Notas iniciais
Apresento mais uma de minhas poesias.
Palavras que fazem repensar nas escolhas comuns do dia-a-dia.
Espero que gostem!

PENUMBRA

Há uma nostalgia dentro de mim

Que martiriza.

Habita a angústia perene.

-----

Há uma dor amarga

Que corrompe.

Habita a consternação inimiga.

-----

Há um silêncio

Que ocupa.

Habita a assombração imprecisa.

-----

Há uma consumição

Que abrasa.

Habita a punição hedionda.

-----

Há uma ruína

Que esmola.

Habita o desconsolo ártico.

-----

Há um arrependimento

Que clama.

Habita a estima perdida.

-----

Há também

Um fogo acanhado,

Uma trilha estreita,

Um amanhã escasso,

Uma rendição retraída,

Um caminhar confundido,

Um atrevimento diminuído,

Uma utopia perdida,

Um refúgio deserto,

Um horizonte imperceptível.

-----

Agora, sou plebéia

Corriqueira e vencida.

Dentro de um corpo vazio.

-----

Agora, sou mulher

Avarenta e indigna.

Dentro de um ser miserável.

-----

Eu arruinei, devastei,

Destruí.

Eu corrompi, danifiquei,

Extingui.

-----

A solidão chegou.

Apoderou-se de tudo.

Ela extirpou o brilho,

Ela destroçou o ter.

-----

Ela estendeu os braços,

Varreu os laços,

Preencheu o espaço.

-----

Ela impetrou o exílio,

A ausência inabitada.

O isolamento profundo.

-----

Agora sou espectro.

Sou deserto e abandono.

Sou desamparo e esquecimento.

-----

Tornei-me penumbra,

Apenas neblina.

Sou meia-sombra do que fui,

Sou obscuridade.

-----

Não me cabe gritar,

Não considerei.

Não posso lamentar.

Não amei.

-----

Esta é a minha punição,

Criei minha própria assombração.

Fabriquei o monstro

E nele me transformei.

Notas finais
Deixe seu comentário.
É uma forma de estimulo para quem escreve e é sempre bem vindo!
Beijos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!