Pepper Potts E O Projeto Corpus Cele

16 Capítulo 15 - Mila , A Pantera.


Notas iniciais
Oii gente *--*
Ontem não deu pra postar =/ desculpem.
Primeiro de tudo, Obrigada Pepperony ( Paula) pela recomendação *---* pulei de alegria , é muito bom receber esse carinho.
*Esse cap. foi de longe o melhor e mais longo que já escrevi. Contém uma estória toda aqui , criada por mim. Tenho um enorme carinho pela Mila e orgulho por ter sido fruto da minha imaginação. Espero que gostem !
Todos os diálogos estão em itálico. Fiz o maximo para não ficar confuso.
PS: Leiam a Nota Final


Estava sentada em frente a Tv com o controle na mão. Os canais passavam diante dos seus olhos em tal velocidade que apenas enxergava os borrões. Não fazia parte daquele mundo tecnológico , daquela vida sofisticada. Por tanto tempo havia sido mantida em cárcere , que achava que a vida seria sempre assim. Sua mente divagava assim como seus dedos apertavam os botão sem pausa. Não havia sequer um dia em que sua mente não se recordava dos fragmentos que compunham seu passado sombrio. Os gritos ecoando no fundo da mente , os rostos vazios de emoção com quem compartilhava o espaço. Seu dito lar , não era nada mais que um quartel general , onde pessoas bolavam estratégias sórdidas. E embora tudo fosse horrível , não negaria que seu corpo havia se acostumado aos combates e a toda velocidade e agilidade que havia sido treinada.



Desistindo de encontrar algo meramente interessante na TV , caminhou até a cozinha afim de preparar um drink. Havia se acostumado a apreciar uma boa dose de vinho , durante ou após as refeição com seu falecido marido Steve. Mas nem mesmo uma garrafa de vinho iria aliviar as tensões que teimavam em permanecem em seus ombros. O momento pedia o bom e velho uísque escocês de que tanto amava. O liquido de com âmbar , desceu arranhando sua garganta lhe produzindo uma careta. Havia muito tempo que não bebericava alguma espécie de álcool.



Se pudesse escolher apagar de sua mente todos os acontecimentos ruins do seu passado não hesitaria em nem momento. Ainda carregava a dor das vidas e dos rostos a sua frente. Ansiava por tentar apagar ou ao menos aliviar a carga pesada que havia sem escolha tomado pra si. Certa vez havia convencido Phil de lhe ajudar a agendar uma reunião com Nick Fury. Isso havia sido a algumas semanas atrás. Forçando a mente e tomando mais uma dose de uísque se recordava muito claramente do dialogo que tivera com Fury.


Ele andava pela sala contornando por vezes os hologramas , por outras apenas passando por eles. Mila se sentia ridícula por estar fazendo o pedido que havia acabado de fazer. Embora soubesse que de sua parte era puro egoísmo estar pretendendo voltar a atuar em campo de combate , em missões , tendo ficado todos esses anos afastada da filha. Embora sentindo que Pepper estava ocupada com seus próprios conflitos. Mas e se por algum deslize morresse ? Não suportaria deixar sua pequena mais uma vez sozinha no mundo.Mas ainda assim o peso de tudo que havia provocado estava a muito lhe incomodando. Talvez ao salvar vidas poderia compensar as tantas que havia tirado. Mas Nick , sempre sábio apenas fez que não com a cabeça olhando atentamente para o rosto contorcido de expectativa de Mila.



– Mila eu sinto mas... Não acho prudente essa sua atitude — disse por fim.



– Nick , todas as vidas que desfiz ... — disse sem poder continuar , deixando com que lágrimas pesadas rolassem sobre sua face.



Sua filha precisa de você Mila , e se por ventura algo acontecesse ? — indagou com os olhos cheios de indagações — Eu nunca iria me perdoar por ter deixando isso lhe acontecer.



– Fury ... — disse Mila outra vez , mas sem poder completar a frase. — Você tem razão , está coberto de razão.



– Encontraremos um meio de você ajudar e diminuir essa dor — disse ele determinado.



E por mas que se prendesse nessa esperança , no fundo sabia que os dias viriam e com eles mais remorso pesaria em seus ombros.



Enquanto se recordava do dialogo que havia tido com Nick Fury , digeria com mais facilidade todos os pontos arriscados de sua atitude. Seu lugar era ao lado da filha. Só desejava deletar todo o seu passado. Ainda sentia o aroma forte que emanava do bar ao lado , das bebidas alcoólicas de quinta categoria , espalhadas em forma de posas no chão. Das baratas e ratos moradores fieis do bairro onde se situava sua casa.E como um raio de sol depois de dias tempestuosos , poderia se recordar nitidamente de Steve com seu rosto vivo e saudável lhe pegar a mão lhe tirando de toda a precariedade.Embora antes disso , havia feito muita coisa.



Havia nascido em uma pacata e pequena aldeia no sul da Rússia. Na época não era permitido ter mais de um filho , a não ser que ambos fossem homens. O país passava por uma difícil fase , e o controle de natalidade havia sido adotado como meio de conter parte da economia. Sua mãe lhe amava muito , disto não havia duvidas , embora o apresso que a mesma tinha por seu marido era bem maior. Quando Mila nasceu , Oyahna sua mãe se viu sendo obrigada a salvar a vida da pequena , antes que os militares a roubassem dos seus braços. Com o desespero estampado na face , Oyahna mentiu para todos dizendo que seu pequeno e frágil bebe havia morrido no parto. A dita parteira havia ajudado com todo o plano. Havia lhe prometido levar Mila para um lugar melhor , onde uma boa família a alimentaria e cuidaria de sua educação.



O coração de mãe havia lhe avisado que talvez a parteira não fosse de total confiança , mas ainda assim era a melhor opção que tinha. Com um terno beijo na testa rosada e macia , Oyahna se despediu da filha ainda recém nascida , pedindo para que ela fosse feliz. A parteira havia tentado vender a pequena menina para algum maluco , mas ao se ver contra um policial , deixou Mila em uma porta qualquer. O destino da pequena havia sido em parte traçado , uma boa família havia pegado posse da guarda e cuidado de Mila até a mesma completar quatorze anos. Como já era de se esperar , ela havia se tornado uma bela jovem de pele alva e cabelos avermelhados. Os olhos azuis turquesas prendiam a atenção de qualquer ser humano que dedicasse ao menos um segundo ao admirar. Mila causava inveja nas mulheres e anseios nos homens. Em uma noite escura ao andar sozinha na rua, mesmo sabendo o perigo que poderia a cercar. Mila sentiu algo pesado lhe tampar os lábios e em seguida seu mundo havia desaparecido. O aroma forte , quase mortal havia entrado pelo o seu sistema , lhe ferido a alma. Estava fadada a uma vida suja de crimes e mortes.



A organização intitulada Os Ocultos , era uma das maiores no mercado negro com a missão de efetuar trabalhos sujos. Matar presidentes , mafiosos , políticos corruptos , assassinas duplos e afins. Os Ocultos preferiam mulheres a homens , pois assim o sucesso era garantido e sem rastros de pista incriminadoras. Sem ter para onde fugir e sendo ameaçada a ser a principal causadora da morte da sua família , Mila foi obrigada a se tonar uma Sem Rosto , como eram chamadas todas as mulheres dos Os Ocultos. Sem rosto , sem passado e sem futuro , apenas com o presente como companhia. E a morte. A cada ano via mais meninas entrarem do mesmo modo que havia sido forçada a entrar essa organização , e depois do treinamento de dois anos em que todas eram submetidas , saiam com seus corações completamente esmagado , dando lugar apenas a frieza e ganância.



Sua primeira missão foi aos 16 anos , depois de passar por diversas series de torturas e treinamentos pesados. Por fora poderia até ostentar a frieza no olhar , mas dentro do peito seu coração batia por uma fagulha de esperança. Por um futuro longe de todo o mau que estava vivendo. Foi na sua primeira missão , que conheceu Phil Coulson. O plano era se infiltrar no treinamento de cadentes e reunir importantes informações sobre o superior que treinava os mesmos. Mas enquanto treinava ao lado dos outros cadentes ,pela primeira vez sentiu que fazia parte de algo bom. Não demorou até se tornar amiga de Coulson e dividir com ele seu passado e sua real situação. Lembrava-se muito bem de um dos diálogos que havia tido com ele , ao contar sobre sua vida atual.



– Mila você não pode continuar assim — Phil vociferou preocupado.



– Não tenho escolha — abaixou os olhos — Eles irão matar a minha família Phil — disse observando os pares de olhos azuis calmos a sua frente.



– Mila — disse pegando as mãos dela , unindo com as suas — Eu irei te ajudar , prometo — disse balançando seus cabelo negros. — Prometo — lhe sorriu limpando todo o rancor do peito de Mila.



Havia encontrado um grande amigo. Queria que o seu passado houvesse sido outro , mas não fora bem assim. Depois de dois anos , teve a noticia de que Coulson havia sido convidado a participar de um novo projeto secreto. Ficou feliz ao saber que ao menos ele , seria feliz. Quando fitou o brilho no olhar de Coulson , a felicidade que o mesmo sentia, decidiu que colocaria um fim em sua vida tempestuosa e marcada. Iria arquitetar um modo de salvar sua família e depois a si mesma. Porém uma importante missão se aproximava , a mais importante de todas , aquela que havia sido treinada. A Pantera como era chamada por todos , teria que mostrar suas garras e obter resultados ao fazer isso. Ainda não havia recebido os detalhes nem as coordenadas da sua nova missão , só sabia que teria que se infiltrar em uma família e obviamente matar um deles. Se pudesse medir as consequências em uma balança , ou prever tudo que essa arriscada missão desencadearia , teria fugido , se negado , qualquer atitude que a afastasse do perigo.



A casa onde se infiltrou era nada mais que a mansão de um dos maiores magnatas do pais. Zebediah Stane , era um jogador compulsivo , em que via jogos sórdidos em todos os cantos. Jogava roleta russa na frente do filho Obadiah Stane e de sua esposa. Por vezes apontava o cano longo da arma bem no centro da testa do pequeno Obadiah , por mera diversão. Havia construído sua fortuna em cima de mortes e mais mortes , enquanto gargalhava sozinho bebericando sempre seu liquido de cor rubra , fazendo o brilhar a luz do ambiente. Mantinha um charuto sempre apertado entre os lábios , como um ritual. Seu maior erro foi, conquistar o apresso de um das mais poderosas revendedora de armas no mercado negro. Obviamente depois de conseguir o que desejava , a havia posto de lado. E agora a mando desta mesma mulher , Mila tinha a missão de acabar com a miserável vida de Zebediah e iria conseguir isso por intermédio de seu filho de Obadiah.



Repassando os longos meses antecedentes , Mila sentia seu coração se comprimir no peito. Os beijos lascivos de Obadiah que teve que aguentar , seu halito quente cheirando a charuto e sua personalidade compulsiva exatamente igual a do pai. Depois de garantir um lugar cativo no seio da família Stane , Mila saiu do seu pequeno quarto escuro , a fim de dar inicio ao que seria uma longa noite. Vestiu seu melhor vestido , com uma pequena fenda nas pernas , prendeu sua arma pequena porém letal na cinta liga.



O céu estava estrelado e a noite amena , sentiu alguém se aproximando enquanto esperava por seu táxi. Aquela voz afiada lhe feria a alma toda vez que ousava dizer algo. Porém mesmo que desejasse apagar está conversa de sua mente , se recordava com exatidão , do dialogo que mudará sua vida.



– Bela noite para morrer — disse o homem ao lado de Mila — Não acha minha Pantera ? — indagou roçando um dedo protegido por uma luva , no queixo de Mila.



– Não farei mas isso — respondeu num fio de voz — Nunca mais.



– Ah fará sim — sorriu , mesmo que seu rosto estivesse oculto por um capuz negro — Fará até quando e onde eu mandar — voltou a roçar seu dedo preguiçosamente pelos contornos do rosto de Mila.



– Você não pode me obrigar — disse voltando seu rosto para ele — Já sou de maior , e irei salvar minha família.



– Família ? — indagou levando a cabeça para trás enquanto enchia a rua com sua gargalhada sombria — Que família ? Estão todos mortos a muito tempo , não acredito que ainda pensa nisso.



– O que ? — indagou Mila , sentindo o ar lhe faltar — Mas você disse .... Todos os dias me enchia de ameaças — gritou cogitando arrancar sua arma da cinta liga e acabar com a vida daquele miserável.



– Nem pense nisso minha Pantera — disse agarrando o queixo de Mila com força , apertando seus lábios — Você sabe que esse aqui agora é seu único lar , nos somos a sua família — disse a largando bruscamente — Agora vá , seu táxi chegou.




Mila observou com os olhos marejados , seus músculos moles e frios o caminhar tenso e inflexível do primeiro Oculto. Não entendia porque havia travado de tal modo , poderia ter acabado com tudo naquele momento. Pensar que seu família estava morta , e nem pode se despedir lhe feria mais ainda o coração. A buzina do táxi lhe tirou do seu mais recente devaneio, a obrigando a voltar para cruel realidade. Subitamente sentiu todo o seu corpo se enrijecer , seus músculos se tornarem tensos e alertas , sua mente se transformando em Pantera. Seu coração pesava não por nenhuma dor , apenas por estar coberto por um extensa camada de gelo. Se agora seu destino era esse , aceitaria e faria o melhor.




Não lembrava-se muito da grande noite , apenas borrões mal feitos salpicados por gritos e sangue. Recordava-se de ter apreciado um jantar delicioso e ter trocado algumas frases simples com a mãe de Obadiah. A podre mulher viciada em remédios e bebidas , ostentava um olhar vazio e cansado , porém parecia ser uma boa pessoa. Depois do jantar foram todos para uma sala onde o fogo crepitava na lareira , fazendo com que algumas faíscas soltassem por cima do tapete rubro. A sala era sofisticada , com diversos quadros famosos em cada pedaço de parede. Em uma mesinha vários copos quadrados provavelmente de cristais , esperavam serem preenchidos pelo licor. Pai e filho , apertavam o charuto entre os lábios , enquanto ambos se deliciavam com as pernas cruzadas e expostas de Mila. Tamanho era o descaramento de Zebediah , que por um segundo fitou Mila lascivamente sem se importar com o filho. Por vezes Mila achava que eles dois gostavam de disputar tudo a sua volta.
Com isso Obadiah se levantou de onde estava a fim de se sentar ao lado de Mila , passando os dedos pelos ombros indo de encontro com o decote até que Zebediah sentia que teria que ter o controle da situação novamente. Esquecendo-se por hora seu charuto ao lado do capo vazio , pegou sua arma guardada em uma caixa de madeira. Retirou todas as balas , deixando apenas uma. Mila observou ele rodar a catraca da arma a engatilhando.



– Venha até aqui — chamou por sua mulher — Vamos brincar.



Mila observou o rosto vazio a sua frente , temendo por aquela mulher inocente. Preocupada , olhou para Obadiah procurando por um sinal de compaixão. Ele apenas sorria e lhe dizia que o pai sempre tinha sorte. Mas e a mãe dele ? O riso de escárnio de Zebediah veio a tona quando a primeira tentativa de matar sua própria esposa se perdeu . A mulher apenas fechou os olhos quando ouviu a arma se engatilhar uma segunda vez . O cano encostado na testa da podre. O estampido irrompeu o silêncio aterrador. Ouviu-se um grito abafado da podre antes de tombar no chão totalmente sem vida , criando uma poça rubra no tapete de mesma cor.



O rosto de Obadiah se contorcia sem entender que pela primeira vez , a sorte havia mudado. Mila levantou , sentindo o aperto firme e possessivo de Obadiah lhe ferir a pele alva , com um rápido movimento retirou sua arma da perna a apontando para a testa de Zebediah. Por alguns segundos a mente compulsiva dele achou se tratar de uma brincadeira sórdida , daquelas que ele amava , mas ao fitar o cristalino azul dos olhos a sua frente, soube que aquela poderia ser a sua hora.



– Mila ? — gritou Obadiah — O que está fazendo ?



– Brincando — disse antes de apertar o gatilho. Uma , duas , três balas no peito a queima roupa. Três segundos de medo e sangue. Ouviu Obadiah gritar e se lamentar mais pela perda do pai do que da mãe inocente.



– Por que fez isso ? — gritou procurando por um indicio de vida no corpo duro do pai. — Por que fez isso , sua .... sua



– Seu pai era um miserável — gritou Mila — Ele acabou de matar sua mãe , bem na sua frente. Será que não vê isso ? — indagou espantada.



– Mas ... Ele sempre fazia isso — disse com os olhos perdidos — Tudo bem amor , eu te perdoo , vamos fugir antes que ...



– Você é doente — disse Mila guardando a arma de volta na cinta liga.



– Hey — disse se aproximando dela , encostando seus lábios nos dela — Vamos fugir , eu sei onde meu pai guarda o dinheiro ...



– Sinto muito mas... — disse levando seu cotovelo de encontro com o abdômen de Obadiah — Não vai dar — disse desferindo um soco o fazendo adormecer.




Sabia que o tempo era curto , pois provavelmente a policia já devia estar a caminho tendo sido acionada pelos empregados da casa. Como não havia ouvido nenhum som de nenhuma parte da casa , assim que se esquivava nas sombras a fim de sair dali , julgou esse tipo de estampidos normal naquela mansão enorme , provavelmente os empregados já estavam acostumados.




Não poderia deixar de reprimir lagrimas pesadas e quentes ao se lembrar do pivô de tudo. Tempos depois de ser perseguida por Obadiah , que estranhamente ainda mantinha uma forte obsessão por ela , soube que ele alegou inocência a policia dizendo que seu pai havia enlouquecido de vez e tirado a vida da esposa , assim como a própria. Naturalmente Obadiah passou a ter o legado do pai , sobre as mãos.




Sem ter por onde fugir e não querendo estragar a maré de sorte que pairava por sobre seu amigo , Phil , Mila se deixou sucumbir pelas missões como Pantera. Seu coração já não tinha por quem lutar ou esperar , a sua própria solidão era sua única e leal companheira. Já havia aceitado seu destino , estava fadada a uma vida mergulhada no sangue de outras pessoas , quando os caminhos a levaram aos caminhos de Steve. Era uma simples missão. Roubar um projeto em andamento em uma organização secreta e nova. Era simples , se infiltraria em seguida conquistaria a confiança de todos e depois o projeto era seu. Mas todas as vezes que seu olhar encontrava os de Steve , sempre calmos e serenos , tudo se dissipava. O sorriso amplo e devastador , os cabelos rebeldes e despenteados e a voz ... Que poderia com apenas um tímido "Oi" , romper barreiras. Na primeira vez que por acidente seus dedos roçaram , Mila soube no fundo do seu coração que seria ele a quebrar o gelo duro em seu peito.




Iniciaram um romance que ambos sabiam que colocaria em risco suas vidas.



O amor que nutria por Steve havia se tornado o único motivo capaz de fazê-la suportar tudo e esquecer todo o sofrimento que havia passado. Não desejava de forma alguma expor sua dolorosa bagagem emocional , porém não poderia iniciar um romance de uma forma errada. Com isso havia se decidido por esclarecer todos os fatos e o avisar sobre os perigos. A noite que contaria seria o terceiro encontro que teriam . Steve a convidou para um jantar calmo e romântico em um restaurante espanhol. Mila sentia a ansiedade lhe corroer por dentro , estava ao mesmo tempo feliz e apreensiva , sabia que naquele encontro o seguinte passo seria dado , porém nunca havia se deitado com um homem antes.



No simples ato de se recordar de Steve , tão rotineiro em sua vida , poderia sentir o formigamento na pele e o calor. Uma lagrima preguiçosa e saudosa lhe percorreu a face enquanto um sorriso lhe roubava os lábios. Aquela lembrança era uma das poucas felizes.




Lembrava-se com exatidão do vestido vinho simples que havia escolhido , e da calça social preta , junto com a camisa cinza que Steve havia optado para a noite. Ainda sentia o calor dos dedos dele ao encaixar uma rosa vermelha por trás da sua orelha. O sorriso amplo , iluminando seu caminho com aqueles dentes perolados. Haviam dançado a noite inteira , Mila sempre com o rosto encostado sobre o peito de Steve ouvindo os batimentos cardíacos como uma doce melodia. Horas depois , Steve a convidou para ir até seu apartamento no Brooklin para tomarem um café. Mila automaticamente identificou um brilho fugaz no olhar dele , porém lhe sorriu agarrando a mão e seguindo seu coração. O café ficaria para o dia seguinte , pois antes mesmo da porta do antigo apartamento ser aberta , os dois se beijavam com paixão e necessidade. Mila sentia que enquanto abraçados atravessando o apartamento em direção ao quarto , ainda estavam dançando o romântico bolero de horas atrás. A mesma paixão , a troca de movimentos , as mãos ávidas por livrar ambos das vestimentas. Estar nos braços de Steve sentindo o calor dos seus braços e beijos umidos em sua pele , era um sentimento que julgaria nunca sentir na vida.



– Mila — sussurrou Steve — Eu te amo



– Eu te amo também Steve — disse fechando os olhos , sentindo seu coração aquecer — Como nunca amei ninguém.




De forma alguma desejava estragar o melhor momento de sua vida , tampouco o afastar de si , porém não poderia basear um relacionamento em mentiras. Com isso sentindo lagrimas de vergonha escaparem por seus olhos azuis , contou a Steve toda a verdade. Todo o seu passado , todas as mortes , tudo que lhe feria a alma. Observou atentamente os olhos quentes e convidativos de Steve se tornarem frios e aflitos. Recostada na cama , tentado conter as lagrimas o viu sair da cama andado de um lado a outro , como se estivesse remoendo algo difícil em sua mente.



– Steve ? — chamou baixinho , sentido que ao lado dele era apenas a Mila frágil e indefesa.



– Mila ... Eu — a fitou serio



– Entendo — disse por fim se enrolando aos lençóis a fim de sair da cama.



– Não, espere ... — disse Steve agarrando os ombros dela — Não vá ...



– Mas Steve ... — disse aflita — A minha vida ...



– Mila , eu te amo — disse antes de abraça-la fortemente — Você sofreu muito nessa vida , mas isso tudo acabou — disse a apertando em seus braços. — Você não irá sofrer mais.



Naquela noite , sentindo o aroma que emanava do seu corpo masculino , Mila se agarrou as promessas de Steve. O passado não importava mas , estaria apenas concentrada no seu presente e no futuro que construiria ao lado do seu amado. Os dois conseguiram manter o relacionamento em segredo apenas por alguns meses , depois disso ambos foram obrigados a larga tudo e fugir. Obviamente para Mila , largar tudo não era algo ruim. Ficou feliz em notar como uma outra assassina se destacava na organização Os Ocultos , pois assim seus deslizes propositais nas missões para que era designada não lhe trazia muitos problemas. Só não havia deixado Os Ocultos antes para não criar suspeitas e colocar a vida de Steve em perigo.Haviam fugido sem deixar rastros , largando passados , amigos e histórias. Steve largará seu projeto intitulado Corpus Cele com a promessa de não tocar mais em seu nome , Mila sabia que o projeto era importante e poderoso pois havia sido designada para o capturar. Porém essa vida não lhe pertencia mas , nada disso fazia mais sentido se é que algum dia fizerá.


Foram morar em uma cidade pequena e pacata , onde Mila sempre havia sonhado. Nas ferias viajavam até uma cabana que se situava um pouco antes de uma cadeia de montanhas. A madeira corrida e escura , os entalhos nas janelas e portas e até mesmo o rangido que o piso provocava eram especiais para Mila. Achava agora conhecer a verdadeira felicidade , porém a vida que crescia dentro de si traria um amor e felicidade sem fim. Os meses se passaram e com eles a sua barriga se tornava cada vez maior e mais redonda.Os chutes do bebe eram constantes quando Mila contava estórias ou quando Steve teimava em lhe contar piadas.



– Ela gosta das nossas vozes Steve — disse Mila alisando a barriga de cinco meses — Eu a amo tanto.



– Eu também a amo muito — disse Steve ternamente beijando o topo da testa de Mila. — Mas como sabe que é uma menina ? — indagou lhe sorrindo.



– Eu sinto — sorriu — O nome dela será Virginia ...



– Ela será linda como a mãe — disse Steve



– E terá a inteligência do pai — sorriu beijando os lábios de Steve.





O tempo passava com lentidão sob a visão de Mila. A cada dia via sua menininha aprender algo novo e lhe sorrir em todas as ocasiões. A via dar os primeiros passos , as primeiras palavras , os choros por teimosia , os abraços apertados e as perguntas inocentes. Passava todas as manhãs penteando seus longos cabelos ruivos e contando estórias ou cantigas. Por ter uma pele salpicada por sardas e lindos cabelos ruivos , era chamada de Pepper. Mila a chamava assim porque na verdade , ela era teimosa e de personalidade forte igual ao pai. Era a sua pimentinha. Em uma noite tarde de inverno , enquanto observava Pepper encher o pinheiro alto e verde com efeitos de natal , ouviu batidas rápidas na porta. Automaticamente sentiu seu coração se contorcer em seu peito. Encontrou o olhar de Steve igualmente receoso ao lado da porta , se relaxando logo em seguida. Fitou o amigo do seu marido adentrar a cabana , sustentando um sorriso calmo porém forçado nos lábios.


– Nicholas Fury — disse Steve o apresentando a Mila e a Pepper — Meu amigo de longa data — sorriu.



– É um prazer — disse Mila — Por que não se acomoda , eu irei preparar um café para nós — disse Mila agarrando a mão pequena e pálida de Pepper.- Quer me ajudar ? — indagou docemente fitando os olhos azuis da filha , que apenas concedeu um aceno de cabeça.



– Na verdade eu não posso me demorar — disse Fury.



– Por que não ? — indagou Steve — Parece até visita de médico — disse rindo.



– Antes fosse meu amigo — disse serio — Infelizmente minha visita trás um alerta.




O alerta era não mais que o destino lhe batendo a porta e tirando mais uma vez a felicidade de suas mãos cansadas. Desde que Mila e Steve fugiram , a organização secreta onde Steve trabalhou e Mila havia se infiltrado , passava por constantes arrombamentos. O sistema havia sido perdido diversas vezes e com ele os arquivos de projetos e missões. Todo o esquema envolvia muitas pessoas poderosas e demasiado dinheiro. Porém no ultimo arrombamento a ficha de Steve havia se perdido , deixando Nicholas preocupado. Naquela noite , após a visita de Nick Fury , Mila não havia conseguido dormir. As imagens em borrões criadas pela sua mente mostravam o assassinato de Steve e de Pepper , tudo isso exclusivamente por sua culpa. Sentido a dor lhe cravar o peito , Mila se decidiu por colocar um fim n’Os Ocultos. Por esse motivo a Pantera entraria novamente em ação , uma ultima vez somente.



Enquanto vestia uma calça flexível na cor preta , junto com uma camisa de mangas compridas na mesma cor , sentia seus olhos se umedecerem. Observou as paredes brancas da casa que tanto havia sonhado , o balcão de madeira , o vaso de lírios brancos e a lareira enfeitada por meias coloridas. O seu presente de natal , seria voltar para casa ao amanhecer a tempo de ver sua pequena abrir os presentes. Concedendo um último olhar a casa , Mila agarrou a adaga letal entre os dedos trêmulos , encaixando na tira que havia na cintura.



Quando finalmente chegou ao local , onde se encontrava a sede , Mila sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Sabia que poderia ser uma viagem sem volta , que provavelmente era uma emboscada certeira porém apesar de todos os fatos apontarem contra si , não havia alternativas a não ser lutar.
A noite estava fria , ventos fortes afastando os fios dos seus cabelos do rosto , chicoteando a pele alva e gélida. Sentia os seus batimentos cardíacos irregulares ecoando nos ouvidos , pulsando em cada passo que dava adiante. Se esgueirou nas sombras , sentindo o aroma familiar que por tantas vezes havia sido obrigada a aceitar , o puro aroma de álcool e drogas. Enquanto caminhava até uma porta secreta , observava os antigos moradores da rua em questão , os ratos e baratas.




Quando finalmente entrou na velha casa abandonada , o dito quartel general , ouviu o piso ranger debaixo dos seus pés. Não se via uma fresta de luz em nenhum canto , o breu havia tomado conta de cada centímetro deixando todo o local ainda mais sombrio.Usufruindo de toda a agilidade que possuía , Mila percorreu todos os cômodos apenas tateando as paredes á procura de uma alma viva , porém o lugar parecia ter sido evacuado. Não restava duvidas de que havia realmente sido uma emboscada. Com os dedos trêmulos , Mila voltou a tatear as paredes , roçando a palma da mão no concreto áspero e frio , quando ouviu o ranger do piso novamente.



– Eu sabia que veria — sussurrou uma voz masculina — Sabia que cairia nesse velho truque , minha Pantera. — disse elevando a voz em um tom agudo.



– Eu não sou mais aquela menina sonhadora — respondeu Mila firme , atenta a qualquer ruído em sua direção.



– Será que não ? — indagou rindo — Será mesmo que não ?



– Por que não se mostra , para que possamos acabar de uma vez com isso ? — indagou Mila , dando alguns passos para trás. — Não acha que está mais do que na hora de mostrar seu rosto ?



– Minha querida Pantera — disse rindo — Eu dito as regras por aqui , até porque você não está em posição.



– O que você quer dizer ? — indagou encontrando a parede atrás de si.



– Quero dizer que as pessoas morrem o tempo todo — disse com a voz gélida — Casas pegam fogo , carros batem — disse rindo. — Acidentes.



– Você ... Você não — disse pausadamente.



– Você verificou se não deixou o gás ligado ? — indagou fingindo preocupação — Sabe , pessoas morrem.



– Eu vou matar você — disse Mila contendo as lagrimas pesadas.



– Eu sou um líder — riu — Porém até mesmo um líder sabe sua hora de partir.



– O que você ...



– Deixe-me exemplificar — disse com a voz gélida — Haverá sim a minha morte hoje , porém não apenas a minha.- disse surpreendendo Mila , a agarrando com velocidade. — Sempre achei que formávamos uma ótima dupla — sussurrou roçando seus lábios frios na orelha de Mila. — Prometo que será rápido e indolor.



– Me larga seu .. — gritou Mila se contorcendo. — Seu miserável.



– Shh — sussurrou apertando o pequeno controle que tinha entre os dedos — Daqui a 60 segundos , a bomba irá disparar. — riu



– Ainda não chegou minha hora — disse Mila firme , tentando se afastar. — Você não irá vencer — disse se livrando dos braços firmes do Oculto.



– Não há saída — riu , enchendo o local com sua voz gélida — Não há escapatória.




Não poderia ver pois todo o local estava sob o breu , porém mentalmente fazia a contagem regressiva. Os segundos seguiam sem pausa , enquanto a risada de escárnio se fazia eterna aos ouvidos de Mila. A algum tempo atrás , deixaria as sombras a engolir , deixaria com que cada lembrança triste se perdesse em alguns segundos , tornando sua dor não mais eterna. Porém, naquele exato momento , Mila tinha por quem lutar , por quem sobreviver. Rapidamente, voltou a tatear as paredes até encontrar uma superfície lisa e fina a sua frente. Sem hesitar golpeou-a com toda a sua força , até sentir os fragmentos se partirem em milhares de pedaços lhe ferindo a pele. Antes que pudesse sentir o vento de encontro com sua pele ou mesmo o simples pensamento de estar preste a pular do segundo andar , o fogo lhe empurrou fazendo com que fosse atirada para longe.



A explosão havia consumido a velha casa em chamas vivas e invencíveis. Pensar que tudo havia enfim acabado parecia ser bom demais , o pensamento veio junto com gritos choros. Mesmo sentindo um talho aberto em sua testa emanar um liquido quente , e suas prováveis contusões ao redor do corpo , correu até o carro negro onde muitos dos seus antigos companheiros de trabalho estavam.Com expressões vazias , cada um empurrava uma criança para dentro do carro. Sentindo o ar lhe faltar , Mila tentou intervir porém as seis mulheres altamente treinadas eram demais para uma Pantera ferida.



– O que estão fazendo ? — gritou Mila , sentindo o frio em seu rosto — O que vocês ...



Você era pra estar morta — gritou uma das mulheres — Sua vadia imunda.



– O que iram fazer com essas crianças ? — indagou Mila nervosa.



– Elas ? — indagou friamente lançando um olhar reprovador para os pequenos rostos inchados. — São as novas pupilas , da nova geração d’Os Ocultos. — riu



– Eu quero ir embora — chorava uma menina de olhos verdes vibrantes — Me deixa sair — gritava.



– Por favor , não façam isso — implorava Mila sentindo cada parte do seu corpo doer — Não as machuquem. — disse intercalando seu olhar entre a mulher para a menina de olhos verdes.



– Eu não sigo suas ordens Pantera — riu a mulher disparando sua arma , atingindo o ombro de Mila.



– NÃO — gritou a menina de olhos verdes , balançando os cabelos vermelhos — Me deixem ir embora.



A voz da pequena menina permaneceu por anos em sua memória , cada gota de lagrima , cada imagem desfigurada. Depois do acontecido , Mila havia sido resgatada por Coulson que no momento fazia parte de uma pequena organização secreta. Aquela noite fria , nunca deixou de se manter inerte nas memórias de Mila. Porém soube aproveitar cada segundo que passava ao lado de Steve e Pepper , cada sorriso , cada lembrança doce. O destino havia lhe golpeado diversas vezes , lhe tirando tudo de que mais necessitava para sobreviver. Porém nada havia sido pior do que deixar sua família pelo medo de que alguém se ferisse por sua culpa. Naquela tarde , na Cabana viu o seu marido empurrar Pepper para um compartimento secreto no chão , com a esperança de salvar a todos. E assim mais uma vez o destino havia decretado , que assim seria.



Nunca deixou que o medo fosse maior que o amor que mantinha por sua família. Cada dia que passou afastada deles , cada segundo , pensou no amor que tinha por Steve e Pepper. Quando Obadiah , entrava na sala escura decidido a importunar , repetia as seguintes frases:



" Perdi minhas duas famílias , perdi minha infância , perdi amigos , perdi minha dignidade , perdi meu amor , perdi minha filha ... Mas não irá perder a Esperança"




Mesmo que tais lembranças lhe a ferissem a alma , as recordava como um mantra. Nunca desistiria de nada , pois a vida já havia lhe roubado infindos momentos , que não poderia se dar ao luxo de se privar de mais nada.

Notas finais
A estoria de Zebediah e Obadiah é verdadeira. Zebediah era louco , porém ele não matou a mãe de Obadiah - isso foi invenção minha- ao contrario , em uma de suas brincadeira com a roleta russa , Zebeadiah tirou a propria vida na frente do filho. Após isso Obadiah perdeu os cabelos.
Espero que tenham gostado !
Beijos meninas