Pequenos Momentos Winchester e Cia
18 Diálogo insone sobre falsas aparências
Notas iniciais

— Sammy?
— Que é?
— Você está dormindo?
— Estou.
— Deixa de ser tapado.
— Deixa de ser chato e vai dormir você também, Dean.
— Estou sem sono.
— Zzzzz
— Sammy?
—Zzzzz
— Sammy!
— Dean, pelo amor de Deus! Hoje foi um dia de cão... Eu fui médico, policial, Impala, tive minhas bolas marteladas e as malditas ainda estão doendo... Além disso, descobrimos que o nosso malandro é um arcanjo e está louco para ver o circo pegar fogo... Cara, eu pre-ci-so dormir.
— Ele pode até ser seu, mas meu é que ele não é.
— Quem é meu e não é seu?
— O Gabriel.
— Dean, dizer que é nosso foi só jeito de falar.
— Pois vá mudando esse seu jeitinho.
— Eu não tenho jeitinho, Dean.
— Sammy, se toca, jeitinho é o que você mais tem.
— Certo! São duas da manhã, estou morto de sono e ainda tenho que te aturar questionando a minha masculinidade?
— Só estou dizendo que você tem jeitinho, não que você é.
— Isso é por causa da loira? Do que ela pensou para nos dar esse quarto? Você sabe que eu tentei conseguir outro, mas o hotel está lotado. E, além do mais, você deveria já estar acostumado com essas conclusões sobre a nossa “relação”.
— Eu nunca vou me acostumar com isso. E não temos nenhuma “relação”. Mas não é por isso. Eu me garanto. Só que você precisa parar de dar na pinta, ou se assumir logo, sou seu irmão e vou lhe dar apoio sempre.
— Eu não dou na pinta, não preciso assumir coisa alguma e não vejo nada demais em meu jeito. Sou só um cara que gosta de se cuidar. Não um troglodita que palita os dentes com a faca de caça e corta o cabelo como se fosse o Dolph Laudren em um filme barato de ação.
— Você queria que eu deixasse meu cabelo crescer como o seu para ficar jogando ele para trás a cada dez segundos?... Fala sério! E ainda tem esse seu jeito todo educado e certinho, essas saladas frescas que você sempre pede. Não é à toa que toda vez que chegamos a um maldito hotel as pessoas batem o olho em você e logo pensam: gay.
— Gays.
— Como?
— As pessoas pensam que somos gays... Eu e você. Não só eu.
— É o que estou dizendo, você me dá má fama.
— Você é um idiota, Dean. E não deveria ficar se preocupando com o que os outros pensam.
— Essa é uma boa filosofia de vida. Me diz, como não vou me preocupar com isso? Acha saudável que as pessoas pensem que eu estou comendo meu irmão?
— Se raciocinarmos logicamente, elas devem achar o contrário sobre essa coisa de quem come quem.
— Como assim?
— Eu sou mais alto.
— O quê?
— Sou mais forte.
— O que isso tem haver?
— É óbvio. Se sou mais alto e mais forte, entre dez pessoas que pensam coisas absurdas ao nosso respeito e tiram a conclusão de que somos mais que irmãos, ou que não somos irmãos porra nenhuma, oito, comparando nosso peso e altura, vão achar que o ativo da relação sou eu. Simples estatística baseada em livre associação visual.
— Por acaso eu tenho cara ou jeito de quem vai deixar alguém me comer?
— Prefiro não responder... Ai! O travesseiro acertou meu nariz, seu idiota... Se não aguenta ouvir a verdade do que se passa na mente das pessoas, por que começou essa discussão sobre falsas aparências e conclusões equivocadas, falando que tenho que mudar a merda do meu jeitinho?
— ...
— Dean?
— ...
— Dean?... Cara, eu estava brincando, não leva a sério.
— ...
—Dean, não fica zangado. Eu posso ser o passivo dessa relação.
— Sammy?
— Que é?
— Agora, com toda a certeza, essa foi a coisa mais gay que já escutei você dizer.
— Não enche, porra.
— Depois de ouvir uma besteira dessas, acho melhor irmos dormir.
— Certo... Aproveita e chega um pouco para lá, a cama é grande, mas você é um cara muito espaçoso.
— Sam?
— Fala.
— Eu te amo, mas se você tentar se aproveitar de mim enquanto durmo, eu te mato.
— Eu também te amo, Dean.
— Jerk!
— Bitch!
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