Pequeno
1 único
Gabriel não se lembrava de como tudo aconteceu, mas foi sob o luar que ele soube que o amava. No entanto, já enxergava Eduardo com outros olhos antes mesmo disso. Gabriel o admirava, via nele um tipo de pessoa que gostaria ser, uma livre e que falava a língua mágica.
Era assustador como Eduardo conseguia compreendê-lo dizendo certas palavras, a ponto de fazê-lo se sentir um pouco inteligente e inexperiente. Com o passar do tempo ao lado dele, Gabriel pensava que Eduardo era grande o suficiente para ser o que almejava ser.
Grande, livre, sábio e quente. Quente como o verão.
Gabriel quis ser um também.
Portanto, as comparações não paravam. Quando achava que Eduardo não podia mais lhe surpreender, ele ia e fazia de novo, despertava aquela sensação de admiração e impotência por ser exatamente o que ele era, por simplesmente existir.
E Gabriel ficava mais nervoso quando se lembrava que era um ano mais velho, como podia ter uma mentalidade tão avançada ou como podia ser tão livre? Não era justo com os demais, não era justo com ele, que era obrigado a esconder o que realmente era dos pais e até mesmo de Eduardo.
Não, nunca que permitiria mostrar sua fraqueza para quem mais admirava. No entanto, as coisas não eram como queria e acabava revelando aquela personalidade sem graça.
Por isso que se assustou quando Eduardo lhe disse que o amava no momento em que estavam juntos bem na relva e deitados um do lado do outro, sob a lua cheia e sua luz azulada.
A mão furtiva dele pegou sua nuca e o puxou para selar seus lábios. Gabriel se lembra que ficou assustado depois da confissão e que, por conta disso, se deixou levar ou pelo menos deixou Eduardo seguir em frente. Mas quando sentiu o toque úmido na boca, compreendeu que o amava como se tivesse tido uma revelação. Chorou e estava muito constrangido. Que bobeira, por que se achava tão pequeno? Eduardo, como sempre, lhe surpreendendo e sendo o feixe de luz no breu de sua mente confusa.
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