A humanidade ainda não sentiu a intensidade de seus próprios tremores

Não encontramos a graça omitida em catástrofes

Não encontramos a essência dos campos verdes e perfumados

Não soubemos despertar a felicidade enterrada em julgamentos

Não pudemos realizar sonhos lúcidos

Nós, humanos, cegos, mudos, surdos e irreversívelmente sádicos

Porque ainda não nos vemos como um todo?

Como ainda vivemos nos destroços, luxuosamente pobres?

Presos em nós mesmos

Não achamos nossa verdadeira identidade

Não sabemos a verdade, não somos os juízes vendados

Não somos artificiais

Somos apenas humanos excepcionais

Vemos um sorriso sincero, porém não o sentimos

Pois nós já estamos perdidos

Pois já estamos emersos no oceano

Pois ainda não sabemos apreciar a jornada diária do sol

Ou o balançar das folhas

Porque nós somos humanos.