre como fugir de um crocodilo. Pasmem: Correr em zigue-zague, como o Sam disse.
A referência de Castiel a leões vem da história de Daniel na cova dos leões, da Bíblia.
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