Notas iniciais
A autora pródiga finalmente retorna à narrativa! Não vou me estender muito aqui, no finalzinho falo mais! Boa leitura!

“Você é um IDIOTA, Hyuuga Neji!”, bradava Tenten, em sua lembrança.

Ele olhou para ela, os olhos frios fitando-a, em chamas. O rosto dele se retorcia em uma carranca, mas o orgulho não o permitia falar nada.

“Como ousa me tratar assim? Eu não sou uma propriedade sua!”, ela cuspiu, entredentes.

Já era a segunda vez em algumas semanas que acontecia de Neji ter um acesso de ciúmes sem nenhum motivo. Em ambas as vezes, Tenten estava apenas conversando com algum civil, ajudando-o, e ele aparecia carrancudo, falando rispidamente que tinha algo que eles precisavam fazer em outro lugar. E ela, bem, não era de seu feitio se submeter a esse tipo de coisa, ainda mais quando eles não tinham nenhuma espécie de compromisso.

Ele crispou os lábios para outro impropério que ela lhe lançou.

“Achei que você tivesse dito que não queria nada com eles.”

“E eu não queria, Neji! Você sabe disso. Mas somos ninjas, temos que ajudar as pessoas.”

Ela suspirou.

Já fazia anos que aquele caso entre os dois se arrastava. No começo, era tudo construção das circunstâncias, uma amizade colorida que nenhum dos dois fazia questão de elevar a nenhum patamar. Eles se respeitavam e confiavam um no outro como parceiros. Nada parecia mais natural do que aquela parceiria diferenciada entre duas pessoas que dedicavam a vida a serem ninjas lendários.

Mas aquela simples cooperação de repente estava se tornando uma simbiose.

Ela virou as costas para ele, fitando a janela. Estavam na sala da casa que ele ocupava no Clã Hyuuga. Da janela, ela conseguia ver as outras casas da Bouke, alinhando-se atrás das da Souke. Ainda lhe doía pensar nas ramificações do Clã dele, ver aquela separação tão clara entre um e outro. Mas afastou esses pensamentos de sua cabeça. Ele ainda estava em silêncio.

“Estamos ficando confusos, Neji.”, ela disse.

Ela sentiu seus olhos quase perfurarem suas costas, mas sabia que ele não diria nada nem esboçaria nenhuma reação.

“Talvez seja melhor… Talvez seja melhor pararmos por aqui.”, ela disse, voltando o olhar para ele.

O olhar que encontrou estava duro e impenetrável. O rosto impassível de Neji não combinava com aqueles olhos que teimavam em vazar contrariedade pela íris ao se encontrar com o castanho dos de Tenten.

Ao ver que ele não fazia menção de se mover, Tenten foi até a porta. Estava cansada daquilo.

“É isso mesmo que você quer?”, Neji perguntou, impassível, quando ela passou sem olhar para ele.

Ela estacou no lugar, a mão ainda no ar antes de abrir a porta. “É.”, respondeu, sem olhá-lo.

“Tenten,”, ele disse, puxando suavemente o braço dela de modo que pudesse ver seu rosto. “é realmente isso que você quer?”.

E olhou-a nos olhos demoradamente.

Ela parecia querer confrontá-lo, mas não respondeu. Conseguia ver a dor transbordar pelas íris orgulhosas, e sabia que aquele era um reflexo do seu próprio olhar.

Não se corta uma simbiose sem causar dor em ambas as partes. E nenhuma das partes consegue, depois, manter-se viva após a separação. É assim que a natureza é.

“Se é realmente tão necessário que eu peça para que você enxergue…”, ele começou, sem tirar os olhos dos dela, “então fique comigo, Tenten. Apenas comigo.”.

Ela ficou chocada por alguns segundos antes de reagir. Logo em seguida, seu olhar faiscou.

“Não vá achando que eu aceitar esse tipo de coisa vai te tornar dono de mim, certo?”, disse, fazendo menção de soltar o braço. “Eu ainda sou uma mulher independente e não aceito essas demonstrações estúpidas de ciúmes. Prefiro que confie em mim."

Ele finalmente cortou a linha do olhar, bufando. Um sorriso de canto parecia espreitar em seu maxilar.

“Você não tem jeito.”

E a mão que antes repousava no cotovelo dela era a mesma que, agora, estava entrelaçada a seus dedos, alguns segundos antes de puxar para uma reconciliação a — agora — namorada.

~*~

Tenten estava sentada no tatami de sua pequena sala, os outros três Hyuugas em volta da mesa. Lee havia acordado assustado ao ouvir a voz de Hiashi, o tom que lembrava o de Neji, e, após a persuasão dela, havia concordado em esperar do lado de fora do cômodo para que pudessem conversar em particular.

Mas ver aqueles olhos a fitarem apenas fazia os calafrios subirem por sua coluna.

"Tenten-san, chegou ao meu conhecimento que foi retirada de seu posto ninja.", disse Hiashi.

Seus lábios se crisparam, mas ela apenas assentiu.

"Verifiquei, também, que a sua saúde poderá ser afetada e que o repouso máximo é a única forma de manter a estabilidade dessa gravidez..."

"Aonde o senhor deseja chegar com isso?", interrompeu Tenten, bruscamente.

Ele a fitou, levemente surpreso.

"Desejo apenas manifestar a minha preocupação pelo meu sobrinho-neto... E pela mãe dele.", disse Hiashi, após uma pausa.

Tenten arfou. Aquilo significava que ele… ?

“Tenten-san.”, ele interrompeu o fio de pensamento dela. "Cheguei à conclusão de que essa criança não pode ficar sem os dois pais."

Ela não sabia se estava feliz ou triste. Sua garganta secou ao lembrar de Neji, mas seu coração palpitou ao lembrar do seu filho. Seu bebê.

"Mas", disse Hiashi, antes que ela pudesse falar qualquer coisa. "precisarei da sua colaboração. Essa criança será uma Hyuuga, Tenten-san."

Ela assentiu, tentando entender aonde ele queria chegar.

"É do meu desejo assumir a senhorita, ou melhor, senhora como a viúva do meu sobrinho e essa criança como seu legítimo herdeiro."

Ele pausou. A voz continuava imperturbável.

"Deseja que eu assuma meu lugar e o de meu filho como membros da Bouke, Hiashi-sama?", ela perguntou.

"Sim. Desejo que se mude para o Clã e que o anúncio público seja feito."

"E meu filho receberá o selo.", disse ela, gélida.

Ele estacou, por alguns instantes.

"Sim", respondeu, por fim.

"Eu preciso pensar.", ela respondeu. Seu olhar mostrava a dor que sentia. "É do meu desejo que a paternidade do meu filho, bem como o meu matrimônio, sejam reconhecidos, é um direito nosso. Mas", ela olhou nos olhos dele. "Preciso pensar se inseri-lo nessa situação vale tanto a pena assim."

Ele olhou no fundo dos olhos dela.

"Ele é, e sempre será um Hyuuga, senhorita. Isso se tornará claro quando nascer. E, especialmente, se manifestar a kekkei genkai, não haverá outra opção."

"Só...", ela disse, suspirando, "preciso pensar.".

Ele e os outros dois se ergueram, solenemente, ela os acompanhando até a porta.

"Apenas pense, Tenten-san. Isso não poderá ser escondido por muito tempo. A menos que queira sugerir o jovem Rock Lee como o pai de uma criança possuidora do Byakugan,", ele esboçou um sorriso sarcástico, "verá que não temos muita opção a não ser entrar em acordo. E pensar, principalmente, na memória de Neji."

E então saíram da casa, deixando-a sozinha com seus próprios pensamentos.

~*~

“Ela aceitou o emprego, Tsunade-sama.”, disse o senhor idoso à frente da Godaime.

Tsunade suspirou.

“Obrigada, Ryuuji-san. Creio que ela lhe será de grande ajuda na loja.”

“Com certeza, Tsunade-sama. Não foi nenhum favor ouvir seu pedido, os conhecimentos dela são brilhantes.”

A Godaime baixou um pouco a vista, aliviada.

“Fico feliz em saber que também pude lhe ajudar, Ryuuji-san. Creio que o Naruto também foi de grande ajuda nesse quesito.”

“Sem dúvida o timing foi perfeito.”, ele riu. “Então, necessita de mais alguma ajuda da minha parte, Hokage-sama?”.

“Obrigada, Ryuuji-san, mas agora não nos compete mais interferir.”

“Então, se me permite, com sua licença.”

E, com uma reverência, o senhor se retirou da sala da Godaime.

Tsunade olhou para sua janela, observando a via principal de Konoha. Zelar por todos os membros da vila era seu desejo mais profundo. Mas havia coisas nas quais ela não podia interferir.

“Não teria sido mais fácil falar de antemão sobre o emprego para Tenten-san, Tsunade-sama?”, perguntou Shizune, ao entrar na sala.

“Não, Shizune, você sabe como ela é. Não aceitaria as coisas assim, como um favor. É melhor que ainda mantenha algum orgulho, agora que eu lhe tirei o hitaiate.”

Shizune deu um leve sorriso ao olhar para Tsunade.

“Ela me lembra um pouco você, em alguns aspectos, Tsunade-sama.”

“Eu sei. E é por isso que eu sabia que ela não aceitaria as coisas de mão beijada.”

Tsunade bebeu mais um gole de sakê, voltando-se para os papéis em sua mesa com o cenho franzido.

“Mas e agora?”, perguntou Shizune.

“Agora é com ela.”, respondeu a Godaime, o olhar voltando-se, tempestuoso, para a janela de sua sala. “Agora ela precisa tomar decisões que não cabem a mim opinar. Nem como Hokage, nem como pessoa.”

E virou-se novamente para seus papéis, entornando o restante do sakê e entregando a garrafa para Shizune.

Notas finais
Primeiramente, peço mil desculpas pelo desaparecimento! Esse capítulo já estava escrito há mais de um ano e, por diversos motivos, acabei não conseguindo mais logar no Nyah e postar mais nada. Em nenhum momento, no entanto, pensei em abandonar essa fanfic (já tenho toda a história idealizada, só falta escrever mais alguns capítulos) até porque, pelo que eu tenho em mente, já mais da metade dela se foi (e a minha querida amiga Stela nunca me perdoaria se eu abandonasse haha). Não posso prometer postagem semanal, mas pelo menos uma vez ao mês os próximos capítulos irão vir! Estou com alguns projetos de fanfics em Universo Alternativo, alguns dos quais quero publicar na minha conta no Fanfiction.net, bem como a tradução para o inglês de Pequeno Parafuso. Manterei todos vocês atualizados! E obrigada pela leitura!