Pensamentos noturnos
6 A corrida da Vida
Notas iniciais
Faz tempo que não posto, mas espero que gostem de mais este texto :)
E as luzes iam sendo uma por uma deixadas para trás enquanto o garoto corria sem parar por aquela rua escurecida pelas nuvens e a ausência da lua durante a fria e misteriosa madrugada, não tinha certeza do que ou para o que corria, apenas sabia que não podia diminuir o ritmo, era como se sua vida dependesse disso, e ainda ele não se lembrava por que.
Aos poucos os intervalos entre a iluminação dos postes foram aumentando e do mesmo jeito o tempo em que ele cai no meio daquelas trevas infinitas, só desejando chegar a próxima estação de luz inteiro. E o garoto não percebeu que as primeiras gotas começaram cair sobre seus cabelos negros que mau davam para diferenciar com a noite ao seu redor, apenas notou quando o som ensurdecedor do trovão o tirou de seus devaneios e simultaneamente o fez perder um pouco o equilíbrio, já era tarde demais quando tentou se proteger da chuva que caia como se fosse um dilúvio, estava encharcado no meio de uma tempestade que não parecia que iria acabar.Então se deixou levar pelo vendaval que carregava incessantemente as gotas de água para se chocar com o corpo fatigado do menino, que se não soubesse disso pensaria serem pequenos tiros atirados pelos trovões. Diante desses fenômenos ele pensou em parar para se abrigar, mas algo dentro dele queimava fazendo que ele seguisse em frente e isso o fazia se questionar cada vez mais forte o motivo de estar correndo, foi então que ao fundo enxergou um pequeno azulado no céu, indicando os primeiros raios de sol daquele dia, mesmo estando longe daquela região onde se poderia olhar para cima sem poder ver as nuvens carregadas, o garoto correu com mais vontade do que antes, pois pensava que ao chegar lá se lembraria do porque de estar correndo e poderia, enfim, entender a situação. Seu trajeto havia passado por ruas e becos que nenhuma pessoa entraria em nenhum momento, passava também por bosques escuros, onde se era possível escutar os sons dos animais que habitavam ali e por ultimo passara por casas, mas não eram casas quaisquer eram casas onde ele havia vivido ou estado em algum momento de sua pequena vida. Entretanto, ele não conseguia se lembrar do porque e quando havia estado nas casas em questão, apenas lembrava que devia continuar correndo, sem nunca olhar para trás ou tentar refazer qualquer caminho percorrido. E isso o incomodava, pois já era ruim ter que correr com dores percorrendo seu corpo e o suor ardendo em pequenas feridas feitas pelos percursos escolhidos. Nesse momento olhou para o lado e não reconheceu o reflexo de seu corpo nos vidros dos prédios, via um corpo maduro e adulto, e mesmo não entendendo como isso era possível aceitou que aquele era seu corpo e continuou em direção ao nascer do sol, que agora se encontrava próximo e distante ao mesmo tempo. Nesse instante percebeu um cheiro peculiar lhe dominar o olfato, um cheiro forte que deixava o ar com um gosto salgado, o cheiro do mar, que o fez perceber que aquele era o fim da estrada e que mesmo sendo o fim, a sua história estava só começando.
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