Pequenos Momentos Winchester e Cia
24 Sem saída
Notas iniciais
Sem saída
O homem estava de costas com seu corpo rechonchudo e grande bloqueando totalmente a visão da porta. A sua frente uma mesa repleta de instrumentos estranhos, afiados e de aspectos terríveis.
Dean volveu os olhos pela sala em busca de uma saída.
Nada.
Nem uma janela, uma brecha, uma escapatória. Seu corpo forte tremia preso à cadeira ante a imagem de toda aquela parafernália a qual não estava acostumado em suas caçadas ao sobrenatural.
Só havia uma saída: a porta. E chegar lá não seria fácil. Estava zonzo, muito zonzo. Sua cabeça parecia um balão de festa cheio de ar. Suas pernas pararam de lhe obedecer a dez minutos e as mãos coladas ao encosto da cadeira seguiam o mesmo rumo.
Mexer o dedinho mindinho era sua única opção. E convenhamos, não era nenhum Chuck Norris para matar um exército só com aquela parte do corpo.
Um ruído baixo e irritante chamou sua atenção. O homem gordo e com o aspecto mais medonho que se lembrava de ter visto em alguém, ou ser, ou animal em toda a sua vida se aproximava com um sorriso diabólico no rosto e munido de suas armas de tortura. O ruído das rodas na mesinha que usava, soando maligna e repercutindo em seus tímpanos e nas paredes como o mau augúrio que era.
Dean tentou fazer algo com o dedo mindinho, mas foi frustrado pelas leis da física e da realidade. Seus olhos se moveram alucinados, procurando uma forma de escapar sem descobrir nenhuma possibilidade de sucesso.
Receoso encarou o seu algoz respirando forte e profundamente. A boca tentando emitir algum som, um sinal de socorro, um HELP que se amplificava mais e mais em sua cabeça, como as músicas que tocava em seu amado impala.
- Seja um bom garoto e não tente falar Sr. Winchester. Não precisa. Não adianta também. Dei-lhe uma coisinha muito especial, muito forte. – Disse o medonho se aproximando de Dean, deixando o sorriso nos lábios morrer aos poucos ao se aproximar.
- Já pensou como sempre são as pequenas coisas, aquilo que achamos insignificante, que acabam por nos causar os piores males? – Continuou o estranho – Veja o senhor por exemplo. Um jovem tão forte, um touro e de repente ZAZ... — Riu – Vem, por uma bobagem, parar em minhas habilidosas mãos.
Dean observou o homem se virar lentamente para analisar e escolher suas armas, suas pequenas amigas na arte de uma tortura lenta e minuciosa.
Angustiado fechou os olhos, o suor descendo frio pela espinha. O grito por ajuda ecoando como um trio elétrico em sua cabeça e todos os xingamentos do mundo se uniu em seu cérebro para formar uma palavra: Sam!
Por culpa do maldito estava naquela enrascada agora.
Não, na verdade a culpa não era de Sam, mas sim daquela sua mania irracional de se meter em encrencas por causa do irmão, de se anular pelo mais novo.
Sua mente, sua vida, suas forças se concentravam em Sammy, protegê-lo, cuidá-lo. E Dean Winchester se esquecia de suas necessidades, se esquecia de que precisava cuidar de si mesmo. Por isso estava ali agora, há um passo de sofrer tormentos indescritíveis.
“Ok, ok! Foco Dean. Você vai sair um pouco machucado desta situação, mas com certeza vai conseguir escapar com vida.” Pensou. “Um-Winchester-macho-de-verdade como você consegue sobreviver a qualquer coisa. E não será essa câmara de horrores que vai lhe derrubar”
Um zumbido forte ecoou pelo recinto fazendo o corpo de Dean tremer e se retorcer um pouco, como um espasmo.
O medonho observando sua presa se esquivar, segurou-a pelo braço, arrumou seu corpo com delicadeza, tal qual um amante faria, e continuou se aproximando certo do que praticaria , com imenso prazer, naquele jovem a sua mercê que parecia feito de cera de tão branco estava.
- Sr. Winchester, tsc, tsc, tcs. Pensei que fosse mais corajoso. Um homem desse tamanho. Já com fios brancos nesse cabelo loiro e sedoso.
“Fios brancos? Onde? Como?” Pensou Dean surtando ainda mais por um momento. “Peraí! Cabelo loiro e sedoso?”
Perdido em seu temor homofóbico, Dean não registrou de imediato que seu torturador se aproximava com a arma em punho pronto para desferir seu primeiro golpe.
A dor o atingiu antes mesmo que o facínora o tocasse. Seu rosto de branco ficou totalmente vermelho pelo grito preso em sua garganta, total e irremediavelmente impedido de ser pronunciado.
- Calma... Calminha... Ainda nem começamos e parece que você vai a chorar que nem um bebê?
Dean estreitou os olhos encarando fixo e com profundo ódio o bastardo que se inclinava todo satisfeito em sua direção.
- Não me olhe assim. Não pode me culpar pelos seus próprios erros. Deveria ter seguido o exemplo de seu irmão. Acredite, ele foi esperto o bastante para escapar de mim. Você, no entanto... – O torturador ficou sério de repente-... Foi apenas uma questão de tempo e paciência para nos encontrarmos assim, face a face.
Dean não podia refutar a verdade naquela afirmação.
Sendo assim, durante meia hora aceitou seu destino, tentando ser forte e deixando apenas uma ou cinco lágrimas rolarem, a integridade em frangalhos, sofrendo os tormentos enquanto o dentista cuidava de sua pequena, mas impiedosa cárie.
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