Peppermint Chocolate

1 Capítulo Único — Tapas e beijos


Nós ainda não estamos maduros o suficiente
Para chamarmos um ao outro de "amor"
Provavelmente é uma questão de tempo
Antes de chamarmos um ao outro de "amor"

Apenas sorria
Pronto? Nós queremos um relacionamento que aproveita
O sabor de um doce lentamente derretendo
Por que definir amor nessa idade?
As borboletas no estômago são boas o suficiente, é legal

Meu café de chocolate
Nós não somos apenas doçura
Chocolate com hortelã
Nós somos como a doçura refrescante da hortelã

Eu sei que tudo é sobre o tempo certo
Eu tenho um sentimento, você também? (apenas um sentimento)
Vamos falar sobre isso

Você consegue sentir como a hortelã..?

— K.Will e Mamamoo, "Peppermint chocolate".

— Você não quer mesmo? — Satsuki provocou pela enésima vez naquele dia, o que fez Aomine respirar fundo para não chacoalhá-la até seu estresse passar.

Ela estava sentada em cima da mesa de seu minúsculo apartamento, o que dava-lhe uma visão privilegiada de suas pernas alvas e de… outras coisas. Ele controlou a vontade de pedi-la para saísse de lá, pois isso faria com que Satsuki tivesse mais material para enchê-lo a porra do dia todo.

Assim sendo, focou em tentar descobrir se a lingerie dela era rosa ou dourada, e se o sutiã estava combinando.

— Não — respondeu lentamente, expulsando o ar de seus pulmões.

— Ah, qual é, Dai-chan. Um café achocolatado não vai te fazer engordar. Cê tá parecendo aqueles musos fitness.

Satsuki tentou prender a risada, sem sucesso. Recebeu um olhar fulminante dele, que logo voltou à atenção para o salteado de legumes, o único prato que estava autorizado a comer no jantar até a final da liga de basquete, que seria só em vinte e cinco dias. Bem, até lá poderia atormentá-lo ao seu bel prazer e não iria perder isso por nada.

Aomine resmungou alguma coisa sobre estar torrando sua paciência, mas ela continuou: sorveu o conteúdo de forma barulhenta, fazendo um som de apreciação.

— Satsuki, você vai perder todo o seu precioso cabelo se continuar fazendo isso — ele ameaçou entredentes, com um assovio, o que significava que estava quase no limite.

Ela apenas riu outra vez. Aomine fazia aquela ameaça desde que tinha idade o suficiente para falar.

Aomine não entendia como ainda abria a porta para ela. Sinceramente, pediria que o porteiro começasse a falar que tinha saído toda vez que Satsuki tentasse entrar. Só que antes disso precisaria trocar as fechaduras, o que era um dinheiro que ele definitivamente não possuía. Tentou uma abordagem mais amigável.

— Você não quer ir assistir tv enquanto eu termino de comer, Saachan? — perguntou em tom suave e com um sorriso leve.

— Wonnn, Dai-channnn! — ela apertou as próprias bochechas, fazendo caretas fofas. Ele raramente usava o apelido de infância, para o seu desgosto. —Estou tão emocionada que vou fazer isto por você. Repita saachan mais uma vez e eu saio.

Que diabo…

— Por favor, Saachan — Aomine tentou relaxar os músculos para disfarçar a careta de puro ódio.

Céus, só queria comer em paz. Já não bastava ter que comer aquelas comidas sem gosto todos os dias só porque tinha engordado míseros dois quilos, ainda precisava aguentar chacota de seus amigos, de seus pais e, principalmente, dessa peste.

Satsuki deu um sorriso brilhante e saiu da mesa/balcão, mas não antes de a saia levantar um pouco e dar à Aomine a visão da calcinha creme que ela usava.

— Vou indo... só porque você foi um docinho. — Uma veia saltou da testa dele. — ah, mas antes… é chocolate com hortelã.

E, puft, saiu.

Santo Deus, tinha hortelã no chocolate; era a única coisa que ele conseguiu raciocinar. Aomine era completamente louco por essa combinação desde que tinha provado-a, ainda no ventre de sua mãe.

Com um bufar indignado, ele largou sua gororoba na mesa e foi atrás dela. Satsuki estava sentada no sofá, apoiando a cabeça em um grande travesseiro, mas nem o decote da blusa, que ela abriu os primeiros botões, nem as pernas longas foram o suficiente para lhe acalmar.

— Sério isso? — questionou, incrédulo, quase gritando. — Você fodidamente veio para o meu apartamento tomando café com chocolate e hortelã sabendo que estou de dieta?

— Ué, eu não vou deixar de comer as coisas que eu gosto só porque você não pode — ela respondeu cinicamente, fazendo-o soltar uma exclamação sem humor.

Satsuki odiava hortelã com todas as suas forças, Aomine nem sabia como ela estava aguentando tomar.

— Você está mentido — desconfiou.

Ela soprou, mas ele não estava próximo o suficiente para sentir o seu hálito. Com um dar de ombros, abriu a tampa do café e soprou mais uma vez, fazendo com que o cheiro fresco de hortelã chegasse até ele.

— Está uma delicia, querido.

Aomine vacilou, tentado lembrar da glória da vitória e como isso era mais importante do que um prazer momentâneo. Bem, não estava funcionado.

— Dai-chan, é uma pena que você não possa... — ela continuou falando por dois minutos inteiros enquanto ele ponderava sobre tomar ou não.

De qualquer modo, Satsuki já tinha tomado uma boa parte, e isso fazia com que o estrago fosse menor. O treinador não iria nota no exame de glicemia — sim, a coisa estava sendo monitorada, ou você acha que ele estaria tão incerto só pela força da verdade? —, ou iria?

— ... e o foco... — Satsuki não calava a boca, atrapalhando sua linha de pensamento. E só havia uma coisa que faria com que parasse.

Com passos largos, Aomine alcançou-a e calou a sua boca com um beijo faminto. Seu corpo inteiro derreteu por um segundo. Ele adorava hortelã com chocolate, de fato, mas adicionar Satsuki à receita poderia torná-lo um viciado.

Beijou-a até que sua cabeça girar por falta de oxigênio e quebrou o beijo com dificuldade.

— Você tem razão: eu não consigo resistir — admitiu, arfante.

Satsuki não ficou totalmente surpresa, afinal, essa era sua intenção quando comprou aquela bebida horrorosa e foi até o chiqueiro dele. Talvez fosse estranho para alguns o fato de beijar o melhor amigo e não estar em uma amizade colorida, mas eles se entendiam, e era isso que importava.

— Você já ficou saciado, querido? — provocou, puxando-o para outro beijo.

E foi assim que Aomine saiu da dieta, coitado.

Uma garota como eu, um cara como você
Uma garota como eu, um cara como você

Chocolate com hortelã.

Notas finais
♠ História não betada. Qualquer erro, por favor, me avisem. ♠ Link da música: https://www.youtube.com/watch?v=R0W-voiYpQk
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!