Pequenos Momentos Winchester e Cia

9 Um pequeno momento Castiel


Notas iniciais
Este capítulo é uma história independente e não completamente finalizada. Nada engraçado, nem triste, nem erótico ou aventureiro. Apenas uma idéia singela e sem compromisso. Por que como disse algum sábio, do qual esqueci o nome agora: "Temos o impulso natural de preenchermos os espaços vazios."

Um pequeno momento Castiel



- Nooooossssa! Cathy, gostosinho às nove horas!


Disse a vendedora no balcão, loira e mais alta que a colega, a quem futucava desesperada por atenção, encarando boquiaberta o homem que acabava de entrar na loja com cara de cachorrinho perdido.


Num gesto típico seu quando ficava interessada por alguém, começou a ajeitar o cabelo e a roupa, principalmente a blusa, deixando os seios fartos a mostra de um jeito provocante, mas não vulgar.


A morena, mais baixa a seu lado, de cabelos castanhos presos em um coque severo, que tinha por objetivo lhe dar um ar mais sério, mas que acabava por revelar seu rosto frágil e de uma beleza serena, nem se dignou a levantar os olhos do aparelho que tinha nas mãos e com o qual vinha lutando entre um cliente e outro.


- Susan, se eu parar de trabalhar toda vez que um homem chama sua atenção, perco meu emprego por justa causa.


- Sua boba, deixa de ser estraga prazeres... Ele é realmente muito gato. – Falou continuando a se derreter ao lado da morena.


Cathy simplesmente deu de ombros e um muxoxo de desdém para aquele comportamento da amiga que já estava acostumada a presenciar.


- Ai meu Deus! Ai... Meu... Deus! Ele ignorou a Melanie e está vindo para cá. – A loira se contorcia de prazer sem que Cathy sequer registrasse mais suas atitudes.


- Susan! – Uma voz chamou, esvaziando seu rosto de toda a alegria.


O dono daquela voz, que por acaso era o Gerente da loja, não poderia ser ignorado.


Com um olhar triste, Susan deu às costas ao balcão encarando a amiga de cima abaixo.


- Ele é seu. Vê se aproveita a oportunidade. – Falou rumando com raiva para os fundos da loja, ciente de que a amiga atenderia o gostosão sem nem ao menos lhe lançar um olhar de apreciação.


Quando o homem se acercou do balcão, a primeira coisa que Cathy registrou foram suas mãos. Lindas mãos. Másculas, sem serem rudes. Bem cuidadas, de dedos longos e compridos.


Quando ergueu o rosto com seu sorriso mais profissional, teve que esconder a muito custo a surpresa. Susan não mentira, ele era... Gostoso.


Olhos claros, de um azul profundo e hipnotizante. Rosto forte, sensual e até um pouco inocente... Nossa, muito inocente... E um atributo destes, em um representante do sexo masculino com mais de treze anos, era quase impossível de se encontrar nos tempos modernos.


- Gostaria de um celular.


Nossa que voz!


- Bem... O senhor tem alguma preferência de marca? Nós trabalhamos com todas as disponíveis no mercado atualmente. Temos os mais modernos aparelhos, todas as cores imagináveis, com acessórios...


Você está falando rápido Cathy – pensou- Está nervosa demais. Se acalme... Pelo amor de Deus, é só um homem!


- Eu gostaria de algo simples. – O som daquela voz deixava seus joelhos bambos – Preciso falar com amigos e achei que assim seria mais fácil.


- Então você deveria experimentar esse. É um dos melhores. – Falou mostrando um aparelho barato e de boa qualidade, sem todos aqueles acessórios que, sinceramente, só faziam a festa dos adolescentes.


O homem pegou o aparelho e começou a revirá-lo nas mãos como se não soubesse muito bem o que fazer com ele.


Cathy o observou por um momento registrando com surpresa que ele parecia realmente nunca ter usado um celular na vida.


Seria ele algum louco? Um ex-presidiário? Um... Nem sabia mais o quê pensar. Só esperava que não fosse um psicótico. Não, ele não parecia ser alguém ruim... Na verdade ele transmitia uma paz e serenidade muito forte.


O analisou por um momento. Ele usava um belo terno, apesar da capa amarrotada. E a barba cerrada, por fazer, lhe dava um ar de alguém que não tinha onde ficar. Alguém perdido no mundo, sem rumo, sozinho.


Devagar tomou o celular das mãos dele e abriu mostrando como fazer.


- Basta digitar os números e esperar a pessoa atender.


- Muito engenhoso. Vocês são realmente criativos.


- Também acho.


- É estranho precisar de algo assim, mas será mais fácil conversar com eles e saber onde estão.


- Muito tempo que não os vê?


- Não... Muito.


- Bem, gostaria de comprar este? Ele está em promoção. Está praticamente de graça.


O olhar de espanto no rosto de Castiel foi imenso. Ele havia esquecido essa parte. Tudo para os humanos se resumia a dinheiro. E ele não tinha nenhuma daquelas moedas ou notas sujas e sem graça. Um anjo com dinheiro no bolso seria engraçado.


Olhou para a vendedora ali tão solícita, mas não encarou seus olhos. Lembrava da última besteira que dissera a uma mulher e dos conselhos de Dean a respeito de dizer sempre a verdade.


Minta Cass. Humanos metem! – Podia ouvir claramente a voz do amigo.


O fato é que precisa de um aparelho. Precisa falar com Dean. Precisava encontrá-lo já que os selos que colocara nele e no Sam, impediam que qualquer anjo soubesse onde se escondiam.


Mas a sua natureza impedia que roubasse um, de qualquer forma. Se quisesse poderia apagar a memória da jovem a sua frente e ir, mas uma sensação inexplicável o impedia. Não saberia dizer se tinha sido a solicitude da jovem, a sua paciência ou seu olhar bondoso e amigável que encontrara em tão poucos humanos.


- Acho que... Não poderei comprar agora... Não tenho dinheiro.


Falar a verdade ainda é muito forte em mim Dean – Falou mentalmente em resposta ao amigo e suas dicas sobre mentir.


Virou-se para ir. No que foi impedido pela mão da jovem sobre a sua.


- Você tem o número dos seus amigos aí?


- Sim. – Respondeu retirando um papel amarrotado que Bobby lhe dera e que mantivera no bolso por simples descaso.


Cathy salvou o nome e número dos dois homens no celular. Logo depois começou a acrescentar um terceiro.


- Esse aparelho é pré-pago, você terá cem minutos para falar durante um mês. Salvei o meu número nele caso você precise tirar alguma dúvida, ou precise de ajuda.


Deus... Devo estar ficando louca em fazer isso. – Pensou — Provavelmente vou me arrepender depois.


A morena de olhar bondoso, com o rosto corado, estendeu o celular em sua direção.


Como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo, Cass o pegou e colocou no bolso.


Depois a encarou profundamente inclinando a cabeça num gesto típico com curiosidade. Sorrindo depois para Cathy de um jeito que ela nunca viu ou veria de novo no rosto de mais ninguém.


- Você é especial! – Ele murmurou com sua voz rouca e melódica. Fazendo com que todo o corpo dela se arrepiasse não só de prazer, mas também de medo.


- Se cuide... Como é mesmo seu nome?


- Castiel. Mas pode me chamar de Cass.


- Cass! – Ela sussurrou sorrindo para ele.


- Até Cathy.


Ela o viu se afastar e partir ainda hipnotizada pelo seu olhar intenso que parecia ter lido sua mente, invadido sua alma. Rezando que um dia ele ligasse.


Ficou assim absorta por um longo tempo, até que uma dúvida lhe invadiu.


- Como ele sabia meu nome?



Notas finais
Obs finais: A Madre Teresa pagou o celular por ele... Não, ela não é louca. Mas como não ajudar o Cass?