Pequeno Aisu...
2 Parte 2 - Nore, Sví, Demaak
" Pronto...", o norueguês disse após enfaixar o joelho do albino e lançar-lhe um breve olhar. O garoto também observava-o, e ambos ficaram assim por um minuto, até que o mais novo foi atraído pela presilha que prendia o cabelo do outro. Esta brilhava com a luz solar que a atingia cada vez que o norueguês mexia a cabeça.
Ele então estendeu ambos os braços na direção do objeto, tentando pegá-lo. Percebendo o desejo da criança, Noruega apontou para o pequeno metal em seus cabelos apenas para confirmar:
" Você quer...?"
O menor meneou levemente a cabeça de um modo positivo, sem abaixar os braços, recebendo o metal nas mãos. O norueguês ficou apenas a observá-lo “desvendar” o objeto passando-o de uma mão para a outra enquanto segurava o cacho de cabelo que insistia em cair sobre sua testa. Depois de descobrir todos os segredos da presilha cuja forma era uma cruz com um dos lados mais comprido que os outros, a criança devolveu-a obedientemente ao dono, que recolocou-a em seu lugar.
“ Nore... Noway.”
Ele ouviu enquanto ajustava o objeto em seu cabelo. O pequeno de olhar inocente apontou o dedo para o metal e, mais uma vez, disse:
“ Noway...”
Apesar de Noruega apenas levantar uma sobrancelha com o que ouvira, estava bastante surpreso por dentro. Como o garoto sabia seu nome? Tirara tal conclusão apenas pela presilha?
Quando percebeu, o menor já havia abaixado a mão novamente e ria da expressão confusa do norueguês. Este pegou-o no colo e levou para fora do quarto.
“ Quero que conheça alguns amigos meus...”
- X —
No grupo de nórdicos, não havia nenhum que não olhasse para a criança nos braços de Noruega. Apenas este último olhava para cada um dos países, identificando suas expressões. O menor pousava olhares curiosos hora no norueguês, hora em outro integrante do grupo; especialmente em Suécia, impressionado com sua altura.
“ O qu’ ‘stá f’zendo c’m o p’queno nos braços? Qu’m é ele?”, o sueco perguntou por todos.
“ Eu o achei...”
“ Onde?!”, disseram todos ao mesmo tempo, com a mesma expressão surpresa.
“ Na Nova Terra...”, respondeu o outro encolhendo os ombros em seguida, mostrando que não saberia contar mais a respeito.
Finlândia aproximou-se e começou a acariciar os cabelos prateados da criança, que lançava-lhe um olhar profundo nos olhos.
“ Ele é quieto como você! Eu sempre quis alguém que eu pudesse tratar como um irmão mais novo!”, disse o finlandês, entusiasmando-se.
A concentração do garoto já estava voltada para outra coisa. Olhava novamente para Berwald, que pousava o olhar em Tino. Percebendo que não atrairía sua atenção tão fácilmente, estendeu as mãos na direção do sueco ao mesmo tempo em que o chamava:
“ Sví... Sweden.”
Todos os olhares voltaram-se para ele novamente. A criança, sem se importar, continuava a pedir o colo do mais alto.
Suécia pegou-o nos braços e o albino, vendo-se acima dos outros, riu consigo mesmo.
“ Ele havia me chamado pelo nome também...”, Noruega comentou, franzindo o cenho de modo quase imperceptível e lançando seu olhar vazio para o nada, mas logo voltando a olhar os outros como que desistindo de achar o sentido naquilo.
Berwald já nãoescutava mais o que o resto dizia, ocupado brincando com o garoto que soltava gargalhadas altas cada vez que o sueco fazia cócegas com o indicador em sua barriga.
Dinamarca apenas assistia com um olhar invejoso. Observando, tanto Tino quando Noruega sabiam que ele logo cometeria alguma besteira tentando conquistar a atenção do pequeno. A previsão se concretizou logo depois.
“ Você já ficou bastante com ele!”, o dinamarquês exclamou, esticando os braços um de cada lado do albino para tirá-lo do colo de Suécia, “ Venha com o tio Den!”
Mas isso apenas fez com que o outro se agarrasse ainda mais nas roupas de Berwald, virando a cabeça de um modo desaprovador.
“ Pare!”, Finlândia puxou um dos braços de Dinamarca, afastando-o do garoto, “ Está assustando ele!”
“ ‘stá t’rde p’ra ele f’car ac’rdado, uhn?”, comentou o sueco observando a criança esforçando-se para manter os olhos abertos.
Noruega recebeu o garoto de Berwald e apertou-o suavemente contra o peito.
“ Eu só queria apresentá-los a ele, de qualquer forma...”, disse lançando um olhar de desaprovação a Dinamarca, que fingiu não perceber. Então virou-se e afastou-se dos outros nórdicos.
“ Demaak...”, disse o albino, olhando Dinamarca por cima dos ombros deste.
Isso bastou para iluminar o coração do dinamarquês e deixá-lo insuportável pelo resto da noite.
— X —
O garoto não dormira durante o trajeto pasa casa, mas também não falara nada. Noruega percebia cada vez mais o quão parecidos eles eram e o quão próximo o pequeno era com a Nova Terra. Juntando isso tudo, o norueguês não tinha escolhas senão acreditar que o que tinha nos braços era a própria Nova Terra...
Colocou a criança em sua cama. Até arranjar uma própria para ele, dormiria no sofá. Mal acabara de se virar quando ouviu o garoto chamar-lhe:
“ Noway...”, noruega observava-o tentando compreendê-lo enquanto o menor esticava as mãos e repetia:
“ Noway...”
“ Você quer que eu durma com você?”, tentou adivinhar. A ideia não era má, vendo que provávelmente teria problemas na coluna se passasse as noites no sofá.
O outro confirmou com um leve movimento de cabeça e o norueguês deitou-se ao lado deste, cruzando olhares com a Nova Terra por um momento. Quase em seguida, sentiu os dedos do menor tocarem seu nariz como se quisessem mapeá-lo, começando pela ponte e descendo até a ponta.
“ É meu nariz...”, informou-lhe Noruega.
A Nova Terra voltou a olhar-lhe nos olhos. O maior aproximou-se e roçou o seu nariz no dele, provocando uma pequena risada no menor, que logo fechou os olhos. Riu consigo mesmo nos silenciosos minutos que se seguiram, enquanto cantava Gamle Voner em um tom quase inaudível.
Notas finais
N/F(2):
Nore: Abreviação de Noruega em islandês (Noregur)
Noway: Seria na verdade Norway (Noruega)
Sví: Abreviação de Suécia em islandês (Svíþjóð)
Demaak: Seria na verdade Denmark (Dinamarca)
N/F(3): Gamle Voner é uma canção popular norueguesa, existe até uma fandub com o Noruega.
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