Notas iniciais
Quem já leu essa fic a primeira vez pode estranhar, mas eu reformulei ela e a reescrevi totalmente, mudei até a sinopse. Deixei apenas o título porque gosto dele, enfim a primeira vez escrevi pensei em escrevê-la dessa forma, mas acabou não ficando e publiquei ela mesmo assim, depois decidi reler e fiquei com vergonha, pois achei meio ruim e bem... Horrível, mas aqui está ela seminova. Ela não é muito focada em romance, mas acho que algo sempre fica subentendido, não sei, mas essa era a ideia. Espero que gostem.


Capítulo 1 — Capítulo Único

Okita notou que olhos de Kagura eram bonitos e muito parecidos com a cor do céu daquele dia, pois tanto um quanto outro eram de certa forma fascinantes. E mesmo que seus olhos tentassem transparecer certa calma, dava para perceber que uma tempestade estava prestes a acontecer, ou melhor, já era esperada.
Naquele momento ela havia chegado e destruindo a tudo que tocava, nos olhos azuis sempre sobressaia uma mistura de raiva e divertimento, toda sua ira era direcionada àquele garoto, Kagura não sabia exatamente o porquê, mas sempre que se dava conta já estava brigando e lhe tirando sangue quase que involuntariamente. Os dois se encontravam embaixo de uma árvore se encarando, um vento forte passou levando algumas folhas e poeira para longe, mesmo assim aguardavam o momento perfeito para dar o bote. Um inseto monstruoso movimentou-se e tomou a atenção do capitão do primeiro esquadrão da Shinsengumi, se fosse um dia normal provavelmente a garota também olharia, mas andava irritada e o motivo principal era aquele rapaz à sua frente, ele sempre a irritou, todavia naquele dia era diferente, queria vê-lo sangrar e pedir redenção, sonhou com ele e o sonho certamente envolvia alguma briga, mas não lembrava direito e de qualquer forma, não se importava.
Não hesitou e o atacou tão de repente que os dois acabaram indo ao chão, suas mãos se entrelaçaram e Okita a olhava diretamente nos olhos, por algum motivo demonstrando calma, esperando um momento de descuido para poder atacar e ficar por cima, mas a Yato estava atenta, apesar de querer aplicar uns bons tabefes naquela cara cínica e sádica, controlou-se. Okita mostrou um sorriso de canto e Kagura sentiu uma fúria que não demonstrou, tentou se manter calma e se preparar para o que viria.
— Está bem covarde hoje, China. Talvez já esteja pronta para lamber o chão que piso. — A garota sentiu o sangue subir-lhe a cabeça, era engraçado como qualquer palavra dele podia lhe tirar do sério.
— Ah, é? Aposto que vai gostar disso, maldito Sádico! — Kagura começou a desferir socos e tapas, mas notou que ele se esquivava de todos, ao longe ouvia vozes de crianças gritando: "Briga! Briga!"
Aquilo estava a irritando mais que tudo e precisava descontar sua raiva em alguém.
***

Okita também não sabia quando foi parar ali, só lembrava-se de ter a visto entrar no parque, passar por ele, provavelmente falou algo, não lembrava exatamente o quê e do nada estava com ela em cima dele soltando palavras maldosas.
O garoto segurou um soco bem rente ao nariz e se por acaso tivesse acertado teria feito um estrago, mas a outra mão de Kagura rumou para sua cabeça e o jeito como ela se moveu, foi quase como se fosse lhe fazer um afago, entretanto ele sabia que se Kagura pegasse o seu cabelo o que restaria seria apenas tufos soltos na mão. Quando tentou impedir que a Yato alcançasse os fios castanhos, suas mãos novamente se entrelaçaram e pela primeira vez Okita notou o quão pequenas e quase delicadas as suas mãos eram, ela se moveu e seus dedos roçaram em sua pele, eram suaves.
Quem diria que membros tão pequeninos como aqueles seriam capazes de tão grandes estragos quando irritada ou chamada para a briga?
— Eu vou te matar sim?
Ele ouviu a ameaça, mas não levou a sério.
Podia se dizer que a voz de Kagura era quase bonita, mesmo misturada àquele dialeto estranho que soava infantil. Sougo sempre estranhou, mas aos longo do tempo foi se acostumando, assim como a existência dela, foi achando normal brigar e irritá-la. Aquela presença estranha e louca depois de um tempo parou de parecer ridícula, o dialeto junto as roupas e o jeito de agir parecia ser o que realmente Kagura era, porém Okita não sabia dizer bem o quê.
O rapaz concentrou-se e resolveu revidar, com movimentos rápidos tirou a mão que estava entrelaçada e deu um soco na cara da Yato, ela chegou a fechar os olhos por um momento, provavelmente sentindo dor, um pouco de sangue desceu de sua boca e foi até o queixo, a pele branca -e aparentemente macia foi marcada.
Gostava daquilo, de observar aquele sangue manchando a pele. Era bonito; era como ver a neve sendo pintada de sangue, o vermelho evidenciava tudo e a tornava mais viva.
Kagura limpou rapidamente o líquido que descia da boca e mesmo assim os rastros ficaram, assim como pegadas de sangue, uma pequena ferida ficou em seus lábios.
— Gostou disso? — Ele perguntou, seu tom de voz saiu prazeroso e divertido, apesar de perguntar não esperou resposta, pois lhe deu outro soco, agora acertando diretamente a bochecha e com isso Kagura cambaleou para trás.
Logo se viu em cima dela, uma perna encostada no chão, ele a encarou de cama, majestoso, a garota parecia quase domada, mas sabia que não estava, pois a qualquer momento esperava um chute, soco ou nos maiores casos, uma mordida vindo dela, sabia que viria uma hora ou outra e o esperava.
Observou as roupas dela que se encontravam imundas, mas logo olhou o uniforme da shinsengumi que vestia e notou não está muito diferente, todavia não se importou, provavelmente Kagura também não.
Quando se distraiu a garota conseguiu alcançar seu cabelo...
Era um afago! Okita teve certeza.
E diferente do que esperava, ele sentiu dor quando o cabelo foi puxado para baixo, cerrou os dentes e puxou também os dela, apenas para dá o troco. Um dos acessórios chineses que já estava quase caindo, acabara de sair quando ele movimentou a cabeça da garota para cima com mais força, uma boa quantidade dos cabelos dela se encontrava em suas mãos, eram macios e sedosos e talvez podia ser coisa da sua cabeça, mas sentiu quase um cheiro bom vindo deles.
Enquanto tentava perceber se aquele cheiro era dela ou não com uma das mãos livres, Kagura deu-lhe um soco na costela, todavia ele não se mexeu, devolveu-lhe o "favor" e acertou um soco no rosto da garota, outro filete de sangue desceu do mesmo corte que abriu antes; ela ficou brava, urrou, os dentes brancos apareceram, então levou-se para frente e lhe deu uma cabeçada, olhos nos olhos.
Eles eram tão bonitos...
Mas diferente do que se pensava, um desaforo saiu da boca dos dois, o último prendedor de cabelo chinês saiu voando, o cabelo vermelho salmão cheio de terra e folhas secas de árvores, caiu-lhe sobre os ombros, um vento passou e soprou-os, então o capitão da Shinsengumi teve vontade de pegá-los novamente e puxá-los, tinha vontade de dizer que eram seus, por algum motivo, mas sabia que não eram e teve certeza que aquele cheiro bom, parecido com rosas, vinha deles.
— Agora eu acabo com você! — Ela gritou e Okita aceitou o desafio, tomou dois socos seguidos, um próximo ao olho e o outro na boca, mas não sangrou, o círculo de crianças incessantemente gritava, parecia que até em torno deles havia apostas sobre quem seria o vencedor.
Kagura usou as pernas fortes e empurrou Okita para trás, ele caiu de costas, mas rapidamente se levantou. Novamente se encontravam de pé, Kagura deu um passo para trás e ele fez o mesmo, provavelmente seria o último golpe dos dois, estavam cansados, Okita observou a garota à sua frente esfarrapada e suja, notou que naquele dia tinha algo estranho com ele, pois andava pensativo e distraído demais, sabia que a Yato era uma oponente forte, mas havia tomado muitos danos e isso era inaceitável...
Quando sua visão tornou a se focar viu quando Kagura ia para cima com os punhos fechados, pretendendo acertar um soco em seu olho, se esquivou por pouco e arriscou uma rasteira, mas a garota pulou, arrumou-se e tentou outro golpe, entretanto seu pé enganchou em uma raiz de árvore que se encontrava para cima, ao observar que ia cair preferiu se jogar em cima dele, pois com sorte podia ficar por cima e ainda ter a vantagem. Okita sentiu novamente o corpo pequeno e ao mesmo tempo leve levá-lo ao chão, era engraçado como os dois eram fadados a sempre se enroscar em meio a poeira e a podridão do solo sujo. Enquanto recebia outro soco próximo ao olho, Okita ouviu alguém chamar seu nome um pouco acima dos gritos das crianças irritantes, mas tão prontamente ignorou.
— Capitão Okita! Capitão Okita!
Yamazaki e alguns soldados da Shinsengumi vasculharam o parque e logo o soldado deduziu que onde havia algazarra das crianças, provavelmente seria onde o capitão estava, aproximou-se e começou a empurrar as crianças de sua frente delicadamente e rapidamente deu de cara com Okita e Kagura tentando acertar socos no outro.
— Capitão, pare de brigar, por favor!
Yamazaki gritou mais algumas vezes e notou que não resolvia nada chamar, se aproximou mais da briga e sem demora cogitou em intervir, mas tinha medo, sabia muito bem o que acontecia quando tentavam atrapalhar a briga daqueles dois, recorreu a dois soldados e pediu para que cuidassem da garota. Assim o fizeram, os dois homens seguraram a Yato por trás quando ela preparava outro soco, rapidamente começou a se debater mandando os malditos bandidos soltá-la, Yamazaki se aproximou do Capitão que já se encontrava em pé.
— O que fazem aqui? — Perguntou Okita, aborrecido.
— O Vice-comandante Hijikata pediu para buscá-lo. — O capitão denotou não entender o motivo — A reunião. — Completou Yamazaki.
“Ah, a reunião.” pensou, havia se esquecido totalmente.
— Daqui a pouco estou indo — Informou, vendo a Yato ainda se debater, recusava-se a partir enquanto não acabasse com ela.
— Tem que ser agora, Capitão. — Okita pensou bem e assentiu de mau- grado.
— Não tenho escolha. — Falou e os dois soldados soltaram Kagura conforme Okita começou a caminhar tirando a sujeira da roupa, mas viu que não resolvia nada e logo desistiu.
— Ei, maldito. Vai fugir não é? — Gritou a garota Yato.
— Cala a boca, outro dia resolvemos nossas contas. — Ele deu um meio olhar e viu que ela lhe mostrava o dedo do meio, Okita fez a cara costumeira de não-estou-nem-aí-para-você e então sumiu.
Kagura limpou a boca, sentou-se em um banco próximo a árvore, as crianças quando viram que os policiais separaram a briga, saíram correndo com o dinheiro das apostas.
— Na próxima vez — Prometeu um tanto mais calma — Eu acabo com a raça dele.
Okita quando voltou ao quartel e encontrou tanto o comandante, tanto o vice e toda a Shinsengumi tendo uma reunião. Kondo viu quando o jovem capitão se sentou todo sujo, os olhos meio inchados, o nariz e a boca sangrando, murmúrios correram pela sala, enquanto Okita sentava-se ignorando todo aquele barulho, falou o que tinha que falar e depois da reunião foi o primeiro a sair despreocupadamente.
O comandante quando o viu naquele estado deplorável começou a perguntar o tempo todo o que havia acontecido, se por acaso havia sido maltratado ou estava sofrendo bullying. Okita obviamente não respondeu, mas já sabendo que o chefe não o deixaria em paz até obter suas respostas, no fim acabou falando e sendo repreendido quase em seguida, jurou em um raro momento sério do homem gorila que não arrumaria briga com a garota chinesa e assim o faria, todavia não sabia até quando iria aguentar, afinal as contas deveriam ser resolvidas.
O capitão da Shinsengumi notou que não conseguia ficar em paz mesmo batendo e fazendo outros sofrerem, pois os outros não tinham aqueles mesmos olhos e não eram ela. Eram fracos e covardes, que não o desacatava por ser policial, diziam “sim, Senhor” e tudo era simplesmente muito decepcionante.
Um dia Okita a viu passar, estava de ronda, ela caminhava falando toda contente com o pessoal do Yorozuya, Kagura rapidamente mudou de cara ao vê-lo e aquilo não o ofendeu, pensou em comentar sobre sua cara feia, mas no mesmo instante lembrou-se da promessa que fez ao comandante e controlou-se.
E apesar de tentar não pensar naqueles olhos e todas as reações que a garota fazia enquanto os dois lutavam, ela tornou a repetir em sua cabeça tirando a pouca sanidade que Okita jurava que tinha, mas logo contentou-se ao saber que um dia, repentinamente e sem fazer planos, a encontraria em algum lugar e então os dois acabariam se enfrentando novamente; era sua sina ou qualquer coisa do tipo, qualquer que fosse, mas era algo predestinado e sem entendimento para nenhum dos dois.

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