Pequena Esperança
1 Capítulo Unico
Notas iniciais
Estava sentada no pequeno banco do balanço, enquanto meus pés suspensos no ar, tentavam fazê-lo se movimentar, sem sucesso.
Pensei na razão de eu estar ali: todos os dias eu pensava na pessoa que havia me dado a vida. Isso porque eu morava com tia Rachel e sempre que questionava ela sobre a existência invisivel da minha verdadeira mãe ela trazia poucas respostas, curtas e diretas, que não me respondiam nada.
Apenas queria saber como ela era, se tinha cabelos curtos ou compridos, se seus olhos eram azuis como os meus, se ela gostava de chocolate-quente tanto quanto eu, mas minha tia apenas repetia que seu nome era Gabrielle.
Eu sabia que as duas tinham um grau de afinidade muito grande, ouvia as conversas sussurradas por telefone enquanto eu fingia estar dormindo quase diariamente, mas quando perguntava se era minha mãe do outro lado da linha, minha tia ficava zangada e me empurrava para o quarto, onde eu escutava o leve barulho da chave girando na porta e os murmurios continuarem.
De tanto perguntá-la sobre a situação, tia Rachel decidiu marcar um encontro para eu finalmente conhecer a razão de tantas dúvidas, e deixá-la em paz.
Imagina a euforia que eu fiquei nos dias que antecediam meu desejo de se realizar? Acho que não, é além do que qualquer coisa que você já sentiu.
E agora ali estava eu, esperando por algo que não conhecia, a alegria havia passado assim como o brilho da manhã durante as longas horas que passei ali, em seu lugar existia apenas incerteza. E se ela já tivesse passado por ali e não havia me reconhecido? E se eu perdera a única chance que tinha de vê-la?
Algo em minha mente dizia que ela não havia chegado, e que nunca chegaria. Tentei afastar aquela voz insessante, mas a mensagem já tinha se apoderado dos meus pensamentos em pequenos instantes.
Olhei para os lados nervosamente, tentando provar que a minha mente estava errada, mas percebi que ela estava certa.
A tristeza se alastrou em mim, me segurei nas frias correntes do balanço para não cair com aquele surto de realidade, era como se minha vida estivesse acabando, e eu queria me entregar aquela sensação. A morte deveria ser melhor do que aquele sentimento.
As lágrimas começaram a vir, até borrar meu rosto antes impecável, porém não fiz nada para afastá-las, meu corpo parecia não pertencer a mim para poder se movimentar. As pessoas caminhavam por ali, em seus rostos eu via pena, mas ninguém me ajudava. E eu fiquei ali, em um choro contínuo e angústiante até todos irem para suas casas.
Começou a nevar quando finalmente voltei para casa.
O vento cortava minhas bochechas rosadas enquanto eu ia pelas ruas para chegar o mais rápido possível, com medo dos fantasmas que a noite escondia.
Em poucos minutos avistei a nossa pequenina casa e entrei me certificando de que minha tia não estava em casa, como eu esperava, e indo para a cozinha.
Peguei um dos copos que estavam na pia e enchi-o de água, enquanto bebia uma coisa chamou minha atenção pelo seu brilho, olhei para o lado. Ali estava uma faca deixada na bancada.
Péssimo objeto para uma menina deprimida ver.
Ventava muito naquele dia escuro de inverno, olhei para as flores que havia trazido, agora jogadas no canto do brinquedo, pequenos borros vermelhos tentando se soltar do fraco laço rosa que os uniam em um pequeno buquê.
Notas finais
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