Notas iniciais
Boa leitura

Alguns dias depois Helena narrando- Cheguei a escola e peguei as crianças no pátio, iniciei minha aula que passou rapidamente, na hora do intervalo fui até a sala dos professores tomar um café, o Renê logo depois chegou lá e ficamos conversando por um tempinho, até seu celular tocar, fiquei um pouco preocupada com ele, pois ele ficou um pouco alterado e muito nervoso, parecia tremer, ele desligou o celular e me pediu ajuda.

– Helena eu preciso da sua ajuda, você está de carro?

– Sim Renê, o que aconteceu pra te deixar assim?

– A minha mulher foi pro hospital, ela vai dar a luz! Helena eu preciso que você me dê uma carona até lá, meu carro está na oficina.- Falei desesperado.

– Calma Renê, eu vou te ajudar, vai avisar a diretora que nós vamos sair, que eu vou pegar o carro.

– Tudo bem- Saí e fui até a diretoria, convenci a diretora a nos liberar e corri para fora da escola onde a Helena já me esperava, quando chegamos no hospital, encontrei a D.Lúcia, minha sogra que havia levado a Camila para o hospital, ela me disse que já estavam preparando para o parto.

– Renê, vai ver o parto, eu aguardo notícias aqui- Falei tentando o acalmar.

René narrando- Entrei junto com a Camila na sala de parto, ela me parecia muito nervosa, estava pálida, eu tentava a deixar calma fazendo carinho em sua mão, percebi que algo estava errado quando o aparelho que media seus batimentos começou a acelerar me deixando muito nervoso, a médica a mandava respirar e fazer força, mas ela me parecia cansada, como se fosse desistir a qualquer momento, a médica a mandou forçar mais uma vez, mas essa não saiu como o esperado, o aparelho parou de apitar, chegou a zero batimentos cardíacos, a médica começou a fazer massagem cardíaca nela, mas ela não respondia a nenhuma tentativa, pelo contrario, nada acontecia, quando vi aquilo me desesperei.- Camila, Camila, fala comigo meu amor, pelo o amor de Deus, não me deixa- eu já não conseguia mais controlar meu choro, a minha princesa morreu, cortaram sua barriga pra tirar a criança, ouvi o chorinho da minha bebê, a médica conseguiu salvá-la, eu não consegui ficar feliz naquela situação, a levaram para o berçário e me mandaram sair da sala, não entendi o por que, mas estava atordoado demais pra pensar. Fui até a recepção onde estava a Helena e a Lúcia, assim que me viu, se desesperou temendo que tenha acontecido algo com a filha.

– Renê, o que aconteceu? A minha filha está bem?

Não consegui responder, nada que eu falasse iria fazer sentido, nada estava fazendo sentido. Encostei em uma parede e cedi, apenas chorei.

– Renê fala, o que aconteceu com a minha filha?

– Ela...ela morreu!- Percebi quando a D.Lúcia sentou em uma cadeira que estava ao meu lado também chorando muito.

– Renê, eu sinto muito pela sua mulher, mas e a sua filha? Ela está bem?

– Sim, conseguiram salva-la, a levaram para o berçário. — Minhas mãos estavam sobre meu rosto, e entre o dedos pude vê-la se ajoelhar em minha frente.

– Renê a sua filha precisa de você! Não pode deixa-la agora, vai vê-la?

– Não, eu preciso ver a Camila.

Helena narrando- O que eu mais temi está acontecendo, o Renê culpa a filha pelo o que aconteceu, eu preciso ajudá-lo a entender que ela é apenas um bebê indefeso e que não tem culpa de nada.

Continua..

Notas finais
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