Pequena Bailarina
1 Nunca diga não á morte.
Notas iniciais
Não sei se está do modo que lhe agrada, mas garanto que o fiz com muito carinho.
Espero que com esta pequena história, eu possa ter a honra de receber o seu review ditando a sua opinião.
Boa leitura,
The Strange Lia.
Em mais um calmo e silencioso inverno, enquanto muitos saboreavam um chocolate-quente delicioso e assistiam aos seus filmes favoritos, uma bailarina dançava ao tentar esquecer certas decepções da vida.
Os suspiros feitos eram possíveis de se ouvir de longe do local. Choramingas por passos mal sucedidos, reclamações e impulsos sem pressa com os pés, também.
Apesar de o local estar sempre solitário e monótono em todas as estações, Lilian necessitava frequenta-lo todos os dias. Suspendia qualquer hostilidade para se encontrar ali. Apenas ela e sua bela sapatilha.
O lugar era um velho e abandonado estúdio de Ballet, que a mesma fazia tudo para mantê-lo em bom estado.
Os vidros, já embaçados pelo próprio tempo, mantinham um reflexo de longas noites dançantes. O que, mesmo sendo algo imperfeito, agradava a jovem.
–Vamos lá... –A garota suspirou, pronta para realizar os tão ensaiados passos de Ballet. Lilian deu impulso, usando o famoso demi-plié para realizar tal ação.
Com sucesso, a mesma fez um salto sissone, fazendo com que suas duas finas pernas ficassem abertas no ar, enquanto o corpo se deslocava na direção desejada. Para completar, realizou uma pirueta, usando os braços e a cabeça para aumentar o impulso.
Após voltar ao chão, sentou-se, cansada. Mas havia um largo sorriso estampado em seu rosto. Ela havia conseguido realizar os passos planejados á uma semana perfeitamente.
Com as mãos trêmulas, pegou em mãos um copo d’água e o ingeriu rapidamente, sedenta.
Apoiou suas mãos no suporte, escorregando pela parede, deixando-se assim, relaxar os membros e descansar um pouco.
Enquanto fechava os olhos, pode ser escutado um calmo e baixo som que aparentava ser uma pequena caixinha de musica á tocar. O som se aproximava cada vez mais, e Lilian, estranhando a musica, abre os olhos, recuperando a visão de local, e tomando um enorme susto com a presença desconhecida que havia ali.
No centro do local, havia uma criança, vestida totalmente em um traje de ballet. A mesma deixou a pequena caixinha de música no chão, que era o que produzia aquele som calmo e misterioso que afetara a curiosidade de Lilian.
–O que está fazendo? –Lilian levantou-se em um pulo, amedrontada com a presença da menininha, que apenas sorria angelicalmente olhando em direção á ela.
–Olhe a caixinha, Lili! Olhe a caixinha! –Exclamou a criança, entre risos animados e ao mesmo tempo sombrios, que fizeram Lilian caminhar até lá. A criança correu para longe dali, saindo de vista dela e o que restara fora apenas a caixinha de música.
O som continuava á soar pelo vazio, relaxando Lilian, e a fazendo sorrir inconsequentemente.
Ela então fitou a caixinha, que continha uma daquelas miniaturas de bailarina á dançar sobre a mesma. Lembrou-se então dos tempos de infância, dos quais o primeiro presente que ganhou foi uma caixinha musical, e desde então se apaixonou pelo ballet. Fitava sempre a miniatura e se admirava do quanto aqueles passos eram meigos e angelicais.
Perdida na imensidão de lembranças, nem sequer se tocou do que estava atrás de si mesma, sendo surpreendida rapidamente.
Havia algo gelado e amedrontador tocando em seu ombro, ela sentia a frieza que a fez arrepiar completamente a textura de sua pele. Fitou pelo cantinho do olho, com desespero, o que havia ali. Era uma mão. Dedos longos, pálidos e finos. Lilian gritou.
–Q-Quem és você? –Gaguejou, enclausurada por uma fortaleza de medo ao fitar o que havia ali. Uma sombria mulher se encontrava tocando o seu ombro.
–Ahh! –Novamente gritou. As características da moça á sua frente eram anormais.
Apesar de muito bonita, possuía olhos completamente brancos. Sem nada, apenas um branco vazio em seus olhos. Horrendo, com certeza. Seus cabelos eram negros e enormes, alcançavam o chão. Era uma mulher alta, lábios de cor roxa. Todos diriam que ela estava morta, tinha a aparência de que não havia nenhuma circulação de sangue por ali. Mas mortos não andavam por estúdios abandonados sem rumo, andavam?
–Calma, Lili... –A mulher estranha ri insanamente, puxando a garota pelos cabelos, realizando um abraço forçado. –Vai ficar tudo bem agora, eu estou com você. –Acariciou a testa da jovem, fazendo um corte em sua bochecha, graças ás unhas grandes e afiadas. –Eu estou com você. –Sussurrou novamente.
–Me solte! –A garota começa á se debater, amedrontada. -Por favor, me deixe em paz! –Tenta a empurrar, desesperada.
–Sh, sh, sh... –Põe os dedos pálidos e gélidos sobre os lábios de Lilian, que suspira, trêmula. –Eu sou sua amiga, eu não farei nadinha com você, sua bobinha. –Ri, fingindo uma expressão meiga.
–Então porque está fazendo isto comigo? Você nem seguer me conhece e está me machucando. –Lágrimas já caiam de sua face, traçando uma marca úmida em sua bochecha. -Estou assustada. O que quer comigo?
–Eu quero fazer você ser feliz. –A estranha sorri. –Quero que seja tão feliz quanto minhas meninas. –Aponta para o cantinho do espelho pertencente ao estúdio, onde, para a surpresa de Lilian, haviam cerca de dez menininhas vestidas de bailarinas, inclusive a que lhe entregou a caixinha, sorrindo. Pareciam felizes, mas vazias. Lilian continuava amedrontada.
–Por favor... Não... –Falava com dificuldade.
–Você irá vir comigo! –Retrucou em tom alto, a mulher. Olhando firmemente dentro de seus olhos. O que fez algo diferente ocorrer com a garota.
De repente, Lilian entra em uma espécie de transe, travando o próprio cenho e arregalando os olhos. A mulher sorri novamente.
–Você nunca deve disser não á morte. –Sussurra, cinicamente, enquanto Lilian se encontrava paralisada. –Você irá vir comigo, não vai, Lili?
–S-sim... –Lilian assente, forçada pelo tipo de hipnose que a mulher usava. Um segundo depois, desmaia pelo chão, sem forças.
–Ótimo. –Sorri largamente, e logo dá uma gargalhada má que ecoou por todo o local.
As criancinhas se entreolham, e finalmente poderiam retirar a face feliz do rosto, que não passava de fingimento.
–Porque faz isso com nós, bailarinas do estúdio? –Uma das meninas pergunta.
–Porque eu sou a morte, eu posso tudo. –Sorri. -E agora ela poderá ser uma bailarina pra sempre, trancafiada eternamente nesse estúdio com vocês. Dançando e dançando até as sapatilhas se desgastarem.
E assim foi. A maldição usada sem piedade pela mulher transformou Lilian em mais uma das meninas e ela teve que conviver por toda a sua vida naquele estúdio á dançar. Dizem que, até hoje és possivel se deparar com o reflexo das meninas no espelho do local, que é embaçado por apenas um motivo: O espírito das meninas estão presos ali. Pense bem antes de ir á um estudio abandonado, você pode encontra-las lá.
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