Pequenos Momentos Winchester e Cia

15 O tiro certeiro... Que não deu certo


Notas iniciais
Uma pequeno, bem pequeno mesmo, momento finalizado. Humor negro, não leia se não estiver de bem com a vida.
Um tiro certeiro... Que não deu certo

A arma estava em seu colo carregada e preparada. Sua decisão estava tomada. Não possuía dúvidas, mas tinha muito medo... Temia a morte, mesmo achando a vida uma droga, um mar de dores por onde tinha que nadar sem saber ao certo como se conservar à tona.

Aquele desespero que carregava ao observar o mundo ao se redor, ao ver as pessoas matando e causando umas às outras todo o tipo de misérias e maldades, só lhe fazia desistir e se desesperar um pouco mais.

A vida era isso? A vida se resumia a violência, guerras, estupros?... Matança e sangue?... Sangue e matança para qualquer direção em que se dispusesse a olhar?... Realmente a vida não valia nada para ninguém... Podia ser comparada a um pedaço de chiclete preso no salto de uma bota barata comprada em uma liquidação de rua.

O estranho é que não precisava sair do pequeno cubículo em que se encerrara para ver todo o sofrimento que aquela existência poderia lhe proporcionar. Bastava ligar a TV e observar... Bastava abrir o jornal e seus dedos ficariam manchados de sangue.

Por que as pessoas agiam assim? O mundo poderia ser um lugar tão bonito. Poderia haver paz, amor, alegria. Precisavam apenas se esforçar um pouco, tentar com mais vontade e determinação e tudo seria tão melhor...

A sua história antes parecera ter significado. Mas olhando para trás, carecia de compreensão quanto a qual significado realmente possuíra até se tornar consciente de que nada valia à pena.

Sua existência tinha se resumido as inúteis tentativas de fazer da vida de uma adorável pessoa sobre sua responsabilidade, algo melhor. Trazer um pouco de alegria aquele coração cheio de esperança... Mas agora, nem que quisesse, poderia trazer um sorriso ou felicidade a quem quer que fosse... Mesmo que amasse muito e desejasse estar entre seus braços amorosos, sendo afagado com carinho e apertado com amor pela pessoa especial do outro lado da porta, não poderia ser um companheiro saudável e carinhoso de outras épocas.

Dizer como se sentia também não tinha dado muito resultado. As palavras que usara não foram sua melhor escolha para explicar todos os sentimentos que carregava consigo. E toda a coragem que buscara para dizer aquelas verdades foi gasta em vão diante do olhar assustado e molhado do ser que não deveria magoar... Que deveria proteger e acarinhar, mas que só conseguira ferir e chocar.

E quando tudo ficou tão difícil que não sabia para onde ir, como se controlar, como sobreviver, recorrera à bebida... Se afundado mais e mais no álcool e seus efeitos. Agindo dali para frente como o tolo que realmente era... Machucando os sentimentos da pessoa que mais amava em todo o mundo. E tudo o que dizia e fazia era se queixar, resmungar, gemer, chorar e se esconder de tudo o que pudesse lhe lembrar que era diferente e que sua vida não valia nada aos seus próprios olhos.

E quando os pequenos prazeres, se é que tinha obtido algum prazer real naquele mundo de desgostos, não conseguiram apagar, nem mais por um instante, toda a dor de se saber inútil e sem perspectivas... Resolvera acabar com tudo.

Seu limite já tinha sido ultrapassado. Seu copo tinha transbordado pela inutilidade. Sua agonia tinha se tornado grande demais para sequer pensar em seguir mais um passo naquele mundo de pessoas perdidas, monstruosas e inumanas.

Só tinha um arrependimento... Deixar para trás a pequena luz de sua existência. Alguém que lhe amava mesmo com todas as bebedeiras e acusações. Mesmo com todas as palavras duras e grosseiras que dissera. Mesmo com tudo de errado que tinha feito... Mesmo quando preferiea lhe afastar por que estar com ela era se magoar ainda mais.

Deixá-la naquele mundo que a faria sofrer e talvez apagar aquela chama de pureza e alegria que ela possuía era o único empecilho, a única barreira que se interpunha entre ele e sua decisão. Mas nem mesmo essa parede pudera ficar de pé diante de seu profundo desgosto. E a melhor atitude que poderia tomar era ir e desejar do fundo de seu coração rasgado que ela não mudasse... Desejar ardentemente para sua adorável dona uma vida não tão cruel quanto a sua parecia ter se tornado.

E, abandonando todos os seus temores, Ted – o urso colocou a arma na boca e atirou...

O cheiro de pano queimado empesteou o quarto e o enchimento branco e felpudo de sua cabeça voou e pairou lentamente até o chão. Um grito de agonia ecoou de sua garganta e foi ouvido por toda a casa, quando ele deu-se conta de que nenhum tiro certeiro poderia libertá-lo da incomum e depressiva criatura em tinha se tornado.

-Nãããããããooooo!

Notas finais
Loucura total e sem noção, mas eu já assisti esse episódio 4X08 "A fonte os desejos" inúmeras vezes e não consigo deixar de rir na parte do urso suicida... Mas pensando bem é humor negro... Afinal depressão é algo sério.