Notas iniciais
Ok, eu sei que disse que postaria só na próxima quinta, mas não resisti hahahaha. Esse capítulo é um bônus de começo da fanfiction! (Os próximos serão semanais, mesmo!)

Era noite clara e Neji a abraçava, era tal como Tenten se lembrava. Haviam se acostumado a permanecer assim: juntos naquela cabana afastada do centro de Konoha dia após dia, longe de tudo e de todos. Onde nem o Byakugan do chefe da família Hyuuga poderia os alcançar.

"A lua está linda, hoje.", disse Tenten, nostálgica.

Conseguia sentir os olhos dele em si mesma, o olhar enigmático que sempre tentara decifrar, sem sucesso. Ele não olhava a lua. Olhava para o reflexo dela no castanho de Tenten. Ela devolveu o olhar, remexendo-se sobre os lençóis. A cama que era encostada na janela agora estava banhada pelo luar, que se refletia na sua pele clara e parecia reluzir na pele ainda mais clara que ele possuía.

Assustou-se ao perceber que o olhar dele a fitava determinado.

"Tenten, eu quero me casar com você."

Em um ritmo descompassado, o coração dela pareceu parar por alguns instantes antes de finalmente voltar a bater acelerado.

"Eu vou falar com Hiashi-sama. Pouco me importam as imposições matrimoniais da família neste momento. O meu coração é seu e não há nada que possa mudar isso."

Ele parou, respirando fundo. Tudo fora dito sem rodeios nem cerimônias. Eles se conheciam bem demais para tanto. Ela não conseguia reagir.

"Você me aceita, Tenten?"

Não conseguia piscar, não conseguia se mover. Ao ouvir aquelas palavras, Tenten temia que qualquer movimento seu a fizesse acordar daquilo que sonhava ouvir desde que seu coração fora definitivamente roubado. Alguns instantes se passaram sem que nada fosse dito e nenhum músculo se movesse. Foi então que o franzir das sobrancelhas escuras sob a marca do selo verde na testa dele a retirou daquele transe.

"Sim. ", ela disse, quando o rosto dele se moveu para falar algo. "Meu Deus, sim! Sim! Sim! Sim!", e envolveu os braços no pescoço dele, sentindo a visão embaçar ao olhar para o rosto que tanto amava, as lágrimas escorrendo tímida e alegremente pelas faces.

E os cabelos compridos e negros roçaram em seu rosto e em seu ombro quando ele a puxou para si, o castanho de seu cabelo agora solto se fundindo na noite dos dele.

Foi nesse dia que, pela primeira vez, ela viu uma expressão que não conhecia naqueles olhos cor de pérola. Eles pareciam querer tragá-la, a felicidade profunda, como a alta e forte maré fazia ao puxar a vaga de volta. E ela sabia. Sabia que seus próprios olhos eram um espelho para aquele sentimento profundo. Sentiu o hálito dele roçar em seu rosto, a respiração se igualando à medida em que a distância entre eles diminuía. Então lembrou-se, mais uma vez, de quando seus lábios se selaram pela primeira vez, alguns anos antes.

E permitiu-se ser tragada pelo amor do homem que amava, mas, dessa vez, com a promessa de que a maré nunca a traria de volta à praia.

~*~

"Lee, eu estou grávida."

Estático, Lee ainda não tinha respondido ao que ela havia dito. Não havia sequer reagido. Seus olhos ainda encaravam, incrédulos, o rosto vermelho e inchado de sua melhor amiga, que agora, aparentemente, esperava o herdeiro de seu melhor amigo. E seu melhor amigo já não estava mais lá para ver os olhos da criança se abrirem.

"Quem mais sabe disso?", perguntou, Lee, fitando o ventre da amiga, que agora usava roupas um pouco mais folgadas na região. Como ele não havia notado aquela mudança?

"Só eu e você, por enquanto. E... bem... Ele", ela disse, a voz tremendo ao tentar, sem sucesso, mencionar o nome de Neji. Baixou os olhos, também, para o próprio ventre, a mão repousada com leveza e carinho sobre o mesmo.

E, nessa hora, Lee já não sabia exatamente o que dizer. Deveria parabenizá-la? Como ela conseguiria, sozinha, criar uma criança e cumprir suas funções de kunoichi? Ou, pior, como ela, sozinha, encararia todo o Clã Hyuuga?

"Neji não me perdoaria se eu te abandonasse agora, Tenten."

Ela ergueu os olhos para Lee, e conseguia ver um brilho diferente ali. Não era mais o "fogo da juventude" que brilhava em seu olhar, mas sim a resplandescência da maturidade. Ele estava determinado.

"Irei te ajudar a manter essa gravidez e a criar essa criança, se for necessário. Enfrentarei os Hyuuga com você."

Tenten não sabia o que dizer. Encarava de volta o seu melhor amigo, as lágrimas já haviam secado.

Mas a dor... A dor era imensa. Sentia gratidão por aquelas palavras. Mas queria que elas jamais tivessem sido necessárias da parte de Lee.

Queria que Neji as tivesse dito.

~*~

Hiashi bateu o punho na mesa quando o ancião saiu do cômodo.

Como se não bastasse batalhar contra o luto pelo qual o Clã estava passando, agora havia mais esse agravante. Um casamento secreto, um bebê a caminho. E o pai da criança poderia nem ao menos ter sabido da existência dela antes de partir.

"Merda, Hizashi!", praguejou baixinho. "Por que você nasceu depois?".

A culpa corroía seus sentimentos. A culpa pela morte do irmão, a culpa pela morte do sobrinho.

Carregava em suas costas o peso das vidas que já haviam partido.

Esse bebê, pensou, esse bebê é a última herança que Neji deixou nesta vida.

Sentia-se responsável pela rigidez com a qual tratara da discussão sobre casamentos arranjados. Neji nunca manifestara o seu relacionamento com a kunoichi de seu time... Pelo menos, era o que ele pensava. Então Hiashi apontara com quem ele se casaria, dentro do próprio Clã. O seu poder poderia ser ampliado, o seu gênio, expandido, se tivesse uma criança dentro dos Hyuuga. Mas isso nunca aconteceria. Porque a criança era filha de uma kunoichi de Clã desconhecido.

Ouviu uma batida delicada na porta, à qual se seguiu o arrastar da porta.

"Otou-sama, posso entrar?"

Hiashi voltou-se para a porta e viu sua filha mais velha parada com uma bandeja de chá. Acenou com a cabeça afirmativamente.

Em silêncio, Hinata colocou a bandeja na mesa e ajoelhou-se no tatami, servindo o chá verde para seu pai. Hiashi permanecia sentado, os dedos entrelaçados à frente dos olhos que fitavam a parede à sua frente.

"Sumiko-san me disse que Neji-nii-san foi um verdadeiro Hyuuga até o fim."

Hiashi voltou-se para ela, as rugas de expressão se acentuando no seu olhar interrogativo.

"Ele abriu mão da própria vida, não é mesmo, Otou-sama?", disse Hinata. "Abriu mão da própria vida para me proteger. Às vezes me pergunto o que ele poderia ter alcançado se eu não estivesse no caminho."

Hiashi bebericou o chá fumegante na xícara. Estava muito forte. Hinata havia errado na quantidade de ervas em infusão. Então era ela quem estava ouvindo àquela hora.

"Sinto que tenho uma dívida com ele, Otou-sama.", continuou. "Eu tirei dele o futuro como shinobi, a velhice que ele teria, os alunos que ensinaria, a família que ele queria tanto construir."

Os dedos dele apertaram de leve a porcelana da xícara.

"Devemos muita gratidão a ele. Não podemos abandonar nada do que ele nos deixou. Isso nos dará meios para agradecer da forma correta.", disse Hiashi, após uma pausa.

Hinata deu um leve sorriso triste.

"Sim, Otou-sama. Obrigada."

E retirou-se do ambiente, levando consigo a bandeja e as dúvidas que Hiashi tinha de que aquela criança deveria ser criada por ele próprio.

Notas finais
Agora, sim, até a semana que vem, pessoal!