Pequenos Momentos Winchester e Cia

5 Entre um sanduíche e outro


Notas iniciais
Este capítulo é uma história independente e não completamente finalizada. Dean, Sam, Castiel e Bobby em um pequeno momento de lazer.

— Sanduíche de frango com uma coca...

— Garçonete eu pedi sem maionese...

— Desculpe, desculpe...

— Você viu como ela estava vestida? Definitivamente, verde e amarelo não combinam...

— Pai, cresce! Eu já tenho treze anos...

As conversas paralelas, como música ambiente, não eram notadas pelos quatro ocupantes da mesa próxima a janela, no canto esquerdo da lanchonete, bem próxima a saída.

Apesar da temperatura alta, tanto lá fora como ali dentro, três deles usavam casacos por cima de camisas e camisetas. Dois eram jovens, o outro, um senhor de barba, estava em uma cadeira de rodas. O quarto, um moreno de olhos azuis curiosos, vestia um sobretudo sobre um terno levemente amarrotado.

A garçonete demorava mais que o normal com os pedidos e o loiro, fazendo um biquinho enraivecido, olhava ao redor novamente, um pouco mais relaxado do que quando entraram, só que mais impaciente.

Ao entrar ele tinha sondado o lugar, analisado as pessoas, as vias de escape, as gatas por metro quadrado, numa atitude tão normal quanto a vida que levavam.

Uma vida normal para os quatro, não para as pessoas comuns.

— Cara, será que foram matar a maldita vaca?

— Dean, não me faça passar vergonha. O lugar está lotado.

— Sammy, eu tô com fome. E me deixar com fome é crime passível de pena capital.

— Calma garotos, não briguem.

— Sim, pai. — Os irmãos responderam ao mesmo tempo para Bobby, com Sam rindo do gesto obsceno que Dean fez com o dedo.

Cinco segundos depois Dean fez menção de abrir a boca para reclamar novamente, foi quando a garçonete surgiu com os pedidos.

Salada para Sam, x-tudo para Dean e dois hambúrgueres, um para Bobby e o outro para o Cass.

— Graças a Deus! — O loiro exclamou se agarrando ao x-tudo como se não comesse há dias.

O anjo olhou sem entender para o prato à sua frente.

— Sabe que não preciso comer. — Cass falou estreitando os olhos para o pedaço de pão com o pedaço de bicho morto dentro. — Porque pediu isso para mim, Dean?

— Cass, amigão... Se você ficar sentado aí sem comer nada, enquanto nós devoramos essa gororoba gordurosa... Excluindo a lagarta Sam aqui... Vai dar muita bandeira. Então, coma um pouco, ok?

O anjo lenta e especulativamente tocou no hambúrguer.

— Isso já foi um ser vivo Dean, não posso...

— Só finja Cass. — Dean retrucou rindo do olhar assustado do anjo diante de um mísero pedaço de carne, quando o desgraçado conseguia lutar e vencer dois anjos ao mesmo tempo sem nem mesmo pestanejar.

O sorriso ainda persistia quando deu a primeira mordida no seu x-tudo. Estava feliz pelo momento descontraído ali com Bobby, Sam e Castiel. Era bom ver Bobby um pouco melhor. Apesar do sacrifício que tinha sido arrancá-lo do ferro velho. E todas as pragas e palavrões que ouviu no caminho até ali valeram a pena.

É... O dia estava quase perfeito. Dean pensou enquanto olhava pela janela.

Reformulando... O dia estava perfeito.

Olhando para fora parou com o sanduíche a poucos centímetros da boca. Uma BMW Z4 M prateada acabava de estacionar. E uma ruiva, vestido vermelho colado, cabelo Chanel, longas pernas, de parar o trânsito, literalmente, saía de seu interior no melhor estilo sei-que-sou-gostosa-mas-não-sou-para-seu-bico.

E... Puta que pariu! Dean pensou. Ela estava mesmo entrando naquela lanchonete fuleira?

Com exceção de Castiel, todos no recinto olharam para a mulher quando esta entrou.

Todos os homens, os caçadores, as garçonetes, os adolescentes, o cães, os gatos, os retratos nas paredes e as mulheres. Estas, em sua grande maioria, com olhares assassinos e invejosos.

— Pai, o senhor ouviu o que eu disse? — uma garotinha sardenta perguntava enquanto o pai balançava a cabeça alheio, não conseguindo tirar os olhos da dama de vermelho.

Dean continuou comendo seu x-tudo, um pouco mais comedido para não se sujar. Sam se empertigou todo para se sobressair um pouco mais, já que Dean estava sentado ao seu lado e, na maioria das vezes, o loiro é quem chamava atenção.

— Por que o batimento cardíaco de vocês pulou de setenta para cento e vinte nos últimos cinco segundos? — Castiel perguntou olhando para os companheiros.

— Cass, se estivermos vivos amanhã, me lembre de levar você em outra casa de família, e não sair de lá enquanto não resolvermos esse seu problema. — Dean respondeu dando um de seus olhares mais safados na direção da ruiva que se sentara à mesa, do outro lado da lanchonete, bem de frente para eles.

— Sammy?

— Que é Dean?

— Me belisca.

— Por quê?

— Eu acho que morri e fui para o céu.

— Hã, hã! – Sam respondeu sem tirar os lhos da visão.

— Meninos, não adianta secar a garota. Aquilo é carne de primeira. — Bobby falou antes de dar uma mordida no hambúrguer.

— Tá dizendo que ela não me daria bola? — Dean perguntou devolvendo o x-tudo ao prato.

— Ou a mim? — Sam perguntou.

— Sam, você está fora do páreo.

— Como assim Dean?

— Cara, aquilo não é garota. Só para o velho Bobby aqui. Aquela é uma mulher, na casa dos trinta, com certeza, madura demais para se interessar por garotinhos.

— Você acha? — Sam questionou zangado. — Pelo jeito dela, e o livro que abriu agora, ela deve preferir intelecto a músculos. Ou os dois juntos, como é o meu caso.

— Vá sonhando Sammy. — Dean respondeu empurrando o irmão contra o assento para olhar a mulher melhor.

A ruiva olhou para eles, diretamente, por alguns segundos e depois desviou o olhar para o livro, ruborizando.

— Viu isso? — Sam e Dean perguntaram juntos, dando um ao outro um olhar especulativo e cheio de esperanças.

— Ela olhou para mim. — Disseram juntos de novo, trocando olhares competitivos.

— Garoootos! — Bobby falou dando um gole na cerveja.

— Sammy, só tem um cara boa pinta nessa mesa. Então é óbvio que foi para mim que ela olhou. — Dean sorriu brejeiro em direção ao seu novo objeto de desejo.

— Deixa de ser convencido. Eu e o Cass somos até mais bonitos que você.

Dean deixou de observar a moça para dar uma encarada apalermada para Sam.

— Cara, de todas as coisas gays que você disse até hoje, sinceramente, essa foi a pior.

— Você entendeu a questão. — Sam retrucou olhando feio o irmão.

— Claro... O Sam aqui acha você um gato Cass.

Sammy deu um tapa na cabeça do irmão e começaram a trocar alguns tapas, de um jeito bem sem noção, como duas crianças grandes.

Castiel durante todo aquele tempo, apenas olhava de um para o outro sem entender metade daquela conversa.

Bobby só pensava que valera a pena sair um pouco com os meninos. Por pelo menos algumas horas, esqueceu a cadeira de rodas e todas as suas apreensões e sofrimentos.

A ruiva, alheia a disputa dos Winchester, fechou o livro com a chegada do seu pedido embrulhado para viagem.

Em câmera lenta, pelo menos para os marmanjos sonhadores, levantou-se e se dirigiu a saída.

Quando passou perto da mesa dos caçadores, seu perfume suave e sensual inebriou os sentidos de todos. Até Cass começou a encarar a jovem sob um novo aspecto.

Dean e Sam que podiam observar a dama de vermelho melhor, por que estavam de frente para a saída, notaram quando esta parou e, se virando devagar, retornou caminhando em direção a mesa deles, decidida, mas com o rosto realmente corado.

— Olá! — Ela falou com voz levemente rouca, os olhos de um tom azul tão límpido quanto um céu de verão sem nuvens. — Eu observei você desde que entrei e acredito tê-lo reconhecido. Robert Singer? Bem... Nem acredito que... Bem... Não costumo ser tão atirada... Mas quem sabe podemos nos encontrar para um café uma hora dessas? Esse é meu número. Seria um enorme prazer conversar com você.

E a mulher mais espetacular que eles tinham visto em séculos, estendeu um cartão onde estava impresso além de um número de celular, seu nome: Summer Rivers — Dillon e Rivers, Livros Raros Ltda., para um Bobby boquiaberto.

Assim que a mulher colocou os pés fora da lanchonete, Sam e Dean se levantaram.

— Pega o sal, as armas e a água benta. — Dean falou tirando o dinheiro da carteira e jogando na mesa, enquanto Sam guardava seu notebook.

— Meninos, aonde vão? — Bobby perguntou se recuperando do susto, olhando sonhador para o cartão.

— Atrás da tal Summer. — Sam respondeu.

— Por quê? — Perguntou Cass olhando de um para o outro, estreitando os olhos.

— Cass, você não viu como aquela mulher secou o Bobby e nos ignorou? — Dean respondeu com cara de que a resposta era mais do que óbvia. — Tá na cara que ela só pode ser um demônio ou algo do tipo. Por que, Cass, isso não foi natural. — Os Winchester terminaram falando juntos.

— Mas ela não é... — Castiel murmurou sem que lhe dessem ouvidos.

E Dean seguido por Sam saiu da lanchonete, deixando Bobby com um sorriso apalermado para trás, bem como um anjo atônito, que jurou desistir de tentar entender os humanos daquele dia em diante.