Pequenas Coisas
22 Dias difíceis
Notas iniciais
Letícia narrando- Uou! que legal, que legal. O que eu mais queria finalmente aconteceu, o meu pai e a minha mãe vão casar. Eu sempre soube que uma hora isso ia acontecer, eles se amam e são lindos juntos, a nossa família vai ficar completa e o mais legal de tudo, pra sempre!
–- E então filha, gostou da notícia?- O papai perguntou e abraçou a minha mãe.
–- Tá brincando? Essa é a melhor notícia que eu poderia receber. Eu não consigo nem acreditar. -Sentei no safá e encarei a Helena que riu e sentou do meu lado me fazendo cafuné.
–- Filha, a gente tem que ir. — Meu pai falou e eu resmunguei um "Por que?".- Lembra que eu falei que não podiamos demorar? -Confirmei com a cabeça ainda um pouco relutante.
–- Ah não, fiquem, por favor.- Sorri de imediato.
–- Ué... Você falou não que queria ficar sozinha? -Meu pai perguntou confuso e a mamãe confirmou.
–- Sim, e já fiquei, aliás tempo suficiente, mas agora quero ficar com a minha família.- Ele sorriu e deitou no nosso colo, conversamos a tarde inteira. Tô tão feliz, eu como se eu começasse a viver agora.
Alguns meses depois
Helena narrando- Eu e o Renê marcamos nosso casamento pra daqui a um mês, vai ser uma cerimônia simples, só pra família e alguns amigos, mas tô muito nervosa. A Lúcia largou do meu pé depois que encontrou um namorado, não voltamos a tocar naquele assunto desde então. O único problema aparente é com a Letícia, não que ela seja um problema, longe disso, mas tem alguma coisa de errado acontecendo com ela, nesses últimos dias ela tem andado quietinha, não sai mais do quarto, e é um dilema danado tentar convence-la a ir à escola, não é mais aquela garota alegre que fala pelos cotovelos, o que tá me deixando muito preocupada.
–- Renê, eu acho que a gente precisa conversar né? A Letícia tá esquisita, eu sei que você também já percebeu, e isso tá me preocupando.
–- Você tem razão Helena, ela tá muito diferente, tentei ignorar achando que era uma fase, mas isso tá longe de ser normal. Seja lá o que for, é na escola, hoje de manhã ela até chorou, implorou pra não ter que ir á escola, me partiu o caração. -Tenho uma ideia do que possa está acontecendo, mas me recuso ter que admitir.- Que tal nós irmos até lá tentar descobrir o que está acontecendo?
–- Renê, me deixa conversar com ela primeiro, se ela não me contar, nós vamos à escola. Até hoje ainda não entendi o porquê que ela não estuda na escola onde trabalhamos.
–- Tudo bem, você conversa com ela primeiro, e depois vemos o que fazemos. E sobre a escola, você sabe que é exigência da Lúcia, aceitei pra evitar discussões. — Pra ser sincera, nem prestei atenção no que ele falou, estava como olhar longe, só consigo me preocupar com a Lê.
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