Pequenos Contos
1 A Dama D'água
Em 1943, todo o mundo estava sendo abalado pela grande guerra. Principalmente um vilarejo de origem inglesa, localizado no norte dos Estados Unidos, chamada de Yhorm. A vila se sustentava a partir da economia de exportação de peixes para serem usados na administração de soldados. Até que, em um dia uma movimentação suspeita aconteceu na água, ela se tornou mais gelada e centenas de peixes boiavam a margem da superfície, sem quaisquer rastros de violência nestes. Suspeitavam que era o El Niño agindo junto a um acúmulo de algas vermelhas, que explicavam o motivo do estado do mar. Após isso ser decidido como verdade, muitos pescadores largaram o caso e ficaram fartos com a quantidade imensa de peixes, tirando até mesmo folgas por alguns dias, visto que a quantidade de peixes era suficiente para meta de entrega, e para saciar grande parte das famílias do vilarejo. Mas poucos permaneceram, como George Drumond, um pescador que perdeu a esposa e filha em acidentes. A esposa morreu numa ida de barco junto a ele, ambos estava pescando, mas uma tempestade forte fez com que ela caísse no mar, e nunca mais fosse vista. E a filha, inteligente e versada em vários conhecimentos – apesar de não ter nenhuma universidade em Yhorm. – juntou um dinheiro e foi para Nova York, com a promessa de lucrar muito e retornar para enriquecer o local. Dias depois, foi dado a notícia que o navio no qual sua filha partiu, afundou e poucos sobreviventes foram encontrados, e sua filha não estava entre eles.
Dias após o acontecido, George caminhava na praia sozinho, de madrugada e com uma garrafa de uma cachaça barata em mãos. De vez em quando, surtos de loucura afetavam-no, – consequências de ter perdido as duas pessoas mais próximas de si. – e então, ele era consumido pelo alcoolismo. Adotou essa prática dês da morte da esposa, e permaneceu até os dias atuais; caminhando pela orla da praia, um corpanzil feito de água se ergueu e se modelou de forma fantástica, transformando-se numa linda mulher nua, com aspectos leves de seres aquáticos, como as fendas branquiais na região do pescoço e ventosas entre os falanges das mãos e dos pés. Mas isso não atrapalhava sua beleza: tinha estatura mediana, era ruiva e branca como um europeu de fato, com olhos tão azulados como o oceano. “Não fique com medo”, ela disse, George receoso se aproximava cada vez mais da moça, antes achava que era um efeito do alcoolismo, mas saciou metade de suas dúvidas ao toca-la, e ter certeza de que ela era real. “O-o que é você?” Ele questionava, confuso. “Eu sou a Dama do mar, a abundância em peixes foi provocada por mim.” Com uma voz doce, ela explicava o fantástico de maneira comum. “Então você matou minha mulher e filha! Seu monstro!” invés de ficar maravilhado, a primeira coisa que veio a sua cabeça, foi a morte de seus entes queridos. “Desculpe, mas eu preciso de minhas presas. Eu tenho... certos planos. Mas há gente me caçando, então eu preciso ser discreta. Sua filha e mulher foram afogadas no mar, eu posso me comunicar com elas, caso queira posso volta-las a vida. Mas terá de fazer favorzinhos. “Ela comentava, com risos e um tom erótico, em questão de segundos George aceitou; faria de tudo, para tê-las de volta. Um pacto foi feito, e uma marca de dois borrões negros foi agravada na mão do pescador, imediatamente.
O pacto consistia em George ter sua esposa e filha de volta, contanto que ele mandasse um papel com coordenadas em números japoneses, fornecido pela própria Dama d’água; assim ele o fez, e dias depois, ele promoveu uma festa na praia, comemorando o milagre que foi, deles terem encontrado tantos peixes justamente nesses momentos de crise, e então no horizonte era visto uma infantaria naval japonesas; todos ficaram curiosos, talvez fosse algum cruzeiro perdido, os aldeões pensaram, mas então, uma chuva de aço ocorreu na praia e os coitados voavam conforme o morteiro estilhaçava o festival. Todos eram massacrados, poucos remanescentes se ocultavam na areia ou corriam para o vilarejo, que também seria destruído pelos japoneses se não fosse por uma onda gigante, que misteriosamente forçou o naufrágio do navio. “Por que?! POR QUE!?” George exclamava, enquanto fitava o ambiente ao seu redor, corpos destroçados para todos os lados; uma desgraça total. Até que, viu o reflexo de sua filha e esposa na água, e consumido pela loucura, mergulhou imediatamente. Por fim, um navio foi afundado junto com as coordenadas do vilarejo, muitos corpos foram deixados na praia, mas que logo foram empurrados ao mar, pela maré alta, e os poucos sobreviventes se recusam a relembrar o que foi aquilo.
“Eu finalmente as reencontrei...” Exclamava George, enquanto se afogava, se tornando mais um para a legião de mortos vivos da Dama do Mar.
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