Pequenas Coisas

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá, pessoal! Decidi trazer algumas das minhas histórias aqui para o Nyah, começando com essa one-shot de um dos meus casais favoritos. Essa one-shot foi inspirada na música "Little Things" da boyband One Direction. Boa leitura!

Já era fim de tarde quando o sinal indicando o fim das aulas soou. Eijirou e Katsuki dirigiram-se até os armários escolares, prontos para irem embora juntos — como em todos os outros dias da semana.

— Você foi muito bem durante a corrida de revezamento, Bakugo — elogiou Kirishima, organizando apressadamente as suas coisas dentro do armário.

— Você também não foi nada mal, cabelo de merda — respondeu enquanto retirava alguns pertences de dentro de sua mochila para colocá-los no armário.

— Obrigado... — disse o ruivo, fechando a sua mochila e a ajustando em seus ombros. — Até segunda-feira — despediu-se acenando com a mão, recebendo um olhar confuso de seu amigo.

— Espera Kirishima — Katsuki chamou em um tom alto, segurando levemente o seu pulso, impedindo-o de ir embora. — Aonde é que você vai com tanta pressa?

— Para casa... — respondeu com a voz baixa.

O loiro não pôde evitar notar o estado de inquietação que Eijirou tinha desde que chegou ao colégio de manhã, até então não havia comentado nada com o mesmo, porque não queria soar como um intrometido. Porém no momento em que percebeu que Kirishima estava indo embora sem esperá-lo, não pôde deixar de perguntá-lo sobre o que estava acontecendo.

— Você não vai me esperar...? — indagou, soltando o pulso do outro.

— É-é q-que eu preciso alimentar a minha gata! — esclareceu rapidamente. — É isso! Eu preciso alimentar a minha gata e eu não posso demorar muito, me desculpe Bakugo, mas eu preciso ir agora — explicou apressadamente, dando as costas para o loiro e correndo em direção da saída do colégio.

Katsuki observou a figura de Kirishima desaparecer do seu campo de visão. Poderia ter acreditado nas palavras de Eijirou, caso o mesmo ao menos tivesse uma gata para alimentar. Bakugo sabia que o amigo era alérgico a gatos, perguntava-se o porquê do ruivo ter mentido para si. Não podia negar que não gostou nem um pouco de ter sido deixado sozinho pelo outro, contudo não se deu ao luxo de pensar muito no assunto.

Terminou de guardar as suas coisas na mochila e abriu o armário para guardar alguns livros, porém nota na porta do armário um pequeno envelope cor de rosa colado com um pedaço de fita. Bakugo imediatamente o pega, vendo que havia o nome de Kirishima no verso. Imediatamente sente o seu coração acelerar, sentindo dentro de si a curiosidade aumentar a cada instante. Decidiu abri-la ali mesmo, ainda tinha cerca de vinte minutos até os portões fecharem.

Sentou-se em um banco que ficava entre os armários, não havia mais nenhum aluno no colégio naquela altura, portanto se apressou em abrir o envelope e retirar lá de dentro algumas folhas, iniciando a sua leitura em silêncio.

Querido Katsuki Bakugo,

É estranho eu dizer que te amo sem ao menos ter experimentado desses teus lábios tão convidativos? É estranho sentir o meu peito entrar em combustão quando eu sinto a tua pele macia entrar em contato com a minha? É estranho estar apaixonado por você e por todas as pequenas coisinhas que você possui? Estranho não poder te dizer isso, pois sei que somos garotos e todos dizem que isso é errado, mas e daí? Não me importo com o que eles pensam, o que me importa é esse teu sorriso tão lindo quanto o encontro entre o céu e o mar.

Você é lindo, Katsuki. E eu odeio a forma como você detesta a si mesmo, apesar do ego alto, sei que ele também é frágil como porcelana. Detesto a forma como você odeia as pequenas dobrinhas dos seus olhos, mas saiba que quando você ri, elas te deixam ainda mais bonito. Sei que você nunca gostou da sua voz, do seu cabelo e nem das pequenas manchinhas que você tem nas suas costas, mas saiba que eu as amarei para sempre. E eu não vou deixar essas coisinhas que eu amo em você escaparem da minha boca, mas, se deixar eu posso lhe dizer que estou apaixonado por você e por todas essas suas coisinhas.

Sei que você não consegue ir para a cama sem tomar uma xícara de chá, e talvez seja por isso que você fala enquanto dorme. Eu percebi isso naquele acampamento que o nosso colégio organizou, nós dois dividimos a mesma barraca. E todas aquelas suas conversas durante o sono são os segredos que eu guardo, embora nenhum deles faça sentido para mim. Sabe Bakugo? Eu te admiro muito, você é, e sempre será uma inspiração para mim. A forma que você se esforça para sempre ser o melhor é tão... máscula. E eu amo isso.

Eu simplesmente amo esse seu jeito único de ser, mesmo que você seja meio grosseiro e arrogante às vezes, eu sei que no fundo você também é alguém gentil, prestativo e carinhoso. Eu amo como mesmo você sendo anti-social você ainda aceita sair comigo, e também, eu amo a forma como você sorri, mesmo que poucas vezes. O seu sorriso é lindo, assim como a sua risada... na verdade você é lindo por inteiro. Eu amo como a sua mão parece se encaixar perfeitamente na minha, você não imagina o quanto eu sonho em poder tocá-la. E sabe de outra coisa? Eu adoraria ser o seu namorado, mas ser apenas o seu melhor amigo também me serve.

Katsuki, você nunca irá se amar com metade da intensidade que eu amo você. Eu sempre lhe digo que estou aqui para te apoiar, esperando que em algum momento você se ame como eu amo você. Você é incrível, pena que não enxerga isso da mesma forma que eu, pois se você visse, meu querido, você nunca mais se sentiria estranho. A tua risada é tão doce e harmônica, que quando a escuto entro em modo automático, e quando percebo... eu já estou te desejando para mim novamente. Você não faz idéia do efeito que você causa em mim, pois se soubesse, você nem ao menos olharia na minha cara novamente.

Escrevi um pouco sobre o porquê de eu te amar e peço aos céus que no momento em que você encontrar essa carta no seu armário eu já tenha conseguido sair, porque eu não conseguiria encará-lo enquanto você a lê. Sei que isso não é nada másculo, e eu sinto vergonha por isso. Espero poder ter coragem para te ver depois disso.

P.S: Eu amo você e as pequenas coisas que te tornam único para mim.

Com amor, Eijirou.

(...)

Kirishima andava de um lado para o outro em seu quarto, estava inquieto. Suas mãos suavam e ele ainda podia sentir o seu coração batendo rapidamente contra o peito. Várias perguntas rondavam pela sua mente naquele momento, coisas do tipo: E se ele não gostar da carta? E se ele nem ao menos ler ela?! E se ele o odiar por ter feito aquilo?

Apesar dos vários “e se” que havia em sua mente naquele momento, uma certeza ele poderia ter: não precisaria mais esconder os seus sentimentos de Bakugo. Apenas pelo fato de ter escrito os seus sentimentos pelo loiro na carta fez com que o peso que carregava dentro de si diminuísse.

Após alguns minutos refletindo em sua cama, Kirishima decide levantar-se para fechar a janela, porém percebe que havia um par de olhos vermelhos o encarando naquele local.

— Bakugo! — Kirishima grita, dando alguns passos para trás. — Há quanto tempo você está aí perdurado?! — questiona, notando que o loiro usava os braços para apoiar-se em sua janela.

— Isso não importa — respondeu sério, entrando sem dificuldade no quarto de Eijirou. — Eu quero saber o que significa isso aqui — disse mostrando a carta para o outro.

Kirishima engole seco, não esperava que Katsuki viesse atrás de si, portanto as palavras que precisariam ser ditas nem ao menos se formaram em sua boca.

— Tudo que está escrito aqui é verdade? — perguntou com a voz calma, o que fez com que Eijirou se arrepiasse. Sabia que quando o amigo dizia algo com calma era por que estava realmente zangado. Notando o silêncio do outro Bakugo retorna a perguntar: — Essas coisas são sérias mesmo?

Kirishima respira fundo, tentando acalmar o seu coração. Não esperava que Bakugo realmente ficasse bravo por aquilo, porém agora precisaria admitir o que sente pelo seu melhor amigo, não poderia continuar escondendo os seus sentimentos daquela forma.

— Sim — confirma, encarando o loiro que estava de frente para si. — Tudo isso é sério e verdadeiro.

Katsuki examinou a expressão de Eijirou, apertou os lábios, sentindo o seu coração lhe dizer que aquele era o momento perfeito.

— Não é estranho você dizer que me ama sem ao menos ter me beijado, e também não é estranho sentir o seu peito entrar em combustão quando você está perto de mim — disse Bakugo, notando a expressão de surpresa que surgiu na face do outro. — E talvez não seja estranho você se apaixonar por mim e pelas pequenas coisas que eu possuo — sorriu ao notar o ruivo erguer as sobrancelhas, desacreditado. — Não é estranho você ser apaixonado por mim mesmo sendo um garoto, e realmente, que se fodam as outras pessoas — riu ao ver Kirishima fazer o mesmo, percebendo o seu olhar brilhar. — Você é lindo, Eijirou. E eu odeio a forma como você é tão inseguro em relação a si mesmo, apesar de sorridente, sei que você também se sente fraco, mas saiba que você não é — falou enquanto aproximava-se ainda mais do ruivo. — Detesto a forma como você odeia os seus dentes pontudos, mas saiba que quando você sorri, eles te deixam ainda mais bonito — sussurrou, agora com o corpo bem próximo do outro, vendo-o não recuar. — E eu irei deixar essas coisinhas que eu amo em você escaparem da minha boca, porque eu também estou apaixonado por você e por todas essas suas pequenas coisas — disse por fim, notando Eijirou entreabrir os lábios, porém não proferiu uma palavra sequer. — E realmente não é nada másculo você fugir assim de mim, seu idiota.

Kirishima sorriu, sentindo as suas bochechas corarem, mas naquele momento ele não se importava com isso, pois Bakugo encontrava-se da mesma forma. Pequenas lágrimas brilhavam em seus olhos, não imaginava que os seus sentimentos por Katsuki fossem mútuos, e certamente não poderia sentir-se mais feliz.

— Eu prometo que não vou mais fugir de você, Katsuki — disse Kirishima com um grandioso sorriso.

Notou Bakugo retribuí-lo, mordendo os próprios lábios em seguida, e devagar se aproximou ainda mais do ruivo, ao ponto em que os seus corpos se encontrassem colados um no outro, Eijirou lhe encarou, sentindo a sua respiração acelerar, porém a prendeu no momento em que sentiu os lábios sedentos do outro tocarem os seus. Sua boca tornou-se um caminho pelo qual Katsuki ansiava para percorrer por completo. Eijirou levou as duas mãos ao rosto do outro, sentindo o forte aperto em sua cintura, suas pernas entrelaçaram-se devido à extrema proximidade de ambos. Bakugo sentiu mordidas serem deixadas em seu lábio inferior, permitindo que a língua quente do ruivo explorasse cada centímetro do interior de sua boca.

O ar fez-se necessário e ambos separaram-se, ainda permanecendo com os corpos unidos, e juntos começaram a rir, sentindo os seus rostos ficarem cada vez mais vermelhos.

— Katsuki você está muito vermelho, parece um pimentão! — comentou Kirishima, acariciando o rosto do loiro com as duas mãos.

— Mas você também está! — retrucou, recebendo uma risada em resposta. — Ei... Eijirou — chamou, encarando os belos olhos carmesins que tanto lhe encantavam.

— Sim?

— Eu amo você e as pequenas coisas que te tornam único para mim — sussurrou, vendo-o sorrir, sentindo que enfim poderia permitir-se amar Eijirou e saber que os seus sentimentos são mútuos.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!