Pequenos Momentos Winchester e Cia
23 Medos privados em lugares públicos
Notas iniciais
Plagiando descaradamente uma cena do programa os Caras de Pau. Espero que a Globo não me processe!"
Medos privados em lugares públicos
\"Tem certeza de que agora estamos no lugar certo?\" Dean perguntou observando desanimado o prédio alto, feio e comum como todos os outros daquele quarteirão.
\"É aqui sim\" Sam respondeu lendo algo em um pedaço tosco de papel que amassou e enfiou no bolso da calça.
Dean, dando um muxoxo de desgosto, deslizou o Impala para o estacionamento subterrâneo, largou-o em uma vaga e caminhou se ajeitando no terno barato em direção ao elevador com Sam em seu encalço.
\"Se você aumentar mais esse bico, vai cutucar a bunda de alguém do outro lado do planeta\" O mais novo criticou em tom de deboche.
Dean não retrucou, nem deu atenção à gracinha sem graça do irmão.
\"Não sei por que fui dizer sim ao Bobby\" Dean falou \"Devíamos estar procurando os cavaleiros, conseguir seus anéis e mandar o Diabo para o buraco\"
Com a cara amarrada o mais velho parou junto à porta do elevador, apertando com raiva o botão e, se aproximando mais de Sam, passou a ajeitar sua gravata que estava torta.
\"Sinceramente Sammy, ainda não aprendeu a se arrumar. Parece que tem seis anos\"
Sam riu da atitude tão Dean do Dean.
Sem se importar em invadir seu espaço pessoal, o mais velho se aproximou e começou a ajeitar sua roupa como se realmente ele, um cara de quase dois metros, ainda fosse uma criança.
Estavam parados bem próximos quando a porta do elevador abriu e uma senhora de meia-idade saiu apressada depois de encará-los por alguns segundos.
Sam ainda podia ouvir a mulher murmurar um \"o mundo é mesmo muito pequeno\" e algo sobre \"desperdício\", enquanto se perguntava atônito onde já havia encontrado aquela dona antes.
\"Terra para Sammy\" Dean falou segurando a porta do elevador irritado
\"Para de secar a velhinha e entra aqui seu tarado\"
\"Eu não...\"
\"Sei garanhão\" O caçador mediu o irmão de cima abaixo depois de observar à senhora se afastando. \"Sempre achei você meio estranho, mas isso já é demais.\"
\"Babaca.\"
Rindo pela primeira vez desde que resolveram aceitar fazer aquele favor ao Bobby, Dean, depois de verificar com o irmão, apertou o botão do trigésimo sétimo andar.
\"Trouxe a faca?\"
\"Claro\" Sam respondeu afastando o paletó. \"Trouxe a arma?\"
\"Que pergunta idiota\"
\"Mas...\" Sam abriu os braços, suspirou e deixou para lá resignado.
O elevador, assim como a maioria dos elevadores, não possuía nada de especial. Estava vazio e tocava uma irritante musiquinha que chateava ainda mais o loiro.
\"Odeio isso\" Dean reclamou, observando com raiva o lento deslocar das luzes que marcavam os andares sobre a porta.
\"Cara, para de rabugice, Bobby pediu um pequeno favor, não custa nada...\"
\"Estava falando de elevadores seu idiota. Odeio eles.\" Dean cortou seco.
\"São o meio de transporte mais seguro que existe\" Sam respondeu no alto de sua sabedoria acadêmica.
\"Mesmo?... Uma caixa com quase duas toneladas, segura por alguns finos cabos de aço, subindo e descendo cheio de gente o dia inteiro, o tempo todo é seguro? Tem certeza?\"
\"Pensei que tivesse medo de aviões... Do escuro... De ratos... De...\"
\"Certo... Pode parar... Aviões caem você sabe... O escuro está repleto de monstros... E ratos... Bem, eles transmitem doenças, além de serem criaturinhas nojentas...\"
Dean estremeceu o que fez Sam rir se dobrando
\"Pode rir... Sou homem o bastante para assumir meus medos.\"
Ainda rindo Sam se virou, dando as costas para as portas, observando o rosto corado do irmão, pronto para dizer alguma nova gracinha, no mesmo instante em que paravam no primeiro andar e a portas se abriam para dar passagem a um grupo de sete pessoas vestidas de modo espalhafatoso e colorido.
Sam não entendeu o sorriso de orelha a orelha que foi tomando o rosto de Dean, até ser tarde demais.
Quando, percebendo-se cercado, virou tentando escapar, as portas fecharam prendendo-o em seu pior pesadelo.
Começou a respirar pesado, arfando e agarrando assustado o braço do irmão, mantendo os olhos bem fechados.
\"Seja homem Sammy, se contenha e vê se não urina nas calças\" Dean sussurrou recebendo um aperto ainda maior do outro.
Se uma só daquelas aberrações já fazia seu corpo todo se arrepiar e gelar até os ossos; seu coração acelerar como um tambor; e suas mãos e pernas tremerem, imagine o medo que sentia ao ver-se rodeado por sete delas?
Sam tentou manter a calma. Tentou agir como o homem adulto que era. Porém não era fácil. Seu medo irracional, ainda mais pego assim tão de surpresa, levou toda a sua coragem para a sola de seus pés, por que só assim para se manter em pé e não desabar, se enrolar e começar a chupar o dedo morto de medo como estava naquele instante.
Devagar abriu os olhos, analisou cada face pintada, horrorizado com as perucas azuis e laranjas, os narizes vermelhos, as roupas de bolinhas, listras, espantosas e tenebrosas...
\"Peraí!\" Pensou enfiando a mão no bolso do paletó, segurando com firmeza a faca \"Aquilo são garras?\"
Tentando se acalmar, imaginando que estava alucinando, Sam se aproximou ainda mais do irmão, colando no outro, com Dean, que mesmo rindo, tentou lhe dar apoio.
\"Calma Sam, faltam apenas vinte andares?\"
\"Eu não agüento nem um segundo mais meu irmão, quanto mais vinte andares\" Perdendo a pouca vergonha que mantinha seu resto de sanidade, se desesperou completamente e irracionalmente \"Dean pare esse troço que eu quero descer. Pare agora... Nesse instante... Já... Pelo amor de Deus!!!\"
\"Deixa de fricote moleque, são apenas palhaços!\"
Falavam aos sussurros, mas os maquiados ao redor, apesar de não ouvirem, percebiam que o grandão não estava nada bem.
\"Não são só palhaços seu retardado, são horríveis, são monstros...\"
Sem se importar em parecer idiota se jogou para frente e começou a apertar os botões do painel com desespero.
\"Não Sammy, assim nós vamos...\"
Dean ainda tentou, mas antes que pudesse alertar completamente o irmão o elevador deu um pequeno tranco, que o assustou muito, parando entre o décimo e o décimo primeiro andar.
Com o rosto ainda mais pálido Sam se recostou na parede observando com olhos do tamanho de pires todos aqueles seres do mal vindo em sua direção.
\"Ele não está nada bem\" Falou um com cabelo arrepiado, de roupa azul e verde, com pés enormes e um sorriso rasgado.
\"Seu amigo se esqueceu de tomar o remédio cara?\" Outro, com roupa de bolinhas vermelhas questionou Dean.
\"O idiota tinha que ter um ataque logo agora, eu mereço! Sam!??\" Dean reclamou sacudindo o irmão sem receber resposta.
\"Alguém tem um cigarro?\"
\"Não se pode fumar aqui Bill\" Falou um menor, que parecia mulher.
\"Vocês já escutaram aquela da ervilha que...\"
\"Essa não é a melhor hora Arnold\"
\"Vocês poderiam se afastar, por favor?\" Dean pediu se postando a frente do irmão catatônico com sua pior expressão na cara.
Foi o suficiente. Os palhaços se afastaram se amontoando juntos, sacudindo a cabeça, começando uma conversa aos sussurros.
Dean, vendo aquele grupo multicolorido, pensou, se arrepiando, que palhaços realmente eram coisas assustadoras.
\"Ok\" Raciocinou se aproximando do painel onde apertou dois botões. Depois de um longo minuto o elevador começou a subir novamente para alívio de todos.
Quando as portas se abriram no décimo quarto andar, Dean empurrou o irmão para fora e lá ficaram até que o mais novo voltasse ao seu estado normal.
\"Digamos que isso nunca aconteceu ok?\" O moreno falou refeito e totalmente sem graça andando em direção as escadas.
\"Como assim?\" O loiro gargalhava apertando o botão para chamar o segundo elevador. \"Vou te zoar por isso pelo resto de nossas vidas Sammy... E não vamos pela escada\"
\"Pensei que odiasse elevadores?\"
\"Acho que me curei desse mal. E devo isso a sua cara de pateta que juro, eu nunca vou esquecer. Só faltou você começar a chupar o dedo, como fazia quando era pequeno\"
O sinal soou e as portas se abriram. Dean, ainda rindo, apenas registrou que o elevador estava ali e entrou.
Esquecendo de segurar as portas observou seu irmão dar um passo para trás com os olhos brilhando de satisfação. E seu sorriso morreu.
Erguendo uma sobrancelha intrigado virou, dando de cara com cinco drag queens, que o encaravam de volta com olhares de aprovação.
Vermelho que nem um camarão percebeu, apavorado, as portas se fecharem rapidamente com Sam do lado de fora, rindo de se acabar de seu desespero, enquanto lhe acenava um tchauzinho.
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