Notas iniciais
Este capítulo é uma história independente e finalizada. Não sei se uma criança nessa idade se expressaria assim... Mas isso é apenas uma história. A maioria dos erros é proposital. Um pouco bobo? É eu sei!

— E o grande guerreiro Dean Winchester, com a sua grande espada, que o feiticeiro do castelo de ferro lhe deu, correu e... buuuuum...puuuufff... Acabou com o dragão que queria comer o bebê Sammy. E depois o bebê Sammy cresceu e se tornou um grande guerreiro também. E Sam e Dean saíram pelo mundo para vencer todos os monstros maus. Fim! – O garotinho terminou a história agarrando as barras do berço, colando o rosto nelas e sorrindo ofegante para o bebê.

– Você gostou da minha história? — Seu irmão olhou para ele sacudindo os bracinhos parecendo feliz.

— Eu acho que gostou, você tá rindo. – Sorrindo também, o menino de cabelos loiros e rostinho corado por causa de toda a mímica e golpes nos seres imaginários do mal, continuou falando

— Eu inventei essa história pra você. Aprendi com o papai. Ele sempre me conta um montão de histórias e a mamãe também. Mas essa história ninguém me contou. Eu que fiz, é especial pro Sammy. – Parou um instante olhando o bebezinho, com seus grandes olhos verdes todo curioso e interrogativo

— Você me entende? – perguntou olhando para o bebê

— Acho que você me entende um pouquinho né Sammy?... Mamãe diz que você é muito pequeno, mas vai crescer... E que agora que eu sou um irmão mais velho... Eu sou seu irmão mais velho viu?... Que eu tenho que te ensinar um moooooontão de coisas... E quando você crescer a gente vai fazer tudo junto... Jogar bola, tomar sorvete, viajar... Sabe que eu também já fui pequeno igual a você? Papai me disse. Papai me conta um monte de coisa. — Olhou para o irmão e deu um suspiro de frustração.

— Seria bom que você crescesse logo Sammy. Não precisa ser muito, só um pouquinho pra gente poder brincar e fazer as coisas juntos... Lá no meu quarto eu tenho um monte de brinquedos legais. Têm bonecos, barquinhos, carrinhos... Os carrinhos são muito legais... Eu adoro eles. Se você quiser eu lhe empresto. Vou separar os mais bonitos para te dar, para você vê que eu sou um irmão beeeeem legal. – O pequeno no berço sacudiu os pés, feliz, olhando o irmão

— Olha o papai me deu um carrinho que é igualzinho ao carrão dele. — Falou com os olhos brilhando – Sammy você vai adorar o carro do papai. Ele é grande, todo preto, bonitão. Quando eu crescer ele disse que me ensina a dirigir... Aí depois, eu ensino você.

O garotinho loiro ficou parado se concentrando por alguns segundos. Parecia estar tomando uma decisão muito importante. Quando se decidiu, desviou o olhar para a porta por um momento, antes de se virar para o irmão e começar a falar um pouco mais baixo.

— Vou te contar um segredo Sammy... E você não pode contar isso nunca pra ninguém... Você promete? – Não esperava que o bebê respondesse, não era tão bobo. Mas o sorriso que Sam deu lhe valeu como um assentimento.

– Quando você tava na barriga da mamãe eu... Não gostava de você... Nem um tiquinho... Quando mamãe tava com você na barriga ela ficava toda estranha... Parecia doente e dorminhoca... Papai também ficou diferente... A gente não saia, nem ia no lago, nem jogava bola... E a mamãe ficava me dizendo que ia ser legal ter um irmãozinho, que eu teria com quem brincar... Mas eu não queria ter irmão não. Eu tinha medo que papai e mamãe gostassem mais de você, quando você chegasse.

Sua voz doce e infantil terminou a frase num murmúrio e sua face ficou vermelha. Por um momento seus olhos vagaram pela figura no berço que lhe encarava de volta. O olhar curioso nunca abandonando seu rosto enquanto ficava na ponta dos pés para olhar melhor o bebê.

— Aí um dia, papai trouxe você do hospital... Ele disse que lá, o médico tinha te tirado da barriga da mamãe...- Dean colocou a língua para fora — Nojento né? – O loirinho riu do olhar curioso que o bebê fez, se lembrando, com sua curta e falha memória infantil, como Sam era realmente feio e todo enrugado quando chegou.

— Noooooossssa Sammy, você era menor que meu ursinho e era todo molinho e feio. – O bebê fez cara de choro – Chora não Sammy, agora você tá bonito... Tem cabelo.

Encostou novamente a testa nas grades do berço, fechando sua pequena mão sobre a ainda menor do irmão, enquanto olhava fundo nos olhos deste.

— Seu o olho é verde igual o meu... A gente só tem isso parecido... Você parece com o papai. – E enquanto dizia isso sua voz revelou uma leve zanga. Seu rosto perdendo um pouco do brilho. Como se percebesse isso, o bebê apertou seu dedo fazendo o mais velho sorrir de novo feliz — Mas eu sou mais bonito que você. – Falou parando por um instante com um sorriso de canto, como a sombra de um outro que seria tão comum em seu futuro

— No dia que você chegou, mamãe queria que eu carregasse você, mas eu não quis e gritei que não queria você aqui e me esconde... Fiquei escondido um tempão no porão. Lá tava bem escuro, mas nem fiquei com medo.- Falou orgulhoso.

— Quando papai me achou, ele me abraçou, brigou comigo e depois ficou triste. Eu vi na cara dele... Quando papai fica triste eu sei Sammy... Ele fica calado, e não olha pra gente e não fala com a gente direito... Quando papai tá triste dói meu peito bem aqui. – Falou apontando para o próprio coração – Parece que alguém tá me apertando aqui dentro... E minha barriga fica doendo também... E dá vontade de chorar. — Sentiu Sam apertar mais seu dedo, como se tentasse mandar a tristeza do maior embora.

— De noite eu vim aqui no seu quarto, por que eu queria te ver melhor, sem papai e mamãe, nem ninguém olhando... Queria ver se podia gostar um pouquinho de você pra fazer o papai feliz de novo... Você tava dormindo bem quietinho no berço... E você parecia um anjinho daqueles que a gente vê nos filmes e nos desenhos... Eu fiquei te olhando, te olhando e você abriu o olho e deu risada pra mim... Quando você ri fica com buraquinhos aqui na bochecha. – falou levando a mão livre ao rosto do bebê e este se remexeu todo feliz.

— É engraçado e bonitinho. — falou com um riso tão cristalino que pareciam milhões de sinos repicando — Daí eu disse: Oi Sammy, eu sou o Dean, seu irmão... Você ficou aí paradão me olhando e depois começou a dar risada e mexer os braços e se sacudir todo alegre. — Dean sacudiu os braços imitando o irmão — Foi aí que comecei a gostar de você... Gostar de verdade... Mais que de hambúrguer com coca-cola.

Dean suspirou frustrado.

— Você é tão pequeno Sammy... Tomara que cresça logo, pra gente poder fazer tudo junto e ser os melhores irmãos do mundo todo...

— Dean, seu levado você está aqui. – Mary falou entrando no quarto, se aproximando do berço e se abaixando ao lado do filho mais velho. Sorrindo feliz e aliviada ao perceber como seu pequeno raio de Sol adorava o irmão. – Agora mocinho, você vai tomar seu banho, vestir o pijama e antes de dormir nós vamos vir aqui dar boa noite ao Sammy. Ok?

— Ok mamãe. – Dean respondeu abraçando a mãe e saindo correndo para o banheiro. Feliz e inocente como toda criança deveria ser.

Lawrence – Kansas, 02 de novembro de 1983.