Pequenas Coisas

39 O cara mais sortudo do universo!


Renê narrando- O tempo passou rápido, vi a barriga da Helena crescer a cada centímetro. Ficou ainda mais linda grávida, se antes eu já tinha cuidado, durante, parecia um obcecado, não podia ver nenhum marmanjo encarando minha Helena. Não a respeitam nem com uma bebê na barriga! O tão esperado nono mês chegou, deixando-nos aflitos, muitas vezes passei a noite acordado a encarando, se ela se mexia, já ficava espantado e pronto pra correr até as coisas da Mel. Convenci a Helena a ter um parto cesárea, não quero vê-la sofrer em uma cama e muito menos perdê-la em um dos dias mais felizes da nossa vida. Voltei ao mundo real depois de ver a Helena me encarando. Sorri e ela retribuiu.

–- Você anda muito pensativo esses dias, senhor Renê.- Sentou-se ao meu lado, com suas pernas sobre as minhas.

–- Nunca me senti tão bem em toda minha vida. Com você, a Lê e a nossa menininha. Não quero que isso acabe. Nunca!

–- E não vai, amor. Nossa família é a melhor coisa que me aconteceu. Tenho duas princesas e um príncipe maravilhoso. O que mais poderia querer?

–- Mais um irmãozinho seria ótimo!- A Lê entra no quarto fazendo a Helena gargalhar.

–- A irmã nem nasceu ainda e já está querendo outro filha?

–- Claro, precisamos de um menino pra pegar no nosso pé.

–- Ah é, sua espertinha? Já terminou de fazer sua lição?

–- Não, na verdade vim pedir sua ajuda, não sou de exatas mamãe, sou de humanas, não entendo matemática.

–- Tudo bem, eu vou te ajudar, mas, vai ter que me ajudar no jantar mocinha.- Já disse e repeti a Helena que não queria que ela fizesse esforço, mas é tão teimosa que não me ouve. Mesmo com uma barriga de nove meses, não para quieta. As duas saíram do quarto e eu resolvi tomar meu banho. Comecei a preparar a aula do dia seguinte quando a Letícia entrou correndo.

–- Papai, corre! A mamãe tá sentindo dor.- Larguei todas as partituras sobre a cama e quase voei ao quarto da Lê.

–- Renê, tá na hora.- Ela falou se contorcendo de dor, a peguei no colo e fui direto para o carro. A Lê carregava a bolsa da Mel e eu voltei pra pegar a da Helena. Liguei pra Alice no caminho e pedi pra que ela avisasse a D. Cristina e nos encontrasse no hospital. Minha filha acariciava a barriga da Helena, como se pudesse aliviar sua dor. Logo chegamos ao Hospital, nosso obstetra já a esperava a encaminhando para a sala de cirurgia. Alice chegou e ficou com a Lê para que eu pudesse ficar com a Helena. Ela estava quase dormindo com a anestesia que aplicaram, permaneci ao seu lado, acariciando seu rosto e beijando sua cabeça. Ela me olhava com um brilho diferente nos olhos. Depois do que pareceram infinitas horas, um chorinho ecoou pela sala. Senti as lágrimas nos meus olhos, e um sorriso gigantesco tomou conta da minha face. Uma enfermeira trouxe um embrulho até mim, e eu a peguei nos braços, tão linda. Me curvei para que a Helena pudesse vê-la. Beijou-lhe a face e chorou, me fazendo chorar junto. A enfermeira voltou para levá-la e limpá-la. Prometendo devolvê-la em breve. Sequei os olhos da Helena, enquanto o médico terminava o procedimento. Depois de quase uma hora, já estávamos no quarto, a Helena amamentando a Mel, enquanto a Lê babava pela irmãzinha. Não posso falar nada, acho que sou mais babão que todos juntos. A Helena parece cansada, mas não tira o sorriso do rosto. Minha família está completa! Não existe algo que eu queira mais no mundo do que ver as mulheres da minha vida feliz. Posso dizer que sou o cara mais sortudo do universo, pois tenho tudo que preciso bem ao meu lado.

Notas finais
Dizem que não há notícia melhor do que o nascimento de uma criança. É a prova viva de que Deus ainda acredita na humanidade, então, que jeito melhor de terminar uma história do que um nascimento? Espero de coração que vocês tenham gostado. Obrigada por acompanharem.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!