Notas iniciais
Não é nada demais, apenas um texto para descontrair... Pelo menos me diverti escrevendo... Quanto à parte da música, eu particularmente a ouço toda a vez que estou na mesma situação do Dean... Loucura total e sem noção viu gente.

Instinto de caçador

“Que felicidade” Pensava Dean sentindo o sol no rosto, o cheiro do mar, a areia sob as palmas de suas mãos e pernas. Ao redor o som dos risos e conversas animadas das pessoas... Até o maldito tec-tec que o irmão fazia no notebook não atrapalhava seu bom humor.

Olhou para o lado e observou a concentração do outro em frente ao monitor. Ao contrário de Dean, que aproveitava o belo dia de verão, Sam, sob um imenso guarda-sol, continuava suas pesquisas, agarrado ao PC, vestido demais para o calor que fazia.

Dean, entretanto, vestia apenas um pequeno calção e exibia seu maravilhoso corpo sarado para o deleite das mulheres desacompanhadas e até das acompanhadas, que como abelhas atraídas por mel, começaram a se concentrar naquela parte da praia.

Os Winchester se tornaram praticamente uma ilha, rodeados como estavam de mulheres, das mais variadas espécies, por todos os lados.

Dean é claro já tinha catalogado todas, separando o joio do trigo, em uma triagem seletiva, do tipo que só um homem com seu alto grau de experiência poderia fazer.

E cara... Estava no céu...

Olhou para o Sam novamente.

Cara fechada, lábios comprimidos, sombracelhas unidas e irritadas, o mais novo era a imagem do estraga prazeres. Parecia uma criança emburrada.

- Estamos na Califórnia Sammy, larga esse maldito pedaço de metal e se diverte.

- Não enche.

- Ainda está de mau humor? Cara... Pensei que vir a praia ia melhorar esse sua irritante rabujice.

- Você queria vir, eu não.

- Se você desse uma olhada ao redor... – Disse Dean abaixando os óculos escuros, para observar duas gatas que passavam, praticamente lhe comendo com os olhos. – Notaria que vir aqui foi uma das minhas melhores idéias.

- Você não tem boas idéias Dean... Você só arranja maneiras de me envergonhar, chatear e sacanear.

- O que um dia na praia, rodeados de gatas, tem de vergonhoso ou sacana?

- ...

- Viu... Você não tem argumentos.

- Certo, curta a praia, paquere, se arranje para essa noite e me deixe em paz.

Sacudindo a cabeça Dean se ergueu de chofre, atirou os óculos escuros perto do irmão e caminhou em direção a água.

Quando a areia, que o outro sacudia das mãos e pernas, lhe atingiu, Sam resmungou olhando para o loiro que se afastava.

- Vai nadar? – Perguntou o emburrado

- Não, vou comprar um café... É claro que vou nadar seu idiota.

Sammy estreitou os olhos, mas se recusou a responder no mesmo tom.

- Tome cuidado então... Não vá para o fundo...

- Vou ficar no raso mamãe. – O mais velho falou se afastando.

- Sério Dean, toma cuidado, não estou brincando.

Erguendo a mão, Dean mostrou o dedo médio ao irmão mais novo rindo daquela preocupação tola e sem razão, já que era um ótimo nadador.

Quando seus pés tocaram a água, fechou os olhos aproveitando a sensação refrescante. Depois caminhou em direção as leves ondas. Quando a água atingiu sua cintura, mergulhou com graciosa masculinidade, nadando sob aquele véu cristalino com estilo e em um só fôlego foi emergir uns bons quinze metros adiante.

Boiou durante um tempo, deixando que o embalo da calma correnteza o guiasse, livrando sua mente de todo e qualquer problema.

A caçada ali na Califórnia já tinha chegado ao fim. O lobisomem que enfrentaram nem poderia ser encarado como um desafio a altura da fama dos dois.

O caso foi tão simples e sem problemas, que resolveu, e atormentou o mais novo até que ele aceitasse mesmo a contragosto, ficar mais dois dias e curtir o verão, em uma cidade onde as gatas e as praias não perdiam na comparação com SOS Malibu.

Paz enfim... O silêncio ao seu redor era intenso e relaxante... Sentiu falta por um momento da adrenalina que antecedia e norteava uma caçada e não existira naquele último caso. Suspirou sentindo falta de um verdadeiro desafio. De algo que lhe instigasse realmente como aquele ninho de vampiro em Dolores, ou os demônios no Oregon.

Alguns minutos depois, mexendo-se levemente para se manter à tona, passou a mão no rosto e nos cabelos se dando conta de que estava sozinho e longe da margem.

Na areia, as pessoas pareciam pequenos pontos escuros. E mesmo sabendo que Sam estava ali, em algum lugar, não tinha como identificá-lo.

De repente, sem quê, nem por que, se arrepiou e uma música começou a tocar em sua cabeça.

Tammm...

Dean olhou pra a esquerda estreitando os olhos...

Tanram-ram...

Dean olhou para a direita arregalando os olhos...

Tanram-rammmm...

Apreensivo, concluiu que, definitivamente, não estava mais sozinho...

- Sammy se você está me aprontando alguma... – Parou.

Tanram, Tanrammmmmmm....

Sentiu por fim alguma coisa roçar em sua perna...

- Sammy?

Tanram, tanram, tanram, tanram...

Olhou para baixo e viu uma sombra...

Tam, tam, tam, TAM, TAM, TAM, TAM, TAM, TAM...

Desesperado se jogou para frente e começou a nadar em direção à praia, como se mil demônios o perseguissem... Se recriminando pela anterior idéia de que sentia falta do perigo.

Foi quando pensou que Steven Spielberg era um desgraçado filho da puta, que algo agarrou seu pé o puxando para baixo.

- Mais que infer...

No susto tentou respirar e engoliu água. Sua única reação a partir de então foi começar a se debater, sacudir e, por fim, chutar em toda e qualquer direção, até que atingiu algo macio e áspero.

O que quer que fosse o soltou nesse mesmo instante... Com o desespero e amedrontado, percebeu apenas uma barbatana surgir e depois sumir se afastando.

Aproveitando a oportunidade, Dean começou a nadar novamente, o mais rápido que podia. Não ia ficar ali esperando o bastardo retornar.

Chegando à margem, ofegante, tremendo, com o corpo todo arrepiado, o coração acelerado, não só do esforço, mas de medo, um medo normal que lhe soava estranho, se jogou na areia por uns segundos.

Nunca em sua vida se sentiu tão sem controle, assustado, perdido e sozinho.

Nos minutos que passou se debatendo sob a água, só pensava que finalmente tinha encontrado seu fim e o derradeiro monstro que lhe derrubaria.

- Desgraçado! – Falou entre dentes.

Determinado se ergueu, passando praticamente correndo por Sam, que não lhe deu muita atenção, para retornar dez minutos depois com roupa de mergulho e um arpão.

Vendo o irmão todo paramentado e com um olhar decidido, estilo Dean Winchester em alto grau de combate, em modo GI-Joe, gritou irritado, não queria ficar ali nem mais um minuto.

- Dean o que deu em você? Ficou maluco? Já está ficando tarde, temos que ir.

Dean não parou... Dean não retrucou... Dean apenas continuou a caminhar pisando duro, parando à beira d’água perscrutando o mar, até que avistou uma sombra... E sorriu...

O medo estava ali, mas o desafio era maior.

- Está tudo bem Sammy, não demoro!... Vou só... Buscar o nosso jantar.

Notas finais
Sei que não foi uma das melhores, mas imaginar o Dean quando sendo devorado por um tubarão para logo depois ir "caçar" o maldito já rodava na minha cabeça háalgum tempo.

Alguém duvida que ele conseguiu pegar o bicho?... É eu também não.