Pequena Sonhadora
1 Único
Notas iniciais
E todos os dias ela se fechava em seu quarto, em seu mundo, e se punha à sonhar. Fechava os olhos e vivia sua fantasia, se perdia em sua loucura.
Ao som do piano, da valsa, da música, ela dançava, girava e rodopiava. Pegava a solidão, chamava a tristeza e juntas davam seus passos. Dois para lá, três para cá... Um mundo inteiro para só Deus sabe onde.
Ajoelhava e rezava do jeito que dava, pedia proteção de seus santos e que nunca lhe faltasse sonhos.
– São Serafim, tenha a piedade de mim. São Francisco, São João... São Jorge e Santo Antônio!
Pedia perdão à Deus por existir e pelo seu jeito estranho e maluco de ser.
Fazia rima, era poeta das boas, rimas ricas saíam de sua boca. Era artista, palhaça, atriz. Interpretava grandes papéis de suas peças sem sentido. Chorava quando era preciso, sorria, sofria... Era a estrela, tinha sua fama.
Escrevia para os seus amantes, cartas que nunca foram entregues. Nelas expressava todo o amor que somente uma menina sonhadora poderia sentir, apenas aquela menina.
Deitava-se no chão, rolava, ria sozinha, sonhava mais um pouco, fechava os olhos e dormia... Entrava em seu mundo de ilusões, se perdia. Pequena sonhadora.
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