Pequeno pedaço de morte
1 Que comecem as tramas infernais
Notas iniciais
Era halloween, pelo que eu me lembro… é, devia ser mesmo, tinham muitas crianças correndo pelas ruas fantasiadas pedindo por ” doces ou travessuras”. Eu observava tudo por uma janela, eu estava em um bar, tentando parecer um zumbi com as minhas roupas rasgadas e o sangue falso, tudo totalmente improvisado… Nem era para eu sair de casa. Eu estava com três amigas que reclamavam sem parar de qualquer coisa que elas pensassem… O que eu to fazendo aqui, cara? As meninas estavam todas bem vestidas e totalmente maquiadas ( com suas roupas tendo pelo menos três dígitos no valor)
Nossas bebidas não demoraram para chegar e elas pararam de falar… Lá pela quinta ou sexta dose, eu já estava rindo a toa mas parei assim que vi os amigos de Abby chegando… Ótimo. Revirei os olhos sem perceber, eu estava bêbada o suficiente para não ligar pra eles… Ou não.
Ben:Oi Gatas — Como sempre foi o primeiro a se pronunciar, fazendo questão de abraçar bem forte cada uma de nós. Aposto os peitos comprados da Lenna que ele faz isso só para sentir o sutiã que usamos. Os outros não fizeram questão disso.. claro, poderiam perguntar pro Ben depois… bando de… Virgens? Não sei se isso é exatamente um insulto, mas se para eles é… então é isso que eles são. Anh? Definitivamente eu não estou no meu normal.
Sentei na mesa e observei o comportamento das minhas amigas… Eu não conhecia um dos caras que estava bem do meu lado, ou talvez conhecesse e a fantasia de… Zorro(? ) estivesse me confundindo. tentei olhar melhor para ele com a fraca iluminação do bar me atrapalhando. E eu não sei como, eu sabia que o nome dele era Roy... foi quase como alguém falando na minha cabeça. puts to muito louca
Roy:Senhor dos ladrões. — murmurou e não sei se foi pra mim… Deve ter sido, mas ainda assim eu não sei se conheço ele, não me lembro da sua voz… Humm, deve ser mais um amigo sem cérebro de Ben. Antes que eu me aprofundasse mais no assunto, chegou outra rodada de nossas bebidas.
Lenna:Que cara é essa Kate? -perguntou, ela não parecia tão entediada como eu. Até beber com eles é chato.
Mal posso esperar para chegar em casa e me jogar na cama.
Eu:Que horas são? — perguntei sem responder a sua pergunta.
Abby:AAAAAH KATE, KATHERINE, não vai começar né? — ela diminuiu o tom ao ver minha cara, então um enorme sorriso bêbado iluminou sua face.- ATENÇÃO- ela falou batendo uma colher em um copo de plástico, tentando soar formal
” puta merda” pensei e me encolhi um pouco, quase me escondendo atrás do menino estranho do meu lado, se isso fosse possível... hummm no nível que eu estou, considerei em tentar, mas fiquei quieta.
Abby:TIREM SEU RELÓGIOS JOVENS! — ela gritou, mas o bar já estava quase vazio então ninguém deu importância, só os idiotas da minha mesa. — POR QUE HOJE NÃO TEMOS HORA AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH — ela gritou e caiu ( acho que propositalmente) no colo de Ben que levantou os braços com seu copo e gritou apoiando Abby, todos na mesa imitaram o gesto menos eu.
Ben:Acho que alguém aqui precisa de mais alcóol — disse olhando pra mim enquanto eu evitava a chuva de saliva de July com outro cara, mano, arrumem um quarto! puta que o pariu hein.
Então Ben se levantou sem delicadezas com Abby que estava no seu colo e sentou do meu outro lado. Anh?
Ele sorriu como se não tivesse tomado uma atitude estranha.
Eu:Eu não acho. — tirei a mão dele que estava mexendo no meu cabelo. Tentei parecer simpática e não grossa como deveria, mas não deu muito certo.
Acho que viajei por algum tempo, senti alguém dar um tapinha na minha mão, vi que foi a Lenna.
Eu :Oi? — falei olhando pra ela e tirei a mão de Ben da minha coxa.
Ela sorriu para mim e apontou para Abby, que estava encarando Ben com uma cara não muito boa, empurrei ele pro lado na hora. Encarei a mesa por um minuto, quatro caras e quatro garotas, merda. ia sobrar alguém pra mim. Eu não quero ninguém, minha mente trabalhava para se livrar da situação quando Roy estralou os dedos na minha frente para chamar a minha atenção.
Eu:que é, caralho? — simpática como sempre. Não me leve a mal, aquele não era exatamente o lugar onde eu planejava estar hoje, ou em qualquer dia. ah, quem eu estou tentando enganar? minha boca é suja por natureza mesmo.
Ele não disse nada, só encarou meus olhos e um sussurro congelante atingiu meus ouvidos e foi até a minha coluna.
Teimosa pensei ter ouvido isso por uns segundos mas afastei a ideia com uma dose de algo desconhecido que me desceu como água, definitivamente era a hora de parar.
Eu:O que é? — perguntei novamente olhando para ele. Que cara sinistro, tive a impressão que ele sorriu de lado antes de falar.
Roy:interessante. — levantei uma sobrancelha em dúvida, mas ele continuou- Legal esse sangue. — eu só entendi a piada quando vi que Ben estava de vampiro e olhava sem ser discreto para o meu decote, subi um pouco a blusa mas ele não parou de olhar.
Abby , bêbada, olhava indignada para Ben… Eu sabia que ela gostava dele, e acho que qualquer um perceberia se notasse o olhar dela. Ela se levantou e correu pro banheiro, suspirei e fui entediada atrás dela.
Eu:Abby? — bati na porta.
Abby:Vai embora Kate. — resmungou e eu empurrei a porta, que cedeu fácil até demais, descobri o motivo quando encontrei ela desmaiada no chão, a maquiagem toda borrada e a roupa de demônio ( que levou quatro horas andando no shopping para encontrar) estava ganhando da minha fantasia de zumbi.
Eu: que deplorável, por um homem, Abby?
Abby:Kate — ela sussurrava inconsciente.
olha quem falanovamente aquela voz cortante.
Eu:Você disse Algo? — perguntei para o corpo da Abby que roncava tranquilamente. Ou eu bebi demais, ou tem alguém brincando comigo. Apostei na primeira opção. Carreguei a Abby ( tradução: arrastei) para fora do banheiro e já estava pensando no que ia fazer quando aquele garoto apareceu.
Roy:A loira não aguentou? — tive a impressão que ele deu um sorriso antes de pegar ela do chão.- Amei o novo estilo. — minha blusa estava mais rasgada ainda, aquele trapo não ia aguentar muito, mas eu estava com um top por baixo que garantia a minha sobrevivência hoje.
Roy:vou levar ela pra casa.
Eu:Não — respondi. Eu não conhecia aquele cara, não ia dar a minha melhor amiga ( por mais estranho que isso seja, ela é minha melhor amiga) assim pra ninguém.
Roy:Não sou um estuprador, e ela precisa dormir, se quiser pode ir comigo.
"quem garante que eu vou voltar?" pensei, Mas de fato, Roy era o único da mesa que não bebeu, e eu tenho o spray de pimenta que meu pai me deu.
Eu:Ok — falei relutante. — Eu vou.
Roy:Achave do carro está no meu bolso.
Eu:E daí?- sempre tão simpática...
Roy:E daí que eu to carregando tua amiga e não consigo pegar. — bom... isso é verdade, mas fiquei encarando ele nos olhos por alguns segundos antes de me mexer
Corando mais que um camaleão, eu coloquei minha mão devagar no seu bolso da frente, com ele observando todos os meus movimentos, tateei todo o percurso, mas não achei nada.
Roy:O traseiro.- agora ele não segurava o sorriso, e virou de costas pra mim. Olha o que eu não faço pela Abby, fiz o máximo para não encostar nele e peguei a chave.
Deixei ele ir na frente com ela e fui até a mesa para ( aleluia) me despedir.
Eu:Gente, eu vou com o Roy deixar a Abby em casa.
Mike:Quem é Roy?
Eu:O cara que tava aqui. — Ué, o nome dele não era Roy?
Lenna:Que cara?
Como assim? Eles estão bêbados?
Ben:Kate, não tinha nenhum cara aqui. -Ele segurou meu ombro e falou olhando para mim preocupado.
Puta merda, onde diabos está a Abby?
Sem dizer mais nada pra eles eu corri para o estacionamento atrás daquele cara ( nem sei se o nome dele é mesmo Roy) eu corri até o final do lugar até que senti a sua voz não tão longe.
Roy:Você demorou. — Muito devagar, e com medo do que eu ia ver, me virei e dei de cara com um Mustang preto lindo, e a Abby salva ( mas não sã) no banco de trás, perfeitamente hospedada e com o cinto de segurança.
Eu:Só pode ser brincadeira.
comecei a pensar sobre o que estava acontecendo, tudo foi rápido demais para a minha mente não sóbria o suficiente acompanhar. Então o " senhor dos ladrões"tirou a máscara
prendi a respiração involuntariamente.
Por que ele tinha que ter essa aparência?
Seu cabelo preto como o mustang balançou suavemente com o vento, revelando seus olhos negros perfeitamente posicionados acima das sardas que contrastavam com sua pele pálida. Seu nariz era reto e um pouco empinado e destacava seus lábios rosados e perfeitamente esculpídos. Santo Deus, balancei a cabeça para acordar e reagir.
Eu:o-ok — falei, talvez um pouco alto demais. Ele sorriu e abriu a porta para mim.
Roy:Depois de você.
Cara, assim não vai dar, nossa ele é um estranho... Kate ele é um estranho, eu repetia pra mim mesma, mas meus olhos insistiam em focar na beleza estonteante dele. Quando eu passei na frente dele para entrar no carro ( o que porra eu estou fazendo?) ele tirou o cabelo da minha cara ( era um dos efeitos de ser zumbi)
Roy:Os olhos são naturais? — ele perguntou antes de fechar a porta
Eu:Anh?- falei, mesmo ciente que ele não estava me ouvindo, então ele deu a volta no carro e sentou no lugar do motorista.
Roy:Não são lentes?- ele repetiu a pergunta de outra forma.
Eu:Não. — falei olhando para baixo um tanto constrangida.
Roy:e o cabelo? Natural também?
Eu:Sim. — respondi sem olhar para ele.
Roy:Combinação rara.- meu cabelo tinha uma coloração escura e acinzentada estranha,como se eu tivesse sugado a cor dele, meus olhos eram de cor azul, que acompanhava perfeitamente o tom sinistro que meu cabelo dava em mim, a maioria das pessoas pensava que eu pintava o cabelo, eu não respondia, por que ele já era estranho o suficiente para alguém que pintou,imagina se percebem que é perfeitamente natural...
Eu-A casa da Abby passou... — falei ao ver a rua dela sumir atrás de nós.
Roy:Eu sei. — ele falou como se isso não fosse nada demais. Que cara estranho.
Eu:Então por que não pegou o caminho certo? — para a minha felicidade, meu medo não apareceu nessas palavras... pelo menos meu ouvido bêbado não captou.
Roy:Por que eu não quis. — ele falou e tirou os olhos da estrada para me avaliar. — suas pernas são lindas.
O QUE? ele tá me sequestrando? pera, ele falou das minhas pernas? wtf?
Eu:Mas... — do nada eu não consegui mais falar, e terminei a frase com um suspiro pesado. Ele voltou os olhos para o caminho, e eu ainda não conseguia falar.
muito bem
o que?
Eu:o que? — consegui mover minha boca para falar
Roy:Eu não disse nada.
Eu:Você está me sequestrando? — fiz essa pergunta ridícula e ele parou o carro.
Fodeu. pensei mas então ele desceu e abriu a minha porta, quando eu pensei que ele fosse me puxar pelos cabelos e me jogar em um mato, descobri que estávamos na frente da casa da Abby.
Eu:Mas o que porra?
Roy:Tinha uma árvore bloqueando o caminho principal.- ele falou dando de ombros
Okay, ele não era um maníaco, e eu que sou a neurótica estranha.
O quarto da Abby era no lugar da garagem ( para ela poder chegar das festas sem acordar os pais) por isso não tivemos problemas em colocar ela para dentro, Ele a deitou em sua cama.
Roy:Você quer carona para casa?- ele perguntou mexendo em uma ponta do meu cabelo.
Eu:Não, obrigada... posso dormir aqui — falei sorrindo torto, ele era estranho, mas foi legal da parte dele me ajudar.
Roy:Ok, então....
ele ia dizer alguma coisa mas meu celular começou a tocar.
Eu:É o Ben. — falei pra mim mesma.
Roy:Kate, não atenda — ele segurou meus ombros, mas eu já tinha atendido.
Ben:Kate, onte você está? - a voz do Ben soou muito preocupada.
Eu:Na casa da Abby — falei sentindo os olhos de Roy nos meus.
Ben:Você está com o tal de Roy? — demorei um pouco para processar a pergunta, porra eu bebi, sem exageros comigo por favor. - Katherine, responda.
Diga que não
Eu:Não. — obedeci a voz sem ter tempo de entender o motivo.
Ben:Faça o que quiser, mas não saia daí, Kate. Não se encontre com aquele cara, cuidado por favor, eu estou chegando aí.
Alguma coisa prendeu a minha voz novamente, e eu não consegui falar. Roy fazia uma trança juntando todo o meu cabelo.
Ben:Katherine? — ele quase gritava.
Eu:Sim. — foi o que saiu da minha boca, então Roy muito calmamente pegou o celular da minha mão e colocou na escrivaninha da Abby.
Roy:Temos que sair daqui. — ele falou olhando para a cortina.
Eu:Mas o Ben disse que..
Roy:Kate. — ele me interrompeu colocando uma mão na minha cintura e a outra na minha trança, puxando ela pra baixo, para que eu olhasse para cima e o encarasse nos olhos, ele se aproximou do meu ouvido. — Vem comigo? — ele sussurrou descendo os lábios para a minha garganta exposta, fiquei quieta por alguns segundos, então me dei conta que ele estava beijando o meu pescoço e mu apertando mais.
Eu:Eu não te conheço, falei empurrando ele delicadamente. Ele revirou os olhos e me puxou pelas pernas, de modo que ele pudesse me carregar com as minhas coxas em seu ombro.
Eu:ME SOLTA! — eu gritei tentando chamar atenção de alguém e comecei a bater nele com as minhas mãos livres, quando ele já estava chegando perto do carro tentei alcançar o spray de pimenta, mas ele pegou e jogou longe.
Ele me colocou no carro e não deu brecha para a minha fuga e então começou a acelerar sem dar ouvidos aos meus gritos.
Olhei para trás bem em tempo e ver a casa da Abby explodir não tão longe de nós. Parei de lutar, meus olhos lutavam para não ver o que eles estavam vendo, e então me dei conta da fumaça negra subindo pelo céu de aurora.
durmaOrdenou a voz, e eu já sem forças e mesmo sem querer... Obedeci.
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