Pequenas Coisas
17 Fica, por favor!
Notas iniciais
Helena narrando- Esses dias eu tenho praticamente morado na casa do Renê, só volto pra minha casa pra dormir, ontem a mãe da Camila esteve lá, tive a sensação de que ela não gostou da minha presença, mas não reclamou. A Alice está na casa da minha mãe, ela se recusa a voltar a morar com o Lucas, ele tá totalmente desnorteado com tudo isso. Eu tinha acabado de sair do banho quando a campainha aqui de casa tocou, fui atender e, pra minha supresa, era a Lúcia, mãe da Camila, pedi que ela entrasse, e assim o fez.
–- Helena, desculpe vir sem avisar, mas eu realmente preciso falar com você.- Ela disse me deixando curiosa.
–- Tudo bem, pode falar. Você quer alguma coisa?- Ela negou com a cabeça e eu me sentei ao seu lado.
–- Eu só quero saber o que você pretende com tudo isso.
–- Como assim?- Perguntei realmente confusa
–- Ora Helena, não se faça de desintendida. Esse teatro todo, o que você pretende com isso?- Deus! O que ela está falando?
–- Olha, eu vou ficar muito agradecida se você me falar onde quer chegar, eu não entendo...
–- Esse fingimento com a minha neta, é o Renê que você quer? Ele é casado!- Ela me interrompeu. Isso foi a coisa mais absurda que já ouvi.
–- Eu amo a Letícia, considero uma filha que não tive. E quanto ao Renê, ele não é mais casado, sinto muito, mas sua filha morreu. Não pretendo de maneira nenhuma tomar o lugar dela, mas não é justo que o Renê viva na sombra de uma pessoa que não estar mais entre nós.- Tentei soar calma, mas foi praticamente impossível, um nó se formou na minha garganta e não sei como desata-lo.
–- Helena você tem duas opções. Ou você sai da vida da minha neta e do Renê, ou eu vou entrar na justiça e tomar a guarda dela, não sei se você sabe, mas é bom ressaltar, o juíz desta cidade é meu amigo, não a pedido que eu o faça que ele não aceite, então é melhor que você saiba o que vai fazer. Se quer um conselho, esteja na casa dele ás 14:00hs amanhã sem falta, vai ser sua última visita àquela casa.- Não sabia que estava prendendo a respiração até sentir meus pulmões queimarem, as lágrimas que eu estava segurando cairam quando lembrei da promeça que fiz ao Renê a alguns dias, ele nunca iria me perdoar.
–- Você não pode fazer isso!.- Tentei me convencer disso e ela sorriu.
–- Não esqueça, às 14:00h em ponto! Não vou estar longe. Ah quase esqueci, comprei essa passagem pra você.- Tirou um envelope da bolsa e colocou sobre a mesa de centro.- Rio Grande Do Sul, acho que é uma distancia segura, você vai poder dar suas aulinhas lá, tem uma vaga de professora reservada pra você, viaja em dois dias.- Saiu e bateu a porta, desabei no sofá e coloquei tudo pra fora, chorei até não conseguir respirar. No dia seguinte, mal consegui ficar de pé, passei a noite em claro. Dei a pior aula da minha vida, as crianças persebendo que eu não estava bem não me encomodaram. Ás duas da tarde estava em frente a casa do Renê, respirando, tentando prender o choro. Toquei a campainha e um Renê sorridente apareceu.
–- Achei que você não vinha.- Ele disse e me abraçou. Olhei em volta e vi um carro do outro lado da rua, só podia ser ela! Puxei o Renê pra fora e chutei tudo.
–- Olha, eu não sei o que tá acontecendo entre a gente, mas seja lá o que for, não vai continuar.- Engoli em seco.Ele me olhou confuso, meu rosto estava queimando.- Eu quero ter uma vida normal, do lado de alguém que me ame pelo o que eu sou, não por ser uma babá, útiu pelo resto da vida.- Ele ficou imóvel me olhando, entrei na casa e fui em direção ao quarto da Lê, antes que eu pudesse chegar ele me alcançou.
–- Quer me machucar? Tudo bem, mas não vai fazer isso com a minha filha!- Ele segurou meu braço com um pouco de força, seus olhos estavam vermelhos. Por favor não chora, eu tô fazendo isso por você.
–- Me larga!- Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, a Lê me chamou e me abraçou. Não faz isso! Implorei sem emitir som.- Lê presta atenção , eu vou viajar, sair da cidade, vou passar um tempo sem te ver, talvez eu não volte.- Lágrimas escorriam por seu rosto, me desesperei.- Eu tenho que ir agora.
–- Não mamãe, você também não! Não me deixa, fica, por favor, ou me leva com você, eu te amo!- O Renê a abraçou e eu sai sem olhar pra trás. Entrei no meu carro e chorei, fiz as pessoas que mais amo sofrer, tô me sentindo um lixo.
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